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domingo, 5 de julho de 2015

DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE - MÉDIUNS ESCREVENTES OU PSICÓGRAFOS

DESENVOLVIMENTO DA MEDIUNIDADE

Trataremos aqui, especialmente, dos MÉDIUNS ESCREVENTES, porque é este o gênero de mediunidade que mais se expandiu, e também porque é há um tempo o mais simples, o mais cômodo, o que proporciona resultados mais satisfatórios e mais completos. 
É ainda o que todos ambicionam, infelizmente não há, até o presente, nenhum meio de diagnosticar, mesmo de maneira aproximativa, que se possui essa faculdade. Os sinais físicos que alguns tomam por indícios nada têm de certo. Podemos encontrá-las nas crianças e nos velhos, nos homens e nas mulheres, qualquer que seja o temperamento, o estado de saúde ou o grau de desenvolvimento intelectual e moral. Só há um meio de constatar a sua existência: é experimentar.
Pode-se obter a escrita, como já vimos, por meio de cestas e pranchetas ou diretamente pela mão. Sendo este último modo o mais fácil, e podemos dizer que o único hoje empregado, é o que de preferência recomendamos
O processo é dos mais simples. Consiste unicamente em pegar-se um lápis e papel e pôr-se em posição de escrever, sem qualquer outra preparação. Mas, para se conseguir bons resultados, são indispensáveis muitas recomendações.
 No tocante às condições materiais, recomendamos evitar-se tudo o que possa impedir o livre movimento da mão. É mesmo preferível que ela não se apoie inteiramente no papel. A porta do lápis deve manter o contato necessário para escrever, mas não para oferecer resistência. Todas essas precauções se tornam inúteis quando se começa a escrever corretamente, porque então nenhum obstáculo poderia deter a mão. Essas são apenas as preliminares do aprendizado.
Pode-se usar indiferentemente a pena ou o lápis. Alguns médiuns preferem a pena, mas ela só pode servir para os que estão formados e escrevem calmamente. Há os que escrevem com tal velocidade que o uso da pena seria quase impossível ou pelo menos muito incômodo. Acontece o mesmo com a escrita sacudida ou irregular, e quando se trata de Espíritos violentos, que batem com a ponta e a quebram, rasgando o papel.
O desejo de todo aspirante a médium é naturalmente poder conversar com Espírito de pessoas queridas, mas essa impaciência deve ser moderada, porque a comunicação com determinado Espírito apresenta quase sempre dificuldades materiais que a tornam impossíveis para o iniciante. Para que um Espírito possa comunicar-se é necessário haver entre ele e o médium relações fluídicas que nem sempre se estabelecem de maneira instantânea. Somente na proporção em que a mediunidade se desenvolve o médium vai adquirindo a aptidão necessária para entrar em relação com o primeiro Espírito comunicante.
Pode ser, portanto, que o Espírito desejado não esteja em condições propícias, apesar de se encontrar presente. Como pode ser, ainda, que ele não tenha possibilidade nem permissão de atender ao apelo. Convém, pois, no princípio, abster-se o médium de chamar um determinado Espírito, porque muitas vezes acontece não ser com ele que as relações fluídicas se estabeleçam com maior facilidade, por maior simpatia que lhe devote. Antes, pois, de pensar em obter comunicações deste ou daquele Espírito, é necessário tratar do desenvolvimento da faculdade, fazendo para isso um apelo geral e se dirigindo sobretudo ao seu anjo guardião.
Não há para isso fórmulas sacramentais. Quem pretender oferecer uma fórmula pode ser firmemente taxado de impostor, porque para o Espírito a forma nada vale. Entretanto a evocação deve ser feita sempre em nome de Deus. Pode-se faze-la nos termos seguintes ou em outros equivalentes: Rogo a Deus todo poderoso permitir a um bom Espírito comunicar-se comigo, fazendo-me escrever; rogo também ao meu Anjo guardião que me assista e afaste de mim os Espíritos maus.
Espera-se então que um Espírito se manifeste, fazendo escrever alguma coisa. Pode acontecer que seja aquele que se deseja, como pode ser um Espírito desconhecido ou o Anjo da Guarda. Num caso ou noutro, geralmente ele se dá a conhecer escrevendo o nome. Apresenta-se então o problema da identidade, uma das que requerem maior experiência, pois são poucos os iniciantes que não estejam expostos a ser enganados. 
Quando se quer chamar determinados Espíritos, é essencial dirigir-se inicialmente aos que se sabe serem bons e simpáticos e que podem ter um motivo para atender, como os de parentes e amigos. Nesse caso a evocação pode ser feita assim: Em nome de Deus todo poderoso,rogo ao Espírito de fulano que se comunique comigo. Ou ainda: Rogo a Deus todo poderoso permitir ao Espírito de fulano que se comunique comigo. Ou por outras palavras correspondentes a esse mesmo pensamento.
 Mais importante a se observar, do que a maneira de fazer o apelo, é a calma e o recolhimento que se deve ter, juntos a um desejo ardente e uma firme vontade de êxito. E por vontade não entendemos aqui um desejo efêmero e inconseqüente, a cada momento interrompido por outras preocupações, mas uma vontade séria, perseverante, sustentada com firmeza, sem impaciência nem ansiedade. O recolhimento é favorecido pela solidão, pelo silêncio e afastamento de tudo o que possa provocar distrações.

EXERCÍCIO
Nada mais resta então a fazer, senão isto: renovar todos os dias a tentativa, durante dez minutos, um quarto de hora ou mais de cada vez, durante quinze dias, um mês, dois meses e mais se necessário. Conhecemos médiuns que só se formaram depois de seis meses de exercício, enquanto outros escrevem corretamente desde a primeira vez.

APTIDÕES ESPECIAIS DOS MÉDIUNS

APTIDÕES ESPECIAIS DOS MÉDIUNS

Médiuns de Efeitos Físicos
Médiuns de Efeitos Intelectuais:
  • Médiuns Audientes
  • Médiuns Falantes
  • Médiuns Videntes
  • Médiuns Inspirados
  • Médiuns de Pressentimentos
  • Médiuns Proféticos
  • Médiuns Sonâmbulos
  • Médiuns Extáticos
  • Médiuns Pintores ou Desenhistas
  • Médiuns Musicais
Variedades Comuns a Todos os Gêneros de Mediunidade:
  • Médiuns Sensitivos
  • Médiuns Naturais ou Insconscientes
  • Médiuns Facultativos ou Voluntários
Variedades Especiais para Efeitos Físicos:
  • Médiuns Tiptólogos
  • Médiuns Motores
  • Médiuns de Translações e Suspensões
  • Médiuns de Efeitos Musicais
  • Médiuns de Transporte
  • Médiuns de Aparições
  • Médiuns Noturnos
  • Médiuns Pneumatógrafos
  • Médiuns Curadores
  • Médiuns Excitadores
Variedades de Médiuns Escreventes:
  • Médiuns Escreventes ou Psicógrafos
  • Médiuns Escreventes Mecânicos
  • Médiuns Semimecânicos
  • Médiuns Intuitivos
  • Médiuns Polígrafos
  • Médiuns Poliglotas
  • Médiuns Analfabetos
Segundo o Desenvolvimento da Faculdade
  • Médiuns Novatos
  • Médiuns Improdutivos
  • Médiuns Desenvolvidos ou Formados
  • Médiuns Lacônicos
  • Médiuns Explícitos
  • Médiuns Experimentados
  • Médiuns Flexíveis
  • Médiuns Exclusivos
  • Médiuns de Evocações
  • Médiuns de Ditados Espontâneos
Segundo o Gênero e a Especialidade das Comunicações:
  • Médiuns Versificadores
  • Médiuns Poéticos
  • Médiuns Positivos
  • Médiuns Literários
  • Médiuns Incorretos
  • Médiuns Historiadores
  • Médiuns Científicos
  • Médiuns Medicinais
  • Médiuns Religiosos
  • Médiuns Filósofos e Moralistas
  • Médiuns de Comunicações Triviais e Obscenas
Segundo as Qualidades Físicas do Médium:
  • Médiuns Calmos
  • Médiuns Velozes
  • Médiuns Convulsivos
Segundo as Qualidades Morais do Médium
Médiuns Imperfeitos:
  • Médiuns Obsedados
  • Médiuns Fascinados
  • Médiuns Subjugados
  • Médiuns Levianos
  • Médiuns Indiferentes
  • Médiuns Presunçosos
  • Médiuns Orgulhosos
  • Médiuns Susceptíveis
  • Médiuns Mercenários
  • Médiuns Ambiciosos
  • Médiuns de Má Fé
  • Médiuns Egoístas
  • Médiuns Ciumentos
Bons Médiuns
  • Médiuns Sérios
  • Médiuns Modestos
  • Médiuns Devotados
  • Médiuns Seguros
Além das categorias mediúnicas já enumeradas, a mediunidade apresenta infinitas variedades que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares ainda não definidas, abstraindo-se as qualidades próprias e os conhecimentos do Espírito manifestante.
A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação ou da sua inferioridade, do seu saber ou da sua ignorância.

Mas apesar da semelhança de grau, no tocante à hierarquia, há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam das manifestações físicas; entre os que dão manifestações inteligentes há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, sábios, moralistas, médicos, etc.
Referimo-nos a Espíritos de uma ordem mediana, porque num grau mais elevado as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Mas ao lado da aptidão do Espírito existe a do médium, instrumento que é para ele mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, e no qual ele descobre qualidades particulares que não podemos apreciar.
Façamos uma comparação. Um músico bastante hábil tem ao seu dispor numerosos violinos que, para o vulgo, serão todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz grande diferença, percebendo nuanças de extrema delicadeza que o farão escolher uns e rejeitar outros, nuanças que ele percebe por intuição, sem poder defini-las.

Acontece o mesmo em relação aos médiuns: apesar da igualdade de condições quanto à potência mediúnica, o Espírito dará preferência a um ou a outro, segundo o gênero de comunicações que deseja transmitir. Assim, por exemplo, vêem-se alguns escreverem, como médiuns, admiráveis poesias, quando nas condições ordinárias jamais puderam ou souberam fazer versos. Outros, pelo contrário, são poetas, mas como médiuns só escrevem prosas, apesar do seu desejo de escrever poesias. Acontece o mesmo com o desenho, a música etc.
Há médiuns que, sem possuírem conhecimentos científicos, são mais aptos a receber comunicações dessa ordem. Outros são mais aptos para estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes a Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a flexibilidade do médium, as comunicações que recebe com mais facilidade tem geralmente um cunho especial.

Há ainda os que nunca saem de um determinado campo, e quando deles se afastam só recebem comunicações incompletas, lacônicas e muitas vezes falsas.
Além da questão das aptidões, os Espíritos ainda se comunicam dando preferência mais ou menos acentuada a este ou aquele médium, de acordo com as suas simpatias. Dessa maneira, apesar da plena semelhança de condições, o mesmo Espírito será mais explícito através de certos médiuns, unicamente porque esses melhor lhe convêm. 

Seria errôneo, querer obter-se, só por se dispor de um bom médium escrevente, boas comunicações de todos os gêneros. A primeira condição é a de assegurar-se da fonte dessas comunicações, quer dizer, das qualidades do Espírito que as transmite. Mas não é menos necessário atentar para as qualidades do instrumento mediúnico.

Temos pois de estudar a natureza do médium como se faz com a do Espírito, porque são eles os elementos essenciais para um resultado satisfatório. Mas há um terceiro elemento igualmente importante, que é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga o Espírito. E isso é fácil de compreender.
Para que uma comunicação seja boa é necessário que provenha de um Espírito bom. Para que esse Espírito bom POSSA transmiti-la precisa dispor de um bom instrumento. Para que ele QUEIRA transmiti-la, é necessário que o objetivo lhe convenha.
O Espírito, que lê o pensamento, julga se a questão proposta merece uma resposta séria e se a pessoa que a formula é digna dessa resposta. Caso contrário, não perde tempo lançando boas sementes nas pedras. É então que os Espíritos levianos e zombeteiros se intrometem, porque, pouco se importando com a verdade, não encaram o assunto como deviam e são geralmente bem pouco escrupulosos no tocante aos meios e aos objetivos.