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sábado, 18 de outubro de 2014

O perdão no lar- Livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes

O perdão no lar

Cultivar o perdão no ambiente doméstico é capacitar-se para a convivência social plena. Só cresce quem sabe perdoar e abre o coração em acolhimento ao outro.

As relações podem gerar mágoas quando criamos expectativas para o comportamento dos outros. Essas mágoas vão se acumulando ao longo da Vida, são fomentadoras e geradoras de complexos e passíveis de serem somatizadas, apresentando-se como doenças.

Quando identificarmos atitudes realmente arbitrárias contra nós, devemos, para que se evite a mágoa, tentar compreender que também poderíamos ser capazes de cometer o mesmo equívoco da pessoa que nos atinge.

Importante lembrar que aquilo, que nos incomoda na atitude do outro, muitas vezes é decorrente da conexão que acontece entre aquele ato e algo em nosso psiquismo inconsciente ainda não resolvido. 

Provavelmente existem situações gravadas em nós que provocaram mágoa e raiva em alguém. Esses registros arquivados em nossa mente decorrem de várias experiências vividas nas existências reencarnatórias e que necessitam de atenção.

O complexo é um núcleo psíquico inconsciente que contém resíduos de experiências que se associam por semelhança de idéias, pensamentos e sentimentos em torno de um ou mais arquétipos.

Perdoar é doar mais, isto é, não se permitir abrigar o egoísmo que só vê a si mesmo, compreendendo o equívoco do outro. Quem ama realmente não precisa ter de perdoar, pois, desde que percebeu o equívoco do outro, viu-lhe a ingenuidade e a ignorância das leis de Deus e passou a buscar uma forma de ajudá- lo a entender seu equívoco. 

O cultivo do perdão começa na medida que se busca o reequilíbrio após discussões domésticas típicas do estresse e da falta de diálogo e sempre que se deixa de transferir responsabilidades para os outros. 

É comum buscar-se um culpado e isso é fomentador de revoltas, de sentimentos contaminados e de novas discussões. 

O perdão liberta o outro da culpa permitindo-lhe refletir sobre os acontecimentos que geraram as discussões. 

Abre-lhe o coração para o entendimento de si mesmo e do outro. 

Todas as experiências em família que geraram culpas merecem ser revistas para que não se formem núcleos fomentadores de discórdias nem se ampliem antigos carmas negativos. 

Fundamental que o senso de justiça das pessoas acolha a misericórdia. Sem ela as relações passam a se basear na ‘causa e efeito’ que sugere o ‘olho por olho dente por dente’. 

A misercórdia é a presença de Deus na chamada ‘lei’ de causa e efeito. Tal ‘lei’, que não se fundamenta no amor, é apenas uma expres- são, a qual nos deve levar apenas à compreensão da lei de retor- no a uma nova encarnação.

 É a misericórdia que nos liberta da experiência culposa pela ação do perdão. O perdão sugere a compaixão. Ela deve estar sempre presente quando dirigirmos o olhar sobre o outro que se encontra em equívoco ou em desequilíbrio de qualquer natureza. 

A compaixão nos permite abrir a mente e o coração simultaneamente para a empatia com o outro, fazendo-nos vibrar numa freqüência que nos aproxima de Deus. 

Quando falamos em carma queremos que se entenda como uma ação e não como algo pesado e negativo. É uma palavra que deve nos levar à consciência da reencarnação e que pode ser,depois de ocorrido, modificado de acordo com o livre-arbítrio de cada um. 

Nenhum carma é definitivo como nenhuma ação terá suas conseqüências rigidamente pré-determinadas. É necessário que não se adie o diálogo que se queira e deva ter com alguém para se sanar conflitos. 

Quanto mais se demora em solucionar um conflito, mais se pretende ter a razão. Isso promove a espera de que o outro tome a iniciativa, fazendo com que o orgulho apareça. 

Para que o perdão realmente ocorra é preciso remover velhas feridas que ainda sangram no coração promovendo a mágoa. 

Antigas desavenças, velhas inimizades, ódios não aplacados, devem ser, em face do perdão, removidos para que o amor seja sentido em plenitude.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Valores no lar- Livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes

Valores no lar

Quais os valores que devem nortear a formação de um lar? Aqueles oriundos da religião? Os das tradições familiares vindos dos avós maternos ou paternos? Os do pai? Os da mãe? Os do meio social? Aqueles adquiridos nos livros e filmes televisivos? 

Talvez devamos escutar mais o coração e perceber que ele contém uma mensagem divina, gravada pelo Criador da Vida ao nos fazer existir. Raramente conseguimos escutá-la por estarmos demasiadamente ligados ao mundo externo.

Ouvimos muitos sons, prestamos atenção ao mundo para poder dominá-lo, ouvimos as pessoas para compreendê-las, ouvimos nossos pensamentos para ordená-los, mas dificilmente aprendemos a escutar o que vem de nosso íntimo, do coração.

Dali partem as intuições que nos elevam e nos fazem divinos. É de lá que vem a mensagem e os valores que devem nortear nossa caminhada evolutiva. Foi dali que o Cristo retirou sua mensagem de amor. 

Escutar esse canto divino pressupõe silêncio, humildade e confiança. A cada momento, em cada segundo de nossa vida ele envia um pulso que permite-nos enxergar melhor o mundo, nos fortalecendo para os desafios que ele promove. 

Os valores que devem ser utilizados pelo espírito em suas experiências evolutivas devem conter aqueles que nos legaram nossos antepassados, os que adquirimos no convívio social, os que admitimos pelas relações que estabelecemos com alguém, mas devem receber, sobretudo, o que vem do coração como um recado direto de Deus ao ser humano individualmente.

As religiões nos oferecem importantes balizas orientadoras que nos auxiliam, sobretudo nos momentos de tempestades íntimas. São valiosas contribuições àqueles que necessitam vivenciar aquilo que lhe é sagrado.

Os que se pautam pelas diretrizes luminosas de uma religião devem, dia-a-dia, acrescentar-lhes aquelas que lhe vêm do coração para que se elevem ainda mais. 

O maior valor que se deve vivenciar no lar e passar adiante aos filhos é a amorosidade para com os outros, para com a vida, para consigo mesmo e para com Deus.

A sociedade está sempre em mudança de costumes e de valores. Não é diferente na família. Ela passa por transformações mais sutis que aquelas que percebemos na sociedade, cujos meios de comunicação conseguem nos mostrar com mais evidência. 

Evoluímos da sociedade tribal, na qual a família vivia para o grupo e não tinha sua identidade, para a urbana que também passa pelo desaparecimento de um status.

No período medieval europeu pode-se notar uma certa conquista de identidade em função da distinção entre nobres e plebeus, mas na idade moderna via-se o declínio da tradição calcada no nome e na riqueza.

 A família hoje se constitui mais pela atração entre as pessoas do que pela necessidade de transmitir valores de um deter- minado clã para seus descendentes.

Os problemas de relacionamento, de afetividade, de poder e financeiros são a tônica do mundo moderno.

 Os valores a serem passados aos filhos estão em segundo plano ou em nenhum. 

A família é o campo de entrada do espírito pelas portas da reencarnação na vida material. Nela ele irá desempenhar papéis importantes para sua vida psíquica e para sua evolução.

Sua mente irá lembrar e consolidar estruturas psicológicas de relevância para sua existência no corpo físico. Com ela o espírito se insere na vida social o que o fará concorrer para o progresso da humanidade. Dessa forma ele se sentirá responsável pelo progresso que ele mesmo experimenta.

Na família o espírito evita o isolamento que contribui para o egoísmo e para a não utilidade da reencarnação, visto que o convívio social proporciona o progresso da humanidade e o aperfeiçoamento pessoal.

Para Deus não há sacrifício necessário que possa ser maior do que o espírito fazer o bem que esteja a seu alcance. O bem para si e para a sociedade. 

É na família que o espírito inicia seu processo de auto-ajuda e de colaboração com o progresso social. É em família que o espírito recicla suas emoções e aprende a reconhecê-las como instrumento precioso para sua evolução. Evolui quem aprende a lidar com elas.  

Não há um espírito igual a outro como não existe outro Deus se não a inteligência suprema do Universo. Somos singularidades de Deus, gerados pelo seu amor. Existimos para alcançarmos a perfeição. Até lá muitas etapas serão vencidas e muitos desafios ultrapassados. Todos eles através da internalização da capacidade de amar. 

Nascemos para a própria glória e para a construção do amor no Universo como a Realização de Deus. Porém, essa glória não se encontra nos lugares de destaque da sociedade nem nos registros de imóveis dos cartórios, nem tampouco nos valores das contas bancárias. Ela se realiza na intimidade do lar que representará o troféu de vitória de quem o constrói. 

Certos valores devem ser consolidados em cada pessoa e estabelecidos como normas de convivência para que se alcance o lar desejado. 

Valores que não estarão escritos nem precisarão ser verbalizados, visto que se encontram no coração de cada um. 

Existem princípios consagrados pela sociedade e inscritos nos códigos religiosos da humanidade que podem nos ser úteis para determinação de tais valores. Princípios como o amor, a caridade, a fé, a fraternidade e a paz são fundamentais e básicos para a compreensão dos reais valores. 

Do amor podemos alcançar o sentimento de respeito ao outro. Toda pessoa que se sente respeitada por alguém tem consciência de pertencimento e identidade. Quanto mais respeitamos as pessoas como filhos de Deus, por mais imerecedoras que possam parecer, estaremos contribuindo para o fortalecimento do amor.

Da caridade podemos estabelecer o valor da doação que será fundamental para a conquista da amizade do outro. Quanto mais pudermos renunciar em favor de alguém mais conquistaremos essa pessoa. 

Ceder é o princípio que permite a conquista de alguém. Todo ser humano é grato a outro quando percebe neste outro um ato de renúncia em favor de sua felicidade, pois assim a gratidão é despertada.

Da fé podemos extrair a crença no ser humano como capaz de superar seus limites e vencer desafios. Acreditar na capacidade das pessoas auxilia a que elas confiem em si mesmas. As pessoas precisam ser acreditadas, pois assim estimulam o potencial de realização que naturalmente têm. 

Da fraternidade extraímos a aproximação e o maior contato com o mundo do outro, no sentido de auxiliar sua compreensão da Vida. Quanto mais nos aproximamos das pessoas, respeitando sua privacidade, mais podemos nos mostrar filhos de um mesmo Pai, irmãos em humanidade. 

Da paz extraímos a capacidade de ouvir o outro. Ouvir as pessoas significa dar-lhes o direito de se mostrarem e de fazer parte de nosso mundo. Cada vez mais as pessoas querem falar, porém cada vez menos encontramos escutadores. Escutar é sair de si e destinar a atenção ao outro. 

Além dos valores que a sociedade nos oferece devemos cultivar o respeito, a doação, a crença no outro, a aproximação e a audição ao próximo.  

Os valores que passamos àqueles que convivem conosco na família não se transmitem apenas pelas palavras que lhes dirigimos ou atos que praticamos, mas principalmente, pelo que não falamos e pelo que não fazemos. 

O que sentimos e pensamos das pessoas à nossa volta, e que não traduzimos em palavras, manifesta-se pelas expressões corporais e, invisivelmente, pelas conexões que se estabelecem mente a mente, não obedecendo às barreiras condicionadas pela matéria e pelo ego.

Portanto, o que falamos, fazemos e sentimos, alcança aqueles com quem nos relacionamos, mas os sentimentos se tornam mais relevantes por serem transmitidos de forma inconsciente, em virtude de nos ligarmos uns aos outros pelas imperceptíveis e sutis vibrações do Espírito.

Emitir bons pensamentos, desejar paz e equilíbrio para alguém não é apenas um exercício para o ego que deseja seu próprio bem estar, mas uma emissão psíquica que alcança a outra pessoa onde quer que se encontre. Da mesma forma, a oração sentida alcança seu objetivo quando se destina em favor de alguém. Neste caso, o benefício é duplo, pois enriquece quem a faz e a pessoa para qual foi destinada.

 Cada transformação no indivíduo, que implique em aquisição de valores espirituais profundos, promove uma melhoria em sua vibração pessoal. 

Essa vibração mental pessoal se constitui numa marca individual que se torna automaticamente perceptível aos espíritos desencarnados e, sutilmente, às pessoas em geral. 

O que se passa dentro das quatro paredes onde vive uma família a ela pertence. Quando algum assunto necessite extrapolar seus limites, o motivo deve ser para o equilíbrio e a manutenção do lar. 

Todas as vezes que deixamos que entrem ou saiam assuntos que não levem em consideração a harmonia do lar estaremos abrindo flancos perigosos para os ataques psíquicos. 

Um lar é um campo de amor onde devem vibrar os sentimentos de seus indivíduos. Ali deve se tornar um lugar sagrado no qual a entrada de outras vibrações deve ser examinada para que nada possa contaminar o equilíbrio do conjunto.

 A maledicência, a revolta, o ódio, bem com as lembranças de experiências que tragam sentimentos aversivos e contrários aos valores do lar devem ser tidos como danosos. Precisam ser tratados com cuidado e com o necessário equilíbrio para não se tornar lugar comum na família.

O campo do lar é pouso e, às vezes, morada de bons espíritos que encontram um refúgio para que possam proporcionar o bem entre os encarnados. 

Valorizá-lo como uma importante célula no organismo social é dever de quem o constituiu. Quanto mais assim o fizermos, mais estaremos seguros e no caminho adequado à nossa evolução espiritual.

Cada um de nós sempre encontra justificativas para evitarmos assumir responsabilidades quando o desequilíbrio se instala numa família. 

No ambiente familiar, quando alguém se apresenta doente ou em desequilíbrio, todos aqueles que convivem com aquela pessoa, de alguma forma, tornam-se co-responsáveis pelo encontro de soluções que visem restabelecer a paz e a harmonia ao conjunto. 

Manter psiquicamente um lar é tarefa que exige esforço, renúncia e abnegação. Não há vitória possível sem luta interna, sem esforço pessoal e sem doação de amor.

Um olhar amoroso sobre o mal do outro- Livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes


Um olhar amoroso sobre o mal do outro

O olhar moral enviesado sobre o mundo pode nos afastar da visão de totalidade e da percepção do significado espiritual pleno da vida. 
Tanto quanto o viés permissivo sobre o mundo, assim como o olhar pesado e pecaminoso que se tenha, contribuem para o atraso moral do planeta.

Nem sempre nosso estado de espírito permite-nos a percepção desejada quando observamos as atitudes humanas. 

Quando nos detemos na análise, por exemplo, de um vício de alguém e o fazemos numa perspectiva moralista, vendo-o como um mal em si, desconectado da totalidade existencial do indivíduo, poderemos atingir somente a superficialidade do problema.

Além da consideração do vício, que é considerado como um ‘mal’, há a qualidade evolutiva do espírito que a ele se escraviza e que sempre o faz por razões não alcançáveis imediatamente, por ele mesmo ou por qualquer pessoa que se debruce na reflexão do conflito, por mais especialista que seja em entender os problemas humanos.

Devemos lembrar que o ser humano é individual e coletivo ao mesmo tempo, isto é, ele age por seu livre arbítrio e motivação própria, mas também pelas influências que recebe, sejam de seu meio ambiente ou pelas interferências espirituais.

Suas ações não decorrem apenas do momento atual, tampouco apenas de seu passado reencarnatório.

Tudo se conecta, passado, presente e expectativas futuras para que um comportamento tão complexo como um vício se instale. 

Nossa visão não se deve limitar a estabelecer o que é bem e o que é mal e a partir daí determinar qual o tratamento para o mal. 

Nesse sentido, o Evangelho utilizado apenas com essa finalidade, isto é, de referendar um enquadramento do que é bem e do que é mal, estaria sendo utilizado com uma finalidade muito aquém de suas possibilidades transformadoras. 

A claridade de sua essência estaria sendo de alguma forma depreciada. Quando enquadramos as atitudes humanas entre as extremas polaridades de bem e de mal, promovemos falsas sensações de felicidade e de culpa.

Essas sensações serão inevitavelmente atribuídas a Deus ou ao que se imagina opor-Lhe. O Evangelho, nesses casos, será utilizado como uma camisa de força. Os limites ao ser humano são necessários, mas não se devem constituir numa prisão que o impeça de avançar no conhecimento de si mesmo e na sua ascensão espiritual. 

Aqueles que se constituem em intérpretes das claridades do Evangelho devem buscar evitar se transformarem em profetas do apocalipse para que não lhe embace a luminosidade que deve conduzir o ser humano à felicidade. 

As advertências são válidas e preciosas, visto que alertam aos menos avisados quanto às conseqüências de seus equívocos, porém são igualmente necessárias propostas de aplicabilidade na vida material e em suas rotinas para que não se preguem atitudes exequíveis apenas num mundo imaginário ou que se situe no além. 

O vício, o erro ou mesmo alguma atitude inadequada, devem ser considerados como parte de um contexto psíquico maior do que sua ocorrência. 

O combate a eles não se deve limitar a advertências punitivas, mas também se estender a levar o indivíduo à reflexão sobre os motivos que levaram a que se instalassem em sua personalidade; que ele identifique o sistema de valores que o leva a classificar suas atitudes como erro.

A profilaxia dos desequilíbrios humanos ou daquilo que o torna infeliz e que gera a ausência de paz, inicia-se na medida que ele desperta para se questionar. 

Propor medidas comportamentais para resolver aqueles desequilíbrios é como pular ou saltar um degrau importante da escada natural de crescimento espiritual do ser humano.

Que se curem os males, mas que se questione a si mesmo.

Nesse sentido, o conselho do Cristo no Evangelho de Mateus, capítulo 5, versículo 14, é fundamental ser repensado: – Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte. 

Portanto, aquele que tem luz suficiente para iluminar os equívocos alheios deve possuí-la para apontar caminhos exequíveis com o fim de transformá-los em virtudes a partir de seu próprio exemplo. 


...Médico, cura-te a ti mesmo;

A personalidade de quem veicula a mensagem do Evangelho sem sombra de dúvidas interfere na forma como esta é veiculada e na interpretação que se lhe dá. 

Por mais que a pessoa se esforce em apresentar, através do exemplo pessoal, uma visão pura e límpida, a interpretação sempre conterá algo de particular. 

Por esse motivo toda generalização será incompleta. 

A interpretação genérica serve para situações típicas, as quais atingirão in- divíduos que passem por semelhante padrão cármico daquele que a expõe. O Cristo propõe que o curador se cure, isto é, que sua fala seja também, e principalmente, dirigida a si mesmo. Seu exemplo pessoal é a verdadeira mensagem que passa, tendo como base o que assimilou da original.

A partir do que entendeu da mensagem Lucas 4:23.que lhe inspira a vida, levará aos outros, de uma forma típica, aplicável aparentemente a todos, mas própria para aqueles que têm carma semelhante ao seu. 

Numa família seus membros devem buscar aplicar o que pregam e aquilo que acreditam. Quando não se sintam em condições de fazê-lo devem pedir ajuda aos outros membros a fim de que todos compartilhem de problemas que pertencem a todos. 

Omitir os problemas àqueles que podem ajudar é demonstração de insegurança. Em alguns casos é compreensível que certos problemas possam ser omitidos a fim de não expor terceiros, porém deve-se buscar a participação de todo o grupo na solução e discussão de problemas comuns, inclusive das crianças, para que comecem logo cedo a entender a vida. 

A fala do Cristo demonstra segurança e autoconfiança em si mesmo. Ele se expôs diante da Sinagoga sem esconder suas capacidades e disse para que veio. Nós devemos colocar em família o que ali estamos fazendo. Devemos ter equilíbrio e auto- determinação suficientes para assumir nossas responsabilidades em família.

O Evangelho como roteiro para a família - Livro Evangelho e Família de Adenáuer Novaes


O Evangelho como roteiro para a família
Adenáuer  Novaes

Por detrás das palavras escritas pelos evangelistas a respeito do que Jesus disse, existem preciosas lições de sabedoria que, quando contextualizadas, oferecem roteiros para a compreensão dos mais diversos problemas familiares.

Para alcançarmos um significado mais profundo, além das palavras, é preciso abrir o coração para o sentimento do amor e a mente para a sabedoria espiritual. 

A utilização do Evangelho, como ferramenta para o trato social, não exclui sua aplicação ao mundo íntimo de cada um, sobretudo quando na vivência das relações familiares.Nelas o espírito se desenvolve e retoma seus processos psíquicos deixados em aberto nas encarnações precedentes. 

O Evangelho ou Boa Nova é um guia precioso que pode nos fazer entender melhor, do ponto de vista psicológico, os mais complexos problemas envolvendo o relacionamento familiar.

Jesus falou para pessoas que viviam num contexto familiar, portanto suas palavras não se dirigiam apenas a eles, mas também à família da qual faziam parte. 

Jesus trouxe ideias que podem nos levar ao entendimento de que a vida em família é um sistema possível, no qual a convivência e o auxílio mútuo podem proporcionar a felicidade ao grupo de espíritos que dela fazem parte.

Suas ideias penetram o Espírito fazendo com que este olhe para si mesmo, mostrando-lhe que a Vida é mais do que o corpo e do que sua exclusiva felicidade. 

Não estamos mais no tempo em que uma única pessoa é responsável pelos destinos de uma família. Todos agora são con- vidados a assumir os rumos que o grupo familiar vai seguir. Pais, filhos e agregados são co-responsáveis pelo futuro da família.

A partir da adolescência o espírito assume sua encarnação, saindo da condição de criança que precisa de cuidados para a de adulto que já colabora e participa das decisões coletivas.

O espírito cada vez mais precocemente assume seus processos cármicos que influenciarão o próprio destino. Por esse motivo, a família se torna mais cedo o palco onde todos são convocados a colaborar uns com os outros, no qual se misturam desejos e expectativas com as provas que a Vida propõe a cada um.

O Evangelho em família deve ser passado principalmente pelo exemplo. Quando verbalizado deve mostrar-se como lições imortais de amor e luz, proferidas com suavidade e sem manipulações moralistas. 

Que adianta proferir palavras para convencer alguém de uma moral que ainda não se pratica? 

O Evangelho não pode ser transformado numa camisa de força para as gerações que estão reencarnando. Deve ser passado principalmente pelo comportamento, pois as palavras passam e as atitudes se impregnam em quem as vê. 

Não se deve obrigar alguém a aceitar uma ideia. Muito embora se deva tentar passá-la, é preciso respeitar os limites de cada um e seu momento evolutivo. 

A luz do Evangelho pode cegar aqueles que não estão acostumados à claridade, por isso é preciso ter paciência para que eles se acostumem. É preciso mostrá-la em doses adequadas para que sua divina claridade não prejudique sua absorção.

As palavras de Jesus foram utilizadas para diversos fins. Uns fizeram delas bandeira para dominar e matar. Outros, como Evangelho e Família fio condutor do espírito para os caminhos do amor. 

Os exemplos são muitos de parte a parte. Temos que nos conscientizar do uso que delas fazemos para que os espíritos que conosco convivem não morram pelo nosso dogmatismo.

 A tolerância e a paciência, além do desejo sincero de auxiliar o outro, são instrumentos mais eficazes do que palavras, por mais verdadeiras que sejam. 

Cada um traz seus processos cármicos a serem resolvidos. Eles são intransferíveis. 

O Evangelho, se bem vivido, torna-se poderoso instrumento para que a encarnação seja um abençoado momento de equilíbrio e aprendizado. 

Os ensinamentos nele contidos podem ser encontrados em outras religiões, pois o amor e a sabedoria não são privilégios dos cristãos e sim patrimônio de Deus. 

A família é o núcleo básico da sociedade e sua expressão mais simples. Cada ser humano no convívio familiar deve aprender e vivenciar experiências que serão úteis em sua vida social. 

Deve buscar ser na sociedade o que é em família e vice-versa. Ausentar-se dela, sob pretexto de que é diferente dos demais com quem convive, é fugir do próprio destino e da oportunidade de crescer espiritualmente.