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domingo, 16 de junho de 2019

Inimigos desencarnados ou amigos feridos de outras vidas?


O olhar sobre o problema é algo que muda todo o entendimento sobre determinados fatos. Se pensarmos que para termos um inimigo, é preciso antes de tudo, que haja uma relação de afetividade, que por alguma razão, que muitas vezes desconhecemos, esse afeto foi ferido, seja lá por qual motivo for, e que, a partir daí, ganhamos um inimigo, entendemos que o inimigo pode realmente ser aquele amigo ferido em um dado momento. 

Quando a gente consegue alcançar essa compreensão, passamos a ser mais indulgentes, sabendo que nem sempre o homem é todo mal, e nem sempre o homem é todo bem. Somos parte dessas duas realidades que se expressam motivadas por determinadas causas.  E essas causas, residem no fato de sermos espíritos em processo de evolução, dotados de tamanhas imperfeições, mas que em algum momento, estaremos prontos a sair desses estágios mais primitivos de nossa existência.

Seja encarnado ou desencarnado, o Espírito em processo de evolução, caminha para o reconhecimento de suas imperfeições afim de se melhorar a cada dia, rumo ao seu destino. Entretanto, em se tratando de espíritos desencarnados, é preciso pensar que a morte não o livre senão, de seu envoltório corporal, mas que o espírito  do desencarnado pode estar vinculado ao seu, mesmo depois de ter deixado a terra. Tudo depende de suas motivações junto aos seus desafetos.

Por essa razão, é que os encarnados, enquanto estiverem na oportunidade da vida na carne, devem procurar encontrar um meio de viver em harmonia com seus amigos, familiares, mas sobretudo, buscarem um entendimento com seus desafetos, no sentido de neutralizar os conflitos, e os consequentes sentimentos de ódio, raiva, desejo de vingança, etc. Para isso, é preciso que estejamos revestidos de sentimentos nobres do entendimento,  pautados na humildade para reconhecer a sua participação no processo de conflito, e buscar o outro para esse entendimento fraterno e amigável; disponibilidade para o perdão verdadeiro, que traz para perto de si, aquele que um dia o ofendeu, sem mesmo lembrar da ofensa; amor para a busca e o acolhimento na medida de uma relação sadia, sem conflitos ou desconfiança, porque é preciso que atinjamos um nível de evolução espiritual que nos permita cumprir a máxima do Cristo: "amai os vossos inimigos".

Não há coração tão perverso que não seja tocado de bons procedimentos, mesmo inconscientemente (ALLAN KARDEC, 1864). Essa afirmativa nos remete a raciocinar sobre os nossos amigos feridos ou inimigos desencarnados sob a perspectiva  do amor, do cuidar, e porque não, da caridade? Pois, mesmo diante de intensos conflitos, que muitas vezes, se estendem por diversas vidas, quando uma das partes, humildemente, reconhece a sua responsabilidade, ela consegue tocar o outro, redirecionando ou lançando um novo olhar para o problema, e da mesma forma que de um amigo, conseguimos fazer um inimigo com a nossa animosidade, também conseguimos fazer de um inimigo um amigo, com a nossa amorosidade.

Os inimigos desencarnados manifestam seu ódio, suas perseguições pelas obsessões e subjugações, ocasionando as grandes provas sobre as quais, as pessoas estão submetidas na vida. A partir daí, é que surgem as dificuldades e os obstáculos que a maioria das pessoas acabam por enfrentar em suas vidas, além é claro, daqueles ocasionados por elas mesmas, por meio de suas respectivas escolhas com o uso de seus livre-arbítrios. Viver implica em escolhas diárias e cotidianas, que nos direcionam e orientam em direção ao nosso destino. Em virtude, de não termos alcançado ainda, um patamar de evolução espiritual e moral ideal, nos perdemos na rota do amor e da caridade, e acabamos nos colocando entre vítimas e algozes, nos caminhos da vida.

    
                                                          RESIGNAÇÃO

Entretanto, essas provas devem ser vistas e aceitas com a RESIGNAÇÃO  (aceitação daquilo que não pode ser mudado) e a RESILIÊNCIA (poder de recuperação, dar a volta por cima) necessárias ao enfrentamento dessas dificuldades. Quando compreender que os espíritos são pessoas desencarnados que já viveram na Terra como nós, e que por hora, orbitam em torno na Terra porque vibram na mesma sintonia dos encarnados dessa Terra de provas e expiações, aceitamos pelo entendimento  e compreensão, que os espíritos desencarnados são os espíritos encarnados de outrora, e que nós, espíritos encarnados, somos os espíritos desencarnados de outrora também. 

Passamos a compreender também que não há demônio , esse bicho cabeludo que andam pintando por aí, como se fosse de outra gênese, que não a do Espírito, ou que não a do homem. Assim como entre encarnados há homens animalizados, capazes das maiores atrocidades, sobre os quais ainda reinam um homem primitivo, possuído por instintos de agressividade constante, por não terem atingido um nível de esclarecimento e evolução que o tornasse capaz de amar, também há espíritos  desencarnados ainda animalizados por essas mesmas características, de tal sorte, que o faz agir como bicho. Ambos nas fieiras da reencarnação, necessitando de oportunidades para encarnar, afim de evoluir, aprender, e se espiritualizar. "O Espiritismo vem provar que esses demônios não são outros senão as almas dos homens perversos, que não se despojaram ainda dos instintos materiais; que não se pode apaziguá-los senão pelo sacrifício de seu ódio, quer dizer, pela caridade..."(ALLAN KARDEC, 1864)

Então fica a dica para todos os que vivem em conflitos, brigando e lutando por coisas alheias ao ser, e voltadas para o ter,  que é na vida de encarnado que temos as oportunidades de apaziguar nossos conflitos internos e externos, e nos entendermos com aqueles com os quais menos afinidades temos, mais conflitos causamos, mais dificuldades enfrentamos. 

Cada ponto de dificuldade, conflito, desafeto que permeia nossas vidas, devem ser olhados, cuidadosamente sob o olhar da indulgência, humildade e caridade, mas sobretudo, sobre o olhar do amor, lembrando que esse desafeto hoje, pode ter sido, o maior de todos os seus afetos por diversas vidas. 

Por Alessandra Uzêda
Reflexão Evangelho no Lar de 16/06/2019 21 hs
O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XII - Amai os vossos Inimigos - Os inimigos desencarnados.

sábado, 18 de maio de 2019

PROCESSOS OBSESSIVOS-QUEM É O OBSIDIADO?


                Extensão do Curso de Educação e Desenvolvimento Prático Mediúnico
     Estudo das Obsessões - Aula III

Para saber quem é o obsidiado num processo obsessivo, É preciso Compreender:

       O que é OBSESSOR?
       O que é OBSIDIADO?
       O que são PROCESSOS OBSESSIVOS?
       Quem é o Obsidiado?

O QUE É OBSESSOR?

       Do latim, obsessore, aquele que causa a obsessão, que importuna. O obsessor é uma pessoa como nós. […] Não é um ser diferente, que só vive de crueldades, nem um condenado sem remissão pela Justiça Divina.

   Não é um ser estranho a nós. Pelo contrário. É alguém que privou de nossa convivência, de nossa intimidade, por vezes com estreitos laços afetivos.

       É alguém, talvez, a quem amamos, outrora.

       O obsessor é o irmão, a quem os sofrimentos e desenganos desequilibraram, certamente com a nossa participação.

       Os maus Espíritos são aqueles que ainda não foram tocados de arrependimento; que se deleitam no mal e nenhum pesar por isso sentem; que são insensíveis às reprimendas, repelem a prece e muitas vezes blasfemam do nome de Deus.

       Almas endurecidas, se vingam nos homens dos sofrimentos que suportam, e perseguem com o seu ódio aqueles a quem odiaram durante a vida, quer obsedando-os, quer exercendo sobre eles qualquer influência funesta.

       Os Espíritos sedutores se esforçam por nos afastar das veredas do bem, sugerindo-nos maus pensamentos.

        Aproveitam-se de todas as nossas fraquezas, como de outras tantas portas abertas, que lhes facultam acesso à nossa alma.

Que é  OBSIDIADO?

  •        Aquele que é importunado, atormentado, perseguido.
  •        O obsidiado, antes de qualquer coisa,  é vítima de si mesmo.
  •      Segundo Joanna de Ângelis, Prisão interior, […] “Cela pessoal”, onde grande maioria se mantém sem lutar por sua libertação, acomodada aos vícios, cristalizada nos erros.
  •     Obsidiados!  É o algoz de ontem e que agora se apresenta como vítima. Ou então é o comparsa de crimes, que o cúmplice das sombras não quer perder, tudo fazendo por cerceá-lo em sua trajetória.

Quem é o obsidiado?
      
No  sexo, nos vícios, no vampirismo espiritual, é preciso analisar o contexto em que surgem as motivações que unem dois espíritos em sintonia e vibração.
As provações que o afligem representam oportunidade de reajuste, alertando-o para a necessidade de se moralizar, porquanto, sentindo-se incomodado pelo obsessor espiritual, mais depressa se conscientizará da grandiosa tarefa a ser realizada.

       AUTOCONHECIMENTO – Voltar-se para dentro de si. Conhecer-se é conhecer a nossa sombra também.

      AUTORREFLEXÃO – Refletir e discernir sobre as descobertas de si mesmo, feitas através do processo de autoconhecimento.

     AUTOTRANSFORMAÇÃO – Vontade firme, decisão para mudar, se autotransformar, elevando seu padrão vibratório, estabelecendo melhor sintonia, se libertando de vínculos obsessivos.

A codificação de Allan Kardec é roteiro para transformação moral pessoa.

Que são PROCESSOS OBSESSIVOS?

       Sequência contínua de fatos ou operações, com certa regularidade; andamento, desenvolvimento, marcha. 
       É a obsessão em si, ou neurose obsessiva.
   O processo obsessivo constitui-se em uma sucessão de eventos que culmina com o domínio do obsidiado pelo obsessor, a ponto de subtrair-lhe a saúde mental, física, social e familiar.

O Codificador enumera, no item 243 de O Livro dos Médiuns, nove características pelas quais se pode reconhecer a obsessão que acomete o médium. É preciso estar atento aos sinais!

  • 1.       Persistência de um Espírito em se comunicar;
  • 2.      2. Ilusão do médium em relação à qualidade da comunicação que recebe;
  • 3.      Crença na infalibilidade dos espíritos que por ele se comunicam;
  • 4.      Disposição de se afastar das pessoas que possam dar bons conselhos;
  • 5.      Reação negativa à crítica das comunicações que recebe;
  • 6.      Necessidade constante de psicografar (ou exercer outro tipo de mediunidade) em locais e horários inadequados;
  • 7.      Constrangimento que impulsione o médium a falar contra a vontade
  • 8.      Ruídos e perturbações ao redor do médium.

Para que o processo obsessivo se instale é preciso que obsessor e obsidiado vibrem na mesma sintonia

Antes de agir, o obsessor:
       Observa o dia a dia do obsidiado para conhecê-lo.
       Escutam seus pensamentos para a partir daí criar suas estratégias e ação.
       Ficam a espreita esperando a oportunidade de se aproximarem, e esta oportunidade acontece no momento em que se permite baixar o padrão vibratório.

BONS PENSAMENTOS, sentimentos e atos nobres

       A energia positiva estabelece os limites do assédio das sombras.
       As sombras de uma forma frontal, se sentem impedidas de ali ingressar ou permanecer, porque o teor de forças do ambiente as obriga dali se retirarem.
       Espíritos inferiores não suportam as energias de alto padrão de voltagem do bem.

MAUS PENSAMENTOS, maus  sentimentos e maus atos

       A energia negativa cria um campo energético favorável e de livre acesso ao assédio das sombras.
       Torna-se vulnerável a todo tipo de invasão espiritual.
       As sombras de uma forma frontal, se sentem atraídas para ali ingressar ou permanecer, tornando-se convidadas de nossas condutas inferiores e invigilantes.

Porque é importante manter o ELEVADO PADRÃO VIBRATÓRIO?

       Entenda que:
       O ambiente em que vivem, passa a vibrar conforme as vibrações dos que ali se achem reunidos.
       A lei de sintonia atrairá para essas fontes emissoras as entidades que com elas se sintonizem o que podem produzir a sensação de harmonia e serenidade ou a de angústia e desespero.

Como inicia o processo obsessivo?

“No início da obsessão, o espírito perseguidor localiza na sua vítima “(...) Os condicionamentos, a predisposição e as defesas desguarnecidas, disso tudo se vale o obsessor para instalar a sua onda mental na mente da pessoa visada. (...).”

Em seguida, envolve-a em seus fluidos perispirituais a fim de garantir efetiva sintonia mental entre ambos. (Schubert, suely caldas. Obsessão/desobsessão. Pt. 1, cap. 9.)

Esta só acontece porque, agindo de forma persistente, o obsessor envia “(...) Os seus pensamentos, numa repetição constante, hipnótica, à mente da vítima, que, incauta, invigilante, assimila-os e reflete-os, deixando-se dominar pelas ideias intrusas.”

No livro nas malhas da obsessão, o espírito obsessor se aproveita do momento de fragilidade do encarnado e vai imantando fios energéticos densos sobre ele, atraindo outros espíritos de igual teor vibratório e sintonia, consequentes da emanação da bebida.

A finalidade maior desses espíritos se juntarem ao encarnado é simplesmente o fato de compactuarem dos mesmos vícios, conhecem seu algoz. Com isso, eles incentivam o encarnado a beber mais, e junto a ele, vai absorvendo grande parte das energias da bebida.

FIOS, TEIAS, VÍNCULOS, FIOS, CORDÕES ENERGÉTICOS

Qualquer ambiente onde haja a presença de relações humanas, lá teremos os cordões energéticos em maior ou menor intensidade e diferentes qualidades.

Os processos obsessivos acontecem na interação entre dois seres, que podem ser encarnados ou desencarnados, vibrando na mesma sintonia  devido às suas afinidades morais.
  •        Encarnado para Encarnado
  •        Encarnado para desencarnado.
  •        Desencarnado para Encarnado.
  •        Desencarnado para desencarnado.

Quem é o Obsidiado?


       Caso1: uma pessoa obsidia outra pessoa, utilizando-se de seu poder de persuasão, influenciando seus pensamentos e ações. Isso acontece a partir das afinidades de ideias, pensamentos, sentimentos e atitudes.
       Aquele que sofre o assédio (obsidiado) também pode exercer na relação, o papel do obsessor, quando busca o outro com frequência, para reafirmar suas convicções, abrindo assim, o espaço para que o obsessor, possa influenciá-lo. Quando essa busca é frequente, convocando-o para toda e qualquer coisa. (ex.: pessoas que nada fazem sem antes perguntar a outra se está bom, se gostou, se concorda, etc.)


       Caso 2: amor egoísta e possessivo daqueles que ainda estão encarnados e que não aceitam a desencarnação de um ente querido, e por isso, ficam pensando naquele que desencarnou.
       O encarnado alimenta os pensamentos em direção ao desencarnado, desejando a sua presença, ou se lamentando pela sua partida.  Quem é o obsidiado?
       Nesse caso, havendo reciprocidade na busca entre ambos, desencarnado e encarnado assumem o papel de obsidiados e obsessores ao mesmo tempo.


Obsessão de desencarnado  para desencarnado

       Caso 3: são espíritos desencarnados que dominam outros desencarnados, para satisfação de seus desejos e necessidades, podendo escraviza-los e dominá-los por longo tempo.
       Nesse caso, o obsidiado é o desencarnado que tem menor poder de influência em relação ao outro.
       Havendo interesses mútuos na relação entre ambos, pode-se se estabelecer uma relação de troca, em que o obsidiado busca constantemente o obsessor para atender às suas necessidades, ambos se revezando entre obsessor e obsidiado.

Desencarnado para encarnado

       É o domínio de um desencarnado sobre um encarnado no plano físico.
       Caso 4: um espírito desencarnado se junta a um espírito encarnado por diversas razões: fanatismo, dominação, sentimentos, interesse, sexo, etc. Porém, é preciso haver sintonia entre ambos, pois, quando estes vibram numa mesma faixa vibratória, se atraem e se buscam pelos pensamentos, sentimentos e atitudes.
       Inicialmente o obsidiado é o espírito encarnado quando sofre a influência do espirito desencarnado.

O que define quem é o obsidiado na obsessão?

       O contexto em que a relação se estabelece, as motivações pelas quais se mantém unidos os espíritos, e como se estabelece a busca de um pelo outro.
       A qualidade dos pensamentos, sentimentos e atitudes, com as quais estão sintonizados o suposto obsidiado.
       A sintonia e a vibração em que se permite ficar.
Encarnado e desencarnado, hora se comporta como obsessor, hora se torna obsidiado.
       Obsessor – REQUER UMA AÇÃO SOBRE O OUTRO.
       OBSIDIADO – REQUER UMA SUBMISSÃO EM RELAÇÃO AO OUTRO.

Auto obsessão

       Este tipo de obsessão pode gerar vários distúrbios psicológico. E ela ocorre quando o espírito atormenta a si mesmo, através de pensamentos dos quais não consegue se livrar.

Conclusão sobre quem é o obsidiado

Todos nós, no decorrer de nossas vidas, assumimos ambos os papéis, de obsessor e obsidiado, conforme nossas fraquezas morais, nossa inação perante as dificuldades da vida.
Se existe um processo obsessivo, a vida está lhe convidando a realizar os ajustes necessários, que te libertarão!


Referências bibliográficas
       RUIZ, André Luiz.; Lúcius. Despedindo-se da terra.
       SCHUBERT, Suely Caldas. Obsessão e desobsessão.
       FRANCO, Divaldo Pereira; Manoel Philomeno de Miranda.  Painéis da obsessão.
        BARBOSA, Valdemir. Nas malhas da obsessão.
       KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.