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sábado, 12 de julho de 2014

III- Inteligência e Instinto, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO IV-PRINCÍPIO VITAL,

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO IV– PRINCÍPIO VITAL
III-Inteligência e Instinto
(Questão 71 à 75)
Deixando o corpo, a alma fica perturbada por algum tempo até que venha a ter consciência de si mesma.

Todos os Espíritos experimentam a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo, em diferente grau e pelo diferente tempo,pois isso depende da sua elevação. Aquele que já está depurado se reconhece quase imediatamente, porque se desprendeu da matéria durante a vida corpórea, enquanto o homem carnal, cuja consciência não é pura, conserva por muito tempo mais a impressão da matéria.

O conhecimento do Espiritismo exerce grande influência sobre a duração maior ou menor da perturbação, pois o Espírito compreende antecipadamente a sua situação; mas a prática do bem e a pureza de consciência são o que exerce maior influência.

Comentário de Kardec: No momento da morte, tudo, a princípio, é confuso; a alma necessita de algum tempo para se reconhecer; sente-se como atordoada, no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam à medida que se extingue a influência da matéria de que se desprendeu, e que se dissipa essa espécie de nevoeiro que lhe turva os pensamentos.

  A duração da perturbação de após morte é muito variável: pode ser de algumas horas, como de muitos meses e mesmo de muitos anos. Aqueles em que é menos longa são os que se identificaram durante a vida com o seu estado futuro, porque então compreendem imediatamente a sua posição.

  Essa perturbação apresenta circunstâncias particulares, segundo o caráter dos indivíduos e sobretudo de acordo com o gênero de morte. Nas mortes violentas, por suicídio suplício, acidente, apoplexia, ferimentos etc. o Espírito é surpreendido, espanta-se, não acredita que esteja morto e sustenta teimosamente que não morreu. Não obstante, vê o seu corpo, sabe que é dele, mas não compreende que esteja separado Procura as pessoas de sua afeição, dirige-se a elas e não entende por que não o ouvem. Esta ilusão mantém-se até o completo desprendimento do espírito, e somente então ele reconhece o seu estado e compreende que não faz mais parte do mundo dos vivos.

  Esse fenômeno é facilmente explicável. Surpreendido pela morte imprevista, o Espírito fica aturdido com a mudança brusca que nele se opera. Para ele, a morte é ainda sinônimo de destruição, de aniquilamento; ora, como continua a pensar, como ainda vê e escuta, não se considera morto. E o que aumenta a sua ilusão é o fato de se ver num corpo semelhante ao que deixou na terra, cuja natureza etérea ainda não teve tempo de verificar. Ele o julga sólido e compacto como o primeiro e, quando se chama a sua atenção para esse ponto, admira-se de não poder apalpá-lo.

  Assemelha-se este fenômeno ao dos sonâmbulos inexperientes que não creem estar dormindo. Para eles, o sono é sinônimo de suspensão das faculdades; ora, como pensam livremente e podem ver, não acham que estejam dormindo. Alguns Espíritos apresentam esta particularidade, embora a morte não os tenha colhido inopinadamente; mas ela é sempre mais generalizada entre os que, apesar de doentes, não pensavam em morrer. Vê-se então o espetáculo singular de um Espírito que assiste aos próprios funerais como os de um estranho, deles falando como de uma coisa que não lhe dissesse respeito, até o momento de compreender a verdade.
  A perturbação que se segue à morte nada tem de penosa para o homem de bem; é calma e em tudo semelhante à que acompanha um despertar tranquilo. Para aquele cuja consciência não está pura, é cheia de ansiedades e angústias.

  Nos casos de morte coletiva, observou-se que todos os que pereceram ao mesmo tempo nem sempre se reveem imediatamente. Na perturbação que se segue à morte, cada um vai para o seu lado ou só se preocupa com aqueles que lhe interessam.


II- A Vida e a Morte, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO IV-PRINCÍPIO VITAL,

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO IV– PRINCÍPIO VITAL
II-A Vida e a Morte
(Questão 68 à 70)

A causa da morte nos seres orgânicos é a exaustão dos órgãos.

Pode-se comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desarranjada, pois, se a máquina estiver mal montada, a sua mola se quebra; se o corpo estiver doente, a vida se esvai.

Uma lesão do coração, mais que a dos outros órgãos, causa a morte, pois que o coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.

Em que se transformam A matéria e o princípio vital dos seres orgânicos após a morte, se transforma numa matéria inerte, se decompõe e vai formar novos seres; o princípio vital retorna à massa.
Comentário de Kardec:Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formavam passam por novas combinações, constituindo novos seres que haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir.
Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem-se entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas.
Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos são destruídos ou profundamente alterados, o fluido vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre.
Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre, os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjaram; como um relógio gasto pelo uso ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pode pôr em movimento.
Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam, enquanto o fluido não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está ativo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa; e o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas de aparelhos elétricos, nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade ocasiona a morte.
A quantidade de fluido vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies, e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados do fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos mais enérgicos e, de certa maneira, de vida superabundante.
A quantidade de fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contém.

O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem menos e, em certos casos, fazer voltar uma vida prestes a extinguir-se.

I-Seres Orgânicos e Inorgânicos., O Livro dos Espíritos, Allan Kardec - LIVRO PRIMEIRO - CAPÍTULO IV-PRINCÍPIO VITAL,

LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS PRIMÁRIAS
CAPÍTULO IV– PRINCÍPIO VITAL
I-Seres Orgânicos e Inorgânicos
(Questão 60 à 67)

Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades da sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas. Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria: os minerais, a água, o ar etc.

É a mesma força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos, pois que a lei de atração é a mesma para todos.

Não há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos, são sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.

A causa da animalização da matéria está na sua união com o princípio vital.

O princípio vital é propriedade de um agente especial e da matéria organizada. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres, que o absorvem e assimilam.

O princípio vital é um dos elementos necessários à constituição do universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um mesmo princípio.

Em consequência do que dissemos, parece resultar daí que, a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devido a certas modificações desta.

O princípio vital tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.
O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e duvidado, e os distingue da matéria inerte, pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento, não o produz.

A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, que se desenvolve com o corpo. É necessária a união de ambos, agente vital e matéria, para produzir a vida.
Podemos dizer que a vitalidade permanece, quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo.

Comentário de Kardec: O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade intima ou princípio vital que neles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor.




domingo, 15 de junho de 2014

O Livro dos Espiritos, Allan Kardec-Introdução aos Estudos da Doutrina EspíritaII- ALMA, PRINCÍPIO VITAL E FLUIDO VITAL


O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

II- ALMA, PRINCÍPIO VITAL E FLUIDO VITAL

Kardec aborda as diferentes acepções da palavra ALMA.

“Para uns, a ALMA é o princípio da vida material orgânica; não tem existência própria e cessa com a vida: é o puro materialismo. De acordo com essa opinião a alma seria um efeito e não uma causa.”

“Pensam outros que a alma é o princípio da inteligência, agente universal, do qual cada ser absorve uma porção.” Segundo esta, a alma universal seria Deus, e cada ser, uma porção da Divindade; é uma variante do panteísmo.”

“Enfim, para outros, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva a individualidade, após a morte. Essa doutrina segundo a qual a alma é a causa e não o efeito é a dos espiritualistas.”

Kardec considera que as três definições dadas a um único vocábulo “alma” de alguma forma estão certas, embora exprimam três diferentes ideias.

ALMA ser imaterial e individual que reside em nós e sobrevive ao corpo.

PRINCÍPIO VITAL princípio da vida material e orgânica, seja qual for a sua fonte, e que é comum a todos os seres vivos da planta ao homem. Desde que pode haver vida independente da faculdade de pensar, o princípio vital é uma coisa distinta e independente.

FLUIDO VITAL – espécie de fluido elétrico animalizado, também chamado de fluido magnético, fluido nervoso, etc. É incontestável, por ser resultado da observação de que:

·       Os seres têm em si uma força íntima que produz o fenômeno da vida enquanto existe essa força;

·       Que a vida material é comum a todos os a todos os seres orgânicos e é independente da inteligência e do pensamento;

·       Que inteligência e pensamento são faculdades próprias a certas espécies orgânicas;

·       Que entre as espécies orgânicas dotadas de pensamento e inteligência, uma existe dotada de um sentido moral especial, que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras – a espécie humana.

 É dada à ALMA conceitos individualizados a fim de evitar-se confusão:

·       ALMA VITAL – para designar o princípio da vida material. Esta seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens.


·       ALMA INTELECTUAL – para designar o princípio da inteligência. Esta seria própria dos animais e do homem.


·       ALMA ESPÍRITA – para o princípio da nossa individualidade após a morte. Pertenceria somente ao homem.