Mostrando postagens com marcador Leis Naturais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leis Naturais. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de setembro de 2014

IV- Divisão da Lei Natural - LIVRO TERCEIRO - CAPÍTULO I - Lei Divina ou Natural

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO I- A LEI DIVINA OU NATURAL

IV- Divisão da Lei Natural
 (Questão 647 a 648)

Toda a lei de Deus está encerrada na máxima do amor ao próximo ensinada por Jesus. Certamente essa máxima encerra todos os deveres dos homens entre si; mas é necessário mostrar-lhes a aplicação, pois do contrário podem negligenciá-la, como já afazem hoje. 

Aliás, a lei natural compreende todas as circunstâncias da vida e essa máxima se refere a apenas um dos seus aspectos. Os homens necessitam de regras precisas. Os preceitos gerais e muito vagos deixam muitas portas abertas à interpretação.

A divisão da lei natural em dez partes, compreendendo as leis sobre a adoração, o trabalho, a reprodução, a conservação, a destruição, a sociedade, o progresso, a igualdade, a liberdade e, por fim, a da justiça, amor e caridade é a Lei de Moisés e pode abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial.

Podes segui-la, sem que ela tenha, entretanto, nada de absoluto, como não o têm os demais sistemas de classificação, que sempre dependem do ponto de vista sob o qual se considera um assunto. A última lei é a mais importante; é por ela que o homem pode avançar mais na vida espiritual, porque ela resume todas as outras.


III-O Bem e o Mal- LIVRO TERCEIRO - CAPÍTULO I - Lei Divina ou Natural

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO I- A LEI DIVINA OU NATURAL
III-         O Bem e o Mal
(Questão 629 a 646)
A moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. 

O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então observa a lei de Deus.

Distingue-se o bem do mal, pois que o bem é tudo o que está de acordo com a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Assim, fazer o bem é se conformar à lei de Deus; fazer o mal é infringir essa lei.

O homem tem meios para distinguir por si mesmo o bem e o mal, quando ele crê em Deus e quando o quer saber. Deus lhe deu a inteligência para discernir um e outro.

O homem, que é sujeito a errar, pode enganar-se na apreciação do bem e do mal e crer que faz o bem quando em realidade está fazendo o mal. Porém Jesus vos disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não; tudo se resume nisso. Assim não vos encanareis.

A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, não pode ser aplicada à conduta pessoal do homem para consigo mesmo. Encontra ele, na lei natural, a regra desta conduta e um guia seguro?

Quando comeis demais, isso vos faz mal. Pois bem, é Deus que vos dá a medida do que vos falta. Quando a ultrapassais, sois punidos. O mesmo se dá com tudo o mais. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades; quando ele o ultrapassa, é punido pelo sofrimento. Se o homem escutasse, em todas as coisas, essa voz que. diz: chega! evitaria a maior parte dos males de que acusa a Natureza.

Deus criou os Espíritos criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho: tanto pior para ele se seguir o mal; sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, não poderia o homem compreender que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. E necessário que o Espírito adquira a experiência, e para isto é necessário que ele conheça o bem e o mal; eis porque existe a união do Espírito e do corpo.

As diferentes condições sociais existem na Natureza e estão de acordo com a lei do progresso.

Comentário de Kardec: As condições de existência do homem mudam segundo as épocas e os lugares, e disso resultam para ele necessidades diferentes e condições sociais correspondentes a essas necessidades. Desde que essa diversidade está na ordem das coisas é conforme à lei de Deus, e essa lei, por isso, não é menos una em seu princípio. Cabe à razão distinguir as necessidades reais das necessidades fictícias ou convencionais.

O bem e o mal não são absolutos para todos os homens. A lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha de fazê-lo. O bem é sempre bem e o mal sempre mal, qualquer que seja a posição do homem; a diferença está no grau de responsabilidade.

O selvagem que cede ao seu instinto, comendo carne humana, é culpado, pois que o mal depende da vontade. Pois bem, o homem é tanto mais culpado quanto melhor sabe o que faz.

Comentário de Kardec: As circunstâncias dão ao bem e ao mal uma gravidade relativa. O homem comete, frequentemente, faltas que, sendo embora decorrentes da posição em que a sociedade o colocou, não são menos repreensíveis; mas a responsabilidade está na razão dos meios que ele tiver para compreender o bem e o mal. É assim que o homem esclarecido que comete uma simples injustiça é mais culpável aos olhos de Deus que o selvagem que se entrega aos instintos.

O mal parece, algumas vezes, ser consequente da força das circunstâncias. Tal é, por exemplo, em certos casos, a necessidade de destruição, até mesmo do nosso semelhante. O mal não é menos mal por ser necessário; mas essa necessidade desaparece à medida que a alma se depura passando de uma para outra existência; então se torna mais culpável quando o comete, porque melhor o compreende.

 O mal recai sobre aquele que o causou. Assim, o homem que é levado ao mal pela posição em que os outros o colocaram é menos culpável que aqueles que o causaram, pois cada um sofrerá a pena não somente do mal que tenha feito, mas também do que houver provocado.

Aquele que não faz o mal, mas aproveita o mal praticado por outro, é culpável no mesmo grau, pois é como se o cometesse; ao aproveitá-lo, torna-se participante dele. Talvez tivesse recuado diante da ação; mas, se ao encontrá-la realizada, dela se serve, é porque a aprova e a teria praticado se pudesse ou se tivesse ousado.

O desejo do mal é também repreensível quanto o mal. Há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se sente desejo de praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo; mas se o que faltou foi apenas a ocasião, o homem é culpável.

Não será suficiente não se fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura; é preciso fazer o bem no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.

Não há ninguém que, por sua posição, não tenham possibilidade de fazer o bem; somente o egoísta não encontra jamais a ocasião de praticá-lo. É suficiente estar em relação com outros homens para se fazer o bem, e cada dia da vida oferece essa possibilidade a quem não estiver cego pelo egoísmo, porque fazer o bem não é apenas ser caridoso mas ser útil na medida do possível, sempre que o auxílio se faça necessário.

O meio em que certos homens vivem é para eles o motivo principal de muitos vícios e crimes, mas ainda nisso há uma prova escolhida pelo Espírito no estado de liberdade; ele quis se expor à tentação para ter o mérito da resistência.

Quando o homem está mergulhado na atmosfera do vício, o mas se torna para ele um arrastamento porém irresistível, não; porque, no meio dessa atmosfera de vícios, podes encontrar grandes virtudes. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que tiveram, ao mesmo tempo, a missão de exercer uma boa influência sobre os seus semelhantes.

O mérito do bem que se faz está na dificuldade; não há nenhum em fazê-lo sem penas e quando nada custa. Deus leva mais em conta o pobre que reparte o seu único pedaço de pão que o rico que só dá do seu supérfluo. Jesus já o disse, a propósito do óbolo da viúva.

As pesquisas sociológicas deram motivo a uma reavaliação, em nosso tempo, do conceito tradicional de moral. Entendeu-se que a moral é variável, porque o bem de um povo pode ser mal para outro e vice-versa. Renouvier, entretanto, em “Science de Ia morale”, a compara às matemáticas: é uma ciência que deve fundar-se em puros conceitos. 

Os sociólogos confundiram moral e costumes, mas ultimamente já distinguiram, na confusão dos costumes, uma regra geral, que é a aspiração comum do bem Bergson, em “Lês deux sources de Ia morale et de Ia religion”, estabelece dois tipos de moral: a fechada, que decorre da coação social, e a aberta, que é individual e não se sujeita às convenções. A moral relativa é a convencional, enquanto a moral absoluta é a ditada pela aspiração universal do bem, pela Lei de Deus gravada nas consciências. (N. do T.)

II- Conhecimento das Leis Naturais- LIVRO TERCEIRO - CAPÍTULO I - Lei Divina ou Natural

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO I -A LEI DIVINA OU NATURAL
II-            Conhecimento das Leis Naturais
(Questão 619 a 628)

Deus proporcionou a todos os homens os meios de conhecerem a sua lei, mas nem todos a compreendem; os que melhor a compreendem são os homens de bem e os que desejam pesquisá-la. Não obstante, todos um dia a compreenderão, porque é necessário que o progresso se realize.

Comentário de Kardec: A justiça da multiplicidade de encarnações do homem decorre deste princípio. Pois a cada nova existência sua inteligência se torna mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é o bem e o que é o mal. Se tudo tivesse de se realizar numa só existência, qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem diariamente no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que deles dependa o próprio esclarecimento?

A alma, antes de sua união com o corpo, compreende melhor a lei de Deus segundo o grau de perfeição a que tenha chegado e conserva a sua lembrança intuitiva após a união com o corpo; mas os maus instintos do homem frequentemente fazem que ele a esqueça.

A Lei de Deus está escrita na consciência.

O Homem havia esquecido e desprezado a Lei Divina que está em sua consciência. A necessidade que o homem tem de a revelar fundamenta-se na vontade de Deus, que quis que ela lhe fosse lembrada.

Certamente, Deus outorgou a alguns homens a missão de revelar a sua lei; em todos os tempos houve homens que receberam essa missão. São Espíritos superiores, encarnados com o fim de fazer progredir a Humanidade.

Esses homens inspirados por Deus, que pretenderam instruir os homens na lei de Deus jamais se enganaram e não os fizeram transviar-se, através de falsos princípios. Os que não eram inspirados por Deus e que se atribuíram a si mesmos, por ambição, uma missão que não tinham certamente os fizeram extraviar; não obstante, como eram homens de gênio, em meio aos próprios erros ensinaram frequentemente grandes verdades.

O caráter do verdadeiro profeta está em que o verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podemos reconhecê-lo por suas palavras e por suas ações. Deus não se serve da boca do mentiroso para ensinar a verdade.

O tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo foi Jesus Cristo.

Comentário de Kardec: Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus o ofereceu como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.
Se alguns dos que pretenderam instruir os homens na lei de Deus algumas vezes se desviaram para falsos princípios, foi por se deixarem dominar por sentimentos demasiado terrenos e por terem confundido as leis que regem as condições da vida da alma com as que regem a vida do corpo. Muitos deles apresentaram como leis divinas o que era apenas leis humanas, instruídas para servir às paixões e dominar os homens.

As leis divinas e naturais estão escritas por toda a parte. Todos os homens que meditaram sobre a sabedoria puderam compreendê-las e ensiná-las desde os séculos mais distantes. Por seus ensinamentos, mesmo incompletos, eles prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no livro da Natureza, o homem pôde conhecê-las sempre que desejou procurá-las. Eis porque os seus princípios foram proclamados em todos os tempos pelos homens de bem, e também porque encontramos os seus elementos na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie, mas incompletos ou alterados pela ignorância e a superstição.

Jesus tendo ensinado as verdadeiras leis de Deus, o faça frequentemente alegórico em forma de parábolas, porque falava de acordo com a época e os lugares. A utilidade do ensinamento dado pelos Espíritos está na necessidade de que a verdade seja inteligível para todos. E preciso, pois explicar e desenvolver essas leis, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam. Nossa missão é a de espertar os olhos e os ouvidos para confundir os orgulhosos e desmascarar os hipócritas: os que afetam exteriormente a virtude e a religião para ocultar as suas torpezas. O ensinamento dos Espíritos deve ser claro e sem equívocos afim de que ninguém possa pretextar ignorância e cada um possa julgá-lo e apreciá-lo com sua própria razão. Estamos encarregados de preparar o Reino de Deus anunciado por Jesus, e por isso é necessário que ninguém possa interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei que é toda amor e caridade.

A verdade não esteve sempre ao alcance de todos pois que é necessário que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso que nos habituemos a ela pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria.

Jamais houve um tempo em que Deus permitisse ao homem receber comunicações tão completas e tão instrutivas como as que hoje lhe são dadas.

Havia na Antiguidade, como sabeis, alguns indivíduos que estavam de posse daquilo que consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que consideravam profanos.

Deveis compreender, com o que conheceis das leis que regem esses fenômenos, que eles recebiam apenas verdades esparsas no meio de um conjunto equívoco e na maioria das vezes alegórico.

Não há, entretanto, para o homem de estudo, nenhum antigo sistema filosófico, nenhuma tradição, nenhuma religião a negligenciar, porque todos encerram os germes de grandes verdades, que, embora pareçam contraditórias entre si, espalhadas que se acham entre acessórios sem fundamento, são hoje muito fáceis de coordenar, graças à chave que vos dá o Espiritismo de uma infinidade de coisas que até aqui vos pareciam sem razão, e cuja realidade vos é agora demonstrada de maneira irrecusável. Não deixeis de tirar temas de estudo desses materiais. São eles muito ricos e podem contribuir poderosamente para a vossa instrução.

Descartes, na terceira de suas “Meditações Metafísicas”, declarou que a ideia de Deus está impressa no homem “como a marca impressa na sua obra.” Essa ideia de Deus é inata no homem e o impele à perfeição. Embora as escolas modernas de Psicologia neguem a existência de ideias inatas, o Espiritismo sustenta essa existência, através do princípio da reencarnação. Por outro lado, as ideias de Deus, da sobrevivência, do bem e do mal existem e existiram sempre entre todos os povos. A lei de Deus está escrita na consciência do homem como a assinatura do artista na sua obra. (N. do T.)

Comparar esta resposta com a mensagem do Espírito de Verdade colocada por Kardec como prefácio de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Como se vê, desde os primeiros momentos, os Espíritos anunciaram que a finalidade da doutrina era o restabelecimento do Cristianismo. (N. do T.)

Os textos sagrados das grandes religiões, como a Bíblia e os Vedas, os sistemas de antigos filósofos, as doutrinas de velhas ordens ocultas ou esotéricas, todos encerram grandes verdades nas suas contradições aparentes. Os espíritas não devem recuar diante desses sistemas ou ver-lhes apenas as contradições, quando possuem a chave do Espiritismo, com a qual estão aptos a decifrar-lhes os enigmas, descobrindo seus poderosos motivos de esclarecimento. Também nos sistemas modernos de filosofia ou de ciência, por mais contrários que pareçam aos espíritas, uma análise verdadeiramente espírita poderá revelar a existência de grandes verdades. (N. do T.)