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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Brasil, Pátria Amada!


Brasil, pátria amada!
Pelo povo, idolatrada.
Pátria minha tão sonhada
Que caminha para o alto
Na conquista de um grande salto
Pátria minha, pátria amada!

Brasil de inúmeras espécies,
Onde tudo se mistura, e se agradece.
Brasil que engrandece,
A terra amada de Jesus
Brasil você é luz.

Brasil de um modelo tão sonhado.
Porém, nem sempre conquistado,
Povo sofrido, mas amado.
Brasil, caminho de atalhos
Com atrasos ao destino,
O povo ainda assim, é aclamado.

Brasil, povo brasileiro.
Escutem as batidas de seus corações.
E despertem das ilusões,
De sonhos fantasiados.

Um Brasil já acordado,
Consciente de sua missão.
Com trabalho e realização,
Brasil segure a emoção,
Põe um pouco de razão.
Desperta Brasil!
Cuida bem do Coração.


          Em 15 de outubro de 2018
         Espírito Irmã Ana Rosa
   Psicografia de Alessandra Uzêda

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

O melindre detrói sonhos!

O melindre denota uma capacidade para se ressentir ou se magoar diante de determinadas situações.

A questão está em conseguirmos vislumbrar as causas primeiras, aquelas que antecedem a primeira motivação para o melindre. 

Muitas vezes, o motivo real causador do melindre não reflete a mensagem implícita, aquilo que de fato representa a intenção também real, para se chegar ao melindre em si. 

O melindre é na verdade, uma consequência de algo intrigante, algo mais profundo que entristece, que desanima, e que muitas vezes decepciona, que te incomoda profundamente no âmbito de suas emoções. E se incomoda tanto no âmbito de suas emoções é porque certamente algo não vai bem. 

Emoções são a expressão de nossos sentimentos. Se as emoções não vão bem, os sentimentos andam mesmo em desequilíbrio. E sentimentos em desequilíbrio requer autoconhecimento, autorreflexão para a partir daí ocorrer a autotransformação capaz de deixar a pessoa mais equilibrada emocionalmente, e consciente de sua realidade pessoal, não se permitir melindrar.

Devemos nos perguntar:
1. Por que melindramos e quais as motivações?
2. Que emoção primária o melindre nos acomete?
3. O que significa essa emoção primária?
4. Quais as consequências dessa emoção primária?
5. Qual ou quais as emoções secundárias geradas a partir da emoção primária?
6. Quais as consequências das emoções secundárias?
7. Quais as minhas habilidades que poderiam ter sido usada para evitar o melindre?
8. Se assim tivesse feito, quais seriam as consequências? Você teria melindrado?

A exemplo disso, ampliando a nossa capacidade de compreender melhor a situação temos:

Respostas:
1. Melindre: Tristeza
   Motivações: Pessoa fala com segundas intenções. Tem sempre uma mensagem subliminar implícita. Não há pureza no coração, e portanto, não pode haver pureza no que se fala.
2. Tristeza
3. A tristeza é um estado afetivo caracterizado pela falta de alegria, pela melancolia no propósito da relação interpessoal. Significa a surpresa de descobrir como de fato é a pessoa através de seus pensamentos. 
4. Traz como consequência esfriamento da relação, distanciamento em relação ao outro. 
5. Decepção e Desconfiança, estado constante de alerta, já que não diz diretamente o que sente.
6. As consequências estão num esforço constante de compreender as motivações reais do outro. Nada é puro, simples e livre de mensagens subliminares. Parece que a pessoa esta sempre articulando. 
7. Capacidade de compreender as limitações do outro. Ampliar a perspectiva de perdoar já que se ama. Compreender que o outro não consegue expressar o que realmente sente, não sabe lidar com seus sentimentos. Se autoconhecer para mostrar através do exemplo que é possível agir sem uma segunda intenção. Se firmar com atitudes positivas não absorvendo a energia pessimista e negativa do outro. Não dar grandes importâncias ao que se fala, absorvendo apenas o que há de melhor no outro.
8.Se assim tivesse feito, não deixaria a tristeza chegar, a decepção fazer guarida no coração. Enxergaria seus reais potencias positivos para que pudesse, explorá-lo melhor em relação as motivações do melindre em si.  Se não fez assim e ama, então só lhe resta perdoar e viver feliz.

As perguntas acima servem para qualquer situação em que ocorra um melindre, não só nas relações de convivência. Você pode fazer a análise respondendo ás perguntas com seriedade e vai encontrar as respostas.

Essa reflexão é essencial diante daquilo que nos incomoda para que, conhecendo, possamos decidir sobre mudar ou não, já que o melindre em si, destrói sonhos.

domingo, 25 de março de 2018

NA EDIÇÃO DA FÉ - Espírito Emmanuel

Ninguém edificará o santuário da fé no coração, sem associar-se, com toda alma, ao trabalho, naquilo que o trabalho oferece de belo e de superior dentro da vida. 

Para alcançar, porém, a divina construção não nos bastam os primores intelectuais, a eloquência preciosa, o êxtase contemplativo ou a desenvoltura dos cálculos no campo da inteligência. 

Grandes gênios do raciocínio são, por vezes, demônios da tirania e da morte. 

Admiráveis doutrinadores, em muitas ocasiões, são vitrinas de palavras brilhantes e vazias. 

Muitos adoradores da Divindade, freqüentemente, mergulham-se na preguiça a pretexto de cultuar a Glória Celeste. 

Famosos matemáticos, não raro, são símbolos de sagacidade e exploração inferior. 

Amenos o trabalho que a Eterna Sabedoria nos conferiu, onde nos situamos, afeiçoando-nos à sua execução sempre a mais nobre, cada dia, e seremos premiados pela grande compreensão, matriz e abençoada de toda a confiança, de toda a serenidade e de todo o engrandecimento do espírito.

Para penetrar os segredos da estatuária, o escultor repete os golpes do buril milhões de vezes. 

Para produzir o vaso de que se orgulhará em sua missão bem cumprida, o oleiro demora-se infinitamente ao contato da argila. 

Para expor as peças com que enriquecerá o conforto humano, o carpinteiro, de mil modos, recapitulará o aprimoramento do tronco bruto. 

Não te queixes se a fé ainda te não coroa a razão. 

Consagra-te aos pequeninos sacrifícios, na esfera de tuas diárias obrigações, à frente dos outros, cede de ti mesmo, exercita a bondade, inflama o otimismo por onde passes, planta a gentileza ao redor de teus sonhos, movimenta-te no ideal de sublimação que elegeste para o alvo de teu destino. 

Aprende a repetir para que te aperfeiçoes... Não vale fixar indefinidamente as estrelas, amaldiçoando as trevas que ainda nos cercam. 

Acendamos a vela humilde de nossa boa vontade, no chão de nossa pobreza individual, para que as sombras terrestres diminuam e o esplendor solar sintonizar-se-á com a nossa flama singela. A tomada insignificante é o refletor da usina, quando ligada aos seus poderosos padrões de força. 

Confessemos Jesus em nossos atos de cada hora, renovando-nos com Ele, avançando felizes em seu roteiro de renunciação, auxiliando a todos e servindo cada vez mais, em Seu Nome, e, de inesperado, reconheceremos nossa alma inundada por alegria indizível e por silenciosa luz... 

É que o trabalho de comunhão com o Mestre terá realizado em nós a Sua Obra Gloriosa e a fé perfeita e divina, por tesouro inalienável, brilhará conosco, definitivamente incorporada à nossa vida e ao nosso coração. 

sábado, 18 de junho de 2016

IRMÃ CORAGEM

 Deus te abençoa a Fé por onde fores,
Adornando-te de luzes renascentes,
Nos sonhos e esperanças que acalentes,
A suprimir pesares e amargores. 

Deus te engrandece em tudo quanto intentes. 
Embora suportando as próprias dores, 
No intuito de amparar os sofredores, 
Os cansados, os tristes e os doentes. 

Irmã coragem, Espírito de alegria, 
Sempre servindo e amando, dia a dia, 
Enaltecendo as provas benfazejas. 
Sê grata à vida e à luta, chora e canta, 
Jesus te inspira a estrada clara e santa Mensageira do Amor, Bendita Sejas!... 

Espírito: JÉSUS GONÇALVES
Médium: Francisco Cândido Xavier 
Livro: "Estradas e Destinos" - EDIÇÃO CÉU  

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Quando a alma falar, transcreva as suas palavras!

Senhor Jesus, como é bom poder sentir essa sensação tão agradável ao acordar. Muitas vezes nossa alma de tão leve que transita durante o descanso do corpo que não desejamos nem mesmo acordar, ao menos naquele momento. Um bem-estar, um sentir-se bem, mas tão bem que nem mesmo queremos abrir os olhos. Desejamos ardentemente apenas dormir, dormir mais para estar entre vós no mundo espiritual.

É inevitável que acordemos já que ainda há muito a se concretizar aqui no plano material. Um planejamento rico de realizações que nos espera em meio à evolução de meu espírito.

Não que não esteja feliz. Tenho uma família maravilhosa, unida, preocupada com o bem-estar de todos, que se ama apesar de um ou outro conflito que demonstra o pouco esclarecimento espiritual de alguns e que sei que tenho a obrigação de compreender. Que Deus os abençoe sempre!

Mas é mesmo indescritível a sensação de relaxamento e amplitude da percepção do todo como se o meu espírito se dilatasse e se distanciasse cada vez mais da matéria que o carrega para a realização de seus objetivos.

Um desdobrar-se de sublimidade alcançável ao meu espirito que bem sei que ainda está bem longe do sublime real. Mas ainda assim Senhor, muito obrigada por ao acordar manter essa sensação de que estava entre vós, sendo acolhido, amparado e orientado pela Espiritualidade que trabalha em seu nome.

Queria mesmo poder lembrar o que fazia, com quem trabalhava o meu espírito durante o descanso do corpo. Mas, também já tenho o esclarecimento necessário para compreender que nem tudo nesta vida de encarnado nos convém lembrar. Que só é dado ao homem a permissão de lembrar aquilo que poderia servir de alicerce para subir mais um degrau na escala da vida.

Os limites que o corpo nos impõe são reguladores necessários ao nosso desenvolvimento espiritual e certamente, moral também. Que Deus me dê a sabedoria e a perseverança para conduzir os meus filhos ao caminho da espiritualidade de uma maneira leve e feliz como estou seguindo, para que um dia ao retornar, todos estejam confortados pelo Espiritismo Consolador que nos mostra um horizonte muito maior após o desencarne.
Obrigado Senhor, por poder estar aqui, falando por minha alma, que tenho a consciência de que não tem a minha aparência.

Que assim seja!

A alma também fala

sexta-feira, 26 de junho de 2015

ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES - de O Livro dos Médiuns, Allan kardec

ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES
            101. As manifestações mais comuns de aparições ocorrem durante o sono, pelos sonhos: são as visões. Não podemos examinar aqui todas as particularidades que os sonhos podem apresentar.
            Resumiremos dizendo que eles podem ser: uma visão atual de coisas presentes ou distantes; uma visão retrospectiva do passado; e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Freqüentemente são também quadros alegóricos que os Espíritos nos apresentam como úteis advertências ou salutares conselhos, quando são Espíritos bons; ou para nos enganarem e entreterem as nossas paixões, se são Espíritos imperfeitos. A teoria abaixo se aplica aos sonhos, como a todos os outros casos de aparições. (Ver O Livro dos Espíritas, nº 400 e seguintes)
            Não ofenderemos o bom senso dos leitores refutando o que há de absurdo e ridículo no que vulgarmente se chama de interpretação dos sonhos(5)
            102. As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes aos do Espírito quando encarnado.
            Podendo tomar toda as aparências, o Espírito se apresenta com aquela que melhor o possa identificar, se for esse o seu desejo. Assim, embora não tenha, como Espírito, nenhum defeito corporal, ele se mostra estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para identificá-lo. Esopo, por exemplo, não é disforme como Espírito,mas se o evocamos como Esopo, por mais existências posteriores que tenha tido, aparecerá feio e corcunda, com seus trajes tradicionais. Uma particularidade a notar é que, exceto em circunstâncias especiais, as partes menos precisas da aparição são os membros inferiores, enquanto a cabeça, o tronco, os braços e as mãos aparecem nitidamente. Assim, não os vemos quase nunca andar, mas deslizar como sombras. Quanto às vestes, ordinariamente se constituem de um planejamento que termina em longas pregas flutuantes. São essas, em resumo, acrescentadas por uma cabeleira ondulante e graciosa, as características da aparência dos Espíritos que nada conservam da vida terrena. Mas os Espíritos comuns, das pessoas que conhecemos, vestem-se geralmente como o faziam nos últimos dias de sua existência.
            Há os que muitas vezes se apresentam com símbolos da sua elevação, como uma auréola ou asas, pelo que são considerados anjos. Outros carregam instrumentos que lembram suas atividades terrenas: assim um guerreiro poderá aparecer com uma armadura, um sábio com seus livros, um assassino com seu punhal, e assim por diante. Os Espíritos superiores apresentam uma figura bela, nobre e serena. Os mais inferiores têm algo de feroz e bestial, e algumas vezes ainda trazem os vestígios dos crimes que cometeram ou dos suplícios que sofreram. O problema das vestes e dos objetos acessórios é talvez o mais intrigante. Voltaremos a tratar disso num capítulo especial, porque ele se liga a outras questões muito importantes.
            103. Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem aço, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes a distinguem. Eles as vêem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar idéias, influenciá-la, quando são Espíritos bons, zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiverem. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.
            E assim esse mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o perceber, como vivemos entre a miríades de seres do mundo microscópico. A revelação do mundo dos infinitamente pequenos, de que não suspeitávamos, foi feita pelo microscópio; o Espiritismo, servindo-se dos médiuns videntes, nos revelou o mundo dos Espíritos, que é também uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes pudemos estudar o mundo invisível, iniciar-nos nos seus hábitos, como um povo de cegos poderia estudar o mundo dos que vêem com o auxílio de algumas pessoas que gozassem da faculdade da visão. (Ver adiante, no cap. XIV; Dos Médiuns, o tópico referente aos médiuns videntes.)
            104. O Espírito que deseja ou pode aparecer reveste algumas  vezes uma forma ainda mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita  e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvaecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato.
            Se pudéssemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a ocorrência de uma aparição simplesmente visual, a dúvida já não é mais possível quando a podemos pegar, e quando ela mesma nos seguras e abraça. As aparições tangíveis são as mais raras. Mas as que tem havido nestes últimos tempos, pela influência de alguns médiuns potentes(6), inteiramente autenticadas por testemunhos irrecusáveis, provam e explicam os relatos históricos sobre as pessoas que reaparecem após a morte com todas as aparências da realidade. De resto, como já acentuamos, por mais extraordinários que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se compreende que, longe de representarem uma derrogação das leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação dessas leis.
            105. O perispírito, por sua própria natureza, é invisível no estado normal. Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem e que jamais vimos.
Mas ele pode também, à semelhança de certos fluidos por modificações que o tornem visível, seja por uma espécie de condensação ou por uma mudança em suas disposições moleculares, e é então que nos aparece de maneira vaporosa. A condensação pode chegar ao ponto de dar ao perispírito as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que pode instantaneamente voltar ao seu estado etéreo e invisível.
            (É necessário não tomar ao pé da letra a palavra condensação, pois só a empregamos por falta de outra e como simples recurso de comparação.) Podemos entender esse processo ao compará-lo ao do vapor, que pode passar da invisibilidade a um estado brumoso, depois ao líquido, a seguir ao sólido e vice-versa.
            Esses diversos estados do perispírito, entretanto, resultam da vontade do Espírito e não de causas físicas e exteriores, como acontece com os gases. O Espírito nos aparece quando deu ao seu perispírito a condição necessária para se tornar visível. Mas a simples vontade não basta para produzir esse efeito, porque a modificação do perispírito se verifica mediante a sua combinação com o fluido específico do médium. Ora, essa combinação nem sempre é possível, e isso explica por que a visibilidade dos Espíritos não é comum.
            Assim, não é suficiente que o Espírito queira aparecer, nem apenas que uma pessoa o queira ver é necessário que os fluidos de ambos possam combinar-se, para o que tem de haver entre eles uma espécie de afinidade. É necessário ainda que a emissão de fluido da pessoa seja abundante para operar a transformação do perispírito, e provavelmente há outras condições que desconhecemos. Por fim, é preciso que o Espírito tenha a permissão de aparecer para aquela pessoa, o que nem sempre lhe é concebido, ou pelo menos não o é em certas circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar.(7)
            106. Outra propriedade do perispírito é a penetrabilidade, inerente à sua natureza etérea. Nenhuma espécie de matéria lhe serve de obstáculo: ele atravessa a todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Não há pois, meios de impedir a entrada dos espíritos, que vão visitar o prisioneiro em sua cela com a mesma facilidade com que visitam um homem no meio do campo.(8)
            107. As aparições no estado de vigília não são raras nem constituem novidade. Verificam-se em todos os tempos. A História oferece-nos grande número de casos. Mas sem remontar ao passado, encontramo-las com freqüências nos nossos dias. Muitas pessoas as tiveram e as tomaram, no primeiro instante, pelo que se convencionou chamar de alucinações. São freqüentes sobretudo nos casos de morte de pessoas distantes, que vêm visitar parentes e amigos. Muitas vezes não tem um objetivo claro, mas podemos dizer que em geral os Espíritos que assim aparecem são atraídos por simpatia. Que examine cada um as suas lembranças e verá que são poucos os que não conhecem fatos dessa espécie, cuja autenticidade não se poderia por em dúvida.
            108. Acrescentaremos às considerações precedentes o exame de alguns efeitos ópticos que deram lugar ao estranho sistema dos Espíritos glóbulos.
            Nem sempre o ar está inteiramente límpido. É então que as correntes de moléculas aeriformes e sua movimentação, produzida pelo calor, se tornam perfeitamente visíveis. Algumas pessoas tomaram isso por  conjuntos de Espíritos agitando-se no espaço. Basta-nos mencionar esta opinião para a refutar. Mas há outra espécie de ilusão, não menos bizarra, contra a qual se deve também precaver.           
O humor aquoso dos olhos tem alguns pontos mal perceptíveis que perderam algo de sua transparência. Esses pontos são como corpos opacos em suspensão no líquido que os movimenta. Eles projetam no ar ambiente e à distância, aumentados pela refração, pequenos discos aparentes, de um a dez milímetros de diâmetro, que parecem nadar da atmosfera. Vimos pessoas tomarem esses discos por Espíritos que as seguiam por toda parte, e no seu entusiasmo vêem figuras nas nuanças da irisação, o que é quase o mesmo que ver uma figura na Lua. Bastaria uma simples observação, feita por elas mesmas, para reconduzi-las à realidade.
Esses discos ou medalhões, dizem elas, além de acompanhá-las repetem os seus movimentos: vão para a direita e para esquerda , para cima e para baixo, segundo elas movem a cabeça. Isso nada tem de estranho, desde que os discos são projetados pelo globo ocular e devem naturalmente obedecer aos seus movimentos. Se fossem Espíritos, deveriam estar adstritos a um movimento demasiado mecânico para seres inteligentes e livres. Papel, aliás, bem cansativo, mesmo para Espíritos inferiores, e com mais forte razão incompatível com a idéia que fazemos dos Espíritos superiores. É verdade que alguns tomam por maus Espíritos os pontos negros ou moscas amauróticas.(9)
            Os discos, assim como as manchas negras, têm um movimento ondulatório restrito a um certo ângulo, e o que aumenta a ilusão é que eles não seguem bruscamente os movimentos da linha visual. A razão é muito simples. Os pontos opacos do humor aquoso, causa primeira do fenômeno, estão em suspensão no líquido e tendem a descer. Sobem com o movimento dos olhos,mas atingindo certa altura, se fixamos o olhar vemos os discos descerem por si mesmos e depois pararem. Sua mobilidade é extrema, pois basta um movimento imperceptível do olho para mudá-los de direção e fazê-los percorrer rapidamente toda a amplitude do arco, no espaço em que a imagem se produz. Enquanto não se provar que essa imagem tem movimento próprio, espontâneo e inteligente, só se pode ver nisso um fenômeno óptico e fisiológico.
            Acontece o mesmo com as centelhas produzidas pela contração dos músculos dos olhos, que aparecem em feixes mais ou menos compactos, e que são provavelmente devidos à eletricidade fosforescente da íris, pois em geral se circunscrevem ao círculo desse disco.
            Semelhantes ilusões só podem resultar de observação imperfeita. Quem tiver seriamente estudado a natureza dos Espíritos, através dos meios oferecidos pela prática doutrinária, compreenderá quanto elas tem de pueril.
     Assim como combatemos as teorias temerárias com as quais atacam as comunicações, pois que decorrem da ignorância dos fatos, também devemos procurar destruir as idéia falsas que decorrem mais do entusiasmo do que da reflexão, e que por isso mesmo produzem mais mal do que bem junto aos incrédulos, já naturalmente dispostos a procurar o lado ridículo.
            109. O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. Seu conhecimento nos deu a chave de numerosos fenômenos, permitindo um grande avanço à Ciência Espírita e fazendo-a entrar numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, – pois é explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação dos corpos inertes, dos ruídos e das aparições. Nele encontraremos a explicação de muitos outros fenômenos ainda por examinar, antes de passar ao estudo das comunicações propriamente ditas. Tanto as compreenderemos, quanto mais nos inteirarmos de suas causas fundamentais. Se bem compreendermos esse princípio, facilmente poderemos aplicá-lo aos diversos fatos que se apresentar à observação.
            110. Longe de nós considerar a teoria que apresentamos como absoluta e como sendo a última palavra na questão. Ela será sem dúvida completada ou retificada mais tarde através de novos estudos. Mas por mais incompleta ou imperfeita que hoje se apresente, pode sempre ajudar a se compreender a possibilidade dos fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se for uma hipótese, não se lhe pode entretanto negar o mérito da racionalidade e da probabilidade, e que vale tanto quanto todas as explicações tentadas pelos negadores para provar que tudo não passa de ilusão, fantasmagoria e evasiva nos fenômenos espíritas.(10)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

"O Sono e os Sonhos"



Programa transmitido via internet pela Rádio FEEB www.casadacaridade.net ou feeb.org.net todas às sextas-feiras 
às 19 horas.

domingo, 17 de agosto de 2014

I-O SONO E OS SONHOS- O Livro dos Espíritos, Allan Kardec ,CAPÍTULO VIII– EMANCIPAÇÃO DA ALMA- LIVRO SEGUNDO

LIVRO SEGUNDO
MUNDO ESPÍRITA OU DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO VIII– EMANCIPAÇÃO DA ALMA
I-              O Sono e os Sonhos
             (Questões 400 à 412)

Perguntar se o Espírito encarnado permanece voluntariamente no envoltório corporal seria o mesmo que perguntar se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação, e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais deseja ver-se desembaraçado.
Durante o sono, a alma não repousa como o corpo visto que o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.

Podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono pelos sonhos. Sabei que, quando o corpo repousa, o Espírito dispõe de mais faculdades que no estado de vigília. Tem a lembrança do passado e, às vezes, a previsão do futuro; adquire mais poder e pode entrar em comunicação com os outros espíritos, seja deste mundo, seja de outro.

Frequentemente dizes: “Tive um sonho bizarro, um sonho horrível, mas que não tem nenhuma verossimilhança”. Enganas-te. E quase sempre uma lembrança de lugares e de coisas que viste ou que verás numa outra existência ou em outra ocasião. O corpo estando adormecido, o Espírito trata de quebrar as suas cadeias para investigar no passado ou no futuro.

      Pobres homens, que conheceis tão pouco dos mais ordinários fenômenos da vida! Acreditais ser muito sábios, e as coisas mais vulgares vos embaraçam. A esta pergunta de todas as crianças: “O que é que fazemos quando dormimos; o que são os sonhos?”, ficais sem resposta.

      O sono liberta parcialmente a alma do corpo. Quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte. Os Espíritos que logo se desprendem da matéria, ao morrerem, tiveram sonhos inteligentes. Esses Espíritos, quando dormem, procuram a sociedade dos que lhes são superiores: viajam, conversam e se instruem com eles; trabalham mesmo em obras que encontram concluídas, ao morrer. Destes fatos deveis aprender, uma vez mais, a não ter medo da morte, pois morreis todos os dias, segundo a expressão de um santo.

      Isto para os Espíritos elevados; pois a massa dos homens que, com a morte, devem permanecer longas horas nessa perturbação, nessa incerteza de que vos têm falado, vão seja a mundos inferiores à Terra, onde antigas afeições os chamam, seja à procura de prazeres talvez ainda mais baixos do que possuíam aqui; vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais nocivas do que as que professavam entre vós. E o que engendra a simpatia na Terra não é outra coisa senão o fato de nos sentirmos, ao acordar, ligados pelo coração àqueles com quem acabamos de passar oito ou nove horas de felicidade ou de prazer. O que explica também as antipatias invencíveis é que sentimos, no fundo do coração, que essas pessoas têm uma consciência diversa da nossa, porque as conhecemos sem jamais as ter visto. E ainda o que explica a indiferença, pois não procuramos fazer novos amigos, quando sabemos ter os que nos amam e nos querem. Numa palavra: o sono influi mais do que pensais, sobre a nossa vida.

      Por efeito do sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos, e é isso o que faz que os Espíritos superiores consintam, sem muita repulsa, em encarnar-se entre vós. Deus quis que durante o seu contato com o vício pudessem eles retemperar-se na fonte do bem, para não falirem, eles que vinham instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu para o contato com os seus amigos do céu; é o recreio após o trabalho, enquanto esperam o grande livramento, a libertação final que deve restituí-los ao seu verdadeiro meio.

       O sonho é a lembrança do que o vosso Espírito viu durante o sono; mas   observai que nem sempre sonhais, porque nem sempre vos lembrais daquilo que vistes ou de tudo o que vistes. Isso porque não tendes a vossa alma em todo o seu desenvolvimento; frequentemente não vos resta mais do que a lembrança da perturbação que acompanha a vossa partida e a vossa volta, a que se junta a lembrança do que fizeste ou do que vos preocupa no estado de vigília. Sem isto, como explicaríeis esses sonhos absurdos, a que estão sujeitos tanto os mais sábios quanto os mais simples? Os maus Espíritos também se servem dos sonhos, para atormentar as almas fracas e pusilânimes.

       De resto, vereis dentro em pouco desenvolver-se uma outra espécie de sonhos; uma espécie tão antiga como a que conheceis, mas que ignorais. O sonho de Joana, o sonho de Jacó, o sonho dos profetas judeus e de alguns indivíduos indianos: esse sonho é a lembrança da alma inteiramente liberta do corpo, a recordação dessa segunda vida de que há pouco eu vos falava.

      Procurai distinguir bem essas duas espécies de sonhos, entre aqueles de que vos lembrardes; sem isso, cairíeis em contradições e em erros que seriam funestos para a vossa fé.

  Comentário de Kardec: Os sonhos são o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida, que se estende aos lugares os mais distantes ou que jamais se viu, e algumas vezes mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que retraça na memória os acontecimentos verificados na existência presente ou nas existências anteriores. A extravagância das imagens referentes ao que se passa ou se passou em mundos desconhecidos entremeadas de coisas do mundo atual formam esses conjuntos bizarros e confusos que parecem não ter senso nem nexo.

      A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas decorrentes da lembrança incompleta do que nos apareceu no sonho. Tal como um relato ao qual se tivessem truncado frases ou partes de frases ao acaso: os fragmentos restantes sendo reunidos, perderiam toda significação racionai.

Quando não nos recordamos sempre dos sonhos, devemos chamar isso de SONO, só tens o repouso do corpo, porque o Espírito está em movimento. No sono, ele recobra um pouco de sua liberdade e se comunica com os que lhe são caros, seja neste ou em outros mundos. Mas como o corpo é de matéria pesada e grosseira, dificilmente conserva as impressões recebidas pelo Espírito, mesmo porque o Espírito não as percebeu pelos órgãos do corpo.

Devemos pensar da significação atribuída aos sonhos que os sonhos não são verdadeiros, como entendem os ledores da sorte, pelo que é absurdo admitir que sonhar com uma coisa anuncia outra. Eles são verdadeiros no sentido de apresentarem imagens reais para o Espírito, mas que, frequentemente, não têm relação com o que se passa na vida corpórea. Muitas vezes, ainda, como já dissemos, são uma recordação. Podem ser, enfim, algumas vezes, um pressentimento do futuro, se Deus o permite, ou a visão do que se passa no momento em outro lugar a que a alma se transporta. Não tendes numerosos exemplos de pessoas que aparecem em sonhos para advertir parentes e amigos do que lhes está acontecendo? O que são essas aparições senão a alma ou o Espírito dessas pessoas que se comunicam com a vossa? Quando adquiris a certeza de que aquilo que vistes realmente aconteceu, não é isso uma prova de que a imaginação nada tem com o fato, sobretudo se o ocorrido absolutamente não estava no vosso pensamento durante a vigília?

Frequentemente se veem em sonhos coisas que parecem pressentimentos e que não se cumprem para o encarnado, porém podem cumprir-se para o Espírito. Quer dizer que o Espírito ver aquilo que deseja, porque vai procurá-lo. Não se deve esquecer que, durante o sono, a alma está sempre mais ou menos sob a influência da matéria e por conseguinte não se afasta jamais completamente das ideias terrenas. Disso resulta que as preocupações da vigília podem dar, àquilo que se vê, a aparência do que se deseja ou do que se teme. A isso é que realmente se pode chamar um efeito da imaginação. Quando se está fortemente preocupado com uma ideia, liga-se a ela tudo o que se vê.
Quando vemos em sonho pessoas vivas, que conhecemos perfeitamente, praticarem atos em que não se sabe se são pensados ou imaginados, deve-se saber que seus Espíritos podem vir visitar o teu, como o teu pode visitar os deles, e nem sempre sabes o que pensam. Além disso, frequentemente aplicais, a pessoas que conheceis, e segundo os vossos desejos, aquilo que se passou ou se passa em outras existências.
Não é necessário o sono completo, para a emancipação do Espírito. O Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem; ele aproveita para se emancipar, todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, e quanto mais fraco estiver o corpo, mais o Espírito estará livre.

Comentário de Kardec: É assim que o cochilar, ou um simples entorpecimento dos sentidos, apresenta muitas vezes as mesmas imagens do sonho.

Às vezes, ouvimos com nossas íntimas palavras pronunciadas distintamente e que não têm nenhuma relação com o que nos preocupa, e até mesmo frases inteiras, sobretudo quando os sentidos começam a se entorpecer. É, às vezes, o fraco eco de um Espírito que deseja comunicar-se contigo.

Muitas vezes, num estado que ainda não é o cochilo, quando temos os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras das quais apanhamos os pormenores mais minuciosos. Entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar a sua cadeia: ele se transporta e vê, e se o sono fosse completo, isso seria um sonho.

Têm-se às vezes, durante o sono ou o cochilo, ideias que parecem muito boas e que, apesar dos esforços que se fazem para recordá-las, se apagam da memória. Essas ideias são o resultado da liberdade do Espírito, que se emancipa e goza, nesse momento, de mais amplas faculdades. Frequentemente, também, são conselhos dados por outros Espíritos.

Essas ideias ou esses conselhos, cuja recordação se perde, pertencem, algumas vezes, mais ao mundo dos Espíritos que ao mundo corpóreo, mas o mais frequente é que, se o corpo as esquece, o Espírito as lembra, e a ideia volta no momento necessário, como uma inspiração do momento.

O Espírito encarnado, nos momentos em que se desprende da matéria e age como Espírito, muitas vezes pressente a época de sua morte, e às vezes tem dela uma consciência bastante clara, o que lhe dá, no estado de vigília, a sua intuição. É por isso que algumas pessoas preveem, às vezes, a própria morte com grande exatidão.

A atividade do Espírito, durante o repouso ou o sono do corpo, pode fatiga-lo, porque o Espírito está ligado ao corpo, como o balão cativo ao poste. Ora, da mesma maneira que as sacudidas do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo, e pode produzir-lhe fadiga.


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Teoria dos sonhos - REVISTA ESPÍRITA

Teoria dos sonhos

Revista Espírita, julho de 1865

É verdadeiramente estranho que um fenômeno tão vulgar quanto o dos sonhos tenha sido objeto de tanta indiferença da parte da ciência, e que ainda se esteja a perguntar a causa dessas visões. Dizer que são produtos da imaginação não é resolver a questão; é uma dessas palavras com a auxilio da qual querem explicar o que não compreendem e que nada explicam. Em todo o caso, a imaginação é um produto do entendimento. Ora, como não se pode admitir entendimento nem imaginação na matéria bruta, é necessário crer que a alma nisto entre para alguma coisa.

 Se os sonhos ainda são um mistério para a ciência, é que ela se obstinou em fechar os olhos para a causa espiritual.

Procura-se a alma nas dobras do cérebro, enquanto ela se ergue a cada instante à nossa frente, livre e independente, numa porção de fenômenos inexplicáveis só pelas leis da matéria, notadamente nos sonhos, no sonambulismo natural e artificial e na dupla vista à distância. Não nos fenômenos raros, excepcionais, sutis, que exigem pacientes pesquisas do sábio e do filósofo, mas nos mais vulgares. Lá está ela, que parece dizer: Olhai e ver-me-eis; estou aos vossos olhos e não me vedes; vistes-me muitas e muitas vezes; vedes-me todos os dias; os próprios meninos me vêem; o sábio e o ignorante, o homem de gênio e o ignorante me vêem e não me reconheceis.

Mas há pessoas que parecem temer olhá-la de frente, e ter a prova de sua existência. Quanto aos que a procuram de boa-fé, até hoje lhes faltou a única chave que lhe poderia ter dado a reconhecer. Esta chave o Espiritismo acaba de dar pela lei que rege as relações do mundo corporal e do mundo espiritual. Auxiliado por esta chave é pelas observações sobre que se apoia, ele dá dos sonhos a mais lógica explicação jamais fornecida. Demonstra que o sonho, o sonambulismo, o êxtase, a dupla vista, o pressentimento, a intuição do futuro, a penetração do pensamento não passam de variantes e graus de um mesmo princípio: a emancipação da alma, mais ou menos desprendida da matéria.

A respeito dos sonhos, dá ele conta precisa de todas as variedades que apresentam? Ainda não: possuímos o princípio, o que já é muito; os que podemos explicar pôr-nos-ão na via dos outros; sem dúvida faltam-nos alguns conhecimentos, que adquiriremos mais tarde. Não há uma única ciência que, de saída, tenha desenvolvido todas as suas conseqüências e aplicações; elas não se podem completar senão por sucessivas observações. Ora, nascido ontem, o Espiritismo está como a química nas mãos dos Lavoisier e dos Berthoffet, seus primeiros criadores; estes descobriram as lei fundamentais; as primeiras balisas fincadas puseram no caminho de novas descobertas.

Entre os sonhos uns há que tem um caráter de tal modo positivo que, racionalmente, não poderiam ser atribuídos a simples jogo da imaginação. Tais são aqueles nos quais, ao despertar, adquire-se a prova da realidade do que se viu, e em que absolutamente não se pensava. Os mais difíceis de explicar são os que nos apresentam imagens incoerentes, fantásticas, sem realidade aparente. Um estudo mais aprofundado do singular fenômeno das criações fluídicas sem dúvida pôr-nos-á no caminho.

Esperando, eis uma teoria que parece permitir um passo no assunto. Não a damos como absoluta, mas como fundada na lógica e podendo ser submetida a estudo. Ela nos foi dada por um dos nossos melhores médiuns, em estado de sonambulismo muito lúcido, por ocasião do fato seguinte.

Solicitado pela mãe de uma jovem a lhe dar notícias de sua filha, que estava em Lyon, ele a viu deitada e adormecida, e descreveu com exatidão o apartamento em que se achava. Essa jovem, de dezessete anos, é médium escrevente. A mãe perguntou se ela tinha aptidão para se tornar médium vidente. Esperai, disse o sonâmbulo, é preciso que eu siga o traço de seu Espírito, que neste momento não está no corpo. Ela está aqui, na villa Ségur na sala onde estamos, atraída pelo vosso pensamento; ela vos vê e vos escuta. Para ela é um sonho, do qual não se recordará ao despertar.

Pode-se, acrescenta ele, dividir os sonhos em três categorias caracterizadas pelo grau da lembrança que fica no estado de despreendimento no qual se acha o Espírito. São:

1º - Os sonhos que são provocados pela ação da matéria e dos sentidos sobre o Espírito, isto é, aqueles em que o organismo representa um papel preponderante pela mais íntima união entre o corpo e o Espírito. A gente se lembra claramente e, por pouco desenvolvida que seja a memória, dele se conserva uma impressão durável.

2º - Os sonhos que podem ser chamados mistos. Participam, ao mesmo tempo, da matéria e do Espírito. O despreendimento é mais completo. A gente se recorda ao despertar, para o esquecer quase que instantaneamente, a menos que uma particularidade venha despertar a lembrança.

3º - Os sonhos etéreos ou puramente espirituais. São produtos só do Espírito, que está desprendido da matéria, tanto quanto o pode estar na vida do corpo. A gente não se recorda, ou resta uma vaga lembrança de que se sonhou. Nenhuma circunstância poderia trazer à memória os incidentes do sono.

O sonho atual da jovem pertence a esta terceira categoria. E1a não o recordará. Foi conduzida aqui por um Espírito muito conhecido do mundo espírita lionês e, mesmo, do mundo espírita europeu - o médium-sonambúlico descreve o Espírito Cárita. Ele trouxe com o objetivo de que ela conserve senão uma lembrança precisa, um pressentimento do bem que se pode colher de uma crença firme, pura e santa, e do bem que se pode fazer aos outros, fazendo-o a si-próprio.

Ele diz à mãe dela que se ela se lembrasse tão bem em seu estado normal quanto se lembra agora de suas encarnações precedentes, não demoraria muito no estado estacionário em que está. Porque vê claramente e pode avançar sem hesitação, ao passo que no estado ordinário temos uma venda sobre os olhos. Ela diz aos assistentes: "Obrigado por vos terdes ocupado de mim." Depois beija sua mãe. Como é feliz! acrescenta o médium, terminando, como é feliz com este sonho, do qual não se recordará, mas que, nem por isso, deixará de lhe deixar uma salutar impressão! São esses sonhos inconscientes que proporcionam estas sensações indefiníveis de contentamento e de felicidade, de que a gente não se dá conta e que são um antegozo daquilo de que desfrutam os Espíritos felizes.

Disto ressalta que o Espírito encarnado pode sofrer transformações que lhe modificam as aptidões. Um fato que talvez não tenha sido suficientemente observado vem em apoio da teoria acima. Sabe-se que o esquecimento do sonho é um dos caracteres do sonambulismo. Ora, do primeiro grau de lucidez, por vezes o Espírito passa a um grau mais elevado, que é diferente do êxtase, e no qual adquire novas idéias e percepções mais sutis. Saindo deste segundo grau para entrar na primeiro, nem se lembra do que disse, nem do que viu. Depois, passando deste grau para o de vigília, há novo esquecimento. Uma coisa a notar é que há lembrança do grau superior para o inferior, ao passo que há esquecimento do grau inferior para o superior.

É, pois, bem evidente que entre os dois estados sonambúlicos, de que acabamos de falar, passa-se algo análogo ao que ocorre no estado de vigília e o primeiro grau de lucidez; que o que se passa influi sobre as faculdades e as aptidões do Espírito. Dir-se-ia que do estado de vigília ao primeiro grau o Espírito é despojado de um véu; que do primeiro ao segundo grau é despojado de um segundo véu. Nos graus superiores, não mais existindo esses véus, o Espírito vê o que está abaixo e se lembra. Descendo a escada, os véus se formam sucessivamente e lhe ocultam o que está acima, com o que perde a sua lembrança. A vontade do magnetizador por vezes pode dissipar esse véu fluídico e dar a lembrança.

Como se vê, há uma grande analogia entre os dois estados sonambúlicos e as diversas categorias de sonhos descritos acima. Parece-nos mais que provável que, num e noutro caso, o Espírito se ache numa situação idêntica. Para cada degrau que sobe, eleva-se acima de uma camada de garoa: sua vista e suas percepções tornam-se mais claras.