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sábado, 27 de maio de 2017

O amor


Tudo fica tranquilo, sereno e em paz quando a gente aprende a amar, porque...

... só o amor é capaz  de transformar a incapacidade de compreender o outro em entendimento e respeito; 
... só o amor é capaz de transformar a intolerância em perdão e aceitação dos diferentes; ainda assim meus irmãos, não aprendemos a amar em sua essência divina. 

O homem preso aos prazeres materiais colocam sempre o amor como moeda de troca; amo a quem me ama; amo porque é bom para mim; amo porque me dá o que preciso; amor não tem “porque” seguido dele. 

Apenas se ama, é espontâneo; é iluminado; é desapegado; é o amor que precisamos  aprender a sentir; aquele que não cobra; aquele que não exige nada em troca; aquele que fazendo o bem, beneficia-se pelo que sente; aquele amor que liberta o amado sem que menos se espere e ele está ali retribuindo. Esse é  o Amor Divino, o amor do Cristo de tão puro e desinteressado, porque simplesmente ama.

Meus filhos, é preciso que exercitem o desprendimento, a abnegação, e a benevolência para que consigam dar sem anda exigirem do outro. 

Deus nos empresta uns aos outros para que essas conquistas se realizem.

 Um dia quando segui o Cristo como meu ideal de vida passei a não escolher a quem amar. Compreendi que era preciso seguir adiante mesmo distanciando-me de minha família biológica em prol dos ideais de amor que Jesus propunha em tempos tão difíceis para os perseguidos judeus. 

Mas Jesus estava em nós, e ao descobrir esta luz,  nada pode mudar esse sentimento tão puro que abrando o sentimento do outro, eu acolhe sem olhar a quem, que aceita com todas as diferenças, que caminham para o ideal de fraternidade, que Deus nos propõe a todo instante para vivenciarmos com amor e união fraternal como irmãos.

Muitos ainda aqui na terra estão muito distantes de experimentar esse amor que faz reviver os mais esquecidos no tempo, quando tocados.

 O ódio, a raiva, a mágoa, são em verdade, um amor ferido que abre a ferida que nunca cicatrizou de tempos remotos. Um amor ferido, aliado à ignorância de não saber o real significado do amor Divino faz estragos significativos na vida de um espírito, muitas vezes precisando de diversas encarnações para o seu restabelecimento.

O amor movimenta energias poderosas naquele que recebe esse amor, e naquele que apenas sente tão serenamente a vivacidade de Deus dentro de si. Quando nos encontramos com Deus, no compromisso de evolução e crescimentos espiritual, passamos a perceber quanto tempo desperdiçamos com pequenas coisas da matéria, do apego desnecessário, passamos a perceber o quão rápido podemos seguir com essa luz do amor divino no âmago do peito perispiritual. 

A vida do espírito é cíclica, porém sempre ascendente. A nossa ignorância faz retornar muitas vezes ao mesmo ponto de partida ainda que neste ciclo possamos crescer em alguns aspectos. 

São necessárias muitas encarnações para que possamos atingir essa maturidade espiritual e emocional para caminharmos com Jesus na sua verdadeira essência de amor a Deus, Amor a si e amor ao próximo.

Vocês já têm uma longa caminhada, na história construída de muitas vidas passadas.

É tempo de crescerem emocionalmente, de crescerem com equilíbrio e discernimento para que possam amar sem apegos, sem julgamentos, e sem porquês. Só aí vocês poderão sentir que amor é esse considerado tão impossível de acontecer entre os encarnados, Só aí vocês poderão sentir a verdadeira paz de espírito que os farão flutuar no reino de Deus.

Jesus os abençoe!

Pelo Espírito Irmã Tereza
Psicografia de Alessandra Uzêda

Em 16 de Maio de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Já ouviu falar em TEIAS VIBRACIONAIS?

TEIAS VIBRACIONAIS
Medos & Chacras

As teias vibracionais são a atmosfera mental criada para aquele ambiente, pelas pessoas que se relacionam, em conjunto com os sentimentos e atitudes de todos.

Ocorre no lar, no trabalho, numa cidade, etc. Onde há gente se relacionando existe uma identidade astral com características e naturezas particulares.

Todo e qualquer tipo de relacionamento, em dupla ou coletivos, criam essas teias vibracionais.

Dr. Inácio Ferreira ensina que há 3 tipos de teias vibracionais no Planeta Terra, nesse período de Transição Planetária:

1. A energia da VIOLÊNCIA
2. A mordaça do MEDO
3. O fluxo do DESEJO DE PAZ

O sentimento de MEDO é o predominante na Terra, dentro e fora da matéria física, isto é, entre encarnados e desencarnados.

  • O medo é um sentimento de evolução, e portanto, necessário. 
  • Sua origem está no apego às posses que é a base emocional dessa emoção.
O medo de perder ou o medo de quem possui é o que mais atinge a mente humana. Exemplo:

  • Medo de perder a vida;
  • Medo de perder a segurança;
  • Medo de perder as pessoas que ama;
  • Medo de perder os recursos de sobrevivência;
  • Medo de perder os bens;
  • Medo de perder a relação;
  • Medo de perder o sono;
  • Medo de perder a estima;
  • Medo de perder o reconhecimento do outro;etc.
Esses medos formam um quadro de valores que a Medicina Vibracional ou energética chama de INTERESSES DO MATERIALISMO que expressa:

  • O comportamento de apego á vida material;
  • Tudo o que lhe diz respeito e tem como efeitos as mais lamentáveis enfermidades morais, emocionais e mentais.
COMO DESAPEGAR?

Aprendendo a lidar com as perdas, o que não é nada fácil.

QUAL O OBJETIVO DISSO?

Encontrar-nos conosco e refletirmos os caminhos traçando estratégias pro´prias para superá-los.

Os MEDOS HUMANOS estão relacionados a 3 PERDAS ESSENCIAIS:

1. A perda da falsa autoimagem;
2. A perda dos relacionamentos tóxicos;
3. A perda do corpo físico.

Segundo Dr. Inácio, atrás de cada uma dessas perdas há 3 condutas distintas, profundamente adoecidas:

Na 1, encontramos a hipocrisia provocada pelo desejo de sustentar uma autoimagem que não corresponde à nossa verdade pessoal.

Na 2, registra-se um estado de profunda carência afetiva que tanta se suprir em relacionamentos tóxicos.

Na 3, perda do corpo físico impera o reinado do materialismo, que tenta negar a morte para atormentar a ilusão dos prazeres.


Por outro lado, cada uma dessas perdas esconde um medo essencial:

Na 1, o medo de aceitar a própria realidade;
Na 2, o medo de perder ganhos afetivos secundários nas relações;
Na 3, o medo de morrer.

Alguns chacras são afetados mais diretamente por essas 3 condições emocionais do medo, prejudicando a proteção energética, a imunidade perispiritual e física:

1. O MEDO DE SER QUEM REALMENTE É trava o chacra LARÍNGEO, trazendo bloqueio na comunicação.

2. O MEDO DE ABANDONAR GANHOS AFETIVOS SECUNDÁRIOS, acelera o chacra SOLAR em relações de exploração entre vivos ( obsessão entre encarnados ).

3. O MEDO DA MORTE polui o chacra CARDÍACO com a angústia de se ver diante dela.


fonte

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Felicidades nesse ano que se inicia!

Queridos Amigos,

Um ano novo se inicia com páginas branquinhas para que possamos continuar a escrever a nossa estória de vida.

Como Deus é generoso conosco! São mais de 360 dias para mudarmos a nossa trajetória de vida, para escolhermos caminhos mais edificantes e seguir, para buscarmos através do amor todo o entendimento, a compreensão e a dedicação ao nosso próximo. 

Comecemos por aquele que se encontra ao nosso lado, estendemos esse amor aos nossos familiares, parentes, amigos e não esqueçais que se não desejar o mal ao seu inimigo já estará demonstrando uma forma de amor para com ele.Por que não desejar o mal implica em agir no bem, retribuir a tudo com a sua bondade e benevolência a exemplo do Pai.

Vamos desenvolver neste ano as virtudes do bem, da bondade e do amor, primeiramente para conosco, e depois para com o próximo porque só podemos oferecer espontaneamente ao outro aquilo que já conquistamos para nós.

Ame-se! Ame-se incondicionalmente, com todas as imperfeições que lhe foram dadas como meio de evoluir para que tudo seja superado nesse ano que apenas se inicia. Não há como dar amor se você não se amar!

Dedique-se! Dedique-se a uma causa maior, de bondade e conquistas que lhe trará como benefício a satisfação da auto-realização. Somente a Caridade pode ascender a chama da auto-realização.

Pratique! Pratique a bondade em todos os seus atos a partir desse ano e verá que a lei do retorno lhe será muito generosa.

Coloque-se! Coloque-se sempre no lugar do outro antes de lhe atribuir qualquer sentimento, ação ou fala. O sentimento emite ondas que sintoniza com a percepção do outro fazendo-o sentir da mesma maneira. A ação impensada faz você cometer abusos, excessos ferindo o seu semelhante. A fala faz você proferir verdades que ferem, que maltratam e que afastam. Sentimento, Ação e Fala são ferramentas de grande importância nas relações interpessoais de todos nós, se mal usadas afastam, agridem e derrotam. Se bem usadas aproximam, acariciam e edificam.

Aprenda! Aprenda a colocar-se como verdadeiro aprendiz...aprendiz do amor, aprendiz do saber, aprendiz do conviver, aprendiz do observar, aprendiz do tolerar, aprendiz do compreender, aprendiz do amor... não há mestres entre os encarnados que nada tenham a aprender. 

Encante-se! Encante-se pela sua vida bem vivida, pela sua saúde com todas as limitações que possam haver, encante-se com a natureza que Deus teve o cuidado de planejar nos mínimos detalhes para que você possa se servir dela. Encante-se pelo viver ainda que tenhamos muitos obstáculos a vencer, os obstáculos que nos foram dados são do tamanho da nossa coragem, da nossa força de vontade, do nosso desejo de evoluir. 

Encante-se! Encante-se pelo renascer da vida mineral quando vemos a água brotar no leito do rio. Encante-se pelo renascer da vida vegetal quando vemos de uma pequena semente brotar da terra um bela planta com o desabrochar de uma flor ou uma linda árvore frutífera que de forma encantadora vem saciar a fome de muitos. 

Encante-se com a vida animal, que mesmo sem a inteligência do homem nos ensina a amor o próximo, a defender os que ama a ser fiel. 

Encante-se com a vida humana, essa fabulosa manifestação de um Deus Único, Onipotente, Onipresente, que está presente desde o momento da concepção da vida até que tenha chegado a hora de retornarmos ao mundo espiritual.

Atente-se! Atente-se ao tempo. Tempo de construir, tempo de transformar as coisas ruins em coisas boas, tempo de construir e crescer, crescer enquanto ser humano, enquanto ser espiritual, enquanto filho de Deus que sois.

Liberte-se! Liberte-se das amarras do passado. Liberte-se das mágoas e dos rancores. Liberte-se dos maus desejos recíprocos e transforme tudo o que possa desejar, em amor, em bondade, em compreensão. 

Apegue-se! Apegue-se somente às coisas boas que a vida lhe traz e que pode sobretudo levar desta vida de encarnado para a vida espiritual. Apegue-se ao desejo constante de aprender, de evoluir e de amar. A única coisa que ninguém pode tirar de você é o conhecimento que se adquire e o amor que se conquista para toda a vida.

Desapegue-se! Desapegue-se de tudo que te leva à infelicidade. Viver a lembrança de um passado mal resolvido faz você desperdiçar aquela nova página que Deus lhe concedeu para reconstruir a sua vida. Desapegue-se de tudo o que é de material , o ciclo da vida exige de nós  a reciclagem de todas as coisas materiais, pois que as mesmas têm vida útil ao contrário do que lhe é espiritual.

Aprenda a viver! Aprenda  a viver com o seu irmão ainda que ele lhe causa transtornos. Aprenda a viver com as negativas do trabalho ainda que esta situação lhe traga limitações financeiras. Aprenda a viver dentro de suas possibilidades sem desperdiçar uma vida inteira desejando a vida do outro. Aprenda a viver o verdadeiro amor, amor de mãe, amor de pai, amor de filho, amor entre o homem e a mulher que propicia a continuidade da humanidade, escola da vida espiritual indispensável ao nossa evolução enquanto ser espiritual que somos. Amor que possibilita a reencarnação tão desejada por todos os irmãos desencarnados que necessitam dessa nova chance para evoluir. Aprenda a resistir com dignidade e determinação a todas as provas que a vida lhe impõe como meio de testar a sua perseverança, o seu comprometimento, a sua moral, o seu verdadeiro sentimento.

Livre-se! Livre-se dos rótulos! Os rótulos das religiões, os rótulos que engessam a sua capacidade de raciocinar dentro de uma lógica racional, dentro da razão e do bom senso. Os rótulos que engessam sua percepção do todo, que direciona a sua vida a um único caminho livre de escolhas.  Deus concedeu a todos o livre-arbítrio para que possam escolher os próprios caminhos. É preciso raciocinar e dentro de uma postura de equilíbrio e bom senso, construir suas próprias ideias para daí fazer as suas escolhas ao invés de aceitar uma ideia pré-concebida imposta por rótulos criados pelos homens. O caminho certo é subjetivo, depende das verdadeiras intenções, do verdadeiro sentimento que se coloca no agir, depende do amor que se coloca naquilo que se faz, depende do uso da liberdade de agir, de pensar e liberdade para construir. Um caminho engessado, pré-determinado por rótulos não poderá levar igualmente todos a um bom lugar porque nem sempre o que é bom pra um pode ser bom para o outro. Abuse de seu livre-arbítrio com a sabedoria que Deus lhe deu. Sabedoria para fazer boas escolhas, para perceber que essas escolhas são limitadas não por rótulos mas perceber que essas escolhas devem ser analisadas do ponto de vista do limite de seu próximo, pois que o seu direito termina quando o do outro começa. Avalia portanto, que se o caminho escolhido for causar algum tipo de dano ou sofrimento a outrem, deverá recuar e repensar outro meio de seguir afim de que não se endivide com o seu próximo. Utiliza a sabedoria da água que ao encontrar grandes obstáculos procura outro caminho a seguir.

Vive Feliz, porque Deus nos fez seus filhos para sermos verdadeiramente felizes.

-Por Alessandra Uzêda





domingo, 6 de abril de 2014

O Evangelho Segundo o Espiritismo-CAPÍTULO XVI - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON-DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS


CAPÍTULO XVI

NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON

Salvação dos ricos. – Guardar-se da avareza. - Jesus na casa de Zaqueu. – Parábola do mau rico. – Parábola dos talentos. – Utilidade providencial da fortuna. – Provas da riqueza e da miséria. – Desigualdade das riquezas. – Instruções dos Espíritos: A verdadeira propriedade. – Emprego da fortuna. – Desprendimento dos bens terrenos. – transmissão da fortuna.

DESPRENDIMENTO DOS BENS TERRENOS


LACORDAIRE, Constantina, Argélia, 1863

            14 – Venho, meus irmãos, meus amigos, trazer-vos meu humilde auxílio, para ajudar-vos a marchar corajosamente na via de aperfeiçoamento em que entrastes. Somos devedores uns dos outros, e somente por uma união sincera e fraternal, entre os Espíritos e os encarnados, a regeneração será possível.

            Vosso apego aos bens terrenos é um dos mais fortes entraves ao vosso adiantamento moral e espiritual. Em virtude desse desejo de aquisição, destruís as vossas faculdades afetivas, voltando-as inteiramente para as coisas materiais.

 Sede sinceros: a fortuna proporciona uma felicidade sem manchas? Quando os vossos cofres estão cheios, não há sempre um vazio em vossos corações? No fundo dessa cesta de flores, não há sempre um réptil oculto? Compreendo que um homem que conquistou a fortuna, por um trabalho constante e honrado, experimente por isso uma satisfação, aliás muito justa. Mas, desta satisfação muito natural e que Deus aprova, a um apego que absorve os demais sentimentos e paralisa os impulsos do coração, há uma distância, igual e que vai da sórdida avareza à prodigalidade exagerada, dois vícios entre os quais Deus colocou a caridade, santa e salutar virtude, que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba sem humilhação.

            Que a fortuna provenha da vossa família, ou que a tenhais ganho pelo vosso trabalho, há uma coisa que jamais deveis esquecer: é que tudo vem de Deus, e tudo a Deus retorna. Nada vos pertence na Terra, nem sequer o vosso corpo: a morte despoja dele, como de todos os bens materiais. Sois depositários e não proprietários. Não vos enganeis sobre isto. Deus vos emprestou e tereis que restituir, mas ele vos empresta sob a condição de que, pelo menos o supérfluo, reverta para aqueles que não possuem o necessário.

            Um dos vossos amigos vos empresta uma soma. Por menos honesto que sejais, tereis o escrúpulo de pagá-la, e lhe ficareis agradecido. Pois bem: eis a posição de todo homem rico! Deus é o amigo celeste que lhe emprestou a riqueza, não lhe pedindo mais do que o amor e o reconhecimento, mas exigindo, por sua vez, que o rico dê aos pobres, que são também seus filhos, tanto quanto ele.

            O bem que deus vos confiou excita em vossos corações uma ardente e desvairada cobiça. Já refletistes, quando vos apegais loucamente a uma fortuna perecível, e tão passageira como vós mesmos, que um dia tereis de prestar contas ao Senhor daquilo que Ele vos concedeu? Esquecei que, pela riqueza, fostes investidos na sagrada condição de ministros da caridade na Terra, para serdes os seus dispensadores inteligentes? O que sereis, pois, quando usais somente em vosso proveito o que vos foi confiado, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte inflexível, inexorável, virá rasgar o véu sob o qual vos escondeis, forçando-vos a prestar contas ao amigo que vos favoreceu, e que nesse momento reveste aos vossos olhos a toga de juiz.

            É em vão que procurais iludir-vos na vida terrena, cobrindo com o nome de virtude o que frequentemente é apenas egoísmo. É em vão que chamais economia e previdência aquilo que é simples cupidez e avareza, ou generosidade o que não passa de prodigalidade a vosso proveito. Um pai de família, por exemplo, deixando de fazer a caridade, economizará, amontoará ouro sobre ouro, e tudo isso, diz ele, para deixar a seus filhos o máximo de bens possível, evitando-lhes a queda na miséria. É bastante justo e bem paternal, convenhamos, e não se pode censurá-lo. Mas será sempre esse o único objetivo que o orienta? Não é antes, e o mais das vezes, uma desculpa para a própria consciência, a fim de justificar aos seus próprios olhos e aos olhos do mundo o seu apego pessoal aos bens terrenos? Não obstante, admito que o amor paterno seja o seu único móvel: será esse um motivo para fazê-lo esquecer dos seus irmãos perante Deus? Quando ele mesmo já vive no supérfluo, deixará os seus filhos na miséria, simplesmente por deixar-lhes um pouco menos desse supérfluo? Com isso, não estará lhes dando uma lição de egoísmo, que lhes endurecerá o coração? Não será asfixiar neles o amor do próximo? Pais e mães, estais num grande erro, se acreditais que com isso aumentais o afeto de vossos filhos por vós: ensinando-lhes a ser egoísta para com os outros, ensinai-lhes a sê-lo para vós mesmos.

            Quando um homem trabalhou bastante, e com o suor do seu rosto acumulou bens, costuma dizer que o dinheiro ganho a gente sabe quanto custou: nada é mais verdadeiro. Pois bem: que esse homem, confessando conhecer todo o valor do dinheiro, faça a caridade segundo as suas posses, e terá mais mérito do que outro que, nascido na abundância, ignora as rudes fadigas do trabalho. Mas, se esse homem que recorda suas penas, seus esforços, se fizer egoísta, duro para com os pobres, será muito mais culpado que os outros. Porque, quanto mais conhecemos por nós mesmos as dores ocultas da miséria, mais devemos interessar-nos pelo socorro aos outros.

            Infelizmente, o homem de posse carrega sempre consigo outro sentimento, tão forte como o apego à fortuna: é o orgulho. Não é raro ver-se o novo rico aturdir o infeliz que lhe pede assistência, com a história dos seus trabalhos e das suas habilidades, em vez de ajudá-lo, e terminar por dizer: “Faça como eu fiz!” Segundo ele, a bondade de Deus não influiu em nada na sua fortuna; somente a ele cabe o mérito. Seu orgulho coloca-lhe uma venda nos olhos e um tampão nos ouvidos. Não compreende que, com toda a sua inteligência e sua capacidade, Deus pode derrubá-lo com uma só palavra.

             Esperdiçar a fortuna não é desapegar-se dos bens terrenos, é descuido e indiferença. O homem, como depositário dos bens que possui, não tem o direito de dilapidá-los ou de confiscá-los para o seu proveito. A prodigalidade não é generosidade, mas quase sempre uma forma de egoísmo. Aquele que joga ouro a mancheias na satisfação de uma fantasia, não dará um centavo para prestar um auxílio. O desapego dos bens terrenos consiste em considerar a fortuna no seu justo valor em saber servir-se dela para os outros e não apenas para si mesmo, a não sacrificar por ela os interesses da vida futura, em perdê-la sem reclamar, se aprouver a Deus retirá-la. Se, por imprevistos revezes, vos tornardes como Jó, dizei como ele: “Senhor, vós me destes, vós me tirastes; que a Vossa vontade seja feita”. Eis o verdadeiro desprendimento. Sede submissos desde logo, tendo fé naquele que, assim como vos deu e tirou, pode devolver-vos. Resisti corajosamente ao abatimento, ao desespero, que paralisaria as vossas forças. Nunca vos esqueçais, quando Deus vos desferir um golpe, que ao lado da maior prova, ele coloca sempre uma consolação. Mas pensai, sobretudo, que há bens infinitamente mais preciosos que os da Terra, e esse pensamento vos ajudará a desprender-vos deles.

Quanto menos apreço damos a uma coisa, somos menos sensíveis à sua perda. O homem que se apega aos bens terrenos é como a criança que só vê o momento presente; o que se desprende é como o adulto, que conhece coisas mais importantes, porque compreende estas palavras proféticas do Salvador: meu reino não é deste mundo.

            O Senhor não ordena que atiremos fora o que possuímos, para nos tornarmos mendigos voluntários, porque então nos transformaríamos numa carga para a sociedade. Agir dessa maneira seria compreender mal os desprendimentos dos bens terrenos. É um egoísmo de outra espécie, porque equivale a fugir à responsabilidade que a fortuna faz pesar sobre aquele que a possui. Deus a dá a quem lhe parece bom para administrá-la em proveito de todos. O rico tem, portanto, uma missão, que pode tornar bela e proveitosa para si mesmo. Rejeitar a fortuna, quando Deus quando a dá, é renunciar aos benefícios do bem que se pode fazer, ao administrá-la com sabedoria. Saber passar sem ela, quando não a temos; saber empregá-la utilmente, quando a recebemos; saber sacrificá-la, quando necessário; isto é agir segundo os desígnios do Senhor. Que diga, portanto, aquele que recebe o que o mundo chama uma boa fortuna: “Meu Deus, enviastes-me um novo encargo; dai-me a força de o desempenhar segundo a vossa santa vontade!”

            Eis, meus amigos, o que eu queria ensinar-vos, a respeito do desprendimento dos bens terrenos. Resumirei dizendo: aprendei a contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis o ricos, porque a fortuna não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais de que os vossos bens vos foram confiados, e que deveis justificar o seu emprego, como numa prestação de contas de tutela. Não sejais depositários infiéis, fazendo-os servir à satisfação do vosso orgulho e da vossa sensualidade. Não vos julgueis no direito de dispor deles unicamente para vós, pois não os recebestes como doação, mas como empréstimo. Se não sabeis pagar, não tendes o direito de pedir, e lembrai-vos de que dar aos pobres é saldar a dívida contraída para com Deus.

SÃO LUIS, Paris, 1860

            15 – O princípio segundo o qual o homem é apenas o depositário da fortuna, de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira-lhe o direito de transmiti-la aos descendentes?           

            O homem pode perfeitamente transmitir, ao morrer, os bens de que gozou durante a vida, porque a execução desse direito está sempre subordinada à vontade de Deus, que pode, quando o quiser, impedir que os descendentes venham a gozá-los. É por isso que vemos ruírem fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. A vontade do homem, de conservar a sua fortuna na linha de sua descendência, é portanto impotente. Mas isso não lhe tira o direito de transmitir o empréstimo recebido, desde que Deus o retirará quando julgar conveniente.