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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Psicologia e a Fé Espírita no combate às drogas - Texto de Adalberto Ricardo Pessoa

A Psicologia e a Fé Espírita no combate às drogas

Segundo as últimas pesquisas recentes do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID) a estimativa de dependentes de álcool no Brasil é de 11,2%, o que num país de mais de 170 milhões de habitantes equivale há uma população aproximada de 19.040.000 (ou seja, mais de dezenove milhões de pessoas). 

Como, porém, cada dependente de álcool individualmente, costuma afetar a vida de outras pessoas, geralmente do círculo familiar, a quantidade de pessoas que são “indiretamente” comprometidas pelo problema do abuso e da dependência dessa droga é de 3 a 4 vezes o número total citado (ou seja, entre 50 e 80 milhões de pessoas, aproximadamente). 

A dependência de tabaco (cigarro) alcança o índice de 9,0%. Por sua vez, os resultados sobre drogas ilícitas apontam que 6,9% da população provavelmente já fez algum uso na vida de maconha, e 5,8% de solventes.

O álcool é a droga que causa maiores danos sociais à população, segundo os dados observados. A maior parte dos acidentes de trânsito, brigas familiares, e até casos de assassinatos estão relacionados ao uso de bebidas alcoólicas, mas esse fato não é divulgado pela maior parte da mídia alienante. O fácil acesso às bebidas alcoólicas, e o fato de ela ser uma droga lícita e aceita pela sociedade são certamente fatores facilitadores para a emergência desse quadro. 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), saúde implica na máxima condição possível de equilíbrio e bem-estar bio-psico-social. 

A chamada “Síndrome de dependência alcoólica” é considerada uma doença na medida em que o alcoolista se ressente do ponto de vista orgânico, pessoal e social e apesar disso, persiste no alcoolismo, caracterizando uma situação de dependência tão intensa, que passa a poder ser considerada patológica. 

Segundo a psicóloga e psicofarmacologista Jandira Masur, "o alcoolismo é uma doença na medida em que implica uma situação de dependência tão intensa que leva a visível prejuízo físico e/ou das relações interpessoais". 

A doença, portanto, é o uso abusivo e a dependência do álcool, ou mais especificamente, é a perda de controle no uso dessa droga (Masur, 1984, p. 33). 

Muitas pessoas, erroneamente, não consideram o álcool ou o tabaco (cigarro) como sendo uma droga. É um grande engano! É considerado droga psicotrópica qualquer substância com a capacidade de agir e modificar significativamente o padrão de funcionamento dos neurotransmissores do cérebro, que são as substâncias responsáveis pela comunicação e transmissão de informação ao longo do nosso sistema cerebral. O álcool, por exemplo, é uma substância que pode provocar relaxamento e descontração num primeiro momento de experimentação, mas o seu uso continuado provoca depressão, pois o álcool é em si mesmo, classificado como uma droga depressora do sistema nervoso central. 

Quanto à maconha, alguns setores da mídia tentam divulgar de maneira irresponsável que essa droga não produz dependência. Algumas pessoas, por sua vez, acreditam que a maconha pode provocar dependência psíquica, mas não dependência física. 

Aqui, entramos, novamente num terreno de grande desinformação. Assim, o que muitas pessoas não sabem é que a maconha é classificada como uma droga perturbadora, que causa confusão mental e alucinações. Além disso, a maconha que é produzida atualmente tem sido modificada industrialmente tornando-se mais potente, e causando tanto a dependência psíquica quanto a física, como atestam os números crescentes de pessoas dependentes de maconha nos consultórios, clínicas e instituições especializadas no tratamento de alcoolismo e outras drogas. 

A ação da cocaína, e principalmente, do crack são fulminantes. 
Dificilmente um indivíduo conseguiria fazer uso dessas substâncias sem se tornar dependente. Enquanto o álcool é considerado uma droga depressora e a maconha uma droga perturbadora ou confusional, o crack e a cocaína são drogas agitadoras ou excitadoras. Ou seja, provocam uma intensa atividade mental, e danos cerebrais graves. 

Segundo conclusões do CEBRID, e das principais instituições que pesquisam a problemática do uso indevido de drogas, como a Universidade Federal de Medicina de São Paulo (UNIFESP), a Escola Paulista de Medicina, e o Grupo de Estudos Interdisciplinares em Álcool e Drogas da USP (GREA-USP), diante dos fatos expostos de maneira sumária, tal questão surge como um problema de ordem internacional, envolvendo todo o planeta. Assim, tal situação afeta homens e mulheres de todos os grupos éticos, pobres e ricos, jovens, adultos e idosos, pessoas com ou sem instrução, e até bebês recém-nascidos que herdam doenças e/ou dependência química de suas mães toxicômanas. 

Surge então as seguintes questões: (1º) como entender a problemática do uso patológico das drogas psicotrópicas, e (2º) o que fazer frente a essa situação quando se possui um amigo ou um familiar dependente de algum tipo de droga? 

Vejamos a dimensão psíquica e espiritual dessas questões. No âmbito psicológico, o principal fenômeno a ser analisado é a questão da dependência em si mesma. Para tanto, precisamos compreender o funcionamento da alma humana.

 O nosso psiquismo é formado por duas instâncias: uma consciente, e outra inconsciente (ou seja, formada por aquilo que desconhecemos em nós mesmos). Segundo o psicólogo suíço C. G. Jung, o inconsciente (que é o desconhecido em nós mesmos) é muito maior que o consciente (ou aquilo que conhecemos em nós próprios). Segundo a sua linha de raciocínio, metaforicamente, se o consciente fosse uma ilha, o inconsciente seria todo o restante dos oceanos, o que significa que, desconhecemos mais de 90% de nós mesmos.

 Por outro lado, os estudos clínicos contemporâneos em Psicanálise (Kalina, 2000), mostram que em nosso psiquismo inconsciente possuímos núcleos criativos, organizados e amadurecidos, que vivem lado a lado, com núcleos psíquicos com conteúdos destrutivos, desorganizantes e infantilizados. Aos primeiros chamamos de pulsões de vida e aos segundos de pulsões de morte. Os termos "vida" e "morte", são aqui, apenas comparações simbólicas no plano da organização psíquica, segundo a psicanálise. 

Qualquer psicólogo com esse conhecimento sabe que indivíduos que bebem, fumam e/ou utilizam outros tipos de drogas (maconha, cocaína, crack, heroína, LSD, ecstasy, etc) invariavelmente estão com suas pulsões auto-destrutivas (ou pulsões de morte) ativadas. 

O pior é que como esse mecanismo envolve instâncias inconscientes, o indivíduo não tem percepção ou consciência desse fato, inclusive negando-o. Tanto, que a maioria dos dependentes de álcool e outras drogas não se reconhecem como dependentes, o que dificulta muito o seu tratamento. 

Mas, sem o perceber, tais indivíduos criam uma dependência psíquica dessas drogas, o que na verdade reflete uma dependência psicológica de seus núcleos auto-destrutivos, não identificados conscientemente.

Como esse tipo de pulsão de morte se desenvolve? O mecanismo é paradoxal, e engloba a crítica Espírita da ideologia materialista que predomina na nossa sociedade. Frente a seus conflitos, angústias e problemas, o ser humano tem duas opções: ou lida com eles de forma amadurecida, buscando soluções criativas e transformadoras (esse éo caminho do autoconhecimento, da reforma íntima, e da pulsão de vida), ou opta pela fuga dos problemas, a sua negação, a busca compulsiva de prazeres ou a sua alienação, num caminho (ou "falsa tentativa de solução") que contraditoriamente apenas amplia a magnitude de seus problemas e angústias.

 Esse último é o caminho da pulsão de morte, que muitas vezes, acaba sendo a porta de entrada para a ação do álcool e das drogas. 

Do ponto de vista simbólico, a "morte" é entendida, nesse último caminho específico, como uma situação de finalização de problemas e angústias (é essa "fantasia psíquica", por exemplo, que motiva o suicida). Resulta daí, um "ideário psicótico" - nas palavras do psicanalista Eduardo KKalina - amplamente procurado, que é o de "provocar a morte para viver em paz" (Kalina, 2000). Em outras palavras, o dependente de álcool e drogas é alguém que tenta provocar a própria “morte” para não sentir angústia, pois a morte dentro dessa linha de raciocínio é vista como a única situação em que a pessoa deixaria de sofrer. 

O indivíduo tenta se dopar para não sofrer, mas apenas se ilude, pois com o uso das drogas, acaba ampliando ainda mais os seus problemas. Esse ideário estaria presente mesmo entre os que se dizem "beber socialmente", representando uma paradoxal ideologia coletiva aceita como "normal", porém não-refletida de maneira consciente, e sutilmente difundida no tecido sócio-cultural. 

No caso do dependente químico, há o agravante de que a personalidade não se encontra suficientemente bem estruturada e fortalecida para lidar de forma construtiva e eficaz com a realidade, e daí o desejo de se fugir dessa realidade através das drogas. 

Para compreendermos o mecanismo como isso se processa, temos que levar em conta diversos fatores psicossociais que atuam num mundo de provas e expiações como o nosso. Sabe-se que o indivíduo internaliza em seu psiquismo representações do imaginário social. 

Sendo a nossa sociedade extremamente materialista, individualista e competitiva, temos a internalização desse modelo de sociedade narcisista na personalidade, principalmente por parte daqueles que possuem sintonia mental para tanto. 

Acontece que num mundo de provas e expiações, como a Terra, o número de pessoas com tal padrão mental vibratório predispostas a internalizarem esse modelo social não é pequeno.

 Esse processo se incrementa de várias maneiras: através (1) do processo de "idiotização" presente na mídia pós-moderna, (2) da organização familiar, (3) da alienação do sistema escolar de base, e (4) da ação de outras instituições compromissadas com a ideologia de consumo predominante, especialmente no capitalismo neoliberal atual. Todos esses fatores se tornam veículos para a introjeção (ou internalização) do modelo narcisista de organização social na psique, em função da maior ou menor "abertura psíquica" e do grau evolutivo do espírito encarnado (ou seja, de cada indivíduo).

 Por fim, o próprio indivíduo que internaliza esses modelos, torna-se ele próprio, um reprodutor desses, num ciclo vicioso que envolve o individual e o coletivo, na produção de mais ideologia consumidora e auto-destrutiva.

 A dessensibilização resultante, faz com que as pessoas lidem com esse campo de situação, como se fosse "algo normal", mas o que se acaba gerando em termos coletivos é uma sociedade pobre de valores éticos e significados simbólicos. 

Com a ausência de valores mais profundos, muitos acabam recorrendo às drogas para preencherem o “vazio” que uma sociedade empobrecida de significados e objetivos acabam criando. 

Assim, o uso abusivo e patológico das drogas paradoxalmente é um sinalizador social da necessidade de cada indivíduo reencontrar seus valores pessoais mais profundos, mas que foram perdidos por uma educação pouco ou nada acolhedora quanto a essa dimensão existencial da vida, tanto na família quanto na sociedade.

Acontece que a re-ligação com os valores existenciais mais profundos da vida muitas vezes, e podemos dizer que talvez, sempre, perpassem pela questão da re-ligação com algo que o indivíduo sinta como maior que ele próprio, ou seja, com a sua religiosidade. 

O seu religar-se com Deus, pode ser a demanda reprimida que se encontra por trás do uso indevido das drogas. Isso é acessível para os profissionais de saúde sintonizados com a dimensão espiritual da realidade, e como tal essa é exatamente aporta de entrada que pode oferecer uma nova e promissora opção de tratamento e apoio para lidar com tal problemática. 

Assim, tenho observado em minha experiência no tratamento de pacientes dependentes de álcool e outras drogas, que a coligação de tratamento médico, psicológico e orientação espiritual, compõem uma trilogia promissora de tratamento e recuperação para esse tipo de quadro clínico. 

Muitas vezes, o tratamento precisa ser complementado por um trabalho de orientação familiar (na Itália, por exemplo, o tratamento familiar não é apenas uma complementação, mas sim uma condição quase obrigatória de trabalho), e também algum tipo de trabalho de grupo, como a psicoterapia de grupo, ou os grupos de auto-ajuda existentes entre os alcoólicos e os narcóticos anônimos.

A idéia de agregar a orientação ou tratameto espiritual, ao tratamento médico e psicológico começa a despontar em algumas instituições. No IFL (Instituto Fraternal de Laborterapia) localizado próxima à Federação Espírita de São Paulo, é realizado um trabalho social e voluntário para pacientes dependentes de álcool. 

Graças a uma parceria realizada com a ABRAPE (Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas) atualmente é oferecido um serviço de psicoterapia breve especializado em dependência de álcool, que coliga o tratamento psicológico com a consideração da dimensão espiritual, num trabalho inovador que está prestes a fazer um ano, e que já está beneficiando a população carente próxima ao centro de São Paulo. 

Até na prefeitura de São Paulo existe um trabalho semelhante realizado numa região periférica bastante carente, da zona leste, nas proximidades dos bairros de São Miguel e Itaim Paulista.

No Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) especializado em álcool e drogas localizado no bairro do Jardim Nélia, o tratamento psicológico também é realizado levado-se em conta uma abertura para a reflexão da dimensão existencial e espiritual do paciente acolhido pelo serviço. O fundamento científico – segundo pesquisas realizadas na USP e na UNIFESP – é a constatação de que a religiosidade é um importante fator de proteção contra o uso de álcool e outras drogas. 

Para a população carente local, esse fator de inclusão social e ético-existencial tem feito uma grande diferença tanto na luta contra a dependência química, como na briga árdua pela sobrevivência material. 

Como contribuição final, deixo as referências de contato, para quem desejar acessar esses serviços. Nesses espaços de trabalho, eu próprio também atuo como psicólogo clínico junto como equipes de outros psicólogos e diversos profissionais, oferecendo serviços gratuitos à população necessitada: 

 1) IFL – trabalho voluntário, filantrópico e social (exclusivamente) para dependentes de álcool. Rua Santo Amaro, 244 – São Paulo - Centro Tel.: (011) 3104-6707

 2) CAPS Jd. Nélia – Álcool e também outras drogas Rua Itajuíbe, 1912 – Jd. Nélia – Itaim Paulista Tel.: 6563-1413

3) ABRAPE – Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas Rua Teodoro Sampaio, nº 417 – cj. 82 – 8º andar – São Paulo Tel.: 3898-2135 ou 3898-2139

Colaborador: Adalberto Ricardo Pessoa  Psicólogo formado pela

USP.  Pós-Graduado em pesquisas em psicossomática e terapia corporal pela USP.  Membro da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas  Psicólogo concursado pela prefeitura de São Paulo

sábado, 4 de outubro de 2014

PSICOPATOLOGIAS DO PERISPÍRITO

PSICOPATOLOGIAS DO PERISPÍRITO

O homem selvagem emprega a força e a astúcia para dominar os seres inferiores e a natureza à sua volta, mas não tem preparo algum para enfrentar o grande desconhecido que se descortina para ele após a morte física.

“O espetáculo da vastidão cósmica perturba-lhe o olhar e a visita de seres extraterrestres, mesmo benevolentes e sábios, infunde-lhe pavor, crendo-se à frente de deuses bons ou maus, cuja natureza ele próprio se incumbe de fantasiar na exiguidade das próprias concepções” ( Evolução em Dois Mundos , de André Luiz). 

Assim, depois do óbito, permanece tímido ao pé dos seus, em cuja companhia passa a viver em outras condições vibratórias e em processos variados de simbiose, ansioso por voltar à existência corpórea. 

Mantém-se, assim, vinculado à choça, aos seus e “não tem outro pensamento senão voltar, voltar ao convívio revitalizante daqueles que lhe usam a linguagem e lhe comungam os interesses”. Tal qual as bactérias que se transformam em esporos quando as condições do meio lhe são adversas, tornando-se imóveis e resistentes ao ambiente durante anos a fio, também o espírito do selvagem perde os órgãos do corpo espiritual, que se lhe atrofiam por falta de função. Isso porque se estabelece em seu íntimo o monoideísmo, a ideia fixa de voltar para a carne, cujo desejo eclipsa todas as demais. Dá-se então o que André Luiz chama de “monoideísmo auto-hipnotizante”, provocado por um pensamento fixo-depressivo nascido de sua inadaptação ao mundo extrafísico. 

Por esse processo, o desencarnado perde seu corpo espiritual, transformando-se em ovoide, forma pela qual expressa seu corpo mental.

AS DISFUNÇÕES E O MONOIDEÍSMO 

No monoideísmo, o núcleo da visão profunda, localizado no centro coronário, sofre disfunção específica, na qual o espírito contemplará tão somente os quadros terríficos relacionados com as culpas contraídas, deixando de observar tudo o mais. 

Vejamos o caso de Leonardo Pires (citado por André Luiz no livro Entre a Terra e o Céu ), desencarnado há 20 anos e que vive agora na casa da neta, Antonina. 

Apresenta-se como um velhinho, de acordo com seus últimos dias terrestres. A mente dele, porém, está fixada nos lances da última existência, com recordações que o obcecam.

A FIXAÇÃO DA MENTE EM CULPAS CONTRAÍDAS DURANTE A VIDA FÍSICA GERAM DISTORÇÕES NA FORMA DO CORPO ESPIRITUAL

Marlene Rossi Severino Nobre
Associação Médico-Espírita do Brasil

Quando jovem, foi empregado do marechal Guilherme Xavier de Souza e hoje conserva a mente detida num crime de envenenamento que cometeu quando integrava as forças brasileiras acampadas em Piraju, no Paraguai.

Enciumado, sentindo-se preterido pela mulher leviana com a qual se relacionava, por causa de um colega de farda, Leonardo idealizou o crime e o executou, utilizando vinho envenenado. 

Como as tropas deveriam seguir rumo ao Paraguai, o caso foi encerrado sem maiores investigações. Leonardo seguiu em frente, convivendo por algum tempo com a mulher que fora pivô do crime, mas se casou ao regressar para o Brasil, deixando vários descendentes, entre os quais Antonina.

No leito de morte, reconheceu que a lembrança do referido crime castigava seu mundo íntimo, centralizando todos os episódios apenas nesse.

No além, o monoideísmo persistiu. Com olhar de louco, segue a única imagem que se vitaliza a cada dia em sua memória, ao influxo da própria consciência que se considera culpada. 

Como ensinaram os espíritos reveladores a Allan Kardec na questão 621 de O Livro dos Espíritos , “a lei de Deus está inscrita na consciência”. E ninguém pode ludibriá-la impunemente.

PARASITAS OVOIDES 

Há espíritos que perdem a forma humana de apresentação de seu perispírito, surgindo como esferas ovoides. 

“Pela densidade da mente, saturada de impulsos inferiores, não conseguem se elevar e gravitam ao redor das paixões absorventes que, por muitos anos, elegeram como centro de interesses fundamentais” ( Libertação , de André Luiz).

Inúmeros desencarnados, empolgados pela ideia de fazerem justiça com as próprias mãos ou apegados a vícios aviltantes, por repetirem infinitamente essas imagens degradantes, acabam em deplorável fixação monoideística, fora das noções de espaço e tempo, sofrendo enormes transformações na morfologia do psicossoma. 

Por falta de função, os órgãos psicossomáticos ficam retraídos e surge a forma ovoide. Atingida esta forma, permanecem colados àqueles que foram seus sócios nos crimes, obedecendo à orientação das inteligências que os entrelaçam na rede do mal. 

Por isso, servem às empreitadas infelizes nos processos de obsessão. Nas regiões inferiores, onde André Luiz esteve em missão de paz na companhia do instrutor Gúbio e que estão descritas no extraordinário livro Libertação , um grande número de entidades transportavam essas esferas como se estivessem imantadas às suas próprias irradiações. 

O médico desencarnado explicou que esses ovoides são pouco maiores que um crânio humano, variando muito nas particularidades. Alguns denunciam movimento próprio, como se fossem grandes amebas, outros parecem em repouso, aparentemente inertes, ligados ao halo vital de outras entidades.

Qual a situação psíquica desses ovoides? A maioria deles dorme em estranhos pesadelos, incapazes de exteriorizações maiores.


DEFORMAÇÕES DO CORPO ESPIRITUAL

 Ao lado de espíritos que já conquistaram belas vestes de apresentação, encontramos outros cujos psicossomas revestem-se de verdadeiras deformidades. 

No livro Libertação, André Luiz teve oportunidade de constatar, de forma inesperada, um caso com essas alterações. A senhora de um médico revelava extremo cuidado com a aparência externa, apresentando-se sempre muito bem penteada e maquiada. 

Entretanto, o médico desencarnado teve oportunidade de vê-la como autêntica bruxa, igual àquelas dos contos infantis, quando, pela ação do sono, seu perispírito se desprendeu do corpo físico. 

Realmente as aparências enganam!

Em Evolução em Dois Mundos , André Luiz utiliza a nomenclatura corrente no mundo espiritual para designar as diversas alterações do psicossoma consequentes de patologias mentais diferentes. 

“Adinamia” seria a queda mental no remorso e “hiperdinamia”, a patologia conseqüente dos delírios da imaginação, provocando hipo ou hipertensão no movimento circulatório das forças que o mantêm. 

Utiliza também a denominação “miopraxia do centro genésico atonizado” para designar a patologia do organismo sutil no caso do aborto provocado, que seria a arritmia do chacra responsável pela organização das energias sexuais.

 Em Ação e Reação , nos trabalhos de socorro da Mansão Paz, estabelecimento situado nas regiões inferiores, foi recolhido um desencarnado cujo rosto era disforme, todos os traços se confundiam como se fosse uma esfera estranha e, além disso, seus braços e pernas eram hipertrofiados, enormes.

Depois de consultá-lo, o instrutor Druso afirmou que o desencarnado em questão encontrava-se sob terrível hipnose, tendo sido conduzido a essa posição por adversários temíveis, que, para torturá-lo, fixaram sua mente em alguma penosa recordação. 

Era Antônio Olímpio, o fazendeiro que assassinara os dois irmãos e cujo crime passou despercebido da justiça humana. Sua história está também no estudo da fixação mental. 

Em Libertação , porém, os relatos reportam-se a zonas muitíssimo inferiores, as regiões infernais. Lá estão presentes a velhice, a moléstia, o desencanto, o aleijão, as deformidades de toda a sorte e os ovoides.

 O perispírito de todos os habitantes dessas regiões é opaco como o corpo físico e pode sofrer ainda alterações mais profundas, deixando sua forma humana para se apresentar como a de um animal. 

É o fenômeno conhecido genericamente como “zoantropia”, mas que tem na “licantropia” (transformação em lobo) o processo mais conhecido. 

Nas regiões inferiores, uma mulher é julgada por um tribunal constituído de entidades inteligentes e perversas, caso citado no livro Libertação . Diante dos juízes, confessou que matou quatro filhinhos e contratou o assassinato do próprio marido, entregando-se depois às “bebidas de prazer” , mas nunca pôde fugir da própria consciência. 

Através de um olhar temível, o juiz a sentenciou, dizendo que ela não passava de uma loba. A mulher desencarnada passou a se modificar paulatinamente diante da sentença repetida várias vezes, chegando ao resultado final da licantropia. 

Segundo explicações espirituais, ela não passaria por essa humilhação se não a merecesse. No entanto, a renovação mental depende única e exclusivamente dela. 

Deus mantém a senda redentora sempre aberta a seus filhos. Tornou-se clássica na literatura espiritualista o caso de Nabucodonosor, rei cruel e despótico que viveu se sentindo como animal durante sete anos. Diz a Bíblia (Dn 4.33) que “o seu corpo foi molhado de orvalho do céu, até que lhe cresceu pelos como as penas da águia e suas unhas como as das aves”.