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domingo, 18 de maio de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, CAPÍTULO XXIV-NÃO COLOQUEIS A CANDEIA SOB O ALQUEIRE-Candeia sob o alqueire


CAPÍTULO XXIV

NÃO COLOQUEIS A CANDEIA SOB O ALQUEIRE

Candeia sob o alqueire: Por que Jesus fala por parábolas. - Não vades os Gentios. – Os sãos não têm necessidade de médico. – Coragem da fé. – Carregar a cruz. Quem quiser salvar a vida, perdê-la-á.


CANDEIA SOB O ALQUEIRE.

POR QUE JESUS FALA POR PARÁBOLAS.

Jesus em conversa com seus discípulos....

E chegando-se a ele os discípulos lhe disseram:

- Por que razão lhes falas tu por parábola?

Jesus, respondendo, lhes disse:

- Porque a vós outro vos é dado saber os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não lhes é concedido. Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não veem, e ouvindo não ouvem, nem entendem.

De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz:

“Vós ouvireis com os ouvidos, e não escutareis; e olhareis com os olhos, e não vereis. Porque o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e eles fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e entendam no coração, e se convertam, e eu os sare. (Mateus, XIII: 10-15)”

Jesus explica aos Apóstolo...

Eu lhes falo em parábolas, porque eles não estão em condições de compreender certas coisas; eles veem, olham, ouvem e não compreendem; assim, dizer-lhes tudo, ao menos agora seria inútil; mas a vós o digo, porque já vos é dado compreender esses mistérios.

Ele procedia, portanto, para com o povo, como se faz com as crianças, cujas ideias ainda não se encontram desenvolvidas. Dessa maneira, indica-nos o verdadeiro sentido da máxima: “Não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entram possam vê-la”. Ela não diz que tenhamos de revelar inconsideravelmente todas as coisas, pois, todo ensinamento deve ser proporcional à inteligência de quem o recebe, e porque há pessoas que uma luz muito viva pode ofuscar sem esclarecer.

            Acontece com os homens, em geral, o mesmo que com os indivíduos. As gerações passam também pela infância, pela juventude e pela madureza. Cada coisa deve vir a seu tempo, pois a sementeira lançada a terra, fora de tempo, não produz. Mas aquilo que a prudência manda calar momentaneamente, cedo ou tarde deve ser descoberto, porque chegando a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; a obscuridade lhes pesa. Como Deus lhes deu a inteligência para compreenderem e se guiarem, entre as coisas da Terra e do céu, eles querem racionalizar a sua fé. É então que não se deve pôr a candeia debaixo do alqueire, pois sem a luz da razão, a fé se enfraquece. (Ver cap. XIX, nº 7).

          Jesus está com a razão quando afirma:

“Que não há nada secreto que não deva ser conhecido. Tudo o que está oculto será descoberto um dia, e o que o homem ainda não pode compreender sobre a Terra, lhe será progressivamente revelado nos mundos mais adiantados, na proporção em que ele se purificar. Aqui na Terra, ainda se perde no nevoeiro.”

            Quanto aos discípulos....

“Estando eles mais adiantado, moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos. Foi por isso que disse: Ao que já tem, ainda mais se dará, e terá em abundância. (Ver cap. XVIII, nº 15).”

Quanto ao Espiritismo...

·       Vem atualmente lançar a sua luz sobre uma porção de pontos obscuros, porém os Espíritos procedem, nas suas instruções, com admirável prudência. É sucessiva e gradualmente que eles têm abordado as diversas partes já conhecidas da doutrina, e é assim que as demais partes serão reveladas no futuro, à medida que chegue o momento de fazê-las sair da obscuridade.


·       Se a houvessem apresentado completa desde o início, ela não teria sido acessível senão a um pequeno número e teria mesmo assustado aqueles que não se achavam preparados, o que seria prejudicial à sua propagação.


·       Se os Espíritos, portanto, ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque a doutrina possua mistérios reservados aos privilegiados, nem que eles ponham a candeia debaixo do alqueire, mas por que cada coisa deve vir no tempo oportuno. Eles dão a cada ideia o tempo de amadurecer e se propagar, antes de apresentarem outra, e aos acontecimentos, o tempo de lhes preparar a aceitação

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec- CAPÍTULO XIX A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS -PARÁBOLA DA FIGUEIRA SECA




Poder da fé. – A fé religiosa. – Condição da fé inabalável. – Parábola da figueira seca. – Instruções dos Espíritos: A fé, mãe da esperança e da caridade. – A fé divina e a fé humana.


PARÁBOLA DA FIGUEIRA SECA

Essa parábola conta que um homem, que estava com forme, viu de longe

Uma figueira e foi até ela para ver se haviam figos para comer. Não achando

Nenhum figo, disse não ser tempo de dar frutos. Jesus então, disse à figueira

“Que ninguém coma de ti nenhum fruto”.

   

No dia seguinte, a figueira estava seca, então Pedro, um de seus discípulos

disse-lhe: “mestre, vede como a figueira que amaldiçoastes tornou-se  seca.”


    Jesus lhe disse:

    “Tende fé em Deus, eu lhes digo em verdade, que todo aquele que disser

a essa montanha: Tira-te daí e lança-te ao mar, e isso sem hesitar no coração,

mas crendo firmemente que tudo que houver dito acontecerá, ele o verá

com efeito acontecer.”(São Mateus, Cap. XI, v.12,13,14 e 20 a 23).


A Figueira seca...

        É um símbolo das pessoas que não têm senão as aparências do bem, mas em realidade não produzem nada de bom.


        É o emblema de todas as pessoas que têm os meios de serem úteis e não o são.


        São as árvores que têm folhas mas não dão frutos.


        Quer dizer, segundo Jesus, que todas a doutrinas que não tiverem produzido nenhum bem à Humanidade, cairão no nada.


        Os Médiuns sendo os intérpretes dos Espíritos, suprem os órgãos materiais que faltam a estes para nos transmitirem suas instruções; por isso, são dotados de faculdades para esse efeito.


        Nesse tempo de renovação social, têm uma missão particular: são as árvores que devem dar o alimento espiritual aos seus irmãos.


·       “Deus lhe retirará um dom que se tornou inútil em suas mãos: a semente que não sabem fazer frutificar, e os deixará tornarem-se a presa dos maus Espíritos.”

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec- CAPÍTULO XVIII- MUITOS OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS- PARÁBOLA DO FESTIM DE NÚPCIAS


CAPÍTULO XVIII

MUITOS OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS

Parábola do festim de núpcias. – A porta estreita. – Os que dizem: Senhor! Senhor! Não entrarão todos no reino dos céus. – Muito se pedirá àquele que muito recebeu. – Instruções dos Espíritos: Dar-se-á àquele que tem. – Reconhece-se o cristão pelas suas obras.

PARÁBOLA DO FESTIM DE NÚPCIAS

  1 – E respondendo Jesus, lhes tornou a falar segunda vez em parábolas, dizendo: O Reino dos Céus é semelhante a um rei, que desejando fazer as bodas a seu filho, mandou os seus servos a chamar os convidados para a bodas, mas eles recusaram ir. Envio de novo outros servos, com este recado aos convidados: Tudo está preparado:  vinde às núpcias. Eu preparei meu jantar; fiz matar meus bois e tudo o que havia feito cevar; Tudo está preparado, vinde às núpcias.

Mas eles desprezaram o convite, e se foram, um para a sua casa de campo, outro para o seu negócio. Outros porém, lançaram mão dos servos que ele enviara, e depois de os haverem ultrajado, os mataram.

Mas o rei, tendo ouvido isto, se irou; e tendo feito marchar seus exércitos, acabou com aqueles homicidas, e pôs fogo à sua cidade.

Então disse aos seus servos: O festim de núpcias está todo preparado, mas os que foram convidados não foram dignos de se acharem no banquete. Ide pois às saídas das ruas, e a quantos achardes, convidai-os para as bodas. E tenho os seus servos pelas ruas, congregaram todos os que acharam, maus e bons; e ficou cheia de convidados a sala do banquete de bodas. Entrou depois o rei para ver os que estavam à Mesa, e viu ali um homem que não estava vestido com veste nupcial. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? Mas ele emudeceu. Então disse o rei aos seus ministros: Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas exteriores: aí haverá choro e ranger de dentes. Porque são muitos os chamados e poucos os escolhidos. (São Mateus, cap. XXII: v. 1-4)

            2 – O incrédulo ri desta parábola, que lhe parece de uma pueril ingenuidade, pois não admite que haja tantas dificuldades para realização de um banquete, e ainda mais quando os convidados chegam a ponto de massacrar os enviados do dono da casa. “As parábolas – diz ele – são naturalmente alegorias, mas não devem passar os limites do possível”.

            O mesmo se pode dizer de todas as alegorias, das fábulas mais engenhosas, se não lhes descobrimos o sentido oculto. Jesus se inspirava nas usanças mais comuns da vida, e adaptava as suas parábolas aos costumes e ao caráter do povo a que se dirigia. A maioria delas tinha por fim fazer penetrar nas massas populares a ideia da vida espiritual; e seu sentido só parece incompreensível para os que não se colocam nesse ponto de vista.

            Nesta parábola, por exemplo, Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento da sua lei. Os enviados do rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer, alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes.

            Acreditavam os judeus de então que a sua nação devia conquistar a supremacia sobre todas as outras. Pois não havia Deus prometido a Abraão que a sua posterioridade cobriria a Terra inteira? Tomando sempre a forma pelo fundo, eles se julgavam destinados a uma dominação efetiva, no plano material.

            Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram politeístas e idólatras. Se alguns homens superiores haviam atingido a ideia da unidade divina, essa ideia entretanto permanecia como sistema pessoal, pois em nenhuma parte foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados, que ocultavam os seus conhecimentos sob formas misteriosas, impenetráveis à compreensão do povo. Os judeus foram os primeiros que praticaram publicamente o monoteísmo. Foi a eles que Deus transmitiu a sua lei; primeiro através de Moisés, depois através de Jesus. Desse pequeno foco partiu a luz que devia expandir-se pelo mundo inteiro, triunfar do paganismo e dar a Abraão uma posterioridade espiritual “tão numerosa como as estrelas do firmamento”.

            Mas os judeus, embora repelindo a idolatria, haviam negligenciado a lei moral, para se dedicar à prática mais fácil do culto exterior. O mal chegara ao cúmulo: a nação, dominada pelos romanos, estava esfacelada pelas facções, dividida pelas seitas; a própria incredulidade havia atingido até mesmo o santuário. Foi então que Jesus apareceu, enviado para chamá-los à observação da lei e para abrir-lhes os novos horizontes da vida futura. Primeiros convidados ao banquete da fé universal, eles repeliram, porém, as palavras do celeste Messias, e o sacrificaram. Foi assim que perderam o fruto que deviam colher da sua própria iniciativa.

            Seria injusto, entretanto, acusar o povo inteiro por essa situação. A responsabilidade coube principalmente aos fariseus e aos saduceus, que puseram a nação a perder, os primeiros pelo seu orgulho e fanatismo, e os segundos pela sua incredulidade. São eles, sobretudo, que Jesus compara aos convidados que se negaram a comparecer ao banquete de núpcias, e acrescenta que o rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim que a palavra seria pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a, seriam admitidos à festa de núpcias em lugar dos primeiros convidados.

            Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem tampouco sentar-se à mesa para participar do banquete celeste. E necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Mas entre todos os que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que guardam e a aproveitam! Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.

domingo, 6 de abril de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo-CAPÍTULO XVII - SEDE PERFEITOS-PARÁBOLA DO SEMEADOR


CAPÍTULO XVII

SEDE PERFEITOS

Caracteres da perfeição. – O homem de bem. – Os bons espíritas. – Parábola do Semeador. – Instruções dos Espíritos: O dever. – A virtude. – Os superiores e os inferiores, O homem no mundo, - Cuidar do corpo e do espírito.

PARÁBOLA DO SEMEADOR

5 – Naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à borda do mar. E vieram para ele muita gente, de tal sorte que, entrando em uma barca, se assentou, ficando  toda a gente de pé na ribeira; e lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo:

Eis aí que saiu o que semeia a semear. E quando semeava, uma parte das sementes caiu junto da estrada, e vieram às aves do céu, e comeram-na.

Outra, porém, caiu em pedregulho, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha altura de terra. Mas saindo o sol se queimou, e porque não tinha raiz, se secou.

Outra igualmente caiu sobre os espinhos, e crescendo os espinhos, a afogaram.

Outra enfim caiu em boa terra, e dava fruto, havendo grãos que rendiam a cento por um, outros a sessenta, outros a trinta. O que tem ouvidos de ouvir, ouça. (Mateus, XIII: 1-9 ).

 Ouvi, pois, vós outros, a parábola do semeador.

 Todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a entende, vem o mau e arrebata o que se semeou no seu coração; este é o que recebeu a semente junto da estrada.

Mas o que recebeu a semente no pedregulho, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com gosto; porém, ele não tem em si raiz, antes é de pouca duração, e quando lhe sobrevêm tribulação e perseguição por amor da palavra, logo se escandaliza.

E o que recebeu a semente entre espinhos, este é o que ouve a palavra, porém os cuidados deste mundo e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutuosa.

E o que recebeu a semente em boa terra, este é o que ouve a palavra e a entende, e dá fruto, e assim um dá cento, e outro sessenta, e outro trinta por um. (Mateus, XIII: 18-23).

            “6 – A parábola da semente representa perfeitamente as diversas maneiras pelas quais podemos aproveitar os ensinamentos do Evangelho. Quantas pessoas há, na verdade, para as quais eles não passam de letra morta, que, à semelhança das sementes caídas nas pedras, não produzem nenhum fruto!”

            Outra aplicação, não menos justa, é a que se pode fazer às diferentes categorias de espíritas. Não nos oferece o símbolo dos que se apegam apenas aos fenômenos materiais, não tirando dos mesmos nenhuma consequência, pois que neles só veem um objeto de curiosidade?

Dos que só procuram o brilho das comunicações espíritas, interessando-se apenas enquanto satisfazem-lhes as imaginações, mas que, após ouvi-las, continuam frios e indiferentes como antes?

 Dos que acham muito bons os conselhos, e os admiram, mas para aplicá-los aos outros e não a si mesmos?

 Dos que, finalmente, para os quais essas instruções são como as sementes que caíram na boa terra e produzem frutos?

O Evangelho Segundo o Espiritismo-CAPÍTULO XVI - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON-PARÁBOLA DOS TALENTOS


CAPÍTULO XVI

NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON

Salvação dos ricos. – Guardar-se da avareza. - Jesus na casa de Zaqueu. – Parábola do mau rico. – Parábola dos talentos. – Utilidade providencial da fortuna. – Provas da riqueza e da miséria. – Desigualdade das riquezas. – Instruções dos Espíritos: A verdadeira propriedade. – Emprego da fortuna. – Desprendimento dos bens terrenos. – transmissão da fortuna.

PARÁBOLA DOS TALENTOS

  6 – O Senhor age como um homem que, ao ausentar-se para longe, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens.

 E deu a um cinco talentos, e a outro dois, e a outro deu um, a cada um segundo a sua capacidade, e partiu logo.

 O que recebera pois cinco talentos, foi-se, e entrou a negociar com eles e ganhou outros cinco. Da mesma sorte também o que recebera dois, ganhou outros dois. Mas o que havia recebido um, indo-se com ele, cavou na Terra, e escondeu ali o dinheiro de seu senhor.

E passando muito tempo, veio o senhor daqueles servos, e chamou-os a contas. E chegando-se a ele o que havia recebido os cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, tu me entregastes cinco talentos; eis aqui tens outros cinco mais que lucrei. Seu senhor lhe disse: Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo do teu senhor.

Da mesma sorte apresentou-se também o que havia recebido dois talentos, e disse: Senhor, tu me entregaste dois talentos, e eis aqui tens outros dois que ganhei com eles. Seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel, já que fostes fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo de teu senhor.

            E chegando também o que havia recebido um talento, disse: Senhor, sei que és homem de rija condição; segas onde não semeaste, e recolhes onde não espalhaste; e temendo me fui, e escondi o teu talento na Terra; eis aqui tens o que é teu. E respondendo o seu senhor, lhe disse: Servo mal e preguiçoso, sabia que ceifo onde não semeei, e que recolho onde não tenho espalhado. Devias logo dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, vindo eu, teria recebido certamente com juro o que era meu.

Tirai-lhe, pois, o talento, e dai ao que tem dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-á, e terá em abundância; e ao que não tem, tirar-se- á até o que parece que tem. E ao servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes. (São Mateus, XXV: 14-30).

O Evangelho Segundo o Espiritismo-CAPÍTULO XVI - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON-PARÁBOLA DO MAU RICO


CAPÍTULO XVI

NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON

Salvação dos ricos. – Guardar-se da avareza. - Jesus na casa de Zaqueu. – Parábola do mau rico. – Parábola dos talentos. – Utilidade providencial da fortuna. – Provas da riqueza e da miséria. – Desigualdade das riquezas. – Instruções dos Espíritos: A verdadeira propriedade. – Emprego da fortuna. – Desprendimento dos bens terrenos. – transmissão da fortuna.

PARÁBOLA DO MAU RICO

   5 – Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de Holanda, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta, e que desejava fartar-se das migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhes dava; e os cães vinham lembre-lhe as úlceras. Ora, sucedeu morrer este mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abrão. E morreu também o rico, e foi sepultado no inferno. E quando ele estava nos tormentos, levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E gritando ele, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda cá Lázaro, para que molhe em água a ponta do seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e de que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado, e tu em tormentos. E demais, que entre vós está firmado um grande abismo, de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá. E disse o rico: Pois eu te rogo, Pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, e não suceda venham também eles parar a neste lugar de tormentos. E Abraão lhe disse: Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Disse pois o rico: Não, pai Abraão, mas se for a eles algum dos mortos, hão de fazer penitência. Abraão, porém, lhe respondeu: Se eles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite algum dos mortos. (São Lucas, XVI: 19-31).

O Evangelho Segundo o Espiritismo-CAPÍTULO XV - FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO-O QUE PE PRECISO PARA SER SALVO-PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO


CAPÍTULO XV

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

O que é preciso para ser salvo. Parábola do bom Samaritano - O maior mandamento. – Necessidade da caridade segundo São Paulo. – Fora da Igreja não há salvação. – Fora da verdade não há salvação. – Instruções dos Espíritos: Fora da caridade não há salvação.


O QUE É PRECISO PARA SER SALVO.

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO


     Narra o evangelista Lucas (Lucas, 10:25-37) que Jesus Cristo, certa vez, procurado por um doutor da lei, este lhe perguntou: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Percebendo o objetivo capcioso da indagação, ele limitou-se a indagar: O que está escrito na lei? Como lês?


     A réplica do escriba não tardou: Amará ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo. Face o acerto da resposta, o Senhor lhe disse: Respondeste bem; faze isso e desfrutarás da vida eterna.


     O inquiridor, entretanto, não ficou satisfeito e para justificar-se, aventurou nova pergunta: Quem é o meu próximo?


     A fim de elucidar melhor a questão, o Cristo propôs-lhe uma parábola, dizendo:

     Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais, após despojá-lo de tudo, espancaram-no, deixando-o moribundo à margem da estrada.

Coincidentemente descia pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou de largo.

Logo a seguir descia um levita, cujo procedimento não foi diferente daquele do sacerdote.


     Entretanto, dentro em pouco surge um samaritano que, vendo-o naquele estado deplorável, moveu-se de íntima compaixão e, descendo de sua cavalgadura, levou-o a uma hospedaria, onde continuou a cuidar dele.


     Tendo que partir, no dia seguinte, deu dois dinheiros ao hospedeiro, recomendando-lhe que continuasse a dar-lhe assistência, prontificando-se a pagar, em sua volta, tudo aquilo que excedesse a importância deixada.


     Após ensinar essa parábola, indagou Jesus: Qual destes três te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores, merecendo do doutor da lei a resposta: O que usou de misericórdia para com ele.


Diante desse discernimento aduziu o Senhor: Vai, e faze da mesma maneira.


O ensino propiciado por Jesus Cristo nessa edificante parábola é dos mais significativos, já que toda a sua moral se resume na caridade e na humildade, as duas virtudes contrarias ao egoísmo e ao orgulho, que são o caminho para a felicidade eterna.


Quando disse; “Bem aventurados os pobres de Espíritos...”


Quis dizer:

·       Bem aventurados os humildes, porque deles é o reino dos céus;

·       Bem aventurados os que tem puro o coração;

·       Bem aventurados os que são brandos e pacíficos;

·       Bem aventurados os que são misericordiosos;

·       Amai o vosso próximo como a si mesmo;

·       Fazei aos outros o que quereríeis que vos fizessem;

·       Amai os vossos inimigos;

·       Perdoai as vossas ofensas, se quiserdes ser perdoados;

·       Fazei o bem sem ostentação;

·       Julgai a vós mesmos antes de julgar os outros;


“Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar, e ele mesmo dá o exemplo; orgulho e egoísmo, eis o que não cessa de combater; mas faz mais do que recomendar a caridade, coloca-a claramente, e em termos explícitos, como a condição absoluta da felicidade futura.”