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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Quando a alma falar, transcreva as suas palavras!

Senhor Jesus, como é bom poder sentir essa sensação tão agradável ao acordar. Muitas vezes nossa alma de tão leve que transita durante o descanso do corpo que não desejamos nem mesmo acordar, ao menos naquele momento. Um bem-estar, um sentir-se bem, mas tão bem que nem mesmo queremos abrir os olhos. Desejamos ardentemente apenas dormir, dormir mais para estar entre vós no mundo espiritual.

É inevitável que acordemos já que ainda há muito a se concretizar aqui no plano material. Um planejamento rico de realizações que nos espera em meio à evolução de meu espírito.

Não que não esteja feliz. Tenho uma família maravilhosa, unida, preocupada com o bem-estar de todos, que se ama apesar de um ou outro conflito que demonstra o pouco esclarecimento espiritual de alguns e que sei que tenho a obrigação de compreender. Que Deus os abençoe sempre!

Mas é mesmo indescritível a sensação de relaxamento e amplitude da percepção do todo como se o meu espírito se dilatasse e se distanciasse cada vez mais da matéria que o carrega para a realização de seus objetivos.

Um desdobrar-se de sublimidade alcançável ao meu espirito que bem sei que ainda está bem longe do sublime real. Mas ainda assim Senhor, muito obrigada por ao acordar manter essa sensação de que estava entre vós, sendo acolhido, amparado e orientado pela Espiritualidade que trabalha em seu nome.

Queria mesmo poder lembrar o que fazia, com quem trabalhava o meu espírito durante o descanso do corpo. Mas, também já tenho o esclarecimento necessário para compreender que nem tudo nesta vida de encarnado nos convém lembrar. Que só é dado ao homem a permissão de lembrar aquilo que poderia servir de alicerce para subir mais um degrau na escala da vida.

Os limites que o corpo nos impõe são reguladores necessários ao nosso desenvolvimento espiritual e certamente, moral também. Que Deus me dê a sabedoria e a perseverança para conduzir os meus filhos ao caminho da espiritualidade de uma maneira leve e feliz como estou seguindo, para que um dia ao retornar, todos estejam confortados pelo Espiritismo Consolador que nos mostra um horizonte muito maior após o desencarne.
Obrigado Senhor, por poder estar aqui, falando por minha alma, que tenho a consciência de que não tem a minha aparência.

Que assim seja!

A alma também fala

terça-feira, 21 de julho de 2015

Lembranças de Vidas Passadas

O SONHO

Dois trabalhadores de uma casa espírita, que se conheceram nesta encarnação há mais ou menos dois anos, sempre carregaram aquela sensação de que já se conheciam, de que já trabalharam juntos. 

No dia 10 de julho um deles teve um sonho, junto a esse amigo, que vem lhes revelar uma de suas existências anteriores.

O sonho se inicia com os dois amigos a observar tudo de cima, lado a lado a flutuar. Era noite, um lugar deserto, muito primitivo, parecia um lugar ainda não explorado pelos homens em tempos antigos. Chão irregular de barro, sem divisões de ruas, um vasto terreno ainda todo em barro, sem construções, sem iluminação, sem gente, um deserto visto à noite.

Observando melhor pode-se notar que havia uma ponte de barro que ligava esse imenso terreno à algumas pequenas ruas de barro por onde circulavam os carros antigos. O espaço que haviam ruas também eram desertos, ninguém a andar pelas ruas, sem iluminação elétrica. 

Haviam algumas moradias, mas pareciam cortiços, quitinetes, não sei o que. De repente lá estavam ambos os amigos num cubículo, onde havia uma cama, uma pia, um fogão e um banheiro,tudo num único ambiente sem divisórias, um amontoado de coisas, pertences pessoais. O amigo, tinha dois filhos e a amiga aparecia dando comida ao menor, sentado à cama, junto ao irmão que se alimentava já com independência. Ambos sairiam em alguma missão ou busca ainda não percebida no sonho. Ela sentou-se na cama, olhou nos olhos das crianças e disse-lhes: fiquem quietos, não façam nenhum barulho, e não abram a porta pra ninguém, voltaremos logo.

Ela levantou-se, e dirigindo-se ao amigo, segurou-lhe as duas mãos e disse: Vamos! Vai dar tudo certo!

Ainda era noite quando ambos pegaram um carro azul claro com mala, daqueles tipo corcel bem velho, todo melado do barro e seguiram em direção à ponte de barro. Ao chegar, antes da ponte o motorista do carro disse que não poderia mais avançar, além daquele lugar. Que ao chegarem na ponte, encontrariam um homem que os ajudariam a chegar onde queriam.

Ao saltar do carro, dirigiram-se ao outro extremo da ponte, em direção ao homem que os esperavam. O homem queria desistir de levá-los ao seu destino, talvez por medo, insegurança, pelo perigo iminente que representava aquela situação. Diante do melindre do homem, ela ajoelhou-se no chão e de mãos juntas implorou pra que ele os levassem até o local, caso contrário não chegariam. Tudo transcorria em clima de clandestinidade e medo de serem descobertos, pois sabiam que não voltariam pra casa.

Todos seguiram a pé com o homem a guiá-los pelo terreno irregular de barro, passando pelos declives constantes devido a essa irregularidade. O seu amigo seguiu mais rápido, pois havia identificado o lugar, adiantando seus passos. Ela o acompanhava com o guia mais devagar, e ao chegar no meio do nada, o homem que estava guiando-a mostrou-lhe um buraco ao chão cujo acesso era como uma escada que a levaria para debaixo da terra. De posse de um candeeiro à mão para iluminar o caminho que percorreria pela escada em direção ao solo, ela seguiu ao encontro de seu amigo, de seu destino. Após descer dois vãos de escadas, do solo para baixo, avistou no terceiro andar subterrâneo, uma porta que a levaria a um ambiente do qual escutava vozes de homens conversando. Ao olhar, avistou um homem moreno, de cabelos lisos, sem camisa, em frente a uma grelha de churrasco a preparar comida para eles. Ao entrar no corredor que a levaria a eles, chamou o amigo pelo nome, para certificar-se de que era ele mesmo. Ao entrar no mesmo ambiente, percebeu que estavam num paredão de um morro que se localizava em frente ao mar, ao oceano. Ao ver o amigo no ambiente, assustou-se com tamanha tensão que enfrentara até chegar no local e acordou.

NA VIDA REAL

Após quase 10 dias, ela resolveu contar ao seu amigo de jornada  o sonho que tivera com ele. Sendo ele um espírita muito dedicado e comprometido com os trabalhos espirituais, cujas faculdades mediúnicas se encontram em franco processo de desenvolvimento, ao saber sobre o sonho, teve a oportunidade e o merecimento da revelação de todo o desenrolar da história, passando a compreender melhor a ligação dele com ela. As pessoas ligadas a eles na história, inclusive o homem, as crianças, enfim, as razões pelas quais estavam naquele lugar, e o por que de fazem tudo às escondidas, clandestinamente.

AS REVELAÇÕES

As revelações foram feitas por uma entidade espiritual que se encontrava na sintonia do acontecimento junto ao meu amigo. Simultaneamente, através do mais atual mecanismo de comunicação que as pessoas se utilizam para se falarem, WhatsApp, ele começou a contar a ela tudo o que vinha de revelação para eles com relação ao sonho e esta conversa está transcrita a seguir. Então, pôs-se a falar:

- Já lhe disse isso uma vez. Não é de agora nossa convivência. E com esse sonho tenho certeza de que fomos irmãos, pelo visto você ainda cuidava de seus sobrinhos.
- Pensei na minha esposa quem seria e acho que eu era viúvo. Ela morreu muito jovem. Talvez no parto.
- Parece que eu era ligado à Revolução ou Rebelião e fugíamos das autoridades. 
- Posso lhe dizer mais, era na Alemanha. Éramos judeus. Vivíamos escondidos.
- Aquele homem do morro que dava pro mar, pro oceano, ia tirar a nossa família da Alemanha pelo mar, pra fugir da guerra.
- Eu acho que você foi só com os meninos, por que eu fui pego e a partir dai você cuidou deles como se fosse mãe deles. Na verdade eu me deixei ser pego para vocês fugirem, acho que nos delataram. Estou com os olhos mareados! Triste! Mas é isso. Não sei quem eram os meninos, mas agora me lembro que muitas pessoas fugiam de barco pelos oceanos, na clandestinidade,  para fugir das guerras. Salvei você e os meninos.

O médium: Pedi à Espiritualidade pra revelar melhor essa história.
- A visão era o terreno como você disse e a vila onde morávamos foi se formando desde sua fundação, a estrada de barro recebeu pedras tipo cabeça de frade e a ponte de barro virou uma ponte de pedra arqueada por onde os moradores passavam por baixa nos períodos de leito seco, parecendo um túnel. A rua principal da vila era também pavimentada de pedras, as demais eram de barro e lama. Essas era a única infraestrutura da pobre vila.
- O motorista nos levou até a ponte e o encontro se deu embaixo da ponte onde ocorreu os fatos que você relatou ao descrever o sonho, tudo bem as escondidas.
- Você não era irmã minha, nem a mãe de meus filhos. Você era muito próxima deles, irmã da minha falecida esposa, não minha irmã como havia pensado no início. Você não podia ter ou não tinha filhos e por isso, amou e cuidou deles como se fossem seus. 
-Ela (a esposa dele e irmã dela) mais que eu (disse ele) lhe demos esse presente (ser mãe). A sua irmã lhe pediu isso no seu leito de morte. Você fez o parto deles.
- Eu não quis me casar depois da morte dela. Minha preocupação era tirar vocês das mãos daquele líder insano. E conseguimos.
- Pergunto para onde vocês fugiram mas não sei. Talvez você saiba.
- Eu fiquei preso nos campos e acho que morri lá. 
- Eu era importante, talvez próspero nos negócios, tinha algum dinheiro.
- Já éramos espíritas. fazíamos os estudos escondidos. Culminou com a queima dos livros espíritas em praça em Berlim.
- Peguei tudo que tinha e paguei o barco para levar vocês. O intermediário cobrou caro, por que paguei pra alguém proteger vocês. Alguém do barco. E vocês não sofreram mal algum na viagem.
- Eu não pensava em casar-me por que amava a falecida mas também não iria deixar os meninos sem mãe. E você era próxima e sempre estava com eles. Porém seria um casamento de conveniência pra mim.

O médium: Isso explica algumas bênçãos que tive nessa encarnação. De vez em quando me pergunto o que fiz pra merecer tanta coisa boa nessa encarnação. Deve ter sido o sacrifício de minha vida para salvar a de vocês. Tenho uma encarnação até então tranquila. 

- Salvei vocês e me prenderam antes de eu ir. Me entreguei para que vocês fugissem por que alguém sabia que iríamos fugir e dedurou.
- Eu agradeço a luz dessas revelações e o compromisso.Você era muito leal e cumpria suas promessas. A falecida pediu pra você cuidar deles e você cuidou. 
- Não sei quem era a falecida, nem a reconheço nesta vida.
- Você se casou em sua nova terra. Pelo que parece, alguém que você conheceu no barco e que te protegeu. Pensei que fosse o cara que eu paguei  mas acho que não foi ele. Você não sabia desse protetor pago. este somente garantiu as refeições durante a viagem. 
- Apareceu um homem lá no barco que gostou de você e a protegeu. Esse homem que você conquistou arrumou lugar pra você e as crianças na terra nova. Ele trabalhava muito e logo vocês se casaram.
- Você era bonita e se ele não tivesse feito isso, sabe-se lá o que poderia ter acontecido.
- Eu lembro que chorava muito. apanhei muito pra que vocês fugissem. Os soldados de Hitler violentavam as mulheres bonitas. Muitas morriam e não chegavam aos campos.
- Você teve uma menina com ele. Vejo você lavando roupa, numa bacia. Lavava pra ganho.
- O homem trabalhava na construção civil.
- Não consigo ver quem eram os meninos nem minha mulher falecida.
- Você não era muito nova pra época. Tinha passado da idade de casar, mas também não era velha. As mulheres da época casavam adolescentes.
- Os meninos sempre a viram como mãe. Afinal você fez os partos deles. O menor então não lembra da mãe e assim lhe via como mãe mesmo. É isso.
- Seu marido daquela época se tornou seu marido de novo nessa época. Que lindo! Talvez seja ele, nem sempre a gente sabe quem são as pessoas num sonho mediúnico.

Fim da conversa.

Muito impressionados com todos os relatos acima desvendados, ela seguiu para mais uma de suas atividades mediúnicas na casa espírita que frequentam na atual encarnação.

Trata-se de um grupo de psicografias, no qual somente ela participa. Ele não faz parte desse grupo de trabalhos mediúnicos. Sendo assim,  vieram mais alguns esclarecimentos através de duas psicografias. A primeira em psicografia anímica, a médium escreveu o sentimento que carregava na alma após tantas revelações. A segunda  psicografia intuída por uma entidade desencarnada que vivenciou os mesmos dramas da época.

PSICOGRAFIA ANÍMICA
Mensagem da Alma

"Lealdade e cumplicidade  de toda uma trajetória espiritual. Palavras da alma, de um coração de amor que se sente feliz pela bênção do descortinar da pontinha do véu que Deus nos deu para nos protegermos de nós mesmos.

Quando a alma está feliz, contagia aqueles que juntos estão, pelo olhar, pelo sorriso, a alegria transborda do coração.

Mas, cabe a reflexão: porque Deus nos permite conhecer parte de nosso passado, de toda uma vida atrás de tantos obstáculos enfrentados com comprometimento na família, lealdade e cumplicidade, com aqueles de seu convívio?

Voltarmos ao passado em sonho é algo engrandecedor para a nossa atual vivência, porque nos faz perceber o quanto fomos capazes de suportar, de enfrentar as repressões e as represálias de um poder político, social, religioso, complexo, de preconceitos  sobretudo, sobre as mulheres, para defendermos a nossa família espiritual que já caminha conosco desde a primeira guerra, desde o poder desgovernado do povo ariano capaz de cometer as maiores atrocidades.

A família continua ainda a ser o núcleo de maior poder e amor de todos os tempos. Na família é onde encontramos o amor maior, a defesa incondicional, a dedicação contínua, o cuidado exacerbado, o zelo pelo correto, o amor maior que podemos sentir pelos outros, mesmo sabendo que um dia pode ter sido seu inimigo espiritual.

É nesse núcleo familiar, que a educação e o amor que recebemos são redobrados quando podemos ter nossos filhos.

O véu que se descortina vem mostrar os laços, as afinidades, e o seu potencial de superação enquanto espírito, para as causas da vida.

Incrível a potencialidade que a Espiritualidade Maior tem  de interferir no momento certo, para que o esclarecimento venha iluminar as relações entre aqueles que se sentem ligados pela alma, num laço de afetividade fraternal, amiga e de cumplicidade e lealdade aos seus princípios e escolhas de vida.

Como é bela a possibilidade de termos acesso e merecimento para que saibamos realmente, quem são aqueles que hoje caminham ao nosso lado.

Hoje a minha alma fala ao amigo de muitos tempos atrás, mas hoje é um dia marcado pela grande alegria de um  véu  que se abre em nosso convívio.

Que Deus te abençoe, abençoe não só esta, como muitas das existências que poderemos ter."

PSICOGRAFIA INTUÍDA
Relato de vivências similares.

"Um dia, quando estava acuada, sob a vigília de soldados de guerra, desci em esconderijo subterrâneo para que pudesse fugir e proteger a minha família. fomos fortemente perseguidos.

Também vivemos na Alemanha, mas não tive a felicidade de sobreviver aos ataques daquele líder insano.

Escondemo-nos em subsolos, casa subterrâneas construídas embaixo de outras casa que vivíamos.

Meus familiares eram judeus e possuíam muito dinheiro, mas não podia lutar contra o poder político e religioso da época. Os arianos invadiram nossa casa e descobriram a passagem secreta que dava lugar a uma espécie de soton onde escondíamos livros espíritas, onde fazíamos nossos estudos e nos comunicávamos com os espíritos. Eram esses espíritos amigos que nos confortavam.

Minha mãe teve o azar de ter apenas duas filhas. Quando invadiram nossa casa, meu pai foi levado aos campos de concentração e eu, minha mãe e minha pequena irmã, fomos violentadas até a morte para satisfazer os instintos de insanidade daqueles soldados dominados pelo poder, por uma espécie de hipnose coletiva, que os faziam seguir com suas atrocidades.

Feliz daqueles que conseguiram fugir pelos oceanos em bisca das Américas com segurança e proteção, porque não tiveram que viver as torturas arianas da violência sexual, intelectual, religiosa e política do poderio de guerra.

Hoje, eu, minha mãe e minha pequena irmã, já nos encontramos quase que totalmente fortalecidas pelo mundo espiritual, pelos tratamentos e acolhimentos que aqui nos hospitais nos deram após os nossos regates, e nos preparamos para mais uma vez estarmos entre os encarnados.

Amigos, há feridas da alma que não são cicatrizadas plenamente até que conheçamos o Amor Divino capaz de nos abrandar o coração e os anseios que os espíritos feridos alimentam no seu desejo de vingar-se, de pagar o mal com o mal. 

Você já estão com o coração puro, compreendem o momento histórico, e hoje, com o poder infinito da misericórdia de Deus que nos concede o véu do esquecimento para podermos construir uma nova caminhada. 

Fiquem com Deus, no amor e na união de sempre."

OUTRO SONHO
Após as revelações anteriores.

Era um lugar de periferia, subúrbio. havia um ferro velho, com vagões de trem abandonados e muito ferrugem. Tudo era enferrujado naquele lugar.
Soltava de um vagão pegava uma bicicleta velha, também enferrujada e saía andando. um menino corria atrás de mim, e voltava com uma bicicleta nova que eu havia lhe dado.
Em seguida, arrancava uma pia velha, quebrada de louça branca de um local que ficava de frente pra rua, aberto. todos que passavam poderiam vê-la. Trazia uma lavanderia nova, branquinha, também de louça, e colocava no lugar. Outro menino entrava na lavanderia e tomava banho com alegria. Acordei... não lembro mais.

NOVAS REVELAÇÕES

-O menino menor é seu filho nesta vida. Pediu para ser seu filho de fato, pois embora tenha nascido de sua irmã de outra vida, havia sido criado e amado por você.
- Você teve uma filha com o homem que casou nas Américas. Essa filha hoje, é sua mãe.
- O menino maior, atualmente é seu irmão. 

O médium: Custei a acreditar! Pergunto quem era  o barqueiro e quem era o protetor pago, pois ainda não foram revelados. Acho que o mais importante não é nenhum nem outro, é o homem que nos levou ao barqueiro. Quando escrevi isso ouvi: sou na mente: sou eu. ele que está me intuindo aqui. O intermediador. Ele não é encarnado hoje.

- A família de seu pai não viajou.É a que falou na psicografia. Ele não viajou por cobiça. Disse que quando viu tanto dinheiro resolveu ficar e esperar a guerra acabar. Pois, ele só deu a metade do que eu dei pra pagar ao barqueiro. A outra metade ele roubou, Só que ele não teve tempo de usar aquele dinheiro.

O médium: será que era seu pai?

- Na época que fugiu a Alemanha achava que iria ganhar a guerra, mas ainda tinha mais uns anos de guerra. A casa dele foi bombardeada e o dinheiro pegou fogo. Ele se abrigou as pressas, não sei se alguém da família morreu na bomba.
- Ainda tem que se depurar da cobiça. Ele está trabalhando e se preparando para próxima encarnação resgatar essa cobiça.
- Parece que a família dele morreu na bomba e ele ficou só e sem dinheiro. Ele saiu pra um brega e quando voltou, a casa estava pegando fogo. Ele não estava em casa na hora do bombardeio e a família morreu porque esperava por ele.
- Ele está triste.Parte da família dele, reencarnou na sua família. E ele ainda não pode resgatar esse débito com eles.

O médium: você tem irmã?

- Sua irmã desta vida era esposa dele. Muito zelosa com os filhos dele. Tinham um casal de filhos. Ela sabia das farras dele mas era aquele mulher omissa. Sempre esperava ele chegar da farra. 
- Nesta vida, morreu nesta vida, em acidente de carro como resgate da negligência dele porque deixou a família morrer na explosão. Eles não eram judeus. Eram alemães. Desencarnou cedo por causa da vida que levou. Acelerou a sua partida.
-Após o desencarne da família dele, nem todos aceitaram reencarnar vinculados a ele ( mágoa). Dos filhos dele naquela encarnação, só um que voltou como filho de sua atual irmã..

O médium: Seu atual marido, viajou naquela encarnação fugindo por quê?

- Ele não concordava com a guerra. Matar porque era diferente dele. Fugiu para não compactuar com Hitler. Guardou esse segredo de você.
- Tinha a suástica tatuada e escondia. Vergonha!
- Você cuidando dele, viu a tatuagem e aceitou ele assim mesmo.
- Quando ele adoeceu com febre, delirando ele te contou a história dele.
- Ele queimou com ferro quente a tatuagem pra que os filhos nunca vissem. Depois que você viu. Foi o segredo de vocês.
- Ele não te via nua e nem você via ele. Vocês tínham relações através do lençol com buraco.
- Só descobriu a tatuagem porque teve que cuidar da febre dele e tirou a camisa dele.
- Já tinham uma filha que era pequena.
- Ele sempre foi bom e esforçado e você não viu um "raite" nele, "raite" era o nome do exército de Hitler.
- Você não se cuidou na Alemanha por que cuidou de sua mçae até ela morrer. E aí, ficou moça velha pra casar. Depois cuidou da minha falecida e sempre fez os partos do vilarejo com sua mãe. das filhas dela, só você se interessou pelo ofício dela.
- Sempre desejou uma família sua, mas vivia triste por que escolheu cuidar de sua mãe à procurar um marido.
- Quando você foi incumbida pela falecida de cuidar de minha família você ficou mais feliz e vaidosa. Mas eu não a via como devia porque estava preocupado com os meninos e amava a falecida demais. Se tivesse sobrevivido iria me casar com você pra não deixar os meninos só, mas não a amava.
- Quando você conheceu o rapaz no barco foi paixão. Você nunca sentiu aquilo, amor correspondido.Estava cheia de esperança. Tentou falar com ele de carma, reencarnação e tal mas ele era alemão e não acreditava em nada daquilo. Dizia que era fantasia ou maluquice mas que respeitava sua crença. então você não falava disso com ele. Só com sua filha, que passou a estudar a doutrina com você quando você conseguiu comprar um livro dos espíritos. Você escondia o livro no assoalho. Uma tábua solta. Lia quando seu marido não estava em casa e sua filha era muito curiosa e começou a estudar com você.. Você escondia o livro achando que seria queimado como foi na praça pública de Berlim. Ou porque sabia que seu marido era alemão e tinha medo dele queimá-lo. Era seu  segredo e de sua filha.
- Seus filhos não se interessavam pelo livro mas também não ligaram nem contaram a seu marido sobre ele porque falava de Jesus, esperança e Caridade. 
- você também cuidava dos filhos e fazia partos na Vila onde passou a morar e era muito respeitada.
- Seu filho mais novo daquela encarnação que era garoto de recado. Vinha correndo chamar-lhe para fazer o parto. Juntou e comprou uma bicicleta usada pra chegar mais rápido nas casa já que a Vila logo virou cidade.
- Um dia em agradecimento, um homem, cuja mulher teve um parto difícil e quase morreu mas você salvou a mãe e a criança que estava sentada. Você conseguia virar a criança ainda na barriga da mãe com uma massagem e apertos. Ele te deu uma bicicleta nova. Você voltou feliz. os meninos ficaram tão felizes porque a bicicleta velha ficou pra eles irem pra escola. O mais velho que levava o menor pra escola.
- Você queria que todos estudassem, inclusive a menina. Disse que sem estudo não havia progresso e que mesmo se ela se tornasse mãe de família seria letrada. Isso rendeu a ela um bom casamento por que era bonita e muito inteligente. Naquela época se a moça não estudasse era ensinada nas prendas domésticas. E sua filha tinha tudo isso. Só não cozinhava tão bem como você. Os meninos reclamavam quando a irmã ia pra cozinha. Mas, seu marido a incentivava. Dizia estar melhor que a sua comida. ela ficava toda envaidecida e você ria de gargalhar. 
- Tiveram uma vida feliz, difícil mas  feliz longe do horror da guerra.
- Sempre foi grata a mim por  ter livrado você de lá. teve muitos netos. A sua casa ficou pequena pra receber toda a família nos domingos.
- Seu marido morreu primeiro. trabalhava muito e quando deixou a construção civil e foi pra fábrica morreu de mal de pulmão.
- Seu filho mais novo cuidou de você apesar de você ser independente até velhinha. O  mais velho virou médico Doutor e via você pouco. o mais novo era comerciante seguindo os passos do pai verdadeiro, que ele não se lembrava.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

VIII- LEMBRANÇAS DAS EXISTÊNCIAS CORPÓREAS-O Livro dos Espíritos, Allan Kardec ,CAPÍTULO VI: Vida Espírita- LIVRO SEGUNDO



O Espírito se lembra da sua existência corpórea, tendo vivido muitas vezes como homem, recorda-se do que foi. E te asseguro que, por vezes, ri-se de piedade de si mesmo.
 Comentário de Kardec:    Como o homem que, atingindo a idade da razão, ri das suas loucuras da juventude ou das puerilidades da sua infância.

A lembrança da existência corpórea não se apresenta ao Espírito de maneira completa e inopinada, após a morte; mas pouco a pouco, como alguma coisa que sai do nevoeiro, e à medida que nela vai fixando a sua atenção.

O Espírito se lembra e das coisas na razão das consequências que acarretam para a sua situação de Espírito. Mas compreende que há circunstâncias às quais ele não atribui nenhuma importância e que nem mesmo procura recordar.
Pode lembrar-se dos detalhes e dos incidentes mais minuciosos, sejam de acontecimentos, sejam mesmo de seus pensamentos. Mas quando isso não tem utilidade, ele não o faz.

Seguramente, entrevê a finalidade da vida terrestre, com relação à vida futura; a vê e compreende muito melhor do que quando vivia no corpo. Compreende a necessidade de purificação para chegar ao infinito, e sabe que a cada existência se livra de algumas impurezas.

A vida passada se desenrola na memória do Espírito, por um esforço da sua imaginação ou como um quadro que ele tenha ante os olhos. Todos os atos que tenham interesse para a sua lembrança são para ele como se estivessem presentes; os outros ficam mais ou menos no fundo da memória, ou completamente esquecidos. Quanto mais desmaterializado estiver, menos importância atribui às coisas materiais. Fazes muitas vezes a evocação de um Espírito errante, que acabou de deixar a Terra e não se lembra dos nomes das pessoas que amava, nem dos detalhes   que para ti parecem importantes: é que pouco lhe interessam e caem no esquecimento. Aquilo de que ele se lembra muito bem são os fatos principais, que o ajudam a se melhorar.
O Espírito se lembra de todas as existências que precederam a que acabou de deixar, pois que todo o seu passado se desenrola diante dele, como as etapas de um caminho que o viajante percorreu. Mas, como já dissemos, ele não se lembra de uma maneira absoluta de todos os atos, recordando-os apenas na razão da influência que tenham sobre o seu estado presente. Quanto às primeiras existências, as que se podem considerar como a infância do Espírito, perdem-se no vago e desaparecem na noite do esquecimento.

O Espírito considera o corpo que acabou de deixar, como uma veste imprópria, que o incomodava e da qual se sente feliz por se ter desembaraçado.

O sentimento que experimenta à vista do seu corpo em decomposição, quase sempre o de indiferença, como por uma coisa a que não dá mais importância.

Algumas vezes, ao fim de um certo lapso de tempo, o Espírito reconhece os ossos ou outras coisas que lhe tenham pertencido. Isso depende da maneira mais ou menos elevada pela qual considere as coisas terrestres.

O Espírito se sente sempre feliz de ser lembrado. As coisas que dele conservamos avivam em nós a sua lembrança, mas é o pensamento o que o atrai para vós e não os objetos.

Frequentemente, os Espíritos conservam a lembrança dos sofrimentos que suportaram durante sua última existência corpórea, e essa lembrança os faz melhor avaliar a felicidade que podem desfrutar como Espíritos.

Somente os Espíritos inferiores podem lastimar os gozos que correspondem à impureza de sua natureza, e que eles expiam pelo sofrimento. Para os Espíritos elevados, a felicidade eterna é mil vezes preferível aos prazeres efêmeros da Terra.

Aquele que iniciou grandes trabalhos com uma finalidade útil e que os vê interrompidos pela morte não lamenta tê-los deixado por acabar, porque vê que os outros estão destinados a concluí-los. Ao contrário, trata de influenciar outros Espíritos humanos a continuá-los. Seu objetivo, na Terra, era o bem da Humanidade; esse objetivo é o mesmo, no mundo dos Espíritos.

Aquele que deixou trabalhos de arte ou de literatura conserva pelas suas obras o amor que tinha durante a vida em função de sua elevação; segundo sua elevação, julga-as de outra maneira e frequentemente reprova o que mais admirava.

O Espírito se interessa ainda pelos trabalhos que se fazem na Terra, pelo progresso das artes e das ciências, a depender se de sua elevação ou da missão que possa ter a cumprir. Aquilo que vos parece magnífico é frequentemente bem pouca coisa para certos Espíritos, que o admiram como o sábio admira a obra de um escolar. Eles examinam o que pode provar a elevação dos Espíritos encarnados e seus progressos.

Os Espíritos conservam, depois da morte, o amor da pátria, e sempre o mesmo princípio: para os Espíritos elevados, a pátria é o universo; na Terra, é aquela em que possuem maior número de pessoas simpáticas.

   Comentário de Kardec: A situação dos Espíritos e sua maneira de ver as coisas variam ao infinito, na razão do grau de seu desenvolvimento moral e intelectual. Os Espíritos de uma ordem elevada geralmente fazem, na Terra, estações de curta duração. Tudo quanto aqui se faz é assaz mesquinho em comparação com as grandezas do infinito; as coisas a que os homens atribuem a maior importância são tão pueris aos seus olhos, que eles encontram poucos atrativos neste mundo, a menos que tenham sido chamados a fim de concorrer para o progresso da Humanidade. Os Espíritos de uma ordem intermédia passam mais frequentemente por aqui, embora considerem as coisas de maneira mais elevada do que durante a encarnação. Os Espíritos vulgares são de alguma forma os que aqui permanecem, constituindo a massa da população ambiente do mundo invisível. Conservam, com pouca diferença, as mesmas ideias, os mesmos gostos e as mesmas tendências que tinham no seu envoltório corporal. Intrometem-se nas nossas reuniões, nos nossos negócios, nas nossas diversões, tomando parte mais ou menos ativa, segundo o seu caráter. Não podendo satisfazer as suas paixões, gozam com os que a elas se entregam, e as excitam nessas pessoas. Encontramos entre eles alguns mais sérios, que veem e observam, para se instruir e aperfeiçoar.

As ideias dos Espíritos se modificam muito na vida de espírito; sofrem modificações muito grandes, à medida que o Espírito se desmaterializa. Ele pode, às vezes, permanecer muito tempo com as mesmas ideias, mas pouco a pouco a influência da matéria diminui e ele vê as coisas   mais claramente. É então que procura os meios de se melhorar.

Desde que o Espírito já viveu a vida espírita antes da sua encarnação, de o espanto, ao reentrar no mundo dos Espíritos, é apenas o efeito do primeiro momento e da perturbação que se   segue ao despertar. Mais tarde ele reconhece perfeitamente o seu estado, à medida que lhe volta a lembrança do passado e que se desfaz a impressão da vida terrestre.


domingo, 3 de agosto de 2014

IV-ENSAIO TEÓRICO SOBRE A SENSAÇÃO NOS ESPÍRITOS - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec ,CAPÍTULO VI: Vida Espírita- LIVRO SEGUNDO

LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO VI– VIDA ESPÍRITA
      IV- Ensaio Teórico sobre a Sensação nos Espíritos
             (Questão 257) 


O corpo é o instrumento da dor; se não é a sua causa primeira é pelo menos a imediata.

A alma tem a percepção dessa dor: essa percepção e o efeito.

A lembrança que dela conserva pode ser muito penosa, mas não pode implicar ação física. Com efeito, o frio e o calor não podem desorganizar os tecidos da alma; a alma não pode regelar-se nem queimar. Não vemos todos os dias, a lembrança ou a preocupação de um mal físico produzir os seus efeitos? E até mesmo ocasionar a morte?

Todos sabem que as pessoas que sofreram amputações sentem dor no membro que não mais existe. Seguramente não é esse membro a sede nem o ponto de partida da dor: o cérebro a impressão, eis tudo. Podemos, portanto, supor que há qualquer semelhante nos sofrimentos dos Espíritos depois da morte.

Um estudo mais aprofundado do períspirito, que desempenha papel tão importante os fenômenos espíritas — nas aparições vaporosas ou tangíveis, no estado do Espírito no momento da morte, na ideia tão frequente de que ainda está vivo na situação surpreendente dos suicidas, dos supliciados, dos que se absorveram nos prazeres materiais, e tantos outros fatos —, veio lançar luz sobre esta questão, dando lugar às explicações de que apresentamos um resumo.

O períspirito é o liame que une o Espírito à matéria do corpo; é tomado do meio ambiente, do fluido universal; contém ao mesmo tempo eletricidade, fluido magnético, e até um certo ponto, a própria matéria inerte. Poderíamos dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, mas não o da vida intelectual, porque esta pertence ao Espírito. É também o agente das sensações externas. No corpo, estas sensações se localizam nos órgãos que lhes servem de canais. Destruído o corpo, as sensações se tornam generalizadas. Eis porque o Espírito não diz que sofre mais da cabeça do que dos pés.

 É necessário, aliás, nos precavermos de confundir as sensações do períspirito independente com as do corpo: não podemos tomar essas últimas senão como termo de comparação, e não como analogia. Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é o mesmo do corpo; não obstante, não é também um sofrimento exclusivamente moral, como o remorso, pois ele se queixa de frio e de calor. Mas não sofre mais no inverno do que no verão: vimo-los passar através das chamas sem nada experimentar de penoso, o que mostra que a temperatura não exerce sobre eles nenhuma impressão.

A dor que sentem não é a dor física propriamente dita: é um vago sentimento interior, de que o próprio Espírito nem sempre tem perfeita consciência, porque a dor não está localizada e não é produzida por agentes exteriores.  É antes uma lembrança, também penosa. Algumas vezes, há mais que uma lembrança como veremos.

A experiência nos ensina que, no momento da morte, o períspirito se desprende mais ou menos lentamente do corpo. Nos primeiros instantes o Espírito não compreende a sua situação; não acredita que morreu; sente-se vivo; vê o seu corpo de lado, sabe que é o seu e não entende por que está separado.

Esse estado dura o tempo em que existir um liame entre o corpo e o períspirito. Um suicida nos dizia: — “Não, eu não estou morto”, e acrescentava: “e, entretanto, sinto os vermes que me roem”. Ora, seguramente, os vermes não roíam o períspirito e menos ainda o Espírito, mas o corpo.

Como a separação do corpo e do períspirito não estava completa, havia uma espécie de repercussão moral, que lhe transmitia a sensação do que se passava no corpo. Repercussão não é bem o termo, pois poderia dar ideia de um efeito muito material. Era antes a visão do que se passava no corpo, ao qual o períspirito continuava ligado, que produzia essa ilusão tomada como real. Assim, não se tratava de uma lembrança, pois durante a vida ele fora roído pelos vermes: era uma sensação atual.

      Vemos, pois, as deduções que podemos tirar dos fatos quando atentamente observados. Durante a vida, o corpo recebe as impressões e as transmite ao Espírito, por intermédio do períspirito, que constitui, provavelmente, o que se costuma chamar de fluido nervoso. O corpo, estando morto, não sente mais nada, porque não possui Espírito nem períspirito.

O Espírito, desligado do corpo, experimenta a sensação, mas como esta não lhe chega por um canal limitado, torna-se geral. Como o períspirito é apenas um agente de transmissão, pois é o Espírito que possui a consciência, deduz-se que, se pudesse existir períspirito sem Espírito, ele não sentiria mais do que um corpo morto. Da mesma maneira, se um Espírito não tivesse períspirito, seria inacessível a todas as sensações penosas: é o que acontece com os Espíritos completamente purificados.

 Sabemos que, quanto mais o Espírito se purifica, mais eterizada se torna a essência do períspirito, de maneira que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, ou seja, à medida que o períspirito se torna menos grosseiro.

       Mas, dir-se-á, as sensações agradáveis são transmitidas ao Espírito pelo períspirito, tanto quanto as desagradáveis. Ora, se o Espírito puro é inacessível a umas, deve sê-lo igualmente às outras. Sim, sem dúvida, àquelas que provêm unicamente da influência da matéria que conhecemos: o som dos nossos instrumentos, o perfume das nossas flores não lhe produz nenhuma impressão, e, não obstante, eles gozam de sensações íntimas, de um encanto indefinível, das quais não podemos fazer a mínima ideia, porque estamos para   elas como os cegos de nascença para a luz.

Sabemos que elas existem, mas de que maneira? Aí se detém o nosso conhecimento. Sabemos que o Espírito tem percepção, sensação, audição, visão, que essas faculdades são atributos de todo o seu ser, e não apenas de certos órgãos, como nos homens. Mas ainda uma vez de que forma? Isso é o que não sabemos. Os próprios Espíritos não podem explicar-nos porque a nossa linguagem não foi feita para exprimir ideias que não possuímos, assim como, na língua dos selvagens, não há termos para a expressão de nossas artes, nossas ciências e nossas doutrinas filosóficas.

Ao dizer que os Espíritos são inacessíveis às impressões da nossa matéria, queremos falar dos Espíritos mais elevados, cujo envoltório eterizado não encontra termos de comparação na Terra. Não se dá o mesmo com aquele cujo períspirito é mais denso, pois ele percebe os nossos sons e sente os nossos odores, mas não por uma parte determinada do seu organismo, como quando vivo. Poderíamos dizer que as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o seu ser chegando, assim, ao sensorium commune, que e o próprio Espírito, mas de maneira diversa, produzindo talvez uma impressão diferente que carreta uma modificação na percepção. Eles ouvem o som da voz, e no entanto nos compreendem sem a necessidade da palavra, pela simples transmissão do pensamento, o que é demonstrado pelo fato de ser essa penetração mais fácil para o Espírito desmaterializado.

A faculdade de ver é um atributo essencial da alma, para a qual não há obscuridade, e apresenta-se mais ampla e penetrante entre os que estão mais purificados. A alma, ou o Espírito, tem portanto, em si mesma a faculdade de todas as percepções. Na vida corpórea, elas são obliteradas pela grosseria dos nossos órgãos na vida extracorpórea libertam-se mais e mais, à medida que se torna menos denso o envoltório semi-material.

        Tomado do meio ambiente, esse envoltório varia segundo a natureza dos mundos. Ao passar de um mundo para outro, os Espíritos mudam de envoltório, como mudamos de roupa ao passar do inverno ao verão, ou do polo ao equador.

Os Espíritos mais elevados, quando vêm visitar-nos, revestem o períspirito terrestre, e então as suas percepções se assemelham as dos Espíritos vulgares; mas todos eles, inferiores ou superiores, não ouvem e não sentem senão o que querem ouvir e sentir. Como não possuem órgãos sensoriais, podem tornar vontade as suas percepções ativas ou nulas, havendo apenas uma coisa que são forçados a ouvir: os conselhos dos bons Espíritos.

A vista é sempre ativa, mas eles podem tornar-se invisíveis uns para os outros. Conforme a classe a que pertençam, podem ocultar-se dos que lhes são inferiores, mas não dos superiores.  Nos primeiros momentos após a morte, a vista do Espírito é sempre turva e confusa, esclarecendo-se na proporção em que ele se liberta e podendo adquirir a mesma clareza que tinha durante a vida, além da possibilidade de penetrar nos corpos opacos. Quanto à sua extensão através do espaço infinito, no passado e no futuro, depende do grau de pureza e elevação do Espírito.

    Toda esta teoria, dir-se-á, não é muito tranquilizadora. Pensávamos que, uma vez desembaraçados do nosso envoltório grosseiro, instrumento de nossas dores, não sofreríamos mais, e nos ensinais que sofreremos ainda, pois podemos ainda sofrer, e muito, durante longo tempo. Mas podemos também não sofrer mais, desde o instante em que deixamos esta vida corpórea.

      Os sofrimentos deste mundo decorrem, às vezes, de nossa própria vontade. Remontando à origem, veremos que a maioria são consequência de causas que poderíamos ter evitado. Quantos males, quantas enfermidades o homem deve apenas aos seus excessos, à sua ambição, às suas paixões, enfim? O homem que tivesse vivido sempre sobriamente, que não houvesse abusado de nada, que tivesse sido sempre de gostos simples e desejos modestos, se pouparia de muitas tribulações. O mesmo acontece ao Espírito: os sofrimentos que ele enfrenta são sempre consequência da maneira por que viveu na terra.  Não terá, sem dúvida, a gota e o reumatismo, mas terá outros sofrimentos que não serão menores.

       Já vimos que esses sofrimentos são o resultado dos laços que ainda existem entre o Espírito e a matéria. Que quanto mais ele estiver desligado da influência da matéria, quanto mais desmaterializado, menos sensações penosas sofrerá. Depende dele afastar-se dessa influência, desde esta vida, pois tem o livre-arbítrio e por conseguinte a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer. Que dome as suas paixões animais; que não tenha ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; que não se deixe dominar pelo egoísmo; que purifique sua alma, pelos bons sentimentos; que pratique o bem; que não dê às coisas deste mundo senão a importância que elas merecem; e, então, mesmo sob o seu envoltório corpóreo, já se terá purificado, desprendido da matéria, e quando o deixar, não sofrerá mais a sua influência. Os sofrimentos físicos por que tiver passado não lhe deixarão nenhuma lembrança penosa; não lhe restará nenhuma impressão desagradável, porque estas não afetaram o Espírito, mas apenas o corpo; sentir-se-á feliz por se ter libertado, e a tranquilidade de sua consciência o afastará de todo sofrimento moral.


        Interpelamos sobre o assunto milhares de Espíritos, pertencentes a todas as classes sociais, a todas as posições. Estudamo-los em todos os períodos da vida espírita, desde o instante em que deixaram o corpo. Seguimo-los passo a passo na vida de além-túmulo, para observar as modificações que neles se operavam, nas suas ideias, nas suas sensações. E a esse respeito os homens vulgares não foram os que nos forneceram menos preciosos elementos de estudo. 

Vimos sempre que os sofrimentos estão em relação com a conduta, da qual sofrem as consequências, e que essa nova existência é uma fonte de felicidade inefável para aqueles que tomaram o bom caminho. De onde se segue que os que sofrem é porque assim quiseram, e só devem queixar-se de si mesmos, tanto no outro mundo quanto neste.