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domingo, 10 de janeiro de 2016

PERGUNTAS SOBRE AS EVOCAÇÕES - De O Livro dos Médiuns, Allan kardec.

283.PERGUNTAS SOBRE AS EVOCAÇÕES:
            1. Pode alguém evocar os Espíritos sem ser médium?
            — Todos podem evocar os Espíritos. Se os evocados não puderem manifestar-se materialmente, nem por isso deixam de se aproximar e ouvir o evocador.
            2. O Espírito evocado atende sempre ao chamado?
            — Isso depende das suas condições, porque há circunstâncias em que não pode fazê-lo.
            3. Quais as causas que podem impedi-lo?
            — Primeiro, a sua própria vontade; depois, o seu estado corpóreo, se estiver encarnado; as missões de que estiver encarregado, ou ainda a falta de permissão para tanto, que lhe pode ser negada. Há também Espíritos que não podem jamais se comunicar. São os que ainda pertencem, por sua natureza, a mundos inferiores a Terra.
Os que se encontram em globos de punição também não podem comunicar-se, a menos que tenham permissão superior, só concedida em caso de utilidade geral. Para que um Espírito possa comunicar-se é necessário que tenha atingido o grau de evolução do mundo em que é chamado, pois do contrário será estranho à cultura desse mundo e não disporá de meios de comparação para exprimir-se. Não se dá o mesmo com os que são enviados em missão ou expiação aos mundos inferiores, pois esses possuem a cultura necessária para responder.
            4. Por quais motivos pode ser negada a um Espírito a permissão de se comunicar?
            — Pode ser uma prova ou uma punição para ele ou para quem o chama.
            5. Como os Espíritos, dispersos no espaço ou em diversos mundos, podem ouvir as evocações que lhes são dirigidas de todos os pontos do Universo?
            — Freqüentemente são prevenidos pelos Espíritos familiares que vos cercam e que vão procurá-los. Mas ocorre nesse caso um fenômeno que é difícil de vos explicar, porque ainda não podeis compreender o modo de transmissão do pensamento entre os Espíritos. O que posso dizer é que o Espírito evocado, por mais distante que esteja, recebe por assim dizer o impulso do pensamento como uma espécie de choque elétrico, que chama a sua atenção para o lado de aonde vem o pensamento a ele endereçado. Podemos dizer que ele entende o pensamento, como na Terra entendeis a voz.
            — O fluido universal é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som?
            — Sim, com a diferença de que o som só pode ser ouvido num raio muito limitado, enquanto o pensamento atinge o infinito. O Espírito no espaço é como o viajante que, no meio de vasta planície, ouvindo subitamente o seu nome se dirige para o lado de onde o chamam.(12)
            6. Sabemos que as distâncias nada são para os Espíritos, mas nos admiramos de ver que respondem às vezes tão prontamente ao chamado como se estivessem bem próximos.
            — É que às vezes realmente estão. Se a evocação foi premeditada, o Espírito recebeu o aviso com antecedência e freqüentemente se encontra no lugar antes que o chamem.
            7. Conforme as circunstâncias, o pensamento do evocador será ouvido com maior ou menor facilidade?
            — Sem qualquer dúvida. O Espírito chamado com um pensamento de simpatia e benevolência é mais vivamente tocado. É como se reconhecesse uma voz amiga. Sem isso, acontece muitas vezes que a evocação não avança. O pensamento desferido pela evocação toca o Espírito, mas se é mal dirigido se perde no vácuo. Isso acontece também com os homens: se quem os chama não interessa ou lhes é antipático, eles podem ouvi-lo, mas na maioria das vezes não o atendem.
            8. O Espírito evocado se manifesta voluntariamente ou é constrangido a isso?
            — Ele obedece à vontade de Deus, o que quer dizer à lei geral que rege o Universo. Não obstante, constrangido não é o termo certo, porque ele julga se é conveniente atender e ainda nisso dispõe do livre-arbítrio. O Espírito superior atende sempre que o chamam com uma finalidade útil.Só se recusa a responder a reuniões de pessoas pouco sérias e que tratam disso por divertimento.
            9. O Espírito evocado pode negar-se a atender?
            — Perfeitamente. Onde estaria, sem isso, o seu livre-arbítrio? Achais que todos os seres do Universo estão às vossas ordens? E vós mesmos, acaso vos considerais obrigados a responder a todos os que pronunciam o vosso nome? Mas quando assim o digo, refiro-me ao chamado do evocador. Porque um Espírito inferior pode ser constrangido, por um superior, a se manifestar.(13)
            10. O evocador dispõe de algum meio para constranger o Espírito a atendê-lo?
            — Nenhum, se o Espírito é igual ou superior a ele em moralidade, — digoem moralidade e não em inteligência, — porque então não tem nenhuma autoridade. Se for inferior, poderá fazê-lo para o seu próprio bem, porque então outros Espíritos o ajudarão. (Ver nº 270).
            11. Será inconveniente evocar Espíritos inferiores e será de temer que eles dominem o evocador?
            — Eles só dominam os que se deixam dominar. Quem for assistido por Espíritos bons nada tem a temer, porque se impõe aos Espíritos inferiores e não estes a ele. Os médiuns quando sós, principalmente quando iniciantes, devem evitar essa espécie de evocações.(Ver nº 278)
            12. Há algumas disposições especiais para as evocações?
                     A disposição principal é a do recolhimento, quando se deseja a comunicação de Espíritos sérios. Com fé e o desejo do bem há maior capacidade para se evocar Espíritos superiores. Ao elevar a alma por alguns instantes de recolhimento, no momento da evocação, a gente se identifica com os Espíritos bons e os dispõe a se manifestarem.
            13. A fé é necessária para as evocações?
           — A fé em Deus, sim. Quanto ao mais, a fé se  desenvolverá com o desejo do bem e a intenção de instruir-se.
            14. Reunidos pela unidade de pensamentos e intenções os homens se tornam mais fortes para evocar os Espíritos?
             — Quando todos se reúnem pela caridade e para  o bem, consegue grandes coisas. Nada é mais nocivo para o êxito das evocações do que a divergência de pensamentos.
            15. É útil o hábito de formar corrente, dando-se as mãos por alguns minutos no começo das reuniões?
            — A corrente é um meio material que não produz a união entre vós se ela não existir nos pensamentos. Mais eficaz que essas coisas é a união num pensamento comum, apelando cada qual para os Espíritos bons. Não sabeis o que se poderia obter numa reunião séria, da qual se houvesse afastado sentimento de orgulho e de personalismo, reinando um perfeito sentimento de mútua cordialidade.
            16. É preferível fazer as evocações em dias e horas determinados?
            — Sim, e se possível no mesmo local. Os Espíritos então comparecem mais à vontade. A vossa constância ajuda os Espíritos a virem comunicar-se conosco. Eles têm as suas ocupações, que não podem deixar de repente para vossa satisfação pessoal. Quando digo no mesmo local não me refiro a uma obrigação absoluta, pois os Espíritos vão a toda parte. Quero dizer que é preferível um local consagrado às reuniões, porque o recolhimento se torna mais perfeito.
            17. Certos objetos,como medalhas e talismãs, têm a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos, como pretendem algumas pessoas?
              — Pergunta inútil, pois sabeis que a matéria não  exerce nenhuma ação sobre os Espíritos. Ficais certos de que jamais um Espírito bom aconselha semelhantes absurdos. A virtude dos talismãs, de qualquer natureza, só existe na imaginação das criaturas supersticiosas.
            18. Que pensai dos Espíritos que marcam encontros em lugares lúgubres e horas inconvenientes?
            — São Espíritos que se divertem com os que lhes dão ouvidos. É sempre inútil e freqüentemente perigoso ceder a essas sugestões. Inútil, porque nada absolutamente se ganha além de ser mistificado; perigoso, não pelo mal que os Espíritos possam fazer, mas pela influência que isso pode exercer nos cérebros fracos.
            19. Há dias e horas mais propícias para as evocações?
            — Para os Espíritos isso é completamente indiferente, como tudo o que é material, e seria supersticioso acreditar na influência dos dias e das horas. Os momentos mais propícios são aqueles em que o evocador esteja menos absorvido pelas suas preocupações habituais, em que o seu corpo e o seu espírito estejam mais calmos.
            20. A evocação é agradável ou penosa para os Espíritos? Eles atendem de boa vontade quando os chamamos?
            — Isso depende do seu caráter e do motivo porque o chamam. Quando o objetivo é louvável e o meio é simpático, a evocação se toma agradável e mesmo atrativa. Os Espíritos se sentem sempre felizes com os testemunhos de afeição. Há os que consideram uma grande felicidade poder comunicar-se com os homens e sofrem com o esquecimento destes. Mas, como já disse, isso também depende do seu caráter. Entre os Espíritos existem também os misantropos que não gostam de ser incomodados, cujas respostas se ressentem do seu mau humor, sobretudo quando chamados por criaturas que lhes são indiferentes, pelas quais não se interessam. Um Espírito não tem, muitas vezes, nenhum motivo para atender o apelo de um desconhecido que lhe é indiferente e que age quase sempre movido pela curiosidade. Nesse caso, se ele atende é geralmente em rápidas passagens, a menos que exista um objetivo sério e instrutivo na evocação.
            Observação de Kardec: Vemos pessoas que só evocam seus parentes para fazer perguntas sobre as coisas mais vulgares da vida material. Por exemplo: um para saber se alugará ou venderá a sua casa: outro, para indagar do lucro que obterá com sua mercadoria, qual o lugar onde há dinheiro escondido, se tal negócio será ou não vantajoso. Nossos parentes de além túmulo só se interessam por nós em razão da afeição que lhes conservamos. Se todos os nossos pensamentos se limitam a julgá-los feiticeiros, se só pensamos neles pedindo informações, não podem ter grande simpatia por nós e não devemos nos admirar de que nos demonstrem pouca benevolência.
            21. Há diferenças entre os Espíritos bons e maus no tocante à solicitude com que atendem ao nosso chamado?
              — Há, e muito grande. Os Espíritos maus só atendem de boa vontade quando esperam dominar e enganar; sentem viva contrariedade quando são forçados a se manifestar para confessar as suas faltas e procuram escapar, como o colegial que se chama para repreender. Podem ser constrangidos a manifestar-se por Espíritos superiores, como castigo e para instrução dos encarnados. A evocação é penosa para os Espíritos bons quando chamados inutilmente, por motivos fúteis. Então não atendem ou logo se retiram.
            Pode-se dizer que em geral os Espíritos, sejam quais forem, não gostam de servir, como vós, de distração para curiosos. Muitas vezes não tendes outro fim, ao evocar um Espírito, que o de ver o que ele vos dirá ou interrogá-lo sobre particularidades da sua vida que ele não se interessa por vos contar, pois não tem nenhum motivo para vos fazer de confidente. Pensais que vai se expor no banco dos réus para vos agradar? Desenganai-vos, pois o que ele não faria em vida, muito menos o fará como Espírito.
            Observação de Kardec: A experiência comprova que a evocação é sempre agradável para os Espíritos quando feita com um objetivo sério e útil. Os bons têm prazer em nos instruir. Os sofredores são aliviados com a simpatia que lhes demonstramos; os nossos conhecidos ficam satisfeitos com a nossa lembrança. Os Espíritos levianos gostam de ser evocados por pessoas frívolas, porque têm a oportunidade de se divertirem à sua custa: não se sentem bem na companhia de pessoas sérias.
            22. Os Espíritos necessitam da evocação para se manifestarem?
            — Não. Manifestam-se muito freqüentemente sem ser chamado, o que prova que o fazem de boa vontade.
            23. Quando um Espírito se manifesta por si mesmo podemos estar certos da sua identidade?
            — De maneira alguma, pois os Espíritos mistificadores o fazem com freqüência para melhor enganar.
            24. Quando evocamos um Espírito pelo pensamento ele nos atende, mesmo que não haja manifestação pela escrita ou de outra maneira?
            — A escrita é o meio material pelo qual o Espírito atesta a sua presença, mas é o pensamento que o atrai e não o ato de escrever.
            25. Quando um Espírito inferior se manifesta podemos obrigá-lo a se retirar?
            — Sim, não lhe dando ouvidos. Mas como quereis que se retire se vos divertis com as suas asneiras? Os Espíritos inferiores, como os tolos entre vós, se apegam aos que gostam de ouvi-los.
            26. A evocação em nome de Deus é uma garantia contra a intromissão dos Espíritos maus?
            — O nome de Deus não é um freio para todos os Espíritos perversos, mas segura muitos deles. Por esse meio sempre afastais alguns, e muitos mais afastareis se o pronunciardes do fundo do coração e não como fórmula banal.(14)
            27. Poderíamos evocar nominalmente muitos Espíritos ao mesmo tempo?
            — Não há para isso nenhuma dificuldade. Havendo três ou quatro mãos para escrever, três ou quatro Espíritos responderiam ao mesmo tempo. É o que acontece quando dispomos de muitos médiuns.
            28. Quando muitos Espíritos são evocados de uma vez, com um médium só, qual o que responde?
            — Um deles responde por todos e exprime o pensamento coletivo.
            29. O mesmo Espírito poderia comunicar-se ao mesmo tempo, na mesma sessão, por dois médiuns diferentes?
            — Tão facilmente como, entre vós, certos homens ditam muitas cartas de uma vez.
            Observação de Kardec: Vimos um Espírito responder ao mesmo tempo, por dois médiuns, às perguntas que lhe faziam, por um em francês e por outro em inglês, sendo idênticas às respostas quanto ao sentido, e algumas mesmo verdadeiras traduções literais.
            Dois Espíritos evocados simultaneamente por dois médiuns podem travar uma conversação. Não necessitando dessa forma de comunicação,desde que lêem reciprocamente seus pensamentos, assim o fazem para a nossa instrução. Se forem Espíritos inferiores, estando ainda imbuídos das paixões terrenas e das idéias que tiveram na vida corpórea, pode acontecer que briguem e troquem palavrões, que se acusem mutuamente e até mesmo que atirem os lápis,as cestas, as pranchetas, etc. um no outro.(15)
            30. O Espírito que é evocado ao mesmo tempo em muitos lugares pode responder simultaneamente às perguntas que lhe fazem?
            — Sim, se for um Espírito elevado.
              Nesse caso o Espírito se divide ou possui o dom da ubiqüidade?
            — O Sol é um só e no entanto irradia a sua luz por todos os lados, projetando os seus raios à distância sem se subdividir. Dá-se o mesmo com os Espíritos. O pensamento do Espírito é como uma estrela que irradia a sua claridade no horizonte e pode ser vista de todos os pontos. Quanto mais puro é o Espírito mais o seu pensamento irradia e se difunde como a luz. Os Espíritos inferiores são mais materiais, não podem responder a mais de uma pessoa de cada vez e não podem atender à nossa evocação se já foram chamados em outro lugar.
            Um Espírito superior, chamado ao mesmo tempo em dois lugares, atenderá às duas evocações se elas forem igualmente sérias e fervorosas. Em caso contrário, dará preferência a mais séria.(16)
            Observação de Kardec: Dá-se o mesmo com o homem que, de um mesmo lugar, pode transmitir seu pensamento por meio de sinais que são visíveis de várias direções. Numa sessão da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em que a questão da ubiqüidade estava em discussão,um Espírito ditou espontaneamente a comunicação seguinte:
 “Discutíeis sobre a hierarquia dos Espíritos quanto à ubiqüidade. Comprai-nos a um aeróstato que se eleva pouco a pouco no ar. Enquanto ainda rasteja na terra, só um pequeno círculo de pessoas pode vê-lo; à medida que se eleva o círculo se alarga e quando atinge certa altura é visto por uma infinidade de pessoas. O mesmo acontece conosco. Um Espírito mau, ainda apegado a terra, fica num círculo restrito de pessoas que o vêem. Eleve-se na graça, melhore-se e poderá conversar com muitas pessoas. Quando se tornar Espírito superior poderá irradiar como a luz solar, mostrar-se a muitas pessoas e em muitos lugares ao mesmo tempo. – CHANNING”.
            31. Os Espíritos puros,que já terminaram a série de suas encarnações, podem ser evocados?
             — Sim, mas muito raramente, pois só se  comunicam aos corações puros e sinceros, não aos orgulhosos e egoístas. Assim, é necessário desconfiar dos Espíritos inferiores que se arrogam essa qualidade para se fazerem mais importantes aos vossos olhos.
            32. Como se explica que os Espíritos de homens mais eminentes atendam tão facilmente, e de maneira tão familiar, ao chamado dos homens mais obscuros?
— Os homens julgam os Espíritos por si mesmos, o que é errado. Após a morte corporal as posições terrenas desaparecem. A única distinção entre os Espíritos é a da bondade, e os que são bons vão a todos os lugares onde possam fazer o bem.
            33. Quanto tempo depois da morte se pode evocar um Espírito?
            — Pode-se evocá-lo no próprio instante da morte, mas como então ele ainda se encontra em perturbação,só imperfeitamente pode responder.
            Observação de Kardec: Sendo muito variável a duração da perturbação, não se pode fixar um prazo para a evocação. Não obstante, é raro que o Espírito, depois de oito dias, não esteja suficientemente cônscio do seu estado para poder responder. Às vezes pode fazê-lo muito bem, dois ou três dias após a morte. É possível, em todos os casos, experimentar de maneira prudente.(17)
            34. A evocação no instante da morte é mais penosa para o Espírito do que mais tarde?
            — Algumas vezes. É como se vos fizessem levantar em meio do sono, sem estar completamente acordado. Não obstante há os que não se mostram de maneira alguma contrariados e aos quais a evocação até mesmo ajuda a saírem da perturbação.(18)
            35. Como pode o Espírito de uma criança, morta em tenra idade, responder conscientemente, se quando em vida corpórea ainda não tinha consciência de si mesma?
              A alma da criança é um Espírito ainda envolto nas faixas da matéria. Mas liberto da matéria goza das suas faculdades de Espírito, porque os Espíritos não têm idade. Isso prova que o Espírito da criança já viveu. Não obstante, até que esteja completamente liberto pode conservar na linguagem alguns traços do caráter da criança.(19)
            36. Pode-se evocar o Espírito de um animal?
            — O princípio inteligente que animava o animal fica em estado latente após sua morte. Os Espíritos encarregados desse trabalho imediatamente o utilizam para animar outros seres, através dos quais continuará o processo da sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos não há Espíritos errantes de animais, mas somente Espíritos humanos. Isto responde a vossa pergunta.(20)
            37. Como se explica então que certas pessoas tenham evocado animais e recebido respostas?
            — Evoque um rochedo e ele responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a falar sobre tudo.
            Observação de Kardec: É por essa mesma razão que se evocarmos um mito ou um personagem alegórico ele responderá.Isso quer dizer que responderão por ele. O Espírito que se apresentar em seu lugar tomará o seu aspecto e as suas maneiras. Alguém teve um dia à idéia de evocar Tartufo e ele logo se manifestou. E ainda mais, falou de Orgon,de Elmira, de Damis e Valéria, dando suas notícias. Quanto a  si mesmo, imitou Tartufo com tanta arte como se ele fosse um personagem real. Disse mais tarde ser um artista que havia desempenhado o papel. Os Espíritos levianos se aproveitam sempre da inexperiência dos interrogantes, mas evitam manifestar-se aos que sabem que podem descobrir as suas imposturas e não dariam crédito às suas estórias.É o mesmo que acontece entre os homens.
       Um senhor tinha em seu jardim um ninho de pintassilgos, pelos quais se interessava muito. Certo dia o ninho desapareceu. Seguro de que ninguém de sua casa cometera o delito, e sendo médium, teve a idéia de evocar a mãe dos passarinhos. Ela se comunicou e lhe disse em excelente francês: “Não acuses a ninguém e tranqüiliza-te quanto à sorte dos meus filhinhos. Foi o gato que saltou e derrubou o ninho. Poderás encontrá-lo sob a relva, juntamente com os filhotes que não foram comidos”. Indo verificar, encontrou tudo certo. Devemos concluir que foi a ave quem respondeu? Claro que não, mas simplesmente que um Espírito conhecia a história. Isso mostra quanto devemos desconfiar das aparências: evoca um rochedo e ele te responderá. (Ver o capítulo sobre Mediunidade nos animais, nº 234).(21)   

QUAL A UTILIDADE DAS EVOCAÇÕES VULGARES?

QUAL A UTILIDADE DAS EVOCAÇÕES VULGARES


As comunicações dos Espíritos superiores ou dos que animaram grandes personagens da Antiguidade são valiosas por seus elevados ensinamentos. 
Esses Espíritos atingiram um grau de perfeição que lhes permite abranger mais amplo círculo de idéias, desvendar mistérios que ultrapassam as possibilidades humanas e iniciar-nos assim, melhor do que outros, em certas questões. Mas isso não quer dizer que as comunicações dos Espíritos de ordem menos elevada sejam inúteis, pois o observador pode instruir-se com elas. Para conhecer os costumes de um povo é necessário estudá-lo em todas as suas camadas. Quem apenas o observar num dos seus aspectos o conhece mal. A história de um povo não é a dos seus reis ou dos seus expoentes sociais. Para julgá-lo é necessário pesquisar a sua vida íntima, os seus hábitos particulares. Ora, os Espíritos superiores são os expoentes do mundo espírita, sua própria elevação coloca-os de tal  maneira acima de nós que nos assombramos com a distância que os separam de nós.
            Os Espíritos mais burgueses (que nos revelem esta expressão) nos tornam mais palpáveis as condições de sua nova existência. A ligação entre a vida corpórea e a vida espírita é neles mais estreita e podemos compreendê-la melhor, porque nos toca mais de perto. Aprendendo por eles mesmos o processo de sua transformação, como pensam e o que experimentam os homens de todas as condições e de todos os caracteres, os homens de bem e os viciosos, os grandes e os pequenos, os felizes e os infelizes do nosso próprio século, numa palavra: os que viveram entre nós, que vimos e conhecemos, cuja vida real pudemos conhecer com suas virtudes e seus erros, compreendemos melhor suas alegrias e seus sofrimentos, partilhamos de umas e de outros e tiramos de ambos o ensino moral. Este ensino é tanto mais proveitoso quanto mais íntimas forem as ligações entre eles e nós. É mais fácil nos colocarmos no lugar daquele que foi nosso igual do que de outro que apenas vemos através da miragem de uma glória celestial. Os Espíritos vulgares nos mostram o resultado prático das grandes e sublimes verdades de que os Espíritos superiores nos dão a teoria. Aliás, no estudo de uma ciência nada é inútil. Newton descobriu a lei das forças universais no mais simples fenômeno.
A evocação dos Espíritos vulgares tem ainda a vantagem de nos pôr em relação com os Espíritos sofredores, aos quais podemos aliviar e cujo adiantamento podemos facilitar com bons conselhos. Assim, podemos ser úteis ao mesmo tempo em que nos instruímos. Há egoísmo em só procurar a própria satisfação nas relações com os Espíritos. Aquele que deixa de estender a mão aos desgraçados dá prova de orgulho. De que lhe serve obter belas comunicações de Espíritos elevados, se isso não o torna melhor, mais caridoso e mais benevolente para os seus irmãos deste e do outro mundo? Que seria dos pobres doentes se os médicos se recusassem a lhes tocar as chagas?
           
De O Livro dos Mediuns de Allan Kardec

QUE TIPO DE LINGUAGEM DEVE-SE USAR COM OS ESPÍRITOS?


QUE TIPO DE LINGUAGEM DEVE-SE USAR COM OS ESPÍRITOS?


O grau de superioridade ou de inferioridade dos Espíritos indica naturalmente o tom em que se lhes deve falar.
É evidente que quanto mais elevados, mais merecem o nosso respeito, a nossa consideração e a nossa submissão. Não devemos tratá-los com menos deferência do que o faríamos se estivessem vivos, mas por outros motivos: na vida terrena consideraríamos o seu cargo e a sua posição social; no mundo dos Espíritos só temos de respeitar a sua superioridade moral. Essa própria elevação os coloca acima das puerilidades das nossas formas bajulatórias.
 Não é com palavras que podemos conquistar-lhes a benevolência, mas pela sinceridade dos sentimentos. Seria ridículo, portanto, dar-lhes os títulos que usamos na distinção das posições e que em vida poderiam agradar-lhes a vaidade. Se forem realmente superiores, não somente não ligam a isso mas até se desagradam. Um bom pensamento os agrada mais do que os títulos mais lisonjeiros. De outra maneira eles não estariam acima da Humanidade. O Espírito de um venerável sacerdote, que foi na Terra um príncipe da Igreja, homem de bem, praticante do ensino de Jesus, respondeu a quem o evocava pelo título de monsenhor. “Devias pelo menos dizer ex-monsenhor, pois aqui só há um Senhor que é Deus. É bom saber que vejo aqui os que se ajoelhavam diante de mim na Terra e diante deles me inclino”.(6)
No tocante aos Espíritos inferiores, seu próprio caráter determina a linguagem que devemos empregar. Há entre eles os que, embora inofensivos e até mesmo benévolos, são levianos, ignorantes, estouvados. Tratá-los igual aos Espíritos sérios, como o fazem algumas pessoas, seria o mesmo que nos inclinarmos diante de um escolar ou perante um asno com barrete de doutor. O tom familiar não lhes causa estranheza e nem os melindra; pelo contrário, é o que lhes agrada.
             Entre os Espíritos inferiores há os que são infelizes. Sejam quais forem às faltas que expiam, seus sofrimentos merecem tanto mais a nossa piedade, quanto ninguém escapa a estas palavras do Cristo. “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”. A benevolência com que os tratamos é um consolo para eles. Na falta de simpatia, que encontrem em nós a indulgência que desejaríamos para nós mesmos.
            Os Espíritos que demonstram a sua inferioridade pelo cinismo da linguagem, pelas mentiras, pelos sentimentos baixos e os conselhos pérfidos são certamente menos dignos do nosso interesse do que aqueles cujas palavras atestam o seu arrependimento, mas devemos tratá-los pelo menos com a piedade que nos inspiram os grandes criminosos. O meio de os reduzir ao silêncio é nos mostrarmos superiores a eles, pois só estabelecem intimidade com pessoas de que nada tenham a temer. Porque os Espíritos perversos reconhecem a superioridade dos homens de bem, como reconhecem a dos Espíritos superiores.   
            Em resumo: seria irreverente tratarmos os Espíritos superiores de igual para igual, como seria ridículo dispensarmos a todos, sem exceção, a mesma deferência.
Tenhamos veneração pelos que a merecem, reconhecimento pelos que nos protegem e assistem, e para todos os outros a benevolência de que talvez nós mesmos necessitemos um dia. Descobrindo o mundo incorpóreo aprendemos a conhecê-lo e esse conhecimento deve regular as nossas relações com os seus habitantes. Os Antigos, na sua ignorância, levantaram altares a eles. Para nós, não passam de criaturas mais ou menos perfeitas e só elevamos altares a Deus.    
 

domingo, 18 de outubro de 2015

Conheçam os meios de conhecer as qualidades dos Espíritos, segundo São Luis.- de O Livro dos Médiuns, Allan KArdec


 Conheçam os meios de conhecer as qualidades dos Espíritos,
 segundo São Luis

Repetimos que este é o único meio, mas é infalível porque não existe comunicação má que resista a uma crítica rigorosa Os Espíritos bons jamais se ofendem, pois eles mesmos nos aconselham a proceder assim e nada têm a temer do exame. Somente os maus se melindram e procuram dissuadir-nos, porque têm tudo a perder. E por essa mesma atitude provam o que são.
Eis o conselho dado por São Luís a respeito:
“Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente aos vos entregar aos estudos: a de pensar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controle da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião”.
  Podemos resumir os meios de reconhecer a qualidade dos Espíritos nos seguintes princípios:
1º) Não há outro critério para se discernir o valor dos Espíritos senão o bom senso. Qualquer fórmula dada pelos próprios Espíritos, com esse fim, é absurda e não pode provir de Espíritos superiores.
2º) Julgamos os Espíritos pela sua linguagem e as suas ações. As ações dos Espíritos são os sentimentos que eles inspiram e os conselhos que dão.
3º) Admitido que os Espíritos bons só podem dizer e fazer o bem, tudo o que é mau não pode provir de um Espírito bom.
4º) A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam, não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares é sempre algum reflexo das paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência, arrogância, fanfarronice, mordacidade é sinal característico de inferioridade. E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.
5º) Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, mas sondar-lhes o íntimo, analisar suas palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Toda falta de lógica, de razão e de prudência não pode deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome de que o Espírito se enfeite.
6º) A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, se não quanto à forma, pelo menos quanto à substância. As idéias são as mesmas, sejam quais forem o tempo e o lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidas segundo as circunstâncias, as dificuldades ou facilidade de se comunicar, mas não serão contraditórias. Se duas comunicações com o mesmo nome se contradizem, uma das duas é evidentemente apócrifa. A verdadeira será aquela que nada desminta o caráter conhecido do personagem., Entre duas comunicações assinadas, por exemplo, por São Vicente de Paulo, uma pregando a união e a caridade e outra tendendo a semear a discórdia, não há pessoa sensata que possa enganar-se.
7º) Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar coma verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido.
8º) Os Espíritos levianos são ainda reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. Todo anúncio de acontecimento para uma época certa é indício de mistificação. 
9º) Os Espíritos superiores se exprimem de maneira simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das ideias e das expressões, claro, inteligível a todos, não exigindo esforço para a compreensão. Eles possuem a arte de dizer muito em poucas palavras, porque cada palavra tem o seu justo emprego. Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empolgadas o vazio das idéias. Sua linguagem é freqüentemente pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretexto de parecer profunda.
10º) Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição.
São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara.
11º) Os Espíritos bons não fazem lisonjas. Aprovam o bem que se faz, mas sempre de maneira prudente. Os maus exageram nos elogios, excitam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles que desejam conquistar.
12º) Os Espíritos superiores mantêm-se, em todas as coisas, acima das puerilidades formais. Os Espíritos vulgares são os únicos que podem dar importância a detalhes mesquinhos, incompatíveis com as idéias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e mistificação de parte de um Espírito que toma um nome pomposo.
13º) Devemos desconfiar dos nomes bizarros e ridículos usados por certos Espíritos que desejam impor-se à credulidade. Seria extremamente absurdo tomar esses nomes a sério.
14º) Devemos igualmente desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes bastante venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem. Nesses casos, sobretudo, é que um controle se torna indispensável. Porque é freqüentemente a máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações íntimas com Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do médium e se aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.
15º) Os Espíritos bons são muito escrupulosos no tocante às providências que podem aconselhar. Em todos os casos têm apenas em vista um fim sério e eminentemente útil. Devemos pois encarar como suspeitas todas aquelas que não tenham esse caráter ou sejam condenáveis pela razão, refletindo maduramente antes de adotá-las, pois do contrário nos exporemos a mistificações desagradáveis.
16º) Os Espíritos bons são também reconhecíveis pela sua prudente reserva no tocante às coisas que possam comprometer-nos. Repugna-lhes desvendar o mal. Os Espíritos levianos ou malfazejos gostam de expô-lo. Enquanto os bons procuram abrandar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a discórdia por meio de pérfidas insinuações.
17º) Os Espíritos bons só ensinam o bem. Toda máxima, todo conselho que não for estritamente conforme a mais pura caridade evangélica não pode provir de Espíritos bons.
18º) Os Espíritos bons só dão conselhos perfeitamente racionais. Toda recomendação que se afaste da linha reta do bom senso ou das leis imutáveis da Natureza acusa a presença de um Espírito estrito e portanto pouco digno de confiança.
19º) Os Espíritos maus ou simplesmente imperfeitos ainda se revelam por sinais materiais que a ninguém poderão enganar. A ação que exercem sobre o médium é às vezes violenta, provocando movimentos bruscos e sacudidos, uma agitação febril e convulsiva que contrasta com a calma e a suavidade dos Espíritos bons.
20º) Os Espíritos imperfeitos aproveitam-se freqüentemente dos meios de comunicação de que dispõem para dar maus conselhos. Excitam a desconfiança e a animosidade entre os que lhes são antipáticos. Principalmente as pessoas que podem desmascarar a sua impostura são visadas pela sua maldade.
As criaturas fracas, impressionáveis, tornam-se alvo do seu esforço para levá-las ao mal. Usam sucessivamente os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até as provas materiais do seu poder oculto para melhor convencê-las, empenhando-se em desviá-las do caminho da verdade.
21º) Os Espíritos dos que tiveram, na Terra, umas preocupações exclusivas, materiais ou morais, se ainda não conseguiram libertar-se da influência da matéria continuam dominados pelas idéias terrenas. Carregam parte dos preconceitos, das predileções e até mesmo das manias que tiveram aqui. Isso é fácil de se reconhecer pela sua linguagem.
22º) Os conhecimentos de que certos Espíritos muitas vezes se enfeitam, com uma espécie de ostentação, não são nenhuns sinais de superioridade. A verdadeira pedra de toque para se verificar essa superioridade é a pureza inalterável dos sentimentos morais.
23º) Não basta interrogar um Espírito para se conhecer a verdade. Devemos, antes de tudo, saber a quem nos dirige. Porque os Espíritos inferiores, pela sua própria ignorância, tratam com leviandade as mais sérias questões. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem para possuir no mundo espírita a soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e ampliar os seus conhecimentos.
24º) Os gracejos dos Espíritos superiores são muitas vezes sutis e picantes, mas nunca banais. Entre os Espíritos zombeteiros, mas que não são grosseiros, a sátira mordaz é feita quase sempre muito a propósito.
25º) Estudando-se com atenção o caráter dos Espíritos que se manifestam, sobretudo sob o aspecto moral, reconhece-se a sua condição e o grau de confiança que devem merecer. O bom senso não se enganará.
26º) Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é necessário antes saber julgar-se a si mesmo. Há infelizmente muita gente que toma a sua própria opinião por medida exclusiva do bem e do mal, do verdadeiro e do falso, Tudo o que contradiz a sua maneira de ver, as suas idéias, o sistema que inventaram ou adotaram é mau aos seus olhos. Falta a essas criaturas, evidentemente, a primeira condição para uma reta apreciação: a retidão do juízo. Mas elas nem o percebem. Esse o defeito que mais enganos produz.(8)
Todas estas instruções decorrem da experiência e do ensino dos Espíritos. Completamo-las com as próprias respostas dadas por eles a respeito dos pontos mais importantes.


Como distinguir entre os Espíritos Bons e Maus? - de O Livro dos Médiuns, Allan Kardec


Como distinguir entre os Espíritos Bons e Maus?

Se a perfeita identificação dos Espíritos é, em muitos casos, uma questão secundária, sem importância, não se dá o mesmo com a distinção entre os Espíritos bons e maus. Sua individualidade pode ser-nos indiferente, mas a sua qualidade jamais
Em todas as comunicações instrutivas é sobre esse ponto que devemos concentrar nossa atenção, pois só ele pode nos dar a medida da confiança que podemos ter no Espírito manifestante, seja qual for o nome com que se apresente.
 O Espírito que se manifesta é bom ou mau? A que grau da escala espírita pertence? Essa a questão capital. (Ver Escala Espírita no item 100 de O Livro dos Espíritos)
Julgamos os Espíritos, já o dissemos, pela linguagem, como julgamos os homens.
Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que não conhece. Pelo estilo, pelas ideias, por numerosos indícios julgará quais são as instruídas e quais as ignorantes, educadas ou sem educação, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais etc. Acontece o mesmo com os Espíritos. 
Devem considerá-los como correspondentes que nunca vimos e perguntar o que pensaríamos da cultura e do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse aquelas coisas. Podemos tomar como regra invariável e sem exceção que a linguagem dos Espíritos corresponde sempre ao seu grau de elevação.
Os Espíritos realmente superiores não se limitam apenas a dizer boas coisas, mas as dizem em termos que excluem absolutamente qualquer trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se forem manchadas por única expressão de baixeza temos um sinal indubitável de inferioridade. E com mais forte razão se o conjunto da comunicação ferir as conveniências por sua grosseria.
 A linguagem revela sempre a sua origem, seja pelo pensamento ou pela forma. Assim, mesmo que um Espírito quisesse enganar-nos com a sua pretensa superioridade, bastaria conversamos algum tempo com ele para o julgarmos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Moralidade e Obsessão - Do Livro dos Espíritos, Allan Kardec

   Moralidade e Obsessão

 252. As imperfeições morais do obsedado são freqüentemente um obstáculo à sua libertação. Eis um notável exemplo, que pode servir para a instrução de todos.
            Desde alguns anos que várias irmãs vinham sendo vítimas de atos estranhos de depredação. Suas roupas eram continuamente espalhadas por todos os cantos da casa e até mesmo pelo telhado. Eram rasgadas, cortadas e crivadas de furos, por mais cuidados que tivessem em guardá-las sob chaves. Essas senhoras, isoladas numa pequena cidade provinciana, jamais tinham ouvido falar de Espiritismo. A primeira ideia que tiveram foi, naturalmente, a de estarem sendo vítimas de brincadeiras de mau gosto. Mas a persistência dos fatos e as precauções que tomavam afastaram essa ideia.
            Só muito tempo depois, graças a algumas indicações, achou que devia dirigir-se a nós, procurando saber à causa desses transtornos e os meios, se possível, de lhes dar um fim.
A causa estava bem clara, mas o remédio era mais difícil. O Espírito que assim se manifestava era evidentemente malfazejo. Mostrou-se, na evocação, de grande perversidade e inacessível aos bons sentimentos. A prece, porém, parecia exercer sobre ele uma boa influência. Mas após algum tempo de descanso, as depredações recomeçaram. Eis a respeito o conselho dado por um Espírito superior:
            O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos seus Espíritos protetores que não as abandonem. E eu não tenho melhor conselho a lhes dar do que o de mergulharem na própria consciência para se confessarem consigo mesmas, examinando se praticaram sempre o amor ao próximo e a caridade. 
Não me refiro à caridade que dá e distribui, mas à caridade da língua. Porque infelizmente elas não sabem contê-la, e por outro lado não justificam, por seus atos piedosos, o desejo de se livrarem de quem as atormenta. Gostam bastante de falar mal do próximo e o Espírito que as obseda tira a sua desforra, porque em vida foi para elas um bode expiratório. Basta-lhes sondar a memória para logo descobrirem com quem estão lidando.
            Entretanto, se chegarem a melhor, seus anjos da guarda voltarão para elas e sua presença será suficiente para afastar o Espírito mau, que se apegou sobretudo a uma delas porque o seu anjo da guarda teve de afastar-se, diante dos seus atos repreensíveis ou dos seus maus pensamentos. O que elas precisam é de fazer preces fervorosas pelos que sofrem, e acima de tudo praticar as virtudes que Deus recomenda a cada um, segundo a sua condição.
            À observação de que essas palavras nos pareciam um pouco severas, e que talvez se devesse abrandá-las para a transmitir o Espírito acrescentou:
            Eu tenho a dizer isso que disse e como disse, porque as pessoas em causa acostumou-se a pensar que não fazem nenhum mal pela língua, quando na verdade o fazem e muito. Eis porque é necessário chocar-lhes o espírito de maneira que isso lhes sirva de séria advertência.
            Disso resulta um ensinamento de grande alcance, o de que as imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem. 
Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas aqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para melhorarem. 
Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim.
          ndo, portanto que é preciso conhecer a fundo o problema colocado pelo Espiritismo. (N. do T.)