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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

O ESPÍRITA E O ESPIRITISMO.


O companheiro de ação doutrinária, em certas ocasiões, é defrontado por grave problema — o que transparece da visita efetuada por ele ao templo espírita diferente daquele em que se lhe vinculam os costumeiros serviços. 

Algumas vezes surpreende diretrizes diversas e hábitos que julga inadequados ao cultivo dos princípios que esposa e deixa que descontentamento e desânimo se lhe implantem na alma. 

O Espírito André Luiz, nos convida a raciocinarmos:

O Espiritismo é religião de livre exame, sem poderes humanos que lhe domestiquem as manifestações. 

Na condição de doutrina é um conjunto de ensinamentos lógicos, visando ao aperfeiçoamento moral, sem que lhe possamos desfigurar a grandeza, contudo, no setor da interpretação, não nos esqueçamos que a visão da verdade não é igual para todas as inteligências que transitam na Terra, em múltiplos graus evolutivos. 

Devemos, portanto, contar em qualquer organização espírita, inclusive naquela a que nos ajustamos pelos fatores da afinidade, com senões e deficiências que nos refletem as falhas e imperfeições de consciências gravadas ainda por dívida ou ignorância, com necessidade de resgate ou lição perante a vida. 

Em penetrando a seara espírita de que não partilhamos, em sentido direto, lembremo-nos disso. Provavelmente estão aí nossos velhos enigmas humanos: insatisfação, discórdia, fraquezas, competição

Talvez que raízes de crenças do passado com inúmeros preconceitos aí nos desafiem a discussões e protestos, com resultados negativos para a edificação da fraternidade. 

Visitemos, pois, os irmãos de ideal e trabalho que militam noutros campos de nossa sementeira, mantendo-nos no clima de solidariedade construtiva, sem deixar de sermos nós mesmos. 

Leais à nossa identidade de kardecistas, isto é, abraçando a Doutrina Espírita como sendo a escola da fé raciocinada, com alicerces na "verdade que nos fará livres", segundo a conceituação de Jesus, não precisamos aplaudir o erro para sermos agradáveis, exaltando a mentira, e nem nos compete o papel de censores para sermos cruéis, aniquilando a esperança. 

Seja esse ou aquele o método adotado nessa ou naquela instituição ligada às nossas atividades, aproximemo-nos delas, com respeito e apreço fraterno, sabendo que o programa de nossa tarefa em qualquer ambiente a que formos chamados, se resume em duas legendas distintas e inevitáveis: "compreender" e "auxiliar". 

domingo, 15 de julho de 2018

O DEVER QUE CABE A CADA UM DE NÓS

León Denis, diz que  "O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, a regra pela qual o homem deve conduzir-se nas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro."

É preciso compreender que o dever é algo que está bem acima da Humanidade, o que quer dizer, que exige de nós os grandes sacrifícios, franco devotamento nas causas nobres, e a vontade firme de realização.

Nem sempre traz grandes alegrias em seu cumprimento, pode tornar-se  pavoroso, inflexível sempre, exigente, porém, sempre está apontando para o caminho das ascensão e progresso do ser.

Léon Denis, nos afirma que "O dever não é idêntico para todos; varia segundo nossa condição e saber."

Pode-se verificar nessa afirmativa, a certeza de que entre a humanidade, encontramos diferentes níveis de consciência. Quanto mais consciente, mais ampliada a nossa capacidade de perceber e sintonizar com as condições impostas pelo dever, maior habilidade desenvolvemos para o exercício de nosso dever.

O cumprimento do Dever nos proporciona a paz interior, a serenidade de espírito, mais preciosa que todos os bens da Terra, e que, podemos experimentar em meio às  provações e dificuldade que vivenciamos, mas que fazem parte do planejamento evolutivo de cada um.

Não podemos intervir, evitar ou desviar os acontecimentos que perturbam essa paz ou serenidade que o cumprimento do dever nos proporciona, porque o nosso destino deve seguir os seus trâmites rigorosos, mas sempre podemos, enfrentar as mais difíceis provas da vida, buscando a serenidade para aceitar, deixando o conformismo de lado para enxergar a possibilidade de modificar aquela situação ruim em algo de bom. é firmar essa paz de consciência, esse contentamento íntimo que o cumprimento do dever acarreta, mesmo diante das dificuldades.

Léon Denis, em seu livro Depois da Morte, afirma que :


 "Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforços que seguem a própria rota. "

A medida que evoluem, que vão progredindo, apresentam espontaneamente, como uma tendência natural, a aptidão para o cumprimento do dever sem grandes sacrifícios, que por consequência disso,  se afastam das coisas vis e orientam os impulsos do ser para o bem. Nota-se claramente que os valores se transformam à medida que o ser se transforma e evolui.

Léon Denis nos sugere que: "O dever torna-se, então, uma obrigação de todos os momentos, a condição imprescindível da existência, um poder ao qual nos sentimos indissoluvelmente ligados para a vida e para a morte."

O dever oferece múltiplas formas: 
  • há o dever para conosco, que consiste em nos respeitarmos, em nos governarmos com sabedoria, em não realizarmos senão o que for útil, digno e belo; 
  • há o dever profissional, que exige o cumprimento consciencioso das obrigações de nossos encargos; 
  • há o dever social, que nos convida a amar os homens, a trabalhar por eles, a servir fielmente ao nosso país e à Humanidade; 
  • há o dever para com Deus...
O dever não tem limites.
 Sempre podemos melhorar. 


É no sacrifício de si, que o homem encontra o mais seguro meio de se engrandecer e de se depurar.  

Nesse contexto, podemos encontrar aquelas pessoas que se encontram no caminho de volta a si, através do autoconhecimento, da autorreflexão, na busca de respostas para as questões que desnudam, trazem a tona, o homem velho que nela ainda habita para que, consciente de suas imperfeições, aprendam a dizer não para si, submetendo-se ao sacrifício de si quando consegue dizer não para as coisas que desejam, mas que porém, já não mais lhe convém.

A honestidade é a essência do homem moral, infeliz daquele que dela se afasta. 

Léon Denis define o HOMEM HONESTO como: 
  • Aquele que faz o bem pelo bem, sem procurar aprovação nem recompensa. 
  • Desconhecendo o ódio, a vingança, esquece as ofensas e perdoa aos seus Inimigos. 
  • É benévolo para com todos, protetor para com os humildes. 
  • Em cada ser humano vê um irmão, seja qual for seu país, seja qual for sua fé. 
  • Tolerante, ele sabe respeitar as crenças sinceras, desculpa as faltas dos outros, sabe realçar-lhes as qualidades; jamais é maledicente.
  • Usa com moderação dos bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social e, quando na pobreza, de ninguém tem Inveja ou ciúme. 
 E nos chama a atenção para o fato de que:

A honestidade perante o mundo nem sempre é honestidade de acordo com as leis divinas. 

 O mérito e a virtude são algumas vezes desconhecidos na Terra, e quando não são desconhecidos, são mesmo ignorados pelas pessoas, como condições indispensáveis para a conquista de uma sociedade consciente, livre das paixões e interesses materiais.

Léon Denis afirma que: "Antes de tudo, o homem honesto busca o julgamento e o aplauso da sua própria consciência."

 A Doutrina Espírita tem um alcance moral que amplia o sentido do dever que cabe ao homem consciente, pois à medida que vai tomando consciência, vai ampliando o seu saber, e na mesma medida, vai aumentando a sua responsabilidade por suas próprias escolhas. Por conseguinte, o saber uma vez ampliado, faz com que sua própria consciência lhe cobre a energia necessária para sua transformação pessoal para melhor.

As vozes dos Espíritos têm feito vibrar ecos em si, têm despertado forças adormecidas na maior parte dos homens e que o Impelem poderosamente na sua marcha ascensional.

A prática constante do dever
 leva-nos ao aperfeiçoamento. 

Para isso, é preciso se dispor À prática constante do AUTOCONHECIMENTO, aprofundando o processo de AUTORREFLEXÃO que lhe permitirá descobrir não só o bem que há em ti, mas também, o mal que ainda cultiva, latente, esperando apenas o momento de vir à tona. Ninguém pode remediar o mal sem antes o conhecer, daí a necessidade da autorreflexão.

Podemos nos estudar analisado outros homens.. Se algum vício, algum defeito terrível em outra pessoa me impressiona, procuremos ver com cuidado se existe em nós germe idêntico; e, se o descobrirmos, empenhemo-nos pelo arrancar.

O autoconhecimento permitirá um contato íntimo consigo mesmo, que lhe permitirá reconhecer a sua alma pela sua realidade, isto é, que com todas as imperfeiçoes deverá ser lapidada na caminhada da vida.

Reconhecer em nós imperfeições, nos afasta da presunção e da tola vaidade. Porém de nada adianta reconhecer nossas imperfeições se não nos submetermos a uma disciplina reparadora, que nos transforme a cada dia em alguém melhor. É o meio mais eficaz de regularmos as  tendências mais ocultas de nosso ser moral.

 Léon Denis afirma que "Só os primeiros esforços são penosos; por isso, e antes de tudo, aprendamos a dominar-nos."

As primeiras impressões são fugitivas e volúveis, ou seja, tudo acontecerá para que você se desvie de seu propósito. É preciso ter VONTADE FIRME a governar os impulsos da alma.

Aprender a governar a nossa vontade, é estabelecer uma relação de autoridade sobre nossos desejos, nossos impulsos, e então, jamais nos deixaremos dominar por elas.

O homem foi criado por Deus para viver em Sociedade. As boas escolhas de suas relações, seus amigos, num convívio íntegro, de boas influências, tende a desviá-los das conversas frívolas, dos assuntos ociosos, que conduzem à maledicência.

Digamos sempre a verdade, 
quaisquer que possam ser os resultados.

A verdade é ferramenta de aperfeiçoamento quando a sabemos usar. Primeiramente, precisamos compreender o contexto em que a verdade aparece para traze-la a tona.  E esse contexto deve ser pensado considerando as partes envolvidas, de tal sorte que encontrarás o melhor caminho de trazer essa verdade, de evidenciá-la perante o outro.

A verdade deve ser sempre dita, mas é preciso pensar antes de dizê-la, como vai externar essa verdade, há muitas maneiras de dizer a verdade, e o bom cristão precisa encontrar o meio mair eficaz de dize-la sem ferir, sem destruir os sonhos do outro, sem gerar mais traumas e mais problemas em função dessa verdade. É preciso colocar-se no lugar do outro para saber se gostaria de ouvir tal verdade na mesma intensidade. Nem sempre o que o outro espera de você é exatamente a verdade, mas um entendimento, um conforto, um carinho, um apoio. Esteja atento sempre que uma verdade precise ser revelada por você!

Criar o hábito salutar de se fortalecer no estudo e no recolhimento, permitirá que a alma encontre novas forças e nova luz, e sentirá a realização de poder dizer que realizou hoje obra útil, alcançou avanços na sua melhora íntima, no cumprimento fiel de seu dever.

Bibliografia: Depois da Morte , Léon Denis

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A MORAL

Todos nós trazemos gravados em nosso arquivo consciencial, os princípios que norteiam a nossa moralidade, virtude tão escassa na humanidade como um todo.

Qualquer pessoa que se disponha a realizar atitudes no bem, se permite sentir o prazer da realização pessoal e da satisfação íntima, uma espécie de ampliação da alma, expansão de consciência. 

Em contrapartida, quando opta por atitudes ruins, agride as leis divinas, e em consequência dessa agressão, sente-se arrependimentos, angústias, culpas e desgostos. E essas sensações só passam quando o indivíduo decide reagir ao mal com o bem, quando nos dispomos a realizar algo de bom, de construtivo.

O Cristo nos ensina através de seu evangelho, a moral superior, a moral definitiva, capaz de transformar as pessoas pelos seus ricos ensinamentos de conduta moral elevada, e não se trata aqui de religião, mas do cristianismo redivivo, transformador, regenerador de seres em evolução.

Leon Denis, em seu livro "Depois da Morte" já afirmava que  a filosofia dos Espíritos vem oferecer à Humanidade uma sanção moral consideravelmente elevada, um ideal eminente, nobre e generoso. E que nós,  espíritos que somos, nos encontramos em nossos respectivos lugares e em determinadas situações, tal qual, nós mesmos nos colocamos, mediante nossas escolhas ao longo de nossas vidas. Por esta razão, é preciso compreender e aceitar que, sou o único responsável pelos sofrimentos e alegrias que tenho vivenciado ao longo de minha vida.

É preciso entender ainda, que se violentamos a lei moral, agimos contra nós mesmos, obscurecendo nossa consciência e nossas faculdades, nos distanciando do divino e do espiritual. Por outro lado, quando vislumbramos a prática da lei do bem, dominando as paixões brutais instintivas que ainda se encontram latentes em nossa alma, esperando apenas um gatilho para que esta venha a tona, nos sentimos aliviados, entramos na sintonia fina da realização pessoal e nos aproximamos do divino e do espiritual.

A lei moral nos convida a todo instante à realização de uma higiene da alma, que se aplique a todos os nossos atos e conserve nossas forças espirituais em estado de equilíbrio e harmonia, o que vai repercutir efetivamente sobre  o potencial de felicidade que carregamos no íntimo de nosso ser.

Urge a vigilância do estado dessa alma que somos nós, em nossa essência divina, plena, desde a origem que fomos criados por Deus. O Espiritismo é elementar, base para essa higienização da alma tão necessária perante a imoralidade que apresenta na humanidade. Entretanto, não é o único meio para se alcançar tais objetivos. Busque aquele que te realize, mas busque a transformação moral. Caminho que vai te levar à paz interior.

Vida e paz! Alessandra Uzêda


quinta-feira, 31 de maio de 2018

A VIDA É ETERNA E VOCÊ VIVERÁ PARA SEMPRE!

 A imortalidade da alma nos faz crer diante das tantas evidências que o exercício cotidiano da doutrina espírita, que a vida segue muito além do corpo físico.

O Espírito Emmanuel nos convida a meditar a morte, honrando o corpo carnal em que nosso espírito se hospeda pela presente encarnação.

É meditando na morte que, descobrirás com freqüência os que fazem ironia em torno da fé; os que se referem à virtude como sendo uma farsa; os que falam de corrida ao poder, calcando aos pés o coração dos semelhantes; os que zombam da lealdade e os que improvisam redutos de fantasioso prazer, argamassando-os com o pranto das viúvas e dos órfãos. 

Este não deve ser o padrão moral no qual devemos nos espelhar, tendo em vista que cada um prestará contas de si próprio no momento oportuno. Persiste na reta consciência e fazei teu melhor. 


Dos Planos Superiores, os amigos que te antecederam na Pátria Espiritual:
  •  acompanham-te os triunfos ignorados pelos homens e abençoam-te o suor da paciência nas lutas necessárias; 
  • encorajam-te na causa do amor puro e sustentam-te as energias para que as tuas esperanças não desfaleçam; 
  • comungam-te as alegrias e as dores, ensinando-te a semear a felicidade nos outros, para que recolhas a felicidade maior; 
  • se tropeças estendem-te os braços e, se choras, enxugam-te as lágrimas; 
  • sobretudo, esperam-te, confiantes, quando termines a tarefa, para te abraçarem, afetuosos, com a alegria de quem recebe um companheiro querido, de volta ao lar. 
"Persevera no bem, sabendo que viverás pra sempre. E, se te sentires sozinho na fé, lembra-te de Jesus. Um dia, ele esteve abandonado e crucificado no alto de uma colina, contemplando amigos desertores e algozes gratuitos, beneficiários ingratos e adversários inconscientes... Na conceituação humana, estava plenamente sozinho; contudo, Ele com Deus e Deus com Ele formavam maioria, ante a multidão desvairada. "

Livro: Justiça Divina
Autor: Francisco Cândido Xavier
Espírito: Emmanuel

sábado, 2 de abril de 2016

Honestidade e Moralidade


Para se ter uma sociedade digna moralmente e honesta como desejamos, é preciso que cada um, na sua individualidade, seja honesto consigo mesmo e haja com moralidade.

Moralidade e transformação pessoal


Sejamos determinados e perseverantes nas questões da nossa transformação pessoal, sobretudo, no que tange à nossa moral.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Moralidade e Obsessão - Do Livro dos Espíritos, Allan Kardec

   Moralidade e Obsessão

 252. As imperfeições morais do obsedado são freqüentemente um obstáculo à sua libertação. Eis um notável exemplo, que pode servir para a instrução de todos.
            Desde alguns anos que várias irmãs vinham sendo vítimas de atos estranhos de depredação. Suas roupas eram continuamente espalhadas por todos os cantos da casa e até mesmo pelo telhado. Eram rasgadas, cortadas e crivadas de furos, por mais cuidados que tivessem em guardá-las sob chaves. Essas senhoras, isoladas numa pequena cidade provinciana, jamais tinham ouvido falar de Espiritismo. A primeira ideia que tiveram foi, naturalmente, a de estarem sendo vítimas de brincadeiras de mau gosto. Mas a persistência dos fatos e as precauções que tomavam afastaram essa ideia.
            Só muito tempo depois, graças a algumas indicações, achou que devia dirigir-se a nós, procurando saber à causa desses transtornos e os meios, se possível, de lhes dar um fim.
A causa estava bem clara, mas o remédio era mais difícil. O Espírito que assim se manifestava era evidentemente malfazejo. Mostrou-se, na evocação, de grande perversidade e inacessível aos bons sentimentos. A prece, porém, parecia exercer sobre ele uma boa influência. Mas após algum tempo de descanso, as depredações recomeçaram. Eis a respeito o conselho dado por um Espírito superior:
            O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos seus Espíritos protetores que não as abandonem. E eu não tenho melhor conselho a lhes dar do que o de mergulharem na própria consciência para se confessarem consigo mesmas, examinando se praticaram sempre o amor ao próximo e a caridade. 
Não me refiro à caridade que dá e distribui, mas à caridade da língua. Porque infelizmente elas não sabem contê-la, e por outro lado não justificam, por seus atos piedosos, o desejo de se livrarem de quem as atormenta. Gostam bastante de falar mal do próximo e o Espírito que as obseda tira a sua desforra, porque em vida foi para elas um bode expiratório. Basta-lhes sondar a memória para logo descobrirem com quem estão lidando.
            Entretanto, se chegarem a melhor, seus anjos da guarda voltarão para elas e sua presença será suficiente para afastar o Espírito mau, que se apegou sobretudo a uma delas porque o seu anjo da guarda teve de afastar-se, diante dos seus atos repreensíveis ou dos seus maus pensamentos. O que elas precisam é de fazer preces fervorosas pelos que sofrem, e acima de tudo praticar as virtudes que Deus recomenda a cada um, segundo a sua condição.
            À observação de que essas palavras nos pareciam um pouco severas, e que talvez se devesse abrandá-las para a transmitir o Espírito acrescentou:
            Eu tenho a dizer isso que disse e como disse, porque as pessoas em causa acostumou-se a pensar que não fazem nenhum mal pela língua, quando na verdade o fazem e muito. Eis porque é necessário chocar-lhes o espírito de maneira que isso lhes sirva de séria advertência.
            Disso resulta um ensinamento de grande alcance, o de que as imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem. 
Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas aqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para melhorarem. 
Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim.
          ndo, portanto que é preciso conhecer a fundo o problema colocado pelo Espiritismo. (N. do T.)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A Moral - Série Meditação - Vídeo 23 - por Alessandra Uzêda



A moral

Vamos relaxando, sentando-se confortavelmente sem seus lugares. Ouvindo a melodia da música respire lenta e profundamente, expire. Mais uma vez, respire lentamente, segure um pouco o ar nos pulmões, expire.

Meus amigos,  hoje refletiremos sobre a base de toda reforma íntima, de todo movimento de autotransformação que possa estar relacionado ao ser: a Moral.

O processo de transformação do ponto de vista da moral, requer o desenvolvimento de uma habilidade fundamental em cada um de vós: a capacidade de lidar com os traços de personalidades que lhes são singulares, buscando uma melhoria contínua em suas atitudes.

Uma das condições fundamentais para esse processo de transformação é a família.
Lembremos de nossa primeira infância, junto aos nossos pais, irmãos, familiares. Aqueles a quem Deus concedeu a responsabilidade de nos educar em primeira mão. Lembremos daqueles momentos felizes, de união, de amor no seio da família e pergunte-se que importância todos esses momentos têm hoje em sua vida.

 A família que educa o espirito durante a encanação, é fundamentalmente importante e decisiva na participação da formação do indivíduo.

A família que educa, influencia decisivamente na formação do caráter do indivíduo, na sedimentação dos valores morais, de amor e bondade, para que, aliados à vivência espiritual que o indivíduo já traz em sua memória espiritual, ele tenha a oportunidade de ingressar em um ambiente de hábitos salutares, libertando-o dos vícios e administrando seus desejos de forma consciente e racional, atendendo aos apelos do bom senso, a fim de não cometer mais débitos, ainda mais severos nessa nova vida.

Por outro lado, uma família não se constrói apenas de bons momentos, já o sabemos. Entendendo a família por essa outra perspectiva, lembremos dos momentos difíceis de nossa primeira infância junto a nossa família, mãe, pai, irmãos.

Se permita estar de frente com as mágoas de seu passado a fim de que possa libertar-se dela pelo caminho da compreensão, do entendimento, e do perdão.

Ao lembrar dos momentos difíceis, questione-se:

1.     Por quais razões a minha família agiu assim?
2.    O que fiz por merecer tal ação naquele momento?
3.    Que medida corretiva tal acontecimento processou em mim?


É preciso que o indivíduo, consciente de seus objetivos na Terra, não se deixe derrubar pelas provas que a vida lhes impõe como meio de crescimento e evolução espiritual, levando toda a sua existência culpando aos seus pelas suas imperfeições.
Aguças a consciência e a vigilância de suas atitudes e de seus pensamentos para que à luz da razão, possa combatê-los e modifica-los.

A oração e a vigilância constante são de extrema importância na superação dos obstáculos a que nossos desejos mais íntimos nos conclamam. É assim que se dá o processo de reeducação e renovação espiritual, sobretudo, do ponto de vista da moral. Busque libertar-se dessas amarras do passado, compreendendo que o presente é o campo onde deves semear a semente boa de um futuro digno de luz.

Renovar-se espiritualmente implica em transformação moral. Para que essa transformação aconteça, busca no fundo de sua alma a coragem e determinação enfrentando-te, pois quando consciente dos nossos maiores entraves pessoais, nos posicionamos com a negativa e o combate à repetição de atitudes que, se não aumentam o nosso endividamento, o fortalece.

Poderíamos falar de muitos desses traços de personalidade a que nós encarnados e desencarnados estamos submetidos, porém, vale ressaltar, que o egoísmo está na base de formação de muitos outros vícios tais como, a ausência da caridade, tanto material como espiritual, falta de benevolência consigo mesmo e com o próximo, falta de preocupação com aquele que segue ao seu lado, e muitas vezes, não se dá conta, sobretudo, do fortalecimento das necessidades do ego que devem ser severamente combatidas nesse processo de autoconhecimento.

Não basta ter consciência de nossas mais íntimas falhas. É preciso muito mais! É preciso ingressar no propósito de trabalhar pela transformação, pela reeducação, em prol de atitudes mais acertadas e comprometidas com os ensinamentos cristãos.

Procura utilizar-se das Leis Morais da vida que constituem o roteiro de felicidade pelo rumo evolutivo, impondo-se paulatinamente, à inteligência humana achando-se estabelecidas nas bases da harmonia perfeita em que se equilibra a Criação.

Faz uso das leis como regras de conduta para o desenvolvimento de sua moral.

Faz uso da Lei Divina ou Natural, a Lei de Deus; a única verdadeira para a felicidade do homem; indica-lhe o que deve fazer e o que deve deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.

Se utiliza da Lei de Adoração elevando seus pensamentos a Deus e através da prece aproximando a sua alma Dele.

Adota a Lei do Trabalho como uma ferramenta necessária à sua evolução espiritual. E entenda como trabalho não somente o trabalho material, pois que o espírito trabalha, assim como o corpo e que toda ocupação útil é trabalho.

Coloca a Lei de Reprodução como um feito à altura do Divino, pois que sem a reprodução, o mundo corporal pereceria.

Adota como regras de conduta, a Lei de Conservação, que faz o uso dos bens da Terra um direito a todos os homens, consequente do direito e necessidade de viver. Deus não importa um dever sem dar ao homem o meio de cumpri-lo.

Compreende que a Lei de Destruição evidencia a necessidade de que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque o que chamais de destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.

Permita que a vida social seja regida pela Lei de Sociedade uma vez que Deus fez o homem para viver em sociedade.

Entende de uma vez por todas que a Lei de Progresso nos permite desenvolver o progresso moral e o intelectual, mas que porém, nem sempre um segue o outro imediatamente.

Aceita como verdade a Lei de Igualdade, pois que perante a Deus somos todos iguais e tendemos para o mesmo fim. As desigualdades sociais não são obras de Deus, e sim, obra dos homens.

Usufrui da Lei de Liberdade com responsabilidade, conscientes de que a liberdade jamais será absoluta, face ao uso de seu livre-arbítrio, já que teremos que prestar contas de nossas ações.

Faz uso cotidiano da Lei de Justiça, de Amor e de Caridade em sua vida, sobretudo no que tange a respeitar os direitos dos demais; e assim estará trilhando o caminho da felicidade.

 E compreendendo a importância dessas reflexões sobre as nossas vivências, sinta-se leve, em paz com você e com seus familiares.  Envolva-os em amor e se permita sentir como a vida pode ser mais leve e feliz se lançarmos sempre o olhar da compreensão e do amor sobre o outro.

domingo, 5 de julho de 2015

APTIDÕES ESPECIAIS DOS MÉDIUNS

APTIDÕES ESPECIAIS DOS MÉDIUNS

Médiuns de Efeitos Físicos
Médiuns de Efeitos Intelectuais:
  • Médiuns Audientes
  • Médiuns Falantes
  • Médiuns Videntes
  • Médiuns Inspirados
  • Médiuns de Pressentimentos
  • Médiuns Proféticos
  • Médiuns Sonâmbulos
  • Médiuns Extáticos
  • Médiuns Pintores ou Desenhistas
  • Médiuns Musicais
Variedades Comuns a Todos os Gêneros de Mediunidade:
  • Médiuns Sensitivos
  • Médiuns Naturais ou Insconscientes
  • Médiuns Facultativos ou Voluntários
Variedades Especiais para Efeitos Físicos:
  • Médiuns Tiptólogos
  • Médiuns Motores
  • Médiuns de Translações e Suspensões
  • Médiuns de Efeitos Musicais
  • Médiuns de Transporte
  • Médiuns de Aparições
  • Médiuns Noturnos
  • Médiuns Pneumatógrafos
  • Médiuns Curadores
  • Médiuns Excitadores
Variedades de Médiuns Escreventes:
  • Médiuns Escreventes ou Psicógrafos
  • Médiuns Escreventes Mecânicos
  • Médiuns Semimecânicos
  • Médiuns Intuitivos
  • Médiuns Polígrafos
  • Médiuns Poliglotas
  • Médiuns Analfabetos
Segundo o Desenvolvimento da Faculdade
  • Médiuns Novatos
  • Médiuns Improdutivos
  • Médiuns Desenvolvidos ou Formados
  • Médiuns Lacônicos
  • Médiuns Explícitos
  • Médiuns Experimentados
  • Médiuns Flexíveis
  • Médiuns Exclusivos
  • Médiuns de Evocações
  • Médiuns de Ditados Espontâneos
Segundo o Gênero e a Especialidade das Comunicações:
  • Médiuns Versificadores
  • Médiuns Poéticos
  • Médiuns Positivos
  • Médiuns Literários
  • Médiuns Incorretos
  • Médiuns Historiadores
  • Médiuns Científicos
  • Médiuns Medicinais
  • Médiuns Religiosos
  • Médiuns Filósofos e Moralistas
  • Médiuns de Comunicações Triviais e Obscenas
Segundo as Qualidades Físicas do Médium:
  • Médiuns Calmos
  • Médiuns Velozes
  • Médiuns Convulsivos
Segundo as Qualidades Morais do Médium
Médiuns Imperfeitos:
  • Médiuns Obsedados
  • Médiuns Fascinados
  • Médiuns Subjugados
  • Médiuns Levianos
  • Médiuns Indiferentes
  • Médiuns Presunçosos
  • Médiuns Orgulhosos
  • Médiuns Susceptíveis
  • Médiuns Mercenários
  • Médiuns Ambiciosos
  • Médiuns de Má Fé
  • Médiuns Egoístas
  • Médiuns Ciumentos
Bons Médiuns
  • Médiuns Sérios
  • Médiuns Modestos
  • Médiuns Devotados
  • Médiuns Seguros
Além das categorias mediúnicas já enumeradas, a mediunidade apresenta infinitas variedades que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares ainda não definidas, abstraindo-se as qualidades próprias e os conhecimentos do Espírito manifestante.
A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação ou da sua inferioridade, do seu saber ou da sua ignorância.

Mas apesar da semelhança de grau, no tocante à hierarquia, há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam das manifestações físicas; entre os que dão manifestações inteligentes há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, sábios, moralistas, médicos, etc.
Referimo-nos a Espíritos de uma ordem mediana, porque num grau mais elevado as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas ao lado da aptidão do Espírito existe a do médium, instrumento que é para ele mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, e no qual ele descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.
Façamos uma comparação. Um músico bastante hábil tem ao seu dispor numerosos violinos que, para o vulgo, serão todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz grande diferença, percebendo nuanças de extrema delicadeza que o farão escolher uns e rejeitar outros, nuanças que ele percebe por intuição, sem poder defini-las.

Acontece o mesmo em relação aos médiuns: apesar da igualdade de condições quanto à potência mediúnica, o Espírito dará preferência a um ou a outro, segundo o gênero de comunicações que deseja transmitir. Assim, por exemplo, vêem-se alguns escreverem, como médiuns, admiráveis poesias, quando nas condições ordinárias jamais puderam ou souberam fazer versos. Outros, pelo contrário, são poetas, mas como médiuns só escrevem prosas, apesar do seu desejo de escrever poesias. Acontece o mesmo com o desenho, a música etc.
Há médiuns que, sem possuírem conhecimentos científicos, são mais aptos a receber comunicações dessa ordem. Outros são mais aptos para estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes a Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a flexibilidade do médium, as comunicações que recebe com mais facilidade tem geralmente um cunho especial.

Há ainda os que nunca saem de um determinado campo, e quando deles se afastam só recebem comunicações incompletas, lacônicas e muitas vezes falsas.
Além da questão das aptidões, os Espíritos ainda se comunicam dando preferência mais ou menos acentuada a este ou aquele médium, de acordo com as suas simpatias. Dessa maneira, apesar da plena semelhança de condições, o mesmo Espírito será mais explícito através de certos médiuns, unicamente porque esses melhor lhe convêm. 

Seria errôneo, querer obter-se, só por se dispor de um bom médium escrevente, boas comunicações de todos os gêneros. A primeira condição é a de assegurar-se da fonte dessas comunicações, quer dizer, das qualidades do Espírito que as transmite. Mas não é menos necessário atentar para as qualidades do instrumento mediúnico.

Temos pois de estudar a natureza do médium como se faz com a do Espírito, porque são eles os elementos essenciais para um resultado satisfatório. Mas há um terceiro elemento igualmente importante, que é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga o Espírito. E isso é fácil de compreender.
Para que uma comunicação seja boa é necessário que provenha de um Espírito bom. Para que esse Espírito bom POSSA transmiti-la precisa dispor de um bom instrumento. Para que ele QUEIRA transmiti-la, é necessário que o objetivo lhe convenha.
O Espírito, que lê o pensamento, julga se a questão proposta merece uma resposta séria e se a pessoa que a formula é digna dessa resposta. Caso contrário, não perde tempo lançando boas sementes nas pedras. É então que os Espíritos levianos e zombeteiros se intrometem, porque, pouco se importando com a verdade, não encaram o assunto como deviam e são geralmente bem pouco escrupulosos no tocante aos meios e aos objetivos.


domingo, 31 de maio de 2015

CATEGORIAS DE CRENTES NO ESPIRITISMO - de O Livro dos Médiuns, allan kardec

CATEGORIAS DE CRENTES NO ESPIRITISMO

ESPÍRITAS SEM O SABER
27. Se lançarmos agora um olhar sobre as diversas categorias de crentes, encontraremos primeiro os espíritas sem o saber. São uma variedade ou uma subdivisão da classe dos vacilantes. Sem jamais terem ouvido falar da Doutrina Espírita, tem o sentimento inato dos seus grandes princípios e esse sentimento se reflete em algumas passagens de seus escritos ou de seus discursos, de tal maneira que, ouvindo-os, acredita-se que sejam verdadeiros iniciados. Encontram-se numerosos desses exemplos entre os escritores sacros e profanos, entre os poetas, os oradores, os moralistas, os filósofos antigos e modernos.
CONVENCIDOS PELOS ESTUDOS
  28. Entre os que se convenceram estudando diretamente os assuntos podemos distinguir:
1º) Os que acreditam pura e simplesmente nas manifestações.Consideram o Espiritismo como uma simples ciências de observação, apresentando uma série de fatos mais ou menos curiosos. Chamamo-los: espíritas experimentadores.
2º) Os que não se interessam apenas pelos fatos e compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, admitindo a moral que dele decorre, mas sem a praticarem. A influência da Doutrina sobre o seu caráter é insignificante ou nula. Não modificam em nada os seus hábitos e não se privariam de nenhum de seus prazeres. O avarento continua insensível, o orgulhoso cheio de amor próprio, o invejoso e os ciumentos sempre agressivos. Para eles, a caridade cristã não passa de uma bela máxima. São os espíritas imperfeitos.
3º) Os que não se contentam em admirar apenas a moral espírita, mas a praticam e aceitam todas as suas conseqüências. Convictos de que a existência terrena é uma prova passageira, tratam de aproveitar os seus breves instantes para avançar na senda do progresso, única que pode elevá-los de posição no Mundo dos Espíritos, esforçando-se para fazer o bem e reprimir as suas más tendências. Sua amizade é sempre segura, porque a sua firmeza de convicção os afasta de todo mau pensamento. A caridade é sempre a sua regra de conduta. São esses osverdadeiros espíritas, ou melhor os espíritas cristãos.(1)  
4º) Há, por fim, os espíritas exaltados. A espécie humana seria perfeita, se preferisse sempre o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. No Espiritismo ele produz uma confiança cega e freqüentemente pueril nas manifestações do mundo invisível, fazendo aceitar muito facilmente e sem controle aquilo que a reflexão e o exame demonstrariam ser absurdo ou impossível, pois o entusiasmo não esclarece, ofusca. Esta espécie de adeptos é mais nociva do que útil a causa do Espiritismo. São os menos capazes de convencer, porque se desconfia com razão do seu julgamento. São enganados facilmente por Espíritos mistificadores ou por pessoas que procuram explorar a sua credulidade. Se apenas eles tivessem de sofrer as conseqüências o mal seria melhor, mas o pior é que oferecem, embora sem querer, motivos aos incrédulos que mais procuram zombar do que se convencer e não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Isso não é justo nem racional, sem dúvida, mas os adversários do Espiritismo, como se sabe, só reconhecem como boa a sua razão e pouco se importam de conhecer a fundo aquilo de que falam.
  

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Ética Espírita

A Ética Espírita 

Texto básico da exposição feita no Painel "O Livro dos Espíritos - Princípios Filosófico-Espíritas para uma nova Sociedade" no 4o Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, França, no dia 3 de outubro de 2004 Altivo Ferreira

1. Ética e Moral 

A Ética (do grego ethika) é a parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana (Dicionário Michaelis)

1 : Relaciona-se com os costumes, sendo chamada ciência da conduta e ciência da moral, cujo objetivo é o julgamento e a distinção entre o bem e o mal. 

A Ética teve origem na Grécia, com Aristóteles (384-322 a.C.), o qual utilizou esse nome pela primeira vez em seu livro Ética a Micômaco. Afirma Marilena Chauí

2 : "Toda cultura e cada sociedade institui uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido e à conduta correta e incorreta (...). No entanto, a simples existência da moral não significa a presença explícita de uma ética, entendida como filosofia moral, isto é, uma reflexão que discuta, problematize e interprete o significado dos valores morais." 

A distinção entre ética e moral é, todavia, tênue. Já na Roma antiga, Cícero (106-43 a.C.) dizia que eles denominavam moral o que os gregos chamavam de ética. Com Jesus Cristo, os conceitos éticos assumiram nova dimensão, como se depreende das palavras do Espírito Carlos Torres Pastorino, no recente livro Impermanência e Imortalidade

3 : Cap. "Ética e razão"': "Foi Jesus que apresentou o amor como fundamental para a vida, dando início ao primado do dever e da moral como essenciais à felicidade humana. Antes dEle, os princípios da ética moral eram graves, especialmente em Israel, atados às leis severas, estabelecidas por homens cruéis, mais interessados em punir, em vingar-se do que em educar e corrigir. 

Desde a Pena de Talião, que Ele substituiu pela do perdão, mediante o qual é concedido ao infrator a reabilitação, não ficando isento da responsabilidade do erro e das suas conseqüências, mas facultando-lhe possibilidades de retribuir à sociedade em bens os males que praticou." 

Surge, assim, a ética cristã, fundamentada nos ensinos do Mestre Nazareno. Pedro e seus companheiros vivenciam o amor e praticam a caridade na Casa do Caminho. Paulo de Tarso dá-lhe consistência, traçando diretrizes de ordem comportamental aos gentios em suas memoráveis Epístolas, das quais destacamos estes preceitos: 

"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos, 12:21);

 "Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam" (I Coríntios, 10:23);

E reforça com seu exemplo: 

"Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas, 2:19-20).

 Com o correr do tempo e o predomínio da Igreja, depois, com a Reforma Protestante, a ética cristã foi sendo adaptada às concepções da Teologia, na medida em que o comportamento humano era influenciado pelo temor a Deus, pela crença no pecado, nas penas eternas, em que a salvação da alma era condicionada à submissão aos dogmas e sacramentos, ou à fé em Cristo. 

Iniciada no século XVII a Era da Razão, a partir de René Descartes (1596- 1650), passando pelos filósofos do Iluminismo, até Jean-Jacques Rousseau (1712-1799) e Emmanuel Kant (1724-1804), no século XVIII, as reflexões éticas prepararam o pensamento humano para o advento do Consolador prometido por Jesus, destinado a reconduzir a ética cristã à sua pureza original. 

2. Ética e Doutrina Espírita 

Em nossa pesquisa, não encontramos menção à Ética nas obras da Codificação Kardequiana e na Revista Espírita.

Todas as referências se reportam à Moral, cujo conceito espírita se confunde com o de Ética, como podemos conferir nas respostas dos Espíritos Reveladores às questões 629 e 630 de O Livro dos Espíritos (Ed. FEB), formuladas por Kardec: 

629. Que definição se pode dar da moral?

A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Fundamenta-se na observância da lei de Deus.O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.

 630. Como se pode distinguir o bem do mal? 

O bem é tudo o que é conforme à lei de Deus; o mal, tudo o que lhe é contrário. Assim, fazer o bem é pro ceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal é infringi-Ia. 

Na obra Filosofia Espírita da Educação (vol. 1)4 Ney Lobo acentua que, como "existe a Filosofia Espírita, deve, forçosamente, corresponder-lhe determinada ética, a Ética Espírita" (destaque do autor).

Os princípios da Doutrina Espírita, em seu tríplice aspecto - Filosofia, Ciência e Religião - fundamentam-se na moral do Cristo, que é a mais elevada expressão da Ética. 

A concepção de Deus - justo e misericordioso para com todos os seus filhos -, como a "inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas"; a certeza da vida futura e o conhecimento do mundo espiritual, confirmados, através da mediunidade, pelas comunicações dos Espíritos; a origem, evolução e destinação do Espírito imortal; a pluralidade das existências e dos mundos habitados; a compreensão da justiça e da misericórdia divinas pelo funcionamento da lei de causa e efeito; o princípio de responsabilidade decorrente do exercício do livre-arbítrio; a concepção espírita das penas e gozos terrestres e futuros - repercutem na consciência moral do homem, levando-o a formular e praticar uma nova filosofia de vida, uma nova conduta ética. 

Nas Leis Morais, da Parte 3a de O Livro dos Espíritos, a Ética Espírita apresenta-se em sua plenitude. 

No capítulo 1, Kardec reúne o ensino dos Espíritos sobre a lei divina ou natural, examinando os caracteres e o conhecimento dessas leis; coloca as questões acerca do bem e do mal e apresenta (q. 648) a divisão da lei natural em dez partes (cap. II a XI), que compreendem as leis de adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por fim, a de justiça, amor e caridade. Afirmam os Espíritos que "essa última lei é a mais importante, por ser a que faculta ao homem adiantar-se mais na vida espiritual, visto que resume todas as outras." 

Ainda sobre a última lei moral, Kardec enfatiza, na Conclusão (IV) de O Livro dos Espíritos. 

"O progresso da Humanidade tem seu principio na aplicação da lei de justiça, de amor e de caridade, lei que se funda na certeza do futuro." Além da questão acima (648), três outras merecem destaque, por seu significado ético: 

621. Onde está escrita a lei de Deus?

Na consciência.

 625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? 

Jesus. 

647. A Lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo, ensinado por Jesus?

Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens, uns para com os outros. (...). O Codificador termina o estudo das leis morais com a abordagem de um aspecto fundamental da Ética em geral e da Ética Espírita em particular - a Perfeição Moral. 

As primeiras questões apresentadas tratam das virtudes e dos vícios. Indaga ele (q. 893) sobre qual a mais meritória das virtudes, e recebe por resposta: 

"Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. (...) A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal em favor do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade." (Grifamos.)

 No exame das paixões, a resposta dos Espíritos à pergunta 907 esclarece que a paixão, em sua origem, não é má; "a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. 

O abuso que delas se faz é que causa o mal". O egoísmo é o vício mais radical (q. 913), dele derivando todo o mal. "Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos há egoísmo. (...) Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades."

Fénelon responde de forma admirável à indagação - Qual o meio de destruir-se o egoísmo? (q. 917). Eis alguns trechos do seu pensamento: "De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de erradicar-se (...). O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas." (...). 

No longo e elucidativo comentário sobre essa questão, Kardec afirma ser necessário combater o egoísmo na sua raiz "pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem.

A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral". Sobre a educação à luz do Espiritismo, Ney Lobo5 enfatiza: 

"A Ética Espírita é a argamassa que cimenta a Filosofia com a Educação Espírita, articulando-as funcionalmente num enlace perfeito e doutrinário: a Filosofia fornece a Ética para a Educação realizá-la." 

3. Comportamento ético-espírita 

A Ética Espírita, aliando a fé à razão - e pelo seu caráter educativo - leva o homem, à mudança positiva de comportamento. Daí a exortação do Codificador :

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. " 

Retomando o citado capítulo sobre a Perfeição Moral, encontramos o modelo de comportamento ético-espírita na questão 918, em que Kardec, no seu comentário, apresenta os caracteres do homem de bem e declara:

 "Verdadeiramente, homem de bem, é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua maior pureza." 

Ele desdobra esse tema no capítulo XVII de O Evangelho segundo o Espiritismo, descreve a conduta do homem de bem, e conclui - referindo-se aos bons espíritas - que o Espiritismo leva aos resultados por ele obtidos que "caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro ". (Grifamos.) 

*** A Ética Espírita foi enriquecida, no século XX, com o apostolado mediúnico de Francisco Cândido Xavier, através do qual a Espiritualidade Superior canalizou para o homem contemporâneo valiosas diretrizes de ordem comportamental, sob a visão evangélico-doutrinária da Terceira Revelação. 

Destacamos desse tesouro as mensagens de Emmanuel que compõem a série (editada pela FEB) Caminho, verdade e Vida, Pão Nosso, Vinha de Luz e Fonte Viva, assim como as de André Luiz, cujo livro Conduta Espírita é um repositório de orientações a quantos queiram ter um comportamento ético-cristão. 

Esta contribuição do Mundo Espiritual é acrescida pelas obras de Joanna de Ângelis sobre o homem integral e a psicologia profunda, psicografadas por Divaldo Pereira Franco. 

O comportamento ético-espírita não pode limitar-se aos momentos em que estamos na Casa Espírita ou no atendimento às carências do próximo. Ele deve constituir o nosso modo de ser e de agir em todas as circunstâncias da vida. 

Ao espírita compete manter uma conduta ética no cotidiano, em todas as relações que estabelece com o seu semelhante e a sociedade, ainda que em detrimento de seu interesse pessoal. Cabe-lhe viver e exemplificar a conduta ética no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações apresentadas pelo Espírito André Luiz7 , consultando sempre a sua consciência, onde está escrita a lei de Deus. 


Referências Bibliográficas 1 MICHAELIS: Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1998, 2.267 p., p. 908. 2 CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Editora Ática, 2003, 424 p., p. 310. 3 FRANCO, Divaldo Pereira. Impermanência e Imortalidade, pelo Espírito Carlos Torres Pastorino. Rio de Janeiro: FEB, 2004, 224 p., "Ética e razão", p. 215-222. 4 LOBO, Ney. Filosofia Espírita da Educação. Rio [de Janeiro]: FEB, 1989, v. l, p. 50. 5 ld., ibid., p. 53. 6 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 120. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 2002, 435 p., cap. XVII, p. 274. 7 VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, pelo Espírito André Luiz. 5. ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1974, 155 p. volta ao Início (Estudo originalmente publicado na Revista Internacional de Epiritismo, Ano LXXX, No 02, Matão, Março 2005 e reproduzido com autorização do autor)