domingo, 9 de novembro de 2014

III- Liberdade de Pensamento- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec-LIVRO TERCEIRO -CAPÍTULO X -LEI DE LIBERDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO X -  LEI DE LIBERDADE
III-       Liberdade de Pensamento
(Questões 833 à 834)


 Há no homem qualquer coisa que escape a todo o constrangimento, e pela qual ele goze de uma liberdade absoluta isto é o pensamento. Pelo pensamento que o homem goza de uma liberdade sem limites, porque o pensamento não conhece entraves. Pode-se impedir a sua manifestação, mas não aniquilá-lo.

O homem é responsável pelo seu pensamento perante Deus. Só Deus, podendo conhecê-lo, condena-o ou absolve-o, segundo a sua justiça.


II- Escravidão - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec-LIVRO TERCEIRO -CAPÍTULO X -LEI DE LIBERDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO X -  LEI DE LIBERDADE
II-         Escravidão
(Questões 829 à 832)

  Não há homens naturalmente destinados a ser propriedade de outros homens, pois que toda sujeição absoluta de um homem a outro é contrária à lei de Deus.

A escravidão é um abuso da força que desaparecerá com o progresso, como pouco a pouco desaparecerão todos os abusos.

Comentário de Kardec: A lei humana que estabelece a escravidão é uma lei contra a natureza, pois assemelha o homem ao bruto e o degrada moral e fisicamente.

Quando a escravidão pertence aos costumes de um povo, são repreensíveis os que a praticam, ainda que sigam um uso que lhes parece natural, pois o mal é sempre o mal. Todos os vossos sofismas não farão que uma ação má se torne boa. Mas a responsabilidade do mal é relativa aos meios de que dispondes para o compreender.

Aquele que se serve da lei da escravidão é sempre culpável de uma violação da lei natural; mas nisso, como em todas as coisas, a culpabilidade é relativa. Sendo a escravidão um costume entre certos povos, o homem pode praticá-la de boa-fé, como uma coisa que lhe parece natural. Mas desde que a sua razão, mais desenvolvida e sobretudo esclarecida pelas luzes do Cristianismo, lhe mostrou no escravo um seu igual perante Deus, ele não tem mais desculpas.

A desigualdade natural das aptidões coloca certas raças humanas sob a dependência das raças inteligentes, para as elevar e não para as embrutecer ainda mais na escravidão.

Os homens têm considerado, há muito, certas raças humanas como animais domesticáveis, munidos de braços e de mãos, e se julgaram no direito de vender os seus membros como bestas de carga. Consideram-se de sangue mais puro. Insensatos, que não enxergam além da matéria! Não é o sangue que deve ser mais ou menos puro, mas o Espírito.

Aqueles homens que tratam os seus escravos com humanidade, que nada lhes deixam faltar e pensam que a liberdade os exporia a mais privações, digo que compreendem melhor os seus interesses. Eles têm também muito cuidado com os seus bois e os seus cavalos, a fim de tirarem mais proveito no mercado. Não são culpados como os que os maltratam, mas nem por isso deixam de usá-los como mercadorias, privando-os do direito de se pertencerem a si mesmos.


I- Liberdade Natural - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec-LIVRO TERCEIRO -CAPÍTULO X -LEI DE LIBERDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO X -  LEI DE LIBERDADE
I-           Liberdade Natural
(Questões 825 à 828)

Não há posições no mundo em que o homem possa gabar-se de gozar de uma liberdade absoluta, porque vós todos necessitais uns dos outros, os pequenos como os grandes.

A condição com que o homem pudesse gozar de liberdade absoluta é a do eremita no deserto. Desde que haja dois homens juntos, há direitos a respeitar e não terão eles, portanto, liberdade absoluta.

A obrigação de respeitar os direitos alheios não tira ao homem o direito de se pertencer a si mesmo, pois esse é um direito que lhe vem da natureza.

Para conciliar as opiniões liberais de certos homens com o seu frequente despotismo no lar e com os seus subordinados, deve-se compreender que  possuem a compreensão da lei natural, mas contrabalançada pelo orgulho e pelo egoísmo. Sabem o que devem fazer, quando não transformam os seus princípios numa comédia bem calculada, mas não o fazem.

Os princípios que professaram nesta vida lhes serão levados em conta na outra. Porém quanto mais inteligência tenha o homem para compreender um princípio, menos escusável será de não o aplicar a si mesmo. Na verdade, vos digo que o homem simples, mas sincero, está mais adiantado no caminho de Deus do que aquele que aparenta o que não é.


sábado, 8 de novembro de 2014

RESIGNAÇÃO ESPÍRITA - COMO EU ENTENDO O HOMEM NOVO - JOSÉ HERCULANO PIRES

RESIGNAÇÃO ESPÍRITA    




Uma das acusações que se fazem ao Espiritismo é a de levar o humano ao conformismo.

 “Os espíritas se conformam com tudo, — escrevem-nos — e dessa maneira acabarão impedindo o progresso, criando entre nós um clima de marasmo, favorável às tiranias políticas do Oriente. 

A ideia da reencarnação é o caldo de cultura do despotismo, pois as massas crentes se entregam a qualquer jugo”.  

Muitos confundem a resignação espírita com o conformismo religioso. Mas, contraditoriamente, acusam o Espiritismo e não acusam as religiões. Por outro lado, tiram conclusões teóricas de fatos que podem ser observados na prática. 

A ideia da reencarnação não é nova, não nasceu com o Espiritismo, e não precisamos teorizar a respeito, pois temos toda a história da humanidade ante os olhos, para nos mostrar praticamente os seus efeitos. 

Vamos, entretanto, por ordem. E tratemos, primeiro, da resignação e do conformismo. A resignação espírita decorre, não de uma sujeição místico-religiosa a forças incontroláveis, mas de uma compreensão do problema da vida. 

Quando o espírita se resigna, não está se submetendo pelo medo, mas apenas aceitando uma realidade à qual terá de sujeitar, exatamente para superá-la, para vencê-la.

Não é, pois, o conformismo que se manifesta nessa resignação, mas a inteligente compreensão de que a vida é um processo em desenvolvimento, dentro do qual o humano tem de se equilibrar. 

 Acaso não é assim que fazemos todos, espíritas e não espíritas, em nossa vida diária?

O leitor inconformado não é também obrigado, diariamente, a aceitar uma porção de coisas a que gostaria de furtar-se?

Mas a diferença entre resignação ou aceitação, de um lado, e conformismo, de outro, é que a primeira atitude é ativa e consciente, enquanto a segunda é passiva e inconsciente. 

O Espiritismo nos ensina a aceitar a realidade para vencê-la.  “Se a doença o acossa, — dizem — o espírita entende que está sendo vítima do fatalismo da Lei de Deus, do destino irrevogável. 

Se a morte lhe rouba um ente querido, ele acha que não deve chorar, mas agradecer a Deus. Se o patrão o pune, ele se submete; se o amigo o trai, ele perdoa; se o inimigo lhe bate na face esquerda, ele lhe oferece a direita. 

O Espiritismo é a doutrina da despersonalização humana”.  Mas acontece que essa despersonalização não é ensinada pelo Espiritismo, e sim pelo Cristianismo.

Quando o Espiritismo ensina a conformação diante da doença e da morte, o perdão das ofensas e das traições, nada mais está fazendo do que repetir as lições evangélicas. 

Ora, como o leitor acusa o Espiritismo em nome do Cristianismo, é evidente que está em contradição. Além disso, convém esclarecer que não se trata de despersonalização, mas de sublimação da personalidade.

O que o Cristianismo e o Espiritismo querem é que o humano egoísta, brutal, carnal, agressivo, animalesco, seja substituído pelo humano espiritual.

A “personalidade” animal deve dar lugar à verdadeira personalidade humana.  

Quanto ao caso das doenças, seria oportuno lembrar ao leitor as curas espíritas. Não chega isso para mostrar que não há fatalismo divino? 

O que há é a compreensão de que a doença tem o seu papel na vida humana. Mas cabe ao humano, nesse terreno, como em todos os demais, lutar para vencê-la. 

O Espiritismo, longe de ser uma doutrina conformista, é uma doutrina de luta. O espírita luta incessantemente, dia e noite, para superar o mundo e superar-se a si mesmo. Conhecendo, porém, o processo da vida e as suas exigências, não se atira cegamente à luta, mas procurando realizá-la com inteligência, num constante equilíbrio entre as suas forças e o poder dos obstáculos.   

(Vou opinar:  
- Quando o espírita se resigna, não está se submetendo pelo medo, mas apenas aceitando uma realidade à qual terá de sujeitar, exatamente para superá-la, para vencê-la.  

Entendendo que, o ‘problema’ tem suas razões para estar ocorrendo, é mais fácil aceitá-lo e trabalhar para resolvê-lo de forma equilibrada e correta. O princípio básico é: Deus é justíssimo, portanto a Lei de Deus é justíssima, sendo tudo justo, devo me corrigir para superar esse ‘problema’ de forma definitiva, se não conseguir plenamente nesta encarnação concluirei na próxima!...  

- O espírita luta incessantemente, dia e noite, para superar o mundo e superar-se a si mesmo.  

Aqui está se referindo ao estudante equilibrado da Doutrina dos Espíritos. Existem muitos espíritas que o são por ‘osmose’, não estudam, não se atualizam...) 

“A LEI SE FEZ NOSSO PEDAGOGO PARA NOS CONDUZIR ATÉ CRISTO”. - COMO EU ENTENDO O HOMEM NOVO - JOSÉ HERCULANO PIRES

“A LEI SE FEZ NOSSO PEDAGOGO PARA NOS CONDUZIR ATÉ CRISTO”.    


Uma frase de Paulo aos gálatas define a evolução religiosa do humano — Das religiões primitivas à “lei” dos judeus e ao Cristianismo.   

O estudo das religiões só pode ser realizado de maneira fecunda à luz dos princípios espíritas. 

Se encararmos o fenômeno religioso do ponto de vista de qualquer das religiões hoje dominantes no mundo, seremos forçados a uma atitude parcial, que não nos deixará chegar a uma conclusão objetiva. 

Se o encararmos do ponto de vista de qualquer das escolas filosóficas em voga, ou das antigas, ou se o tratarmos à luz da sociologia e da etnologia, ou mesmo da antropologia cultural, chegaremos a conclusões destituídas de sentido espiritual. 

A religião será vista apenas no seu aspecto formal, objetivo.  As escolas ocultistas, esotéricas e teosóficas, penetram mais fundo no assunto. Não obstante, apresentam concepções nem sempre admissíveis à luz da razão. 

Os estudos de religiões comparadas são praticamente formais, e as filosofias espiritualistas, mesmo a de Bergson, que lança maior quantidade de luz sobre o assunto, param no momento exato em que mais deviam avançar. 

O Espiritismo, combinando a razão e a intuição, a observação objetiva e a subjetiva, os métodos de pesquisa e observação da ciência e os métodos próprios de indagação espírita, abrange na sua concepção todo o panorama do fenômeno religioso. 

Precisamente em virtude dessa capacidade de amplitude da visão espírita, muitos estudiosos da doutrina se recusam a admiti-la como uma manifestação cristã. 

Habituados a encarar o Cristianismo como uma simples forma de religião, pensam que o qualificativo de cristão estabelece limites à interpretação espírita do fenômeno religioso. 

Não obstante, os que têm aprofundado o assunto são unânimes, a partir de Kardec e Denis, em reconhecer que a condição cristã é indispensável ao Espiritismo, para que ele realmente seja a doutrina ampla que é. 

O Cristianismo, analisado “em Espírito e verdade”, não é uma forma estreita de crença, mas uma forma ampla de compreensão.

Na sua apreciação do fenômeno religioso, o Espiritismo começa, desde Kardec, por admitir que o desenvolvimento religioso do humano atingiu, com o Cristianismo, um dos seus momentos decisivos.

 Cristo não foi apenas um marco entre dois mundos, mas também e, sobretudo, a expressão mais alta da evolução espiritual do humano e o orientador do seu desenvolvimento futuro. 

Pouco importa que, no processo histórico, o Cristianismo tenha sido submetido a injunções temporais, e aparentemente perdido a sua força transformadora.

A própria história nos mostra que ele nunca pôde ser completamente submetido, e que, no momento previsto pelo próprio Cristo, conseguiu romper todas as amarras da tradição e mostrar-se novamente na sua verdadeira natureza. À semelhança do próprio Cristo, o Cristianismo ressuscitou, depois de haver descido ao sepulcro e às regiões inferiores.

O Espiritismo nos mostra a evolução religiosa do humano como um lento processo, que vem do animismo e fetichismo primitivos até às formas complexas de religiões da antiguidade, com sua multiplicidade de deuses e de fórmulas, suas hierarquias sacerdotais e seus sistemas aparatosos de cultos. 

Depois, num estágio mais adiantado, aparece a religião monoteísta dos judeus, embora ainda apegada a fórmulas pagãs, inclusive no tocante aos rituais sangrentos do sacrifício. 

Por fim, surge o Cristianismo, com seu espírito de liberdade, que o apóstolo Paulo exalta em suas epístolas. O Cristianismo é a espiritualização da religião. Liberta-a do culto formalista, da exterioridade, da organização social. Liberta-a da “lei”, como ensina Paulo, advertindo aos gálatas (23:24) que a única função da lei foi a de pedagogo, para conduzir-nos à liberdade em Cristo.  

Como vemos, o Cristianismo surge no curso da evolução religiosa como um momento de emancipação espiritual do humano. Depois, submerge também no oceano de fórmulas sacramentais e sistemas dogmáticos a que a mente humana se habituara através dos tempos.

Mas, no meio de todas as exterioridades, conserva a sua força interior, até o momento anunciado pelo Cristo, segundo o Evangelho de João, em que teria de ser restabelecido. 

O Espiritismo aparece, então, como a verdadeira Renascença Cristã, na expressão feliz de Emmanuel. Sua missão é completar a 
obra do Cristo, libertando a religião dos compromissos exteriores e instaurando na Terra aquele reinado do Espírito de que Jesus falou à mulher samaritana.    

(Vou opinar:  
- Cristo não foi apenas um marco entre dois mundos, mas também e, sobretudo, a expressão mais alta da evolução espiritual do humano e o orientador do seu desenvolvimento futuro.  

O Mestre veio nos mostrar como poderemos ser, basta que sigamos os seus ensinos, em Espírito e verdade!, e confiemos que por eles chegaremos à estatura do Cristo. Como Ele disse: Vós sois ‘deuses’! Nós seremos servos ‘deuses’ ao seguirmos TODOS os ensinos Dele, de forma natural...)   

COMO  EU  ENTENDO  O HOMEM NOVO  
Valentim Neto - 2014 (Revisão de expressões e notas) vale.aga@hotmail.com  

JOSÉ HERCULANO PIRES 

ENTRE O NEGATIVISMO E A CRENDICE O EQUILÍBRIO ESPIRITUAL DO HUMANO - COMO EU ENTENDO O HOMEM NOVO - JOSÉ HERCULANO PIRES

ENTRE O NEGATIVISMO E A CRENDICE O EQUILÍBRIO ESPIRITUAL DO HUMANO  


Fragilidade das posições extremas do Espírito — Fixação da mente no torvelinho do mundo material ou das convenções religiosas — A luta espírita pelo esclarecimento espiritual do humano.   


A vida perde o seu sentido, a sua significação, a sua razão de ser, quando o humano se afasta da compreensão espiritual, buscando no mundo material a única explicação das coisas.

O chamado humano prático dos nossos dias, inteiramente imerso nos problemas imediatos, funciona como uma máquina. Está muito próximo da concepção cartesiana dos animais: corpos em atividade mecânica, sem alma. 

Se em meio desse funcionamento inconsciente a que se entrega, alguma desgraça lhe ocorrer, os horizontes se fecharão ao seu redor. Nenhuma perspectiva lhe restará. E é por isso que, em geral, o humano prático, atingido por um golpe arrasador, recorre ao suicídio. 

Mas, se o materialismo da vida prática é perigoso, também o é o materialismo teórico, intelectual, equivalente a uma cegueira mental, que não permite ao humano divisar os contornos da realidade. 

O materialista intelectual, que se apoia numa doutrina filosófica negativa, sente-se forte para enfrentar o mundo enquanto não lhe faltam as forças físicas e os recursos materiais da existência. 

Uma ideia, como bem acentua Annie Besant em sua “Autobiografia”, o sustenta nas duras lutas da vida: a ideia da dignidade intrínseca do ser humano, que deve manter-se digno pela própria dignidade, sem esperar qualquer recompensa por isso. 

Mas, diante do desastre, do fracasso temporário, de uma mutilação moral ou física, essa ideia será facilmente eclipsada por outra: a do nada.  

Por outro lado, no reverso da medalha, a crendice do religiosismo comum não é menos perigosa que o materialismo. O humano que crê sem indagar, sem compreender nem querer compreender, apegado a crenças que lhe impuseram através da tradição, está sujeito às mesmas dolorosas surpresas daquele que não crê. 

A fé pela fé é tão insegura quanto a dignidade pela dignidade, a que acima aludimos. Tanto para uma, como para outra, a mente humana exige uma base racional.

 Fé cega e dignidade cega são frágeis como peças de vidro. Ambas podem quebrar-se com a maior facilidade, ante os golpes da vida. Porque numa como noutra o humano está preso a um ponto de vista estreito, sem a visão global do processo da vida, que lhe daria compreensão e coragem para enfrentar a luta em qualquer circunstância.

Ateísmo e crendice são os dois extremos perigosos da condição humana. E tanto assim, que ambos descambam para as soluções extremas, com a maior facilidade, não somente no plano individual, mas também no coletivo. 

Os crimes do fanatismo religioso e do fanatismo materialista enodoam a história humana. Porque tanto à descrença absoluta como à crendice beata faltam as luzes do verdadeiro esclarecimento espiritual, da verdadeira ligação do humano com o sentido da vida. 

O materialismo age como um ímã, fixando a mente no torvelinho da matéria. A crendice fanática faz a mesma coisa com os convencionalismos religiosos, em cujo redemoinho de cerimônias e dogmas prende a mente subjugada. Daí as terríveis contradições que assinalam a história da religião, com os dramas cruéis do fanatismo.  

Foi por isso que Kardec inscreveu, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, esta legenda de luz: “Só é inabalável a fé que pode encarar a razão face a face, em todas as etapas da humanidade”. 

É por isso que o Espiritismo insiste na necessidade do esclarecimento permanente da razão para os problemas da fé. 

Combatendo o materialismo, com as próprias armas deste, através da observação e da experimentação científicas, o Espiritismo combate, por outro lado, o religiosismo cego, a aceitação fanática de princípios religiosos. Não combate nenhuma religião, mas combate o fanatismo religioso. E nesse combate não usa jamais as armas da impiedade, porque suas armas são o esclarecimento através da pesquisa, do estudo e da exposição da verdade.

Ajudar o humano a se equilibrar na posição justa do espiritualismo esclarecido, para que o mundo seja melhor e mais belo, é a missão do Espiritismo neste período difícil da evolução terrena.  


(Vou opinar:  
- E é por isso que, em geral, o humano prático, atingido por um golpe arrasador, recorre ao suicídio. 
   
Ou às ‘doenças típicas’ do momento evolutivo espiritual que passamos no Orbe terreno; depressões, angústias, fobias, inseguranças e, por consequência, as marcas no corpo físico, provocadas por resgates, expiações e desequilíbrios psíquicos...  

- O humano que crê sem indagar, sem compreender nem querer compreender, apegado a crenças que lhe impuseram através da tradição, está sujeito às mesmas dolorosas surpresas daquele que não crê.  

Sempre que cegos se deixam ‘conduzir’ por cegos, ambos se dirigem para os ‘abismos’ da vida, e quem disse isso foi Jesus, o Cristo! Mas nós fazemos questão de não ler, não aprender, não mudar, é tão ‘confortável’ acreditar que os outros vão carregar nosso fardo!...)   

COMO  EU  ENTENDO  O HOMEM NOVO  
Valentim Neto - 2014 (Revisão de expressões e notas) vale.aga@hotmail.com  
JOSÉ HERCULANO PIRES   

COMO EU ENTENDO O HOMEM NOVO - JOSÉ HERCULANO PIRES


O HUMANO NOVO
  

Para construir um mundo novo precisamos de um humano novo. O mundo está cheio de erros e injustiças porque é a soma dos erros e injustiças dos humanos. 

Todos sabemos que temos de morrer, mas só nos preocupamos com o viver passageiro da Terra. Por isso, a humanidade desencarnada que nos rodeia é ainda mais sofredora e miserável que a encarnada a que pertencemos. 


“As filas de doentes que eu atendia na vida terrena — diz a mensagem de um Espírito — continuam neste lado”. 

Muita gente estranha que nas sessões espíritas se manifestem tantos Espíritos sofredores. Seria de estranhar se apenas se manifestassem Espíritos felizes. Basta olharmos ao nosso redor — e também para dentro de nós mesmos — para vermos de que barro é feita a criatura humana em nosso planeta. Fala-se muito em fraude e mistificação no Espiritismo, como se ambas não estivessem em toda parte, onde quer que exista uma criatura humana.

Espíritos e médiuns que fraudam são nossos companheiros de plano evolutivo, nossos colegas de fraudes cotidianas.  O Espiritismo está na Terra, em cumprimento à promessa evangélica de Consolador, para consolar os aflitos e oferecer a verdade aos que anseiam por ela. 

Sua missão é transformar o humano para que o mundo se transforme. Há muita gente querendo fazer o contrário: mudar o mundo para mudar o humano.

O Espiritismo ensina que a transformação é conjunta e recíproca, mas tem de começar pelo humano. Enquanto o humano não melhora, o mundo não se transforma.

Inútil, pois, apelar para modificações superficiais. Temos de insistir na mudança essencial de nós mesmos.

 O humano novo que nos dará um mundo novo é tão velho quanto os ensinos espirituais do mais remoto passado, renovados pelo Evangelho e revividos pelo Espiritismo.

Sem amor não há justiça e sem verdade não escaparemos à fraude, à mistificação, à mentira, à traição.

O trabalho espírita é a continuação natural e histórica do trabalho cristão que modificou o mundo antigo. Nossa luta é o bom combate do apóstolo Paulo: despertar as consciências e libertar o humano do egoísmo, da vaidade e da ganância.

“Os anos não nos dão experiência nem sabedoria — dizia o vagabundo de Knut Hamsun — mas nos deixam os cabelos horrorosamente grisalhos”. É o que vemos no final desse poema bucólico da Noruega que é “Um Vagabundo Toca em Surdina”. Knut Hamsun era um individualista e, sobretudo, um lírico do individualismo. Mas o humano que se abre para o altruísmo sabe que as verdades do indivíduo são geralmente moedas falsas, de circulação restrita.

A verdade maior — ou verdadeira — é a que nasce do contexto social, da usina das relações, onde o indivíduo se forma pelo contato com os outros.

Os anos não trazem apenas os cabelos brancos — trazem também a experiência, mestra da vida, e com ela a sabedoria.

É no dia a dia da existência que o humano vai modelando aos poucos a sua própria argila, o barro plástico de que Deus formou o seu corpo na Terra.

Cada idade, afirmou Léon Denis, tem o seu próprio encanto, a sua própria beleza. É belo ser jovem e temerário, mas talvez seja mais belo ser velho e prudente, iluminado por uma visão da vida que não se fecha no círculo estreito das paixões ilusórias. O humano amadurece com o passar dos anos.

A vida tem as suas estações, já diziam os romanos. À semelhança do ano, ela se divide nas quatro estações da existência que são: a primavera da infância e da adolescência, o verão da mocidade e outono da madureza e o inverno da velhice. Mas também à semelhança dos anos, as vidas se encadeiam no processo da existência, de maneira que as estações se renovam em cada encarnação.

Viver, para o individualista, é atravessar os anos de uma existência. Mas viver, para o altruísta, é atravessar as existências palingenésicas, as vidas sucessivas, em direção à sabedoria.

O branquear dos cabelos não é mais do que o início das nevadas do inverno. Mas após cada inverno voltará de novo a primavera.

A importância dos anos é, portanto, a mesma das léguas numa caminhada em direção ao futuro.

Cada novo ano que surge é para nós, os caminheiros da evolução, uma nova oportunidade de progresso que se abre no horizonte.

Entremos no ano novo com a decisão de aproveitá-lo em todos os seus recursos. Não desprezemos a riqueza dos seus minutos, das suas horas, dos seus dias, dos seus meses. Cada um desses fragmentos do ano constitui uma parte da herança de Deus que nos caberá no futuro.  
(Vou opinar:  
- “As filas de doentes que eu atendia na vida terrena — diz a mensagem de um Espírito — continuam neste lado”.  
Todas essas ‘doenças’ pertencem ao psiquismo humano, portanto, ao Espírito! Ao desencarnar levamos conosco essas ‘doenças’ e, no nosso desequilíbrio egoístico, nos deitamos em lamentações inúteis, crendo em ‘milagres’ que nunca virão.

Temos que estudar para nos conhecermos e, assim sendo, podermos ‘trabalhar-nos’ e caminhar na senda correta; a ensinada pelo Cristo! Só assim é que nos ‘cura remos’ de nossas ‘doenças’...

- Enquanto o humano não melhora, o mundo não se transforma.

Realmente, a transformação do mundo começa ‘dentro’ de cada humano! Enquanto não nos transformarmos, o mundo não mudará, e continuaremos encarnando neste mundo que ‘gostamos’ assim mesmo, do jeito que está! Portanto, não reclame, transforme-se!...

- O branquear dos cabelos não é mais do que o início das nevadas do inverno. Mas após cada inverno voltará de novo a primavera.  

Quando entendermos os ciclos do mundo material e a Lei de Deus, estaremos prontos para ‘aproveitar’ plenamente todas as ferramentas materiais que o Pai empresta para o nosso progresso espiritual!...)   

COMO  EU  ENTENDO  O HOMEM NOVO  
Valentim Neto - 2014 (Revisão de expressões e notas) vale.aga@hotmail.com  
JOSÉ HERCULANO PIRES