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segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Comportamento, Ética & Autotransformação - Série Meditação - Vídeo 24 - por Alessandra Uzêda



Comportamento, Ética & Autotransformação

Vamos fechar os olhos, sentar-se confortavelmente, nos desligar de tudo o que nos distrai e nos consome a mente nesse momento...

 Hoje em especial, vamos ser levados pela espiritualidade maior envolvida na sintonia desses trabalhos, para que possamos ouvir uma palestra sobre comportamentos aplicados na restauração da ética no processo de autotransformação a que nos propomos nesses trabalhos de meditação.

Antes de iniciarmos essa viagem ao mundo espiritual, vamos trabalhar a nossa respiração. Inspire profundamente, segure o ar nos pulmões por uns segundos...expire. Mais uma vez, inspire profundamente, segure o ar nos pulmões por uns instantes...expire.

Agora, num estado de relaxamento completo, vamos nos preparar para encontrarmos com seres ilustres que dedicam a sua existência a iluminar as nossas caminhadas.
 Primeiramente, pensemos em Jesus Cristo a nos abençoar! Pensemos em Maria mãe de Jesus. E nessa sintonia, imagine-se junto a todos aqueles que ama sendo envolvidos e protegidos por seu manto sagrado, manto de amor.

Sinta essa energia de paz... de equilíbrio que toma conta do ambiente.

Nada, nem ninguém se inquietará neste ambiente. Sintam-se em paz...  protegidos...sintam-se amados.

Pensemos nos Mentores Espirituais da Casa da Caridade Irmã Elisabete... Dona Teresa D’Ávila, pensemos em Irmã Elisabete, em seu semblante de paz que tanto nos acalma.

Pensemos em Irmão Natividade que trabalha nos resgates de entidades encarnadas e desencarnadas orientando-nos e nos conduzindo ao equilíbrio e à razão.

Pensemos em Irmão Arakem e toda a sua equipe espiritual de Araxás que conduzem esses trabalhos com total equilíbrio e determinação.

Pensemos em Irmão Crisóstomo e todas os Espíritos Superiores. Pensemos em Dr. Bezerra de Menezes, Irmã Sheila, Dr. Joseph... toda a sua equipe médica espiritual que dedicam a sua existência na Espiritualidade para o tratamento de enfermidades morais tanto de encarnados como de desencarnados.

Imagine-se num campo, tomado por um tapete de grama macia e uniforme. Um campo de muitas flores, muitas rosas, energia singela, transparente e leve, muito leve. Sinta a temperatura fria agradável em meio à energia do sol matinal.

Em meio a esse campo, são colocadas diversas cadeiras para acomodação dos convidados, em frente a um altar todo iluminado de luz branca prateada, donde se dará a palestra.

Chegando nesse campo, procure um lugar especial e sente-se confortavelmente. Sinta a alegria e a satisfação de fazer parte desse evento tão importante que trará a você comportamentos éticos indispensáveis ao seu processo de autotransformação.
É anunciado o grande momento... e tomando a palavra um Irmão de vestes branca  e prateada, inicia a palestra:

O indivíduo que consegue se educar do ponto de vista da moral, da ética, estará apto a amar a si e ao próximo, fortalecendo a afetividade entre os seres, independentemente dos algozes do passado.

Considerando que o eu verdadeiro de cada ser, se encontra na memória espiritual, cujas experiências regressas foram constituídas ao longo de muitos e muitos anos, em muitas reencarnações, o caminho para chegar ao confronto de si mesmo, ao autoconhecimento, está nas luzes da imortalidade, na qual poderemos encontrar explicações, e o confronto necessário à superação de diversos desafios, que devem ser superados ao tomar posse da verdade sobre si, tais como, a culpa, a autopunição e a baixa estima.

Wanderley Oliveira, em seu Livro Reforma Íntima sem Martírio, através do Espírito Ermance Dufaux, propõe uma guisa de sugestões maleáveis, considerando alguns comportamentos como efetivos roteiros de combate, vigília e treinamento para restauração da ética no processo de autotransformação, como pode ser visto a seguir:

“Adote sempre uma postura de Aprendiz; Sempre há algo a aprender e conceitos a reciclar. Buscar o novo, ser curioso, ter sede de compreensão e entendimentos em relação ao Universo. Romper os preconceitos e fugir ardentemente do estado doentio de autossuficiência.

Observe a si mesmo; Conhecer as nossas emoções; não julgar o próximo; se auto avaliar constantemente, já que perante a imortalidade só responderemos por nós mesmos.

Renuncie ao que em nada lhe acrescenta; Selecionar os ambientes e costumes em razão dos estímulos que produzem reflexos no mundo mental, ação necessária à mudança interior.

Aceite sua Sombra, afinal foram escolhas suas; Se não aceitamos a nossa própria sombra, nos cobramos constantemente e injustamente em muitas circunstâncias. A mudança para melhor não implica destruir o que fomos mas dar nova direção e maior aproveitamento a tudo o que conquistamos, inclusive nossos erros.

Desenvolva a cumplicidade com a decisão de crescer; Exige exercício constante em todos os momentos; estar comprometido com o exercício de mudança uma vez que somos egressos de experiências frustradas nos desafios do aperfeiçoamento pessoal.
Se perdoe; É indispensável se perdoar para que possa recomeçar e construir uma nova história, sobretudo, àquelas que temos a consciência de não desejar cometê-las novamente.

Mantenha-se vigilante; cuidar da vida mental; habituar-se a vigiar os pensamentos; se ater a boas leituras, boas conversas, diversões, ações sociais; manter a mente alerta, ativa e voltada para ideias enriquecedoras e edificantes.

Ore com fé; oração é Terapia da mente; meio de se ligar às correntes de energias superiores na vida; meio para despertar forças adormecidas e sufocadas pelo descuido.

Trabalhe; Os Sábios Guias da Codificação asseveram que toda ocupação útil é trabalho.

Tenha Tolerância; toda evolução se concretiza na tolerância. Deus é tolerância. Há tempo para tudo e tudo tem seu tempo.

Ame-se incondicionalmente; reformar-se intimamente, é se auto amar. A humanidade tende a desgostar de sua própria história mesmo tendo a consciência de que esta foi construída em função de suas escolhas. É preciso aprender a gostar de si mesmo, independentemente dos algozes do passado; eis a única forma de se reeducar.

Socialize-se; a ação social em grupos de educação espiritual é uma excelente medicação contra o personalismo e a vaidade, desde que seja regada de senso ético e moral.
Seja caridoso; o processo socializador o levará à escola do afeto e revitalização dos ensinamentos espíritas por meio da caridade. ”
Meus irmãos, amigos, que Jesus esteja convosco!

E passando a palavra à uma Imã, de vestes na cor lilás, palavras doces e muita doçura e amorosidade em sua fala, através de mensagem psicografada no Grupo de Psicografias Auta de Souza da Casa da Caridade Irmã Elisabete, vem lhes trazer uma reflexão sobre os nossos comportamentos:

Muitas vezes estamos sendo envolvidos por uma energia de conflitos e desarmonias que exigem de cada um de nós um dispêndio de energia exacerbada da qual necessitas do refazimento espiritual.

Vigia-te nesses episódios da vida moderna a fim de poupar-lhes para os trabalhos da alma.

Sintoniza-te com o Alto e busca traçar o seu roteiro com calma e serenidade que demandas o dia a dia.

Ora na sintonia do Alto para que os irmãos que estão acompanhando-lhes sejam ofuscados pela luz maior, impedindo-os de agir.

Convence-te de que a tua fé é a chave da realização de tudo o que buscas realizar no cotidiano.

Entende-te enquanto espírito, perguntando-se o que o seu espírito deseja realizar e conquistar a cada novo dia de sua reencarnação.

Emociona-te com os acontecimentos da natureza Divina cada dia mais difíceis de serem percebidos pelos encarnados devido à agitação das conquistas materiais.

Olha nos olhos dos seus a cada dia e transmite a eles a certeza de que hoje terás um dia feliz, de paz e grandes conquistas.

Ama-os a cada momento pois a vida é muito breve e não saberemos o quanto estaremos juntos nesta vida.

Sintoniza-te com o Alto, colocando-se a disposição para que a sua intuição possa fluir espontaneamente sem a preocupação de ser útil ou não.

Harmoniza-te nos ambientes de convívio fazendo das relações interpessoais um campo de atuação magnética positiva, favorável e construtora do bem.

Ergue-te aos céus e liga-te aos seus bondosos amigos que os acompanham a todo instante, agradecendo-os pelo seu amor porque só o amor pode uni-los sem melindres por longos tempos.

Solicita dos Amigos Espirituais que juntos desenvolvem o trabalho de intermediação entre a terra e os céus, a sua atenção, o seu cuidado, a sua ajuda, e eles estarão prontos a ajudar-lhes.

Compreende que nem tudo é permitido conceder-lhes de imediato para que tenhais a oportunidade de exercitar a paciência e o aprender a esperar. Pois ainda que aquilo que pedistes não tenha sido atendido de imediato, não quer dizer que não o será em dado momento.

Confia nos Amigos Espirituais que os acompanham por todo o seu dia privando-lhes de certos abusos, e tenhais a certeza de que quando movimentas o mundo para estares trabalhando, sobretudo, no campo espiritual, alguns desses amigos estão em seus lares cuidando dos seus, a quem Deus vos confiou.

Louvado seja o Senhor Jesus Cristo que conseguiu fazer germinar a semente da espiritualidade e da cristandade em vós.

Que o desabrochar dessas flores possam representar a maturidade espiritual a que são chamados no momento e transição no qual juntos vamos nos regenerando nesse Planeta onde tido que de Deus é Divino, é Maravilhoso!
Que Deus ilumine a todos!

E que vocês possam retornar ao ambiente sensório levando a certeza de é preciso mudar comportamentos, renovar atitudes, para fazer acontecer a tão desejada autotransformação.

Vida e Paz!


terça-feira, 9 de junho de 2015

Comportamento, Ética & Autotransformação - por Alessandra Uzêda

Comportamento, Ética & Autotransformação

Muitas vezes estamos sendo envolvidos por uma energia de conflitos e desarmonias que exigem de cada um de nós um dispêndio de energia exacerbada da qual necessitas do refazimento espiritual.

Vigia-te nesses episódios da vida moderna a fim de poupar-lhes para os trabalhos da alma.

Sintoniza-te com o Alto e busca traçar o seu roteiro com calma e serenidade que demandas o dia a dia.

Ora na sintonia do Alto para que os irmãos que estão acompanhando-lhes sejam ofuscados pela luz maior, impedindo-os de agir.

Convence-te de que a tua fé é a chave da realização de tudo o que buscas realizar no cotidiano.

Entende-te enquanto espírito, perguntando-se o que o seu espírito deseja realizar e conquistar a cada novo dia de sua reencarnação.

Emociona-te com os acontecimentos da natureza Divina cada dia mais difíceis de serem percebidos pelos encarnados devido à agitação das conquistas materiais.

Olha nos olhos dos seus a cada dia e transmite a eles a certeza de que hoje terás um dia feliz, de paz e grandes conquistas.

Ama-os a cada momento pois a vida é muito breve e não saberemos o quanto estaremos juntos nesta vida.

Sintoniza-te com o Alto, colocando-se a disposição para que a sua intuição possa fluir espontaneamente sem a preocupação de ser útil ou não.

Harmoniza-te nos ambientes de convívio fazendo das relações interpessoais um campo de atuação magnética positiva, favorável e construtora do bem.

Ergue-te aos céus e liga-te aos seus bondosos amigos que os acompanham a todo instante, agradecendo-os pelo seu amor porque só o amor pode uni-los sem melindres por longos tempos.

Solicita dos Amigos Espirituais que juntos desenvolvem o trabalho de intermediação entre a terra e os céus, a sua atenção, o seu cuidado, a sua ajuda, e eles estarão prontos a ajudar-lhes.

Compreende que nem tudo é permitido conceder-lhes de imediato para que tenhais a oportunidade de exercitar a paciência e o aprender a esperar. Pois ainda que aquilo que pedistes não tenha sido atendido de imediato, não quer dizer que não o será em dado momento.

Confia nos Amigos Espirituais que os acompanham por todo o seu dia privando-lhes de certos abusos, e tenhais a certeza de que quando movimentas o mundo para estares trabalhando, sobretudo, no campo espiritual, alguns desses amigos estão em seus lares cuidando dos seus, a quem Deus vos confiou.

Louvado seja o Senhor Jesus Cristo que conseguiu fazer germinar a semente da espiritualidade e da cristandade em vós.

Que o desabrochar dessas flores possam representar a maturidade espiritual a que são chamados no momento e transição no qual juntos vamos nos regenerando nesse Planeta onde tido que de Deus é Divino, é Maravilhoso!

Que Deus ilumine a todos!

E que vocês possam retornar ao ambiente sensório levando a certeza de é preciso mudar comportamentos, renovar atitudes, para fazer acontecer a tão desejada autotransformação.

Vida e Paz!

Por Alessandra Uzêda

Em 06 de junho de 2015

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Ética Espírita

A Ética Espírita 

Texto básico da exposição feita no Painel "O Livro dos Espíritos - Princípios Filosófico-Espíritas para uma nova Sociedade" no 4o Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, França, no dia 3 de outubro de 2004 Altivo Ferreira

1. Ética e Moral 

A Ética (do grego ethika) é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana (Dicionário Michaelis)

1 : Relaciona-se com os costumes, sendo chamada ciência da conduta e ciência da moral, cujo objetivo é o julgamento e a distinção entre o bem e o mal. 

A Ética teve origem na Grécia, com Aristóteles (384-322 a.C.), o qual utilizou esse nome pela primeira vez em seu livro Ética a Micômaco. Afirma Marilena Chauí

2 : "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à conduta correta e incorreta (...). No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais." 

A distinção entre ética e moral é, todavia, tênue. Já na Roma antiga, Cícero (106-43 a.C.) dizia que eles denominavam moral o que os gregos chamavam de ética. Com Jesus Cristo, os conceitos éticos assumiram nova dimensão, como se depreende das palavras do Espírito Carlos Torres Pastorino, no recente livro Impermanência e Imortalidade

3 : Cap. "Ética e razão"': "Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes dEle, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se do que em educar e corrigir. 

Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou." 

Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: 

"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos, 12:21);

 "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (I Coríntios, 10:23);

E reforça com seu exemplo: 

"Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas, 2:19-20).

 Com o correr do tempo e o predomínio da Igreja, depois, com a Reforma Protestante, a ética cristã foi sendo adaptada às concepções da Teologia, na medida em que o comportamento humano era influenciado pelo temor a Deus, pela crença no pecado, nas penas eternas, em que a salvação da alma era condicionada à submissão aos dogmas e sacramentos, ou à fé em Cristo. 

Iniciada no século XVII a Era da Razão, a partir de René Descartes (1596- 1650), passando pelos filósofos do Iluminismo, até Jean-Jacques Rousseau (1712-1799) e Emmanuel Kant (1724-1804), no século XVIII, as reflexões éticas prepararam o pensamento humano para o advento do Consolador prometido por Jesus, destinado a reconduzir a ética cristã à sua pureza original. 

2. Ética e Doutrina Espírita 

Em nossa pesquisa, não encontramos menção à Ética nas obras da Codificação Kardequiana e na Revista Espírita.

Todas as referências se reportam à Moral, cujo conceito espírita se confunde com o de Ética, como podemos conferir nas respostas dos Espíritos Reveladores às questões 629 e 630 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), formuladas por Kardec: 

629. Que definição se pode dar da moral?

A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Fundamenta-se na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.

 630. Como se pode distinguir o bem do mal? 

O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é pro ceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-Ia. 

Na obra Filosofia Espírita da Educação (vol. 1)4 Ney Lobo acentua que, como "existe a Filosofia Espírita, deve, forçosamente, corresponder-lhe determinada ética, a Ética Espírita" (destaque do autor).

Os princípios da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto - Filosofia, Ciência e Religião - fundamentam-se na moral do Cristo, que é a mais elevada expressão da Ética. 

A concepção de Deus - justo e misericordioso para com todos os seus filhos -, como a "inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas"; a certeza da vida futura e o conhecimento do mundo espiritual, confirmados, através da mediunidade, pelas comunicações dos Espíritos; a origem, evolução e destinação do Espírito imortal; a pluralidade das existências e dos mundos habitados; a compreensão da justiça e da misericórdia divinas pelo funcionamento da lei de causa e efeito; o princípio de responsabilidade decorrente do exercício do livre-arbítrio; a concepção espírita das penas e gozos terrestres e futuros - repercutem na consciência moral do homem, levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta ética. 

Nas Leis Morais, da Parte 3a de O Livro dos Espíritos, a Ética Espírita apresenta-se em sua plenitude. 

No capítulo 1, Kardec reúne o ensino dos Espíritos sobre a lei divina ou natural, examinando os caracteres e o conhecimento dessas leis; coloca as questões acerca do bem e do mal e apresenta (q. 648) a divisão da lei natural em dez partes (cap. II a XI), que compreendem as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. Afirmam os Espíritos que "essa última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras." 

Ainda sobre a última lei moral, Kardec enfatiza, na Conclusão (IV) de O Livro dos Espíritos. 

"O progresso da Humanidade tem seu principio na aplicação da lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro." Além da questão acima (648), três outras merecem destaque, por seu significado ético: 

621. Onde está escrita a lei de Deus?

Na consciência.

 625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? 

Jesus. 

647. A Lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por Jesus?

Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens, uns para com os outros. (...). O Codificador termina o estudo das leis morais com a abordagem de um aspecto fundamental da Ética em geral e da Ética Espírita em particular - a Perfeição Moral. 

As primeiras questões apresentadas tratam das virtudes e dos vícios. Indaga ele (q. 893) sobre qual a mais meritória das virtudes, e recebe por resposta: 

"Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. (...) A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade." (Grifamos.)

 No exame das paixões, a resposta dos Espíritos à pergunta 907 esclarece que a paixão, em sua origem, não é má; "a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. 

O abuso que delas se faz é que causa o mal". O egoísmo é o vício mais radical (q. 913), dele derivando todo o mal. "Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. (...) Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades."

Fénelon responde de forma admirável à indagação - Qual o meio de destruir-se o egoísmo? (q. 917). Eis alguns trechos do seu pensamento: "De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de erradicar-se (...). O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas." (...). 

No longo e elucidativo comentário sobre essa questão, Kardec afirma ser necessário combater o egoísmo na sua raiz "pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem.

A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral". Sobre a educação à luz do Espiritismo, Ney Lobo5 enfatiza: 

"A Ética Espírita é a argamassa que cimenta a Filosofia com a Educação Espírita, articulando-as funcionalmente num enlace perfeito e doutrinário: a Filosofia fornece a Ética para a Educação realizá-la." 

3. Comportamento ético-espírita 

A Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo - leva o homem, à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do Codificador :

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. " 

Retomando o citado capítulo sobre a Perfeição Moral, encontramos o modelo de comportamento ético-espírita na questão 918, em que Kardec, no seu comentário, apresenta os caracteres do homem de bem e declara:

 "Verdadeiramente, homem de bem, é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza." 

Ele desdobra esse tema no capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, descreve a conduta do homem de bem, e conclui - referindo-se aos bons espíritas - que o Espiritismo leva aos resultados por ele obtidos que "caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro ". (Grifamos.) 

*** A Ética Espírita foi enriquecida, no século XX, com o apostolado mediúnico de Francisco Cândido Xavier, através do qual a Espiritualidade Superior canalizou para o homem contemporâneo valiosas diretrizes de ordem comportamental, sob a visão evangélico-doutrinária da Terceira Revelação. 

Destacamos desse tesouro as mensagens de Emmanuel que compõem a série (editada pela FEB) Caminho, verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva, assim como as de André Luiz, cujo livro Conduta Espírita é um repositório de orientações a quantos queiram ter um comportamento ético-cristão. 

Esta contribuição do Mundo Espiritual é acrescida pelas obras de Joanna de Ângelis sobre o homem integral e a psicologia profunda, psicografadas por Divaldo Pereira Franco. 

O comportamento ético-espírita não pode limitar-se aos momentos em que estamos na Casa Espírita ou no atendimento às carências do próximo. Ele deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da vida. 

Ao espírita compete manter uma conduta ética no cotidiano, em todas as relações que estabelece com o seu semelhante e a sociedade, ainda que em detrimento de seu interesse pessoal. Cabe-lhe viver e exemplificar a conduta ética no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações apresentadas pelo Espírito André Luiz7 , consultando sempre a sua consciência, onde está escrita a lei de Deus. 


Referências Bibliográficas 1 MICHAELIS: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1998, 2.267 p., p. 908. 2 CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Editora Ática, 2003, 424 p., p. 310. 3 FRANCO, Divaldo Pereira. Impermanência e Imortalidade, pelo Espírito Carlos Torres Pastorino. Rio de Janeiro: FEB, 2004, 224 p., "Ética e razão", p. 215-222. 4 LOBO, Ney. Filosofia Espírita da Educação. Rio [de Janeiro]: FEB, 1989, v. l, p. 50. 5 ld., ibid., p. 53. 6 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 120. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2002, 435 p., cap. XVII, p. 274. 7 VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz. 5. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1974, 155 p. volta ao Início (Estudo originalmente publicado na Revista Internacional de Epiritismo, Ano LXXX, No 02, Matão, Março 2005 e reproduzido com autorização do autor)