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domingo, 13 de março de 2016
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Comportamento, Ética & Autotransformação - Série Meditação - Vídeo 24 - por Alessandra Uzêda
Comportamento,
Ética & Autotransformação
Vamos fechar os olhos,
sentar-se confortavelmente, nos desligar de tudo o que nos distrai e nos
consome a mente nesse momento...
Hoje em especial, vamos ser levados pela
espiritualidade maior envolvida na sintonia desses trabalhos, para que possamos
ouvir uma palestra sobre comportamentos
aplicados na restauração da ética no processo de autotransformação a que
nos propomos nesses trabalhos de meditação.
Antes de iniciarmos essa
viagem ao mundo espiritual, vamos trabalhar a nossa respiração. Inspire
profundamente, segure o ar nos pulmões por uns segundos...expire. Mais uma vez,
inspire profundamente, segure o ar nos pulmões por uns instantes...expire.
Agora, num estado de
relaxamento completo, vamos nos preparar para encontrarmos com seres ilustres
que dedicam a sua existência a iluminar as nossas caminhadas.
Primeiramente, pensemos em Jesus Cristo a nos
abençoar! Pensemos em Maria mãe de Jesus. E nessa sintonia, imagine-se junto a
todos aqueles que ama sendo envolvidos e protegidos por seu manto sagrado,
manto de amor.
Sinta essa energia de paz...
de equilíbrio que toma conta do ambiente.
Nada, nem ninguém se
inquietará neste ambiente. Sintam-se em paz... protegidos...sintam-se amados.
Pensemos nos Mentores
Espirituais da Casa da Caridade Irmã Elisabete... Dona Teresa D’Ávila, pensemos em Irmã Elisabete, em seu semblante de paz que tanto nos acalma.
Pensemos em Irmão Natividade que trabalha nos
resgates de entidades encarnadas e desencarnadas orientando-nos e nos
conduzindo ao equilíbrio e à razão.
Pensemos em Irmão Arakem e toda a sua equipe espiritual
de Araxás que conduzem esses trabalhos com total equilíbrio e determinação.
Pensemos em Irmão Crisóstomo e todas os Espíritos Superiores.
Pensemos em Dr. Bezerra de Menezes, Irmã Sheila, Dr. Joseph... toda a sua
equipe médica espiritual que dedicam a sua existência na Espiritualidade para o
tratamento de enfermidades morais tanto de encarnados como de desencarnados.
Imagine-se num campo, tomado
por um tapete de grama macia e uniforme. Um campo de muitas flores, muitas
rosas, energia singela, transparente e leve, muito leve. Sinta a temperatura
fria agradável em meio à energia do sol matinal.
Em meio a esse campo, são
colocadas diversas cadeiras para acomodação dos convidados, em frente a um
altar todo iluminado de luz branca prateada, donde se dará a palestra.
Chegando nesse campo, procure
um lugar especial e sente-se confortavelmente. Sinta a alegria e a satisfação
de fazer parte desse evento tão importante que trará a você comportamentos
éticos indispensáveis ao seu processo de autotransformação.
É anunciado o grande
momento... e tomando a palavra um Irmão de vestes branca e prateada, inicia a palestra:
O indivíduo que consegue se
educar do ponto de vista da moral, da ética, estará apto a amar a si e ao
próximo, fortalecendo a afetividade entre os seres, independentemente dos
algozes do passado.
Considerando que o eu
verdadeiro de cada ser, se encontra na memória espiritual, cujas experiências
regressas foram constituídas ao longo de muitos e muitos anos, em muitas
reencarnações, o caminho para chegar ao confronto de si mesmo, ao
autoconhecimento, está nas luzes da imortalidade, na qual poderemos encontrar
explicações, e o confronto necessário à superação de diversos desafios, que
devem ser superados ao tomar posse da verdade sobre si, tais como, a culpa, a
autopunição e a baixa estima.
Wanderley Oliveira, em seu
Livro Reforma Íntima sem Martírio, através do Espírito Ermance Dufaux, propõe
uma guisa de sugestões maleáveis, considerando
alguns comportamentos como efetivos roteiros de combate, vigília e treinamento
para restauração da ética no processo de autotransformação, como pode ser visto
a seguir:
“Adote
sempre uma postura de Aprendiz; Sempre há algo a aprender e
conceitos a reciclar. Buscar o novo, ser curioso, ter sede de compreensão e
entendimentos em relação ao Universo. Romper os preconceitos e fugir
ardentemente do estado doentio de autossuficiência.
Observe
a si mesmo; Conhecer as nossas emoções; não julgar o
próximo; se auto avaliar constantemente, já que perante a imortalidade só
responderemos por nós mesmos.
Renuncie
ao que em nada lhe acrescenta; Selecionar os ambientes e costumes
em razão dos estímulos que produzem reflexos no mundo mental, ação necessária à
mudança interior.
Aceite
sua Sombra, afinal foram escolhas suas; Se não aceitamos a nossa
própria sombra, nos cobramos constantemente e injustamente em muitas circunstâncias.
A mudança para melhor não implica destruir o que fomos mas dar nova direção e
maior aproveitamento a tudo o que conquistamos, inclusive nossos erros.
Desenvolva
a cumplicidade com a decisão de crescer; Exige exercício
constante em todos os momentos; estar comprometido com o exercício de mudança
uma vez que somos egressos de experiências frustradas nos desafios do
aperfeiçoamento pessoal.
Se
perdoe; É indispensável se perdoar para que possa recomeçar e
construir uma nova história, sobretudo, àquelas que temos a consciência de não
desejar cometê-las novamente.
Mantenha-se
vigilante; cuidar da vida mental; habituar-se a vigiar os
pensamentos; se ater a boas leituras, boas conversas, diversões, ações sociais;
manter a mente alerta, ativa e voltada para ideias enriquecedoras e
edificantes.
Ore
com fé; oração é Terapia
da mente; meio de se ligar às correntes de energias superiores na vida; meio
para despertar forças adormecidas e sufocadas pelo descuido.
Trabalhe;
Os
Sábios Guias da Codificação asseveram que toda ocupação útil é trabalho.
Tenha
Tolerância; toda evolução se concretiza na tolerância. Deus
é tolerância. Há tempo para tudo e tudo tem seu tempo.
Ame-se
incondicionalmente; reformar-se intimamente, é se auto amar. A
humanidade tende a desgostar de sua própria história mesmo tendo a consciência
de que esta foi construída em função de suas escolhas. É preciso aprender a
gostar de si mesmo, independentemente dos algozes do passado; eis a única forma
de se reeducar.
Socialize-se; a
ação social em grupos de educação espiritual é uma excelente medicação contra o
personalismo e a vaidade, desde que seja regada de senso ético e moral.
Seja
caridoso; o processo socializador o levará à escola do afeto e
revitalização dos ensinamentos espíritas por meio da caridade. ”
Meus irmãos, amigos, que Jesus
esteja convosco!
E passando a palavra à uma
Imã, de vestes na cor lilás, palavras doces e muita doçura e amorosidade em sua
fala, através de mensagem psicografada
no Grupo de Psicografias Auta de Souza da Casa da Caridade Irmã Elisabete, vem
lhes trazer uma reflexão sobre os nossos comportamentos:
Muitas vezes estamos sendo
envolvidos por uma energia de conflitos e desarmonias que exigem de cada um de
nós um dispêndio de energia exacerbada da qual necessitas do refazimento
espiritual.
Vigia-te
nesses
episódios da vida moderna a fim de poupar-lhes para os trabalhos da alma.
Sintoniza-te com o
Alto e busca traçar o seu roteiro com calma e serenidade que demandas o dia a
dia.
Ora na
sintonia do Alto para que os irmãos que estão acompanhando-lhes sejam ofuscados
pela luz maior, impedindo-os de agir.
Convence-te de
que a tua fé é a chave da realização de tudo o que buscas realizar no
cotidiano.
Entende-te
enquanto espírito, perguntando-se o que o seu espírito deseja realizar e
conquistar a cada novo dia de sua reencarnação.
Emociona-te com
os acontecimentos da natureza Divina cada dia mais difíceis de serem percebidos
pelos encarnados devido à agitação das conquistas materiais.
Olha
nos olhos dos seus a cada dia e transmite a eles a certeza de que
hoje terás um dia feliz, de paz e grandes conquistas.
Ama-os a
cada momento pois a vida é muito breve e não saberemos o quanto estaremos
juntos nesta vida.
Sintoniza-te
com o Alto, colocando-se a disposição para que a sua intuição possa
fluir espontaneamente sem a preocupação de ser útil ou não.
Harmoniza-te nos
ambientes de convívio fazendo das relações interpessoais um campo de atuação
magnética positiva, favorável e construtora do bem.
Ergue-te aos
céus e liga-te aos seus bondosos amigos que os acompanham a todo instante,
agradecendo-os pelo seu amor porque só o amor pode uni-los sem melindres por
longos tempos.
Solicita
dos Amigos Espirituais que juntos desenvolvem o trabalho de
intermediação entre a terra e os céus, a sua atenção, o seu cuidado, a sua
ajuda, e eles estarão prontos a ajudar-lhes.
Compreende que
nem tudo é permitido conceder-lhes de imediato para que tenhais a oportunidade
de exercitar a paciência e o aprender a esperar. Pois ainda que aquilo que
pedistes não tenha sido atendido de imediato, não quer dizer que não o será em
dado momento.
Confia nos
Amigos Espirituais que os acompanham por todo o seu dia privando-lhes de certos
abusos, e tenhais a certeza de que quando movimentas o mundo para estares
trabalhando, sobretudo, no campo espiritual, alguns desses amigos estão em seus
lares cuidando dos seus, a quem Deus vos confiou.
Louvado seja o Senhor Jesus
Cristo que conseguiu fazer germinar a semente da espiritualidade e da
cristandade em vós.
Que o desabrochar dessas
flores possam representar a maturidade espiritual a que são chamados no momento
e transição no qual juntos vamos nos regenerando nesse Planeta onde tido que de
Deus é Divino, é Maravilhoso!
Que Deus ilumine a todos!
E que vocês possam retornar ao
ambiente sensório levando a certeza de é preciso mudar comportamentos, renovar
atitudes, para fazer acontecer a tão desejada autotransformação.
Vida
e Paz!
terça-feira, 9 de junho de 2015
Comportamento, Ética & Autotransformação - por Alessandra Uzêda
Comportamento,
Ética & Autotransformação
Muitas vezes estamos sendo
envolvidos por uma energia de conflitos e desarmonias que exigem de cada um de
nós um dispêndio de energia exacerbada da qual necessitas do refazimento
espiritual.
Vigia-te nesses
episódios da vida moderna a fim de poupar-lhes para os trabalhos da alma.
Sintoniza-te com o Alto
e busca traçar o seu roteiro com calma e serenidade que demandas o dia a dia.
Ora na sintonia
do Alto para que os irmãos que estão acompanhando-lhes sejam ofuscados pela luz
maior, impedindo-os de agir.
Convence-te de que a
tua fé é a chave da realização de tudo o que buscas realizar no cotidiano.
Entende-te enquanto
espírito, perguntando-se o que o seu espírito deseja realizar e conquistar a
cada novo dia de sua reencarnação.
Emociona-te com os
acontecimentos da natureza Divina cada dia mais difíceis de serem percebidos
pelos encarnados devido à agitação das conquistas materiais.
Olha nos
olhos dos seus a cada dia e transmite a eles a certeza de que hoje
terás um dia feliz, de paz e grandes conquistas.
Ama-os a cada
momento pois a vida é muito breve e não saberemos o quanto estaremos juntos
nesta vida.
Sintoniza-te
com o Alto, colocando-se a disposição para que a sua intuição possa fluir
espontaneamente sem a preocupação de ser útil ou não.
Harmoniza-te nos
ambientes de convívio fazendo das relações interpessoais um campo de atuação
magnética positiva, favorável e construtora do bem.
Ergue-te aos céus e
liga-te aos seus bondosos amigos que os acompanham a todo instante,
agradecendo-os pelo seu amor porque só o amor pode uni-los sem melindres por
longos tempos.
Solicita dos
Amigos Espirituais que juntos desenvolvem o trabalho de
intermediação entre a terra e os céus, a sua atenção, o seu cuidado, a sua
ajuda, e eles estarão prontos a ajudar-lhes.
Compreende que nem
tudo é permitido conceder-lhes de imediato para que tenhais a oportunidade de
exercitar a paciência e o aprender a esperar. Pois ainda que aquilo que
pedistes não tenha sido atendido de imediato, não quer dizer que não o será em
dado momento.
Confia nos Amigos
Espirituais que os acompanham por todo o seu dia privando-lhes de certos
abusos, e tenhais a certeza de que quando movimentas o mundo para estares
trabalhando, sobretudo, no campo espiritual, alguns desses amigos estão em seus
lares cuidando dos seus, a quem Deus vos confiou.
Louvado seja o Senhor Jesus
Cristo que conseguiu fazer germinar a semente da espiritualidade e da
cristandade em vós.
Que o desabrochar dessas flores
possam representar a maturidade espiritual a que são chamados no momento e
transição no qual juntos vamos nos regenerando nesse Planeta onde tido que de
Deus é Divino, é Maravilhoso!
Que Deus ilumine a todos!
E que vocês possam retornar ao
ambiente sensório levando a certeza de é preciso mudar comportamentos, renovar
atitudes, para fazer acontecer a tão desejada autotransformação.
Vida e Paz!
Por Alessandra Uzêda
Em 06 de junho de 2015
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
A Ética Espírita
A Ética Espírita
Texto básico da exposição feita no Painel "O Livro dos Espíritos - Princípios
Filosófico-Espíritas para uma nova Sociedade" no 4o Congresso Espírita
Mundial, realizado em Paris, França, no dia 3 de outubro de 2004
Altivo Ferreira
1. Ética e Moral
A Ética (do grego ethika) é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e
os princípios ideais da conduta humana (Dicionário Michaelis)
1 : Relaciona-se
com os costumes, sendo chamada ciência da conduta e ciência da moral, cujo
objetivo é o julgamento e a distinção entre o bem e o mal.
A Ética teve origem
na Grécia, com Aristóteles (384-322 a.C.), o qual utilizou esse nome pela
primeira vez em seu livro Ética a Micômaco.
Afirma Marilena Chauí
2
: "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto
é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à
conduta correta e incorreta (...). No entanto, a simples existência da moral não
significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto
é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores
morais."
A distinção entre ética e moral é, todavia, tênue. Já na Roma antiga, Cícero
(106-43 a.C.) dizia que eles denominavam moral o que os gregos chamavam
de ética.
Com Jesus Cristo, os conceitos éticos assumiram nova dimensão, como se
depreende das palavras do Espírito Carlos Torres Pastorino, no recente livro Impermanência e Imortalidade
3 : Cap. "Ética e razão"':
"Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início
ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes
dEle, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel,
atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em
punir, em vingar-se do que em educar e corrigir.
Desde a Pena de Talião, que
Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a
reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas
conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em
bens os males que praticou."
Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno.
Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa
do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem
comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos:
"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal
com o bem" (Romanos, 12:21);
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas
convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (I Coríntios, 10:23);
E reforça com seu exemplo:
"Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu
quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas, 2:19-20).
Com o correr do tempo e o predomínio da Igreja, depois, com a Reforma
Protestante, a ética cristã foi sendo adaptada às concepções da Teologia, na
medida em que o comportamento humano era influenciado pelo temor a Deus,
pela crença no pecado, nas penas eternas, em que a salvação da alma era
condicionada à submissão aos dogmas e sacramentos, ou à fé em Cristo.
Iniciada no século XVII a Era da Razão, a partir de René Descartes (1596-
1650), passando pelos filósofos do Iluminismo, até Jean-Jacques Rousseau
(1712-1799) e Emmanuel Kant (1724-1804), no século XVIII, as reflexões
éticas prepararam o pensamento humano para o advento do Consolador
prometido por Jesus, destinado a reconduzir a ética cristã à sua pureza
original.
2. Ética e Doutrina Espírita
Em nossa pesquisa, não encontramos menção à Ética nas obras da
Codificação Kardequiana e na Revista Espírita.
Todas as referências se
reportam à Moral, cujo conceito espírita se confunde com o de Ética, como
podemos conferir nas respostas dos Espíritos Reveladores às questões 629 e
630 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), formuladas por Kardec:
629. Que definição se pode dar da moral?
A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Fundamenta-se
na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo
bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.
630. Como se pode distinguir o bem do mal?
O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário.
Assim, fazer o bem é pro ceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é
infringi-Ia.
Na obra Filosofia Espírita da Educação (vol. 1)4
Ney Lobo acentua que, como
"existe a Filosofia Espírita, deve, forçosamente, corresponder-lhe determinada
ética, a Ética Espírita" (destaque do autor).
Os princípios da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto - Filosofia, Ciência e
Religião - fundamentam-se na moral do Cristo, que é a mais elevada expressão
da Ética.
A concepção de Deus - justo e misericordioso para com todos os seus filhos -,
como a "inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas"; a certeza da
vida futura e o conhecimento do mundo espiritual, confirmados, através da
mediunidade, pelas comunicações dos Espíritos; a origem, evolução e destinação do Espírito imortal; a pluralidade das existências e dos mundos
habitados; a compreensão da justiça e da misericórdia divinas pelo
funcionamento da lei de causa e efeito; o princípio de responsabilidade
decorrente do exercício do livre-arbítrio; a concepção espírita das penas e
gozos terrestres e futuros - repercutem na consciência moral do homem,
levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta
ética.
Nas Leis Morais, da Parte 3a
de O Livro dos Espíritos, a Ética Espírita
apresenta-se em sua plenitude.
No capítulo 1, Kardec reúne o ensino dos
Espíritos sobre a lei divina ou natural, examinando os caracteres e o
conhecimento dessas leis; coloca as questões acerca do bem e do mal e
apresenta (q. 648) a divisão da lei natural em dez partes (cap. II a XI), que
compreendem as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação,
destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça,
amor e caridade. Afirmam os Espíritos que "essa última lei é a mais importante,
por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que
resume todas as outras."
Ainda sobre a última lei moral, Kardec enfatiza, na Conclusão (IV) de O Livro
dos Espíritos.
"O progresso da Humanidade tem seu principio na aplicação da
lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro."
Além da questão acima (648), três outras merecem destaque, por seu
significado ético:
621. Onde está escrita a lei de Deus?
Na consciência.
625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe
servir de guia e modelo?
Jesus.
647. A Lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo,
ensinado por Jesus?
Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens, uns para com
os outros. (...).
O Codificador termina o estudo das leis morais com a abordagem de um
aspecto fundamental da Ética em geral e da Ética Espírita em particular - a
Perfeição Moral.
As primeiras questões apresentadas tratam das virtudes e
dos vícios. Indaga ele (q. 893) sobre qual a mais meritória das virtudes, e
recebe por resposta:
"Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas
indicam progresso na senda do bem. (...) A sublimidade da virtude, porém, está
no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento
oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade."
(Grifamos.)
No exame das paixões, a resposta dos Espíritos à pergunta 907 esclarece que
a paixão, em sua origem, não é má; "a paixão está no excesso de que se
acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de
grandes coisas.
O abuso que delas se faz é que causa o mal".
O egoísmo é o vício mais radical (q. 913), dele derivando todo o mal. "Estudai
todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. (...) Quem quiser,
desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu
coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com
a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades."
Fénelon responde de forma admirável à indagação - Qual o meio de destruir-se
o egoísmo? (q. 917). Eis alguns trechos do seu pensamento: "De todas as
imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de erradicar-se (...). O
egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando
sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos
faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas."
(...).
No longo e elucidativo comentário sobre essa questão, Kardec afirma ser
necessário combater o egoísmo na sua raiz "pela educação, não por essa
educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer
homens de bem.
A educação, convenientemente entendida, constitui a chave
do progresso moral".
Sobre a educação à luz do Espiritismo, Ney Lobo5
enfatiza:
"A Ética Espírita é
a argamassa que cimenta a Filosofia com a Educação Espírita, articulando-as
funcionalmente num enlace perfeito e doutrinário: a Filosofia fornece a Ética
para a Educação realizá-la."
3. Comportamento ético-espírita
A Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo - leva o
homem, à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do
Codificador :
"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral
e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. "
Retomando o citado capítulo sobre a Perfeição Moral, encontramos o modelo
de comportamento ético-espírita na questão 918, em que Kardec, no seu
comentário, apresenta os caracteres do homem de bem e declara:
"Verdadeiramente, homem de bem, é o que pratica a lei de justiça, amor e
caridade na sua maior pureza."
Ele desdobra esse tema no capítulo XVII de O
Evangelho segundo o Espiritismo, descreve a conduta do homem de bem, e
conclui - referindo-se aos bons espíritas - que o Espiritismo leva aos
resultados por ele obtidos que "caracterizam o verdadeiro espírita, como o
cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro ". (Grifamos.)
***
A Ética Espírita foi enriquecida, no século XX, com o apostolado mediúnico de
Francisco Cândido Xavier, através do qual a Espiritualidade Superior canalizou
para o homem contemporâneo valiosas diretrizes de ordem comportamental,
sob a visão evangélico-doutrinária da Terceira Revelação.
Destacamos desse tesouro as mensagens de Emmanuel que compõem a série (editada pela FEB)
Caminho, verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva, assim como
as de André Luiz, cujo livro Conduta Espírita é um repositório de orientações a
quantos queiram ter um comportamento ético-cristão.
Esta contribuição do
Mundo Espiritual é acrescida pelas obras de Joanna de Ângelis sobre o homem
integral e a psicologia profunda, psicografadas por Divaldo Pereira Franco.
O comportamento ético-espírita não pode limitar-se aos momentos em que
estamos na Casa Espírita ou no atendimento às carências do próximo. Ele
deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da
vida.
Ao espírita compete manter uma conduta ética no cotidiano, em todas as
relações que estabelece com o seu semelhante e a sociedade, ainda que em
detrimento de seu interesse pessoal. Cabe-lhe viver e exemplificar a conduta
ética no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração
pública, bem como nas outras situações apresentadas pelo Espírito André
Luiz7
, consultando sempre a sua consciência, onde está escrita a lei de Deus.
Referências Bibliográficas
1 MICHAELIS: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo:
Melhoramentos, 1998, 2.267 p., p. 908.
2 CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Editora Ática, 2003,
424 p., p. 310.
3 FRANCO, Divaldo Pereira. Impermanência e Imortalidade, pelo Espírito
Carlos Torres Pastorino. Rio de Janeiro: FEB, 2004, 224 p., "Ética e razão", p.
215-222.
4 LOBO, Ney. Filosofia Espírita da Educação. Rio [de Janeiro]: FEB, 1989, v. l,
p. 50.
5 ld., ibid., p. 53.
6 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 120. ed. Rio [de
Janeiro]: FEB, 2002, 435 p., cap. XVII, p. 274.
7 VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz. 5. ed. Rio [de
Janeiro]: FEB, 1974, 155 p.
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(Estudo originalmente publicado na Revista Internacional de Epiritismo,
Ano LXXX, No 02, Matão, Março 2005 e reproduzido com autorização do
autor)
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