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domingo, 19 de outubro de 2014

VI- Igualdade de Direitos do Homem e da Mulher- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec -AS LEIS MORAIS CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE
VI- Igualdade de Direitos do Homem e da Mulher
(Questão 817 a 822)´

O homem e a mulher são iguais perante Deus e têm os mesmos direitos.
Deus deu a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir.

A inferioridade moral da mulher em certas regiões procede do domínio injusto e cruel que o homem exerceu sobre ela. Uma consequência das instituições sociais e do abuso da força sobre a debilidade. Entre os homens pouco adiantados do ponto de vista moral a força é o direito.

A mulher é fisicamente mais fraca do que o homem com a finalidade de lhe assinalar funções particulares. O homem se destina aos trabalhos rudes, por ser mais forte; a mulher aos trabalhos suaves; e ambos a se ajudarem mutuamente nas provas de uma vida cheia de amarguras.

A debilidade física da mulher a coloca naturalmente na dependência do homem pois Deus deu a força a uns para proteger o fraco e não para o escravizar.

Comentário de Kardec: Deus apropriou a organização de cada ser às funções que ele deve desempenhar. Se deu menor força física à mulher, deu-lhe ao mesmo tempo maior sensibilidade, em relação com a delicadeza das funções maternais e a debilidade dos seres confiados aos seus cuidados.

As funções a que a mulher foi destinada pela Natureza têm até mais importância quanto as conferidas ao homem; é ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.

Os homens, sendo iguais perante a lei de Deus, devem sê-lo igualmente perante a lei humana pois este é o primeiro princípio de justiça:
“Não façais aos outros o que não quereis que os outros vos façam”.

De acordo com isso, para uma legislação ser perfeitamente justa deve consagrar a igualdade de direitos entre o homem e a mulher, porém de funções, não.

 É necessário que cada um, tenha um lugar determinado; que o homem se ocupe de fora e a mulher do lar, cada um segundo a sua aptidão.

 A lei humana, para ser justa, deve consagrar a igualdade de direitos entre o homem e a mulher; todo privilégio concedido a um ou a outro é contrário à justiça.

A emancipação da mulher segue o progresso da civilização, sua escravização marcha com a barbárie. Os sexos, aliás, só existem na organização física, pois os Espíritos podem tomar um e outro não havendo diferenças entre eles a esse respeito. Por conseguinte, devem gozar dos mesmos direitos.



Há mais de cem anos, este livro indicava a solução do problema feminino: igualdade de direitos e diversidade de funções. Mando e mulher não são senhor e escrava, mas companheiros que desempenham uma tarefa comum, com a mesma responsabilidade pela sua realização. O feminismo adquire um novo aspecto à luz deste princípio. A mulher não deve ser a imitadora e a competidora do homem, mas a sua companheira de vida, ambos mutuamente se completando na manutenção do lar, que é a célula básica da estrutura social (N do T)



IV- Desigualdades das Riquezas- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec -AS LEIS MORAIS CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE
IV- Desigualdades das Riquezas
(Questão 806 a 807)

A desigualdade das riquezas nem sempre tem sua origem na desigualdade das faculdades, que dão a uns mais meios de adquirir do que a outros, se considerarmos que existe a astúcia e o roubo.
 
A riqueza hereditária, entretanto, pode ser fruto das más paixões. É preciso remontar à origem para ver se é sempre pura. Sabes se no princípio não foi o fruto de uma espoliação ou de uma injustiça?

Mas sem falar em origem, que pode ser má, crês que a cobiça de bens, mesmo os melhor adquiridos, e os desejos secretos que se concebem de possuir o mais cedo possível, sejam sentimentos louváveis? Isso é o que Deus julga, e te asseguro que o seu julgamento é mais severo que o dos homens.

Se uma fortuna foi mal adquirida, os herdeiros não serão responsáveis  pelo mal que outros tenham feito, tanto mais que o podem ignorar, mas fica sabendo que, muitas vezes, uma fortuna se destina a um homem para lhe dar ocasião de reparar uma injustiça. Feliz dele se o compreender! E se o fizer em nome daquele que cometeu a injustiça, a reparação será levada em conta para ambos, porque quase sempre é este último quem a provoca.

Sem fraudar a legalidade, podemos dispor dos nossos bens de maneira mais ou menos equitativa. Quem assim o faz é responsável, depois da morte, pelas disposições testamentárias pois toda ação traz os seus frutos; os das boas ações são doces e os das outras são sempre amargos; sempre, entendei bem isso.

A igualdade absoluta das riquezas não é possível pois a diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso.

Os homens, entretanto, que creem estar nisso o remédio para os males sociais são sistemáticos ou ambiciosos e invejosos. Não compreendem que a igualdade seria logo rompida pela própria força das coisas. Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.

Se a igualdade das riquezas não é possível, não quer dizer que acontece o mesmo com o bem-estar; mas o bem-estar é relativo e cada um poderia gozá-lo, se todos se entendessem bem…

Porque o verdadeiro bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade, e não em trabalhos pelos quais não se tem nenhum gosto.

Como cada um tem aptidões diferentes, nenhum trabalho útil ficaria por fazer. O equilíbrio existe em tudo e é o homem quem o perturba.

Somente será possível que todos os homens se entendam quando praticarem a lei da justiça.

Há pessoas que caem nas privações e na miséria por sua própria culpa; a sociedade pode ser responsabilizada por isso pois ela é sempre a causa primeira dessas faltas; pois não lhe cabe velar pela educação moral de seus membros?

É frequentemente a má educação que falseia o critério dessas pessoas, em lugar de aniquilar lhes as tendências perniciosas. 



(1) No mundo de hoje, este problema já vem provocando tentativas de solução. Trata-se do aproveitamento das vocações, cujo desperdício sistemático acarreta perdas consideráveis à economia social e profundo desequilíbrio na estrutura das sociedades (N. do T.)


III- Desigualdades Sociais - O Livro dos Espíritos, Allan Kardec -AS LEIS MORAIS CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX LEI DE IGUALDADE
III- Desigualdades Sociais
(Questão 806 a 807)

A desigualdade das condições sociais não é uma lei natural; é obra do homem e não de Deus.

Essa desigualdade desaparecerá um dia, pois só as leis de Deus são eternas. Não a vês desaparecer pouco a pouco, todos os dias? Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito.

Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social.

Deve-se pensar daqueles que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito que esses merecem o anátema; infelizes deles! Serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer. 


II- Desigualdade de Aptidões- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec -AS LEIS MORAIS CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE

LIVRO TERCEIRO
AS LEIS MORAIS
CAPÍTULO IX- LEI DE IGUALDADE
II- Desigualdade de Aptidões
(Questão 804 a 805)

Deus criou todos os Espíritos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo, e por conseguinte realizou mais ou menos aquisições; a diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio: daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que explica o fato de que os homens em geral não têm as mesmas aptidões, e sim, aptidões diversas.

A mistura de aptidões é necessária a fim de que cada um possa contribuir para os desígnios da Providência, nos limites do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais; o que tini não faz, o outro faz., e é assim. que cada um tem a sua função útil. Além disso, todos os mundos sendo solidários entre si, é necessário que os habitantes dos mundos superiores, na sua maioria criados antes do vosso, venham habitar aqui para vos dar exemplo. 

Passando de um mundo superior para um inferior, o Espírito conserva integralmente as faculdades adquiridas, pois que o Espírito que progrediu não regride mais. Ele pode escolher, no estado de Espírito, um envoltório mais rude ou uma situação mais precária que a anterior, mas sempre para lhe servir de lição e ajudá-lo a progredir. 

Comentário de Kardec: Assim, a diversidade das aptidões do homem não se relaciona com a natureza íntima de sua criação, mas com o grau de aperfeiçoamento a que ele tenha chegado como Espírito. Deus não criou, portanto, a desigualdade das faculdades, mas permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento se mantivessem em contato a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir. E também a fim de que os homens, necessitando uns dos outros, compreendam a lei de caridade que os deve unir.