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terça-feira, 21 de abril de 2020

Cap. 9 - Fé e Coragem - Espírito Emmanuel

"Proclamar as próprias convicções, notadamente diante das criaturas que se nos façam adversas, é coragem de fé, no entanto, semelhante afirmação de valor não se restringe a isso. O assunto apresenta outra face não menos importante: o desassombro da tolerância pelo qual venhamos a aceitar os outros, como os outros são, sem recusar-lhes auxílio."
-  Em meio a tantas diversidades, tanta liberdade de expressão, a coragem da fé precisa estar pautada na razão, na lógica e  na coerência, a fim de não não melindrarmos frente as intolerâncias lançadas sobre nossas convicções. Somos seres subjetivos, dotados de individualidade, e que, portanto, precisamos compreender que as verdades nem sempre são absolutas, o certo nem sempre o é para todos, tudo depende do olhar de que analisa, de sua visão de mundo, seus valores, sua cultura e sua ancestralidade. O respeito é indispensável para esse avanço!

  * Cunhar pontos de vista e veiculá-los claramente é sinal de espontaneidade e franqueza, marcando alma nobre. Compreender amigos e adversários, simpatizantes ou indiferentes do caminho, estendendo-lhes paz e fraternidade, é característico de paciência e bondade, indicando alma heroica."
-  A alma que alcançou essa condição de aceitação plena das diversidades pelo ideal de fraternidade, pode-se considerar heroica.

  * Demonstra a própria fé, perante todos aqueles que te compartilham a estrada, mas não deixe de amá-los e servi-los, quando se patenteiam distantes dos princípios que te norteiam. * Reportamo-nos a isso, porquanto, junto dos companheiros leais, surgirão sempre os companheiros difíceis. Esse de quem esperava testemunhos de amor e bravura, nas horas graves, foi o primeiro que te deixou a sós, nos momentos de crise; aquele, em cujo coração plantaste sinceridade e confiança, largou-te ao ridículo, quando a maioria mudou, transitoriamente, de opinião; aquele outro a quem deste máximo apreço te retribuiu com sarcasmo; e aquele outro, ainda, é o que te criou problemas e inquietações, depois de lhe haveres dado apoio e vida. Todos eles, porém, se nos erguem na escola do mundo por testes de persistência no bem."
- ame incondicionalmente, nem todos estão preparados para viver a mesma fé que você. Independentemente, daquilo que se estabeleça em seu convívio, sem trazendo tristezas ou alegrias, busque no amor o caminho da superação.

  * A coragem da fé começará sempre através da veemência com que exponhamos as próprias ideias, diante da verdade, entretanto, só se realizará em nós e por nós, quando tivermos a necessária coragem para compreender todos os homens, ainda mesmo os nossos mais ferrenhos perseguidores, - como nossos verdadeiros irmãos e filhos de Deus. 
- A coragem da fé é o motor capaz de fazermos mergulhar, na tentativa de compreender o incompreensível, para que possamos de fato, horar o mandamento: Amai os vossos inimigos.

Fonte:
Livro: Mãos Unidas. 
Autor: Francisco Cândido Xavier
Autor Espiritual: Emmanuel

Interpretação: Alessandra Uzêda

domingo, 16 de junho de 2019

Inimigos desencarnados ou amigos feridos de outras vidas?


O olhar sobre o problema é algo que muda todo o entendimento sobre determinados fatos. Se pensarmos que para termos um inimigo, é preciso antes de tudo, que haja uma relação de afetividade, que por alguma razão, que muitas vezes desconhecemos, esse afeto foi ferido, seja lá por qual motivo for, e que, a partir daí, ganhamos um inimigo, entendemos que o inimigo pode realmente ser aquele amigo ferido em um dado momento. 

Quando a gente consegue alcançar essa compreensão, passamos a ser mais indulgentes, sabendo que nem sempre o homem é todo mal, e nem sempre o homem é todo bem. Somos parte dessas duas realidades que se expressam motivadas por determinadas causas.  E essas causas, residem no fato de sermos espíritos em processo de evolução, dotados de tamanhas imperfeições, mas que em algum momento, estaremos prontos a sair desses estágios mais primitivos de nossa existência.

Seja encarnado ou desencarnado, o Espírito em processo de evolução, caminha para o reconhecimento de suas imperfeições afim de se melhorar a cada dia, rumo ao seu destino. Entretanto, em se tratando de espíritos desencarnados, é preciso pensar que a morte não o livre senão, de seu envoltório corporal, mas que o espírito  do desencarnado pode estar vinculado ao seu, mesmo depois de ter deixado a terra. Tudo depende de suas motivações junto aos seus desafetos.

Por essa razão, é que os encarnados, enquanto estiverem na oportunidade da vida na carne, devem procurar encontrar um meio de viver em harmonia com seus amigos, familiares, mas sobretudo, buscarem um entendimento com seus desafetos, no sentido de neutralizar os conflitos, e os consequentes sentimentos de ódio, raiva, desejo de vingança, etc. Para isso, é preciso que estejamos revestidos de sentimentos nobres do entendimento,  pautados na humildade para reconhecer a sua participação no processo de conflito, e buscar o outro para esse entendimento fraterno e amigável; disponibilidade para o perdão verdadeiro, que traz para perto de si, aquele que um dia o ofendeu, sem mesmo lembrar da ofensa; amor para a busca e o acolhimento na medida de uma relação sadia, sem conflitos ou desconfiança, porque é preciso que atinjamos um nível de evolução espiritual que nos permita cumprir a máxima do Cristo: "amai os vossos inimigos".

Não há coração tão perverso que não seja tocado de bons procedimentos, mesmo inconscientemente (ALLAN KARDEC, 1864). Essa afirmativa nos remete a raciocinar sobre os nossos amigos feridos ou inimigos desencarnados sob a perspectiva  do amor, do cuidar, e porque não, da caridade? Pois, mesmo diante de intensos conflitos, que muitas vezes, se estendem por diversas vidas, quando uma das partes, humildemente, reconhece a sua responsabilidade, ela consegue tocar o outro, redirecionando ou lançando um novo olhar para o problema, e da mesma forma que de um amigo, conseguimos fazer um inimigo com a nossa animosidade, também conseguimos fazer de um inimigo um amigo, com a nossa amorosidade.

Os inimigos desencarnados manifestam seu ódio, suas perseguições pelas obsessões e subjugações, ocasionando as grandes provas sobre as quais, as pessoas estão submetidas na vida. A partir daí, é que surgem as dificuldades e os obstáculos que a maioria das pessoas acabam por enfrentar em suas vidas, além é claro, daqueles ocasionados por elas mesmas, por meio de suas respectivas escolhas com o uso de seus livre-arbítrios. Viver implica em escolhas diárias e cotidianas, que nos direcionam e orientam em direção ao nosso destino. Em virtude, de não termos alcançado ainda, um patamar de evolução espiritual e moral ideal, nos perdemos na rota do amor e da caridade, e acabamos nos colocando entre vítimas e algozes, nos caminhos da vida.

    
                                                          RESIGNAÇÃO

Entretanto, essas provas devem ser vistas e aceitas com a RESIGNAÇÃO  (aceitação daquilo que não pode ser mudado) e a RESILIÊNCIA (poder de recuperação, dar a volta por cima) necessárias ao enfrentamento dessas dificuldades. Quando compreender que os espíritos são pessoas desencarnados que já viveram na Terra como nós, e que por hora, orbitam em torno na Terra porque vibram na mesma sintonia dos encarnados dessa Terra de provas e expiações, aceitamos pelo entendimento  e compreensão, que os espíritos desencarnados são os espíritos encarnados de outrora, e que nós, espíritos encarnados, somos os espíritos desencarnados de outrora também. 

Passamos a compreender também que não há demônio , esse bicho cabeludo que andam pintando por aí, como se fosse de outra gênese, que não a do Espírito, ou que não a do homem. Assim como entre encarnados há homens animalizados, capazes das maiores atrocidades, sobre os quais ainda reinam um homem primitivo, possuído por instintos de agressividade constante, por não terem atingido um nível de esclarecimento e evolução que o tornasse capaz de amar, também há espíritos  desencarnados ainda animalizados por essas mesmas características, de tal sorte, que o faz agir como bicho. Ambos nas fieiras da reencarnação, necessitando de oportunidades para encarnar, afim de evoluir, aprender, e se espiritualizar. "O Espiritismo vem provar que esses demônios não são outros senão as almas dos homens perversos, que não se despojaram ainda dos instintos materiais; que não se pode apaziguá-los senão pelo sacrifício de seu ódio, quer dizer, pela caridade..."(ALLAN KARDEC, 1864)

Então fica a dica para todos os que vivem em conflitos, brigando e lutando por coisas alheias ao ser, e voltadas para o ter,  que é na vida de encarnado que temos as oportunidades de apaziguar nossos conflitos internos e externos, e nos entendermos com aqueles com os quais menos afinidades temos, mais conflitos causamos, mais dificuldades enfrentamos. 

Cada ponto de dificuldade, conflito, desafeto que permeia nossas vidas, devem ser olhados, cuidadosamente sob o olhar da indulgência, humildade e caridade, mas sobretudo, sobre o olhar do amor, lembrando que esse desafeto hoje, pode ter sido, o maior de todos os seus afetos por diversas vidas. 

Por Alessandra Uzêda
Reflexão Evangelho no Lar de 16/06/2019 21 hs
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XII - Amai os vossos Inimigos - Os inimigos desencarnados.

domingo, 1 de abril de 2018

PRATICAR A CARIDADE E CUMPRIR O MANDAMENTO DO AMOR AO PRÓXIMO

Conhece-se a árvore pelos frutos 
O conceito cristão de Deus 
A pele de ovelha e a pele humana. 

O conceito fundamental do Cristianismo é o da paternidade universal de Deus. Por isso é que Deus é único. Os muitos deuses da antiguidade, que dividiam ferozmente os homens, perdem o domínio do mundo, quando Jesus pronuncia a palavra Pai, Até mesmo Jeová, o deus dos exércitos, deixa o seu lugar ao Deus de Amor do Cristianismo. Os privilégios e divisionismos não têm mais razão de ser, diante da parábola do Bom Samaritano e do ensino de Jesus à mulher samaritana. 

O Espiritismo, surgindo na Terra em cumprimento à promessa do Consolador, para restabelecer a pureza do ensino de Jesus, restabelece o conceito cristão de Deus como Pai. Por isso Kardec ensinou, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", que o nosso lema deve ser: "Fora da caridade não há salvação". 

A bandeira sectarista das religiões apegadas ao velho exclusivismo é substituída pela bandeira cristã do "amai-vos uns aos outros". Kardec chega mesmo a esclarecer que não devemos dizer: "Fora da verdade não há salvação", porque cada qual interpretando a verdade a seu modo, esse lema serviria para perpetuar na Terra as lutas religiosas, que são a própria negação da religião. 

A caridade, pelo contrário, a todos une e a ninguém condena, como ensinou o apóstolo Paulo. 

Lemos, entretanto, num pequeno e agressivo artigo contra o Espiritismo, esta curiosa afirmação: "A pele de ovelha do espírita é a caridade. Fazer o bem e praticar a caridade." O articulista entende que os espíritas fazem a caridade para perder as almas. São instrumentos do demônio, mas usam as armas do amor. Se ao menos fingissem que fazem a caridade, ainda se compreenderia. Mas não. Em vez de fingir, praticam mesmo a caridade e fazem o bem. E nisso está o seu terrível disfarce. Tanto mais terrível, quanto Jesus ensinou que só podemos conhecer a árvore pelos frutos.

A preocupação do articulista transparece logo mais, quando ele acrescenta que os espíritas usam nomes de santos nos Centros, expõem imagens e fazem orações, para enganar os incautos. Quer dizer que tudo isso só teria uma finalidade: afastar os filhos de Deus do verdadeiro caminho. 

Acontece, porém, que os espíritas, ao darem nomes de santos a alguns Centros, têm apenas o propósito de homenagear espíritos elevados, que são conhecidos como santos. Por exemplo: Santo Agostinho e São Luiz deram comunicações a Kardec, que figuram em "O Evangelho Segundo o Espiritismo". Por que usaram o título de santo? Porque assim são conhecidos e só assim podiam identificar-se. E somente por isso. 


Não obstante, os organismos dirigentes do movimento espírita são contrários a essas denominações para Centros, justamente para evitar-se a confusão em matéria de princípios religiosos. Quanto ao uso de imagens, é puro engano. Espíritas não usam imagens, como os cristãos primitivos não usavam. As imagens só aparecem em agrupamentos espiritistas humildes, de gente sem instrução, apegadas à religião popular que lhe ensinaram na infância. Também no Cristianismo primitivo acontecia isso. Cristãos novos apegavam-se aos ídolos pagãos, por costume e falta de esclarecimento. Mas, na proporção em que o Espiritismo for sendo compreendido, essa gente humilde abandonará as imagens. 

O Espiritismo ensina que devemos adorar a Deus em espírito e verdade, segundo a lição de Jesus à mulher * Esta crônica mereceu um voto de louvor inserto em ata da Câmara dos Vereadores de Araraquara, a pedido dos então edis Célio Biller Teixeira e Flávio Thomaz de Aquino, que consideraram de "alto valor os ensinamentos na exposição do Irmão Saulo, pregando acima de tudo a liberdade de culto...". 

Agradecendo aos vereadores, principalmente porque não eram eles espíritas, Herculano disse: "Essa compreensão humana, que supera os sectarismos exclusivistas do passado, é característica da civilização samaritana". 

No tocante à oração, é claro que os espíritas devem fazê-las. Kardec chegou mesmo a publicar um livro de preces. Como acontecia no Cristianismo primitivo, os espíritas repetem a prece do Pai Nosso, ensinada por Jesus, e sabem que a oração é o meio de se elevarem a Deus e se comunicarem com os Bons Espíritos. 

Não se trata, pois, de pele de ovelha, mas da própria pele humana. O homem é filho de Deus e deve dirigir-se a Ele. 

Kardec explica o sentimento religioso como lei natural, segundo vemos no capítulo sobre a "Lei da Adoração", em "O Livro dos Espíritos" . 

O que acontece é que os espíritas aprenderam, no Evangelho, que devem orar de coração puro, sem nenhuma prevenção contra os seus irmãos. Porque Deus é Pai e todos são Seus filhos, seja qual for o caminho religioso que estejam seguindo. 



Livro: O homem novo
Autor: José Herculano Pires

domingo, 25 de março de 2018

ADVERSÁRIOS - Espírito Emmanuel

Quando o Mestre nos recomendou amor aos inimigos, não nos induziu à genuflexão improdutiva à frente dos nossos adversários. 

Ninguém precisa oscular o lodo escuro do pântano a fim de auxiliá-lo. 

Ninguém necessita introduzir um espinho no próprio coração, a pretexto de aniquilar-lhe a expressão dilaceraste. O senhor pede entendimento. 

Imaginemo-nos na posição dos nossos inimigos, gratuitos ou não, e observemos como seria a nossa conduta se estivéssemos em lugar deles. 

Permanecerá o nosso adversário em nossa posição de madureza espiritual quando conseguimos examiná-lo com segurança moral? 

Terá tido as mesmas oportunidades de que já dispomos para semear o bem? 

Guardaríamos o coração sem fel se nos demorássemos na posição onde se encontram muitas vezes, dominados pela ignorância ou pelo desespero? 

Assumiríamos conduta diferente daquela que lhes assinala as atividades, se fôssemos constrangidos a atravessar a zona empedrada em que jornadeiam?

Dificilmente chegaríamos a conclusões afirmativas. Jesus, por isso, pede acima de tudo, esquecimento do mal e disposição sincera para o bem, com atitudes positivas de boa vontade, a fim de que os nossos adversários nos identifiquem, com mais clareza, as boas intenções. 

Recebemos o inimigo como instrutor e auxiliá-lo-emos a dilatar a visão que lhe é própria. 

A compreensão é a raiz da verdadeira fraternidade. Aprendamos, assim, a perceber a luz onde luz se encontra, afim de que nos armemos contra o poderio das trevas em nosso coração. 

A boa vontade realiza milagres em nossa vida, se estamos realmente disposto a caminhar para os cimos da vida. 

Lembremo-nos de que Jesus, até hoje, está trabalhando no auxílio aos inimigos e o único caminho por Ele escolhido para esse apostolado de amor, é o caminho do sentimento, porque só aquele que sabe conquistar o coração dos adversários pela cooperação e pela boa vontade pode, efetivamente, inflamar-se ao Sol do Amor Eterno, com a vitória sobre si mesmo, na subida espinhosa e santificante para a Glória Imortal.