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sábado, 14 de julho de 2018

PRINCÍPIOS ESSENCIAIS DA FILOSOFIA ESPÍRITA - LÉON DENIS - RESUMO

Léon Denis (1846 -1927) foi um pensador espírita, médium e um dos principais continuadores do espiritismo após a morte de Allan Kardec. Fez conferências por toda a Europa em congressos internacionais espíritas e espiritualistas, defendendo ativamente a ideia da sobrevivência da alma e suas conseqüências no campo da ética nas relações humanas. É conhecido como sendo o "consolidador do Espiritismo" em toda a Europa, bem como "apóstolo do Espiritismo", dadas as suas qualidades intrínsecas de estudioso do Espiritismo.
Em sua obra "Depois da Morte", escreveu resumidamente sobre os princípios essenciais da filosofia dos Espíritos.

"1º — Uma inteligência divina rege os mundos. Nela, identifica-se a Lei, lei imanente, eterna, reguladora, à qual seres e coisas estão submetidos.

2º — Assim como o homem, sob seu invólucro material, continuamente renovado, conserva sua identidade espiritual, esse eu indestrutível, essa consciência em que se reconhece e se possui, assim também o Universo, sob suas aparências mutáveis, se possui e se reflete numa unidade central que é o seu Eu. 

O Eu do Universo é Deus, lei viva, unidade suprema onde confinam e se harmonizam todas as relações, foco imenso de lus e de perfeição donde irradiam e se expandem, por todas as humanidades, Justiça, Sabedoria, Amor! 

3º — No Universo, tudo evolve e tende para um estado superior. Tudo se transforma e se aperfeiçoa. Do seio dos abismos a vida eleva-se, a princípio confusa, indecisa, animando formas inumeráveis cada vez mais per feitas, depois desabrocha no ser humano, adquire então consciência, razão, vontade, e constitui a alma ou Espírito. 

4º — A alma é imortal. Coroamento e síntese das potências inferiores da Natureza, ela contém em germe todas as faculdades superiores, está destinada a desenvolvê-las pelos seus trabalhos e esforços, encarnando em mundos materiais, e tende a elevar-se, através de vidas sucessivas, de degrau em degrau, para a perfeição. A alma tem dois invólucros: um, temporário, o corpo terrestre, instrumento de luta e de prova, que se desagrega no momento da morte; o outro, permanente, corpo fluídico, que lhe é inseparável e que progride e se depura com ela. 

5º — A vida terrestre é uma escola, um meio de educação e de aperfeiçoamento pelo trabalho, pelo estudo e pelo sofrimento. Não há nem felicidade nem mal eternos. 

A recompensa ou o castigo consistem na extensão ou no encurtamento das nossas faculdades, do nosso campo de percepção, resultante do bom ou mau uso que houvermos feito do nosso livre-arbítrio, e das aspirações ou tendências que houvermos em nós desenvolvido. 

Livre e responsável, a alma traz em si a lei dos seus destinos; prepara, no presente, as alegrias ou as dores do futuro. 

A vida atual é a consequência, a herança das nossas vidas precedentes e a condição das que se lhe devem seguir. 

O Espírito se esclarece, se engrandece em potência intelectual e moral, à medida do trajeto efetuado e da impulsão dada a seus atos para o bem e para a verdade. 

6º -  Uma estreita solidariedade une todos os Espíritos, idênticos na sua origem e nos seus fins, diferentes somente por sua situação transitória, uns no estado livre, no espaço; outros, revestidos de um invólucro perecível, mas passando alternadamente de um estado a outro, não sendo a morte mais que uma fase de repouso entre duas existências terrestres. 

Gerados por Deus, seu Pai comum, todos os Espíritos são irmãos e formam uma imensa família. Uma comunhão perpétua e de constantes relações liga os mortos aos vivos. 

7º -   Os Espíritos classificam-se no espaço em virtude da densidade do seu corpo fluídico, correlativa ao seu grau de adiantamento e de depuração. Sua situação é determinada por leis exatas; essas leis exercem no domínio moral uma ação análoga à que as leis de atração e de gravidade executam na 198 ordem material. 

Os Espíritos culpados e maus são envolvidos em espessa atmosfera fluídica, que os arrasta para mundos inferiores, onde devem encarnar para se despojarem das suas imperfeições. 

A alma virtuosa, revestida de um corpo sutil, etéreo, participa das sensações da vida espiritual e eleva-se para mundos felizes onde a matéria tem menos império; onde reinam a harmonia e a bem-aventurança. 

A alma, na sua vida superior e perfeita, colabora com Deus, coo-pera na formação dos mundos, dirige-lhes a evolução, vela pelo progresso das humanidades, pela execução das leis eternas. 

8º — O bem é a lei suprema do Universo e o alvo da elevação dos seres. O mal não tem vida própria; é apenas um efeito de contraste. 

O mal é o estado de inferioridade, a situação transitória por onde passam todos os seres na sua missão para um estado melhor. 

9º — Como a educação da alma é o objetivo da vida, importa resumir os seus preceitos em palavras: 
  • Comprimir necessidades grosseiras, os apetites materiais; 
  • aumentar tudo quanto for Intelectual e elevado; 
  • lutar, combater, sofrer pelo bem dos homens e dos mundos; 
  • iniciar seus semelhantes nos esplendores do Verdadeiro e do Belo;
  • amar a verdade, a benevolência, tal é o segredo da felicidade no futuro, tal e o Dever! "

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

LUGAR

Não há lugar em que nos vejamos sem algum benefício a prestar ou alguma coisa a fazer. 
Seja qual seja a circunstância da estrada, aí encontramos a ocasião precisa realizar o melhor. 
Por isso mesmo, o tempo é o prodigioso indicador, descerrando-nos situações inesperadas ao dom de compreender e de auxiliar. 
Ainda mesmo nas trilhas mais obscuras da prova ou da aflição, somos defrontados por ensejos valiosos de renovação e progresso. 
Contempla a vida, em torno... 
Tudo é cor e beleza. 
Deus te conduz aos Céus, De esplendor a esplendor. 
Serve a quantos encontres.
Sê bondade e socorro, apoio e eficiência. 
A prática do Bem ser-nos-á garantida de paz e a paz em nós se nos fará fonte de permanente alegria. Comece o dia na luz da oração. 
O amor de Deus nunca falha. 
Na sustentação do progresso espiritual, precisamos tanto da caridade quanto o ar é necessário ao equilíbrio da vida orgânica. 
Lembra-te de que a interdependência é o regime instituído por Deus para a estabilidade de todo o Universo e não olvides a compreensão que devemos a todas as criaturas. 

Livro: Caminho Iluminado
Autor: Francisco Cândido Xavier
Espírito: Emmanuel

domingo, 26 de novembro de 2017

No problema da dor- Palavras de Fé - chico Xavier / Carlos A. Bacelli

Para liquidar o problema da dor, ninguém deprecie a responsabilidade que lhe compete. 

O Universo é regido pela Justiça Divina e, nos tribunais do Perfeito Equilíbrio, todo sofrimento é resgate entre as criaturas, quando não seja luminosa missão de amor dos espíritos angélicos. 

Para ilustrar o conceito, recordemos que as doenças no mundo requerem medidas especiais. 

O embaraço gástrico pede medicação laxativa. 
A apendicite reclama a intercessão operatória. 
A escabiose aguarda recurso balsamizante. 
O carcinoma pede extirpação e limpeza. 
A loucura roga amparo e insulamento. 

Para a legião das moléstias comuns, surge todo um exército de especialistas e enfermeiros, socorros e intervenções. 

Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência na farmácia da vida. 

A dor é procurada como remédio valioso e a reencarnação é o caminho em que deve ser encontrada. 

  • Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza. 
  • Quem relaxou a saúde, clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste. 
  • Quem se arrojou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranqüilidade.
  • Quem aviltou a inteligência, suplica as inibições mentais do 17 cérebro curto, como serviço indispensável à própria restauração. 
  • Quem se valeu do poder para espalhar aflições e lágrimas, requisita a desvalia social com problemas difíceis em que lágrimas e aflições lhe regenerem o campo íntimo. 
Recebe, pois o tipo de experiência que escolheste na Terra, em benefício de tua própria recuperação para Deus, sem desfalecer no trabalho que a Justiça te reservou. 

Acolhe a dor e a luta por sábias instrutoras da vida e não lhes menoscabes o concurso santificante. 

A sombra de ontem te procura o asilo de hoje e somente ao preço de teu sacrifício na tarefa redentora, pelo próprio dever bem cumprido, é que atingirás, valoroso e feliz, a Plena Luz de Amanhã 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

UM CONVITE À TRANSFORMAÇÃO - ESPÍRITO RAMATIS

Amados irmãos! 

Eis que os tempos chegaram! 
Em breve a Terra será morada de homens felizes! 
Somente Espíritos bons, encarnados, deverão povoá-la. 

Observai que, em nome da PAZ, sob a égide de Cristo-Jesus, líderes terrenos de todas as nações, crenças e segmentos da vida humana reúnem-se em todos os pontos do Planeta para acertarem as suas ideias inteligentes, com decisões pacíficas, justas e mais fraternas. 

O ecumenismo é adotado para libertar e unificar todas as crenças, fortalecendo assim a fé nos princípios fundamentais de que Deus, soberanamente bom e justo, é o mesmo para todos! 

Enfraquecem-se os preconceitos raciais em todos os povos, permitindo que se fortaleça a luz do sentimento de igualdade, levando-vos ao entendimento de que todos sois componentes da mesma e grande Família Universal - irmãos em humanidade! 

Universaliza-se o mesmo ideal de "consciência ecológica", na preservação das dádivas naturais. 

Desmoronam-se "muros" edificados para dividir criaturas, e irmãos que se amam voltam a conviver num mesmo padrão de igualdade fraterna! 

Nações, antes inimigas, fortemente armadas, com poder de alta destruição no simples pressionar de um botão, agora cumprem acordos mútuos e desarmam os seus arsenais de defesa altamente destruidores. 

Nesse transformismo salutar e grandioso, no entanto, dolorosamente, mesclam-se as diferenças sociais, a miséria, as epidemias contagiosas, as moléstias incuráveis, fraudes, crimes e violências indescritíveis. Desencadeiam-se, por isso, choques e expandem-se todas as paixões represadas pela humanidade. 

Mas, agora, ceifa-se! Podemos vos garantir que muitos terrícolas, direitistas do Cristo de Deus, já partem para mundos mais elevados, enquanto muitos outros irão expiar o endurecimento de seus corações em mundos inferiores e mais atrasados, pois até meados do próximo milênio, o ambiente da Terra deverá estar totalmente saneado e suas criaturas convivendo o ideal compatível com as conquistas duradouras do Espírito! 

Como vedes, amados irmãos,urge divulgar estas GOTAS DE LUZ! 

RAMATIS (Espírito) 29/11/94 

sábado, 12 de julho de 2014

IV- Espaço Universal, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO II: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO,

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO
IV-Espaço Universal
(Da questão 35 à 36)

O espaço universal é infinito. Supõe limites para ele: o que haveria além? Isto confunde a razão dos homens, e, no entanto, a razão te diz que não pode ser de outra maneira. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas; não é na vossa pequena esfera que o podeis compreende.

Comentário de Kardec: “Supondo-se um limite para o espaço, qualquer que seja a distância a que o pensamento possa concebê-lo, a razão diz que, além desse limite, há alguma coisa. E assim, pouco a pouco, até o infinito, porque essa alguma coisa, mesmo que fosse o vazio absoluto, ainda seria espaço.”

O vazio absoluto NÃO EXISTE em nenhuma parte do espaço universal. O que é vazio para ti, está ocupado por uma matéria que escapa aos teus sentidos e aos teus instrumentos.

 “As variações de tratamento, ora na segunda pessoa do singular, ora na segunda pessoa do plural, correspondem aos momentos em que o Espírito se referia ao interlocutor, pessoalmente, a todos os presentes."

Todos estes princípios estão hoje comprovados pela investigação científica, mesmo no campo do mais ortodoxo materialismo. Veja-se o livro El Cosmos y sus siete cstudus, de Vasiliev c Staniukovich, Editorial Paz, Moscou, tradução castelhana. (N. do T.)


III- Propriedades da Matéria. O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO II: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO
III-Propriedades da Matéria
(Da questão 29 à 34)
A ponderabilidade é atributo essencial da matéria, como entendeis o homem; mas não da matéria considerada como fluido universal. A matéria etérea e sutil que forma esse fluido é imponderável para vós, mas nem por isso deixa de ser o princípio da vossa matéria ponderável.

Comentário de Kardec: “A ponderabilidade é uma propriedade relativa. Fora das esferas de atração dos mundos, não há peso, da mesma maneira que não há alto nem baixo.”

A matéria é formada de um só elemento primitivo. Os corpos que considerais como corpos simples não são verdadeiros elementos, mas transformação da matéria primitiva.

As diferentes propriedades da matéria provêm das modificações que as moléculas elementares sofrem, ao se unirem, e em determinadas circunstâncias.

De acordo com isso, o sabor, o odor, as cores, as qualidades venenosas ou salutares dos corpos, seriam mais do que modificações de uma única e mesma substância primitiva, e só existem pela disposição dos órgãos destinados a percebê-las.

Comentário de Kardec: “Esse princípio é demonstrado pelo fato de nem todos perceberem as qualidades dos corpos da mesma maneira: enquanto um acha uma coisa agradável ao gosto, o outro a acha má; uns veem azul o que os outros veem vermelho; o que para uns é veneno, para outros é inofensivo ou salutar.

A mesma matéria elementar é suscetível de passar por todas as modificações e adquirir todas as propriedades, e é isso que deveis entender, quando dizemos que tudo está em tudo.

Comentário de Kardec: “O oxigênio, o hidrogênio, o azoto, o carbono e todos os corpos que consideramos simples não são mais do que modificações de uma substância primitiva. Na impossibilidade, em que nos encontramos ainda, de remontar de outra maneira, que não pelo pensamento, a essa matéria, esses corpos são para nós verdadeiros elementos, e podemos, sem maiores consequências, considerá-los assim até nova ordem.”

Essa teoria não parece dar razão à opinião dos que não admitem, para a matéria, mais do que dois elementos essenciais: a força e o movimento, entendendo que todas as outras propriedades não são senão efeitos secundários, que variam segundo a intensidade da força e a direção do movimento. Falta acrescentar que, também, segundo a disposição das moléculas, como se vê, por exemplo, num corpo opaco que pode tornar-se transparente e vice-versa.

Embora as moléculas tenham uma forma determinada, não a podeis apreciar. Essa forma é constante para as moléculas elementares primitivas, mas variável para as moléculas secundárias, que são aglomerações das primeiras. Isso que chamais molécula está longe da molécula elementar.

Este princípio explica o fenômeno conhecido de todos os magnetizadores, que consiste em se dar, pela vontade, a uma substancia qualquer, à água, por exemplo, as mais diversas propriedades: um gosto determinado, e mesmo as qualidades ativas de outras substâncias. Só havendo um elemento primitivo, e as modificações dos diferentes corpos sendo apenas modificações desse elemento, resulta que a mais inofensiva substância tem o mesmo princípio que a mais deletéria. Uma modificação análoga pode produzir-se pela ação magnética, dirigida pela vontade. Assim, a água, que é formada de uma parte de oxigênio e duas de hidrogênio, torna-se corrosiva, se duplicarmos a proporção do oxigênio.


II-Espírito e Matéria, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO II: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO, II-Espírito e Matéria

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO
II-Espírito e Matéria
(Da questão 21 à 27)

Só Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade, como Ele, ou se foi criada por Ele num certo momento. Há, entretanto, uma coisa que a vossa razão vos deve indicar: é que Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo.

Qualquer que seja a distância a que possais imaginar o início da Sua ação, podereis compreendê-lo um segundo na ociosidade?

Do ponto de vista do homem, pode-se definir com exatidão a matéria, como aquilo que tem extensão, pode impressionar os sentidos e é impenetrável, uma vez que só falais daquilo que conheceis.

Mas a matéria existe em estados que não percebeis. Ela pode ser, por exemplo tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos vossos sentidos: entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para vós.

A matéria pode ser definida pelo homem, como o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação.

Comentário de Kardec: "De acordo com isto, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário com a ajuda do qual e sobre o qual o espírito atua.
O espírito é o princípio inteligente do universo."

Não é fácil analisar e conhecer a sua natureza íntima do espírito na vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, porque não é coisa palpável; mas, para nós, é alguma coisa.

Ficai sabendo: nenhuma coisa é o nada e o nada não existe.

Para o homem, Espírito e Inteligência se confundem num princípio comum, de maneira que, para vós, são uma e a mesma coisa, tornando-se sob esse ponto de vista, sinônimo de inteligência. Porém, a inteligência é um atributo essencial do espírito, e não o espírito em si.

O espírito é independente da matéria, são distintos mas, é necessária a união do espírito e da matéria para dar inteligência a esta.

Sendo o espírito entendido pelos homens, como o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades designadas por esse nome, esta união entre a matéria e o espírito, é igualmente necessária para a manifestação do espírito, porque não estais organizados para perceber o espírito sem a matéria, uma vez que, vossos sentidos não foram feitos para isso.

Haveria, assim, dois elementos gerais do Universo: a matéria e o espírito, e acima de ambos, Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Essas três coisas são o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material é necessário ajuntar o fluido universal, que exerce o papel de intermediário entre o espírito e a matéria propriamente dita, demasiado grosseira para que o espírito possa exercer alguma ação sobre ela.

Embora, de certo ponto de vista, se pudesse considerá-lo como elemento material, ele se distingue por propriedades especiais. Se fosse simplesmente matéria não haveria razão para que o espírito não o fosse também.

Ele está colocado entre o espírito e a matéria; é fluido, como a matéria e matéria; suscetível em suas inumeráveis combinações com esta, e sob a ação do espírito de produzir infinita variedade de coisas, das quais não conheceis mais do que uma ínfima parte.
Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão, e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.

Esse fluido  universal é suscetível de inumeráveis combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que é, propriamente falando, uma matéria mais perfeita, mais sutil, que se pode considerar como independente.

As palavras para designar esses dois elementos gerais pouco importam. Cabe a vós formular a vossa linguagem, de maneira a vos entenderdes. Vossas disputas provêm, quase sempre, de não vos entenderdes sobre as palavras. Porque a vossa linguagem é incompleta para as cosias que não vos tocam os sentidos.

Comentário de Kardec: “Um fato patente domina todas as hipóteses: vemos matéria sem inteligência e um princípio inteligente independente da matéria. A origem e a conexão dessas duas coisas nos sãos desconhecidos. Que elas tenham ou não uma fonte comum e os pontos de contato necessários; que a inteligência tenha existência própria, ou que seja uma propriedade, um efeito; que seja, mesmo, segundo a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, — é o que ignoramos. Elas nos aparecem distintas, e é por isso que a consideramos formando dois princípios constituintes do Universo. Vemos, acima de tudo isso, uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que delas se distingue por atributos essenciais: é a esta inteligência suprema que chamamos Deus.


I-Conhecimento do Princípio das Coisas, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO II: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO,

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO II – ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO
I-Conhecimento do Princípio das Coisas
(Da questão 17 à 20)
O homem não pode conhecer o princípio das coisas, uma vez que, Deus não permite que tudo seja revelado ao homem, aqui na Terra.

Para que o homem venha a penetrar um dia, o mistério das coisas que lhe estão ocultas, e as compreenderem, necessitaria de faculdades que ainda não possui. Pois, o véu se ergue na medida em que ele se depura.

A Ciência foi dada ao homem para o seu adiantamento em todos os sentidos, mas ele não pode ultrapassar os limites fixados por Deus, não podendo assim, pelas investigações da Ciência, penetrar alguns dos segredos da Natureza.

Comentário de Kardec: “Quanto mais é permitido ao homem penetrar nesses mistérios, maior deve ser a sua admiração pelo poder e a sabedoria do Criador. Mas, seja por orgulho, seja por fraqueza sua própria inteligência o torna frequentemente joguete da ilusão. Ele acumula sistemas sobre sistemas, e cada dia que passa mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades repeliu como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.”

O homem receber, fora das investigações da Ciência, comunicações de uma ordem mais elevada sobre aquilo que escapa ao testemunho dos sentidos, somente se Deus o julgar útil, pode revelar-lhe aquilo que a Ciência não consegue apreender.

Comentário de Kardec: “É através dessas comunicações que o homem recebe, dentro de certos limites o conhecimento de seu passado e do seu destino futuro.”